1.2. KAT KARŞILIĞI İNŞAAT SÖZLEŞMESİNİN HUKUKÎ NİTELİĞİ
1.2.1. Hukukî Niteliği
1.2.1.4. Resmî Şekle Tâbi Bir Sözleşme Olması
Por bilingüismo compreende-se a capacidade de um indivíduo valer-se de dois sistemas lingüísticos (CÂMARA JR., 1988, p. 65; CRYSTAL, 1988, p. 39; TRASK, 2006, p. 47; NEUVEU, 2008, p. 59; CARRETER, 1962, p. 74). Essa é a característica recorrente nas definições encontradas. Outras especificações são passíveis de discussão, nas quais não nos deteremos, embora aqui se registrem. Câmara Jr. (1988, p. 65) afirma ser o domínio igual de duas línguas, designando diglotismo a capacidade maior ou menor de escrever corretamente uma língua estrangeira. Neuveu (2008, p. 59) afirma inexistir no bilingüismo valorização de um dos sistemas em detrimento do outro, no que se diferenciaria da diglossia, a qual, além de se caracterizar pelo emprego dos dois sistemas por um número maior de falantes, nela se verifica justamente a especialização das funções de cada sistema, correlacionada freqüentemente à avaliação do prestígio destes (TRASK, 2006, p. 81-82; CRYSTAL, 1988, p. 82). Neuveu (2008, p. 60) diz, ainda, existirem muitas possibilidades de simbiose entre duas línguas, podendo-se empregar o termo bilingüismo para todas.
O bilingüismo pode ser medido em graus de proficiência, que variam desde o domínio comparável ao do falante nativo monolíngüe até o conhecimento mínimo da segunda língua (CRYSTAL, 1988, p. 39).
Já a diglossia é um fenômeno social, um bilingüismo estendido à comunidade lingüística. Segundo Ferguson (apud WARDHAUGH, 1992, p. 89), apenas duas variedades lingüísticas estão nele envolvidas. Crystal (1988, p. 82) fala da coocorrência de duas variantes muito diferentes de uma mesma língua. Em comum, as definições trazem a especialização das funções, com uso das línguas envolvidas apenas nas funções socialmente estabelecidas como adequadas para cada uma delas (TRASK, 2006, p. 81-82; NEUVEU, 2008, p. 59-60).
Na coexistência, as “variedades lingüísticas”, para nos valermos do termo usado pelo atribuidor do conceito em questão, se caracterizam por diferente valoração na avaliação social, que se reflete na especialização das suas funções de uso. Designando-se A a variedade alta (ou H, do ing. High) e B a variedade baixa (ou L, do ing. Low), tem-se que:
A variedade alta (A) é a que se atribui prestígio. É aprendida por meio da instrução formal, do que decorre que falantes com pouca escolaridade dela tenham domínio precário, podendo, inclusive, não compreendê-la. É empregada na imprensa oral e escrita e nas demais publicações, na literatura, em conferências e em atividades religiosas.
À variedade baixa (B) atribui-se pouco ou nenhum prestígio, sendo a sua existência até mesmo negada. É a língua materna da maioria dos falantes. Empregada na
conversação corrente e em entretenimentos populares (novelas, comentários esportivos), raramente é escrita e pode não haver consenso quanto à sua forma gráfica. Pode ocorrer em revistas em quadrinhos, legendas de charges políticas, publicações obscenas e cartas pessoais (FERGUSON apud TRASK, 2006, p. 82).
Assim, além da compartimentalização das funções com que se empregam os sistemas lingüísticos coexistentes numa comunidade, a diglossia se caracteriza, ainda, pela hierarquização destas. Exemplificam comunidades diglóssicas países árabes, em que a variedade A é o árabe clássico do Alcorão e a B, o árabe correntemente falado, assim como a Europa Medieval, em que o latim constituía a variedade A e os vernáculos, a B (TRASK, 2006, p. 83).
Ferguson identificou a diglossia como fenômeno distinto do bilingüismo nos anos 60 do século passado. Considerava apenas a coexistência de variedades de uma mesma língua (TRASK, 2006, p. 82; HEYE, 1979, p. 215).
Na década seguinte, Fishman (1971, apud HEYE, 1979, p. 216) estendeu o conceito a sociedades bilíngües, aplicando-o à coexistência de línguas distintas. Opôs bilingüismo e diglossia, a partir da sua caracterização, respectivamente, como “versatilidade lingüística individual” ou “alocação social das funções para diferentes línguas ou variedades”. Correlaciona, como critério para definição das funções a que as línguas se destinam, classes sociais e funções sociais. Estabeleceu, assim, quatro configurações possíveis para a distribuição dos fenômenos do bilingüismo e da diglossia numa sociedade em que se verifica contato de duas línguas, a A, de prestígio, e a B, de menor prestígio:
1. Diglossia e bilingüismo, com coexistência das línguas, distribuídas de forma estável consoante funções sociais distintas, configuração verificada em grandes sociedades, a exemplo do que ocorre na Índia (hindi e inglês) e no Paraguai (guarani e espanhol) (FISHMAN apud HEYE, 1979, p. 216);
2. Diglossia sem bilingüismo, usual em ex-colônias, configuração em que se verifica separação funcional absoluta das funções das línguas, sendo o domínio de cada uma delas verificado em grupos sociais específicos, com o uso da variedade A pela classe detentora do poder, para destacar-se dos falantes da variedade B, “língua do povo” (FISHMAN apud HEYE, 1979, p. 216), como o uso do árabe por elites políticas da África Negra, quando do processo de islamização desta;
3. Bilingüismo sem diglossia, configuração instável, relacionada a situações sujeitas a rápidas mudanças (migração, e.g.), na qual se alterna o uso das línguas de acordo com os assuntos e as funções das comunicações, a situação e os papéis dos interlocutores,
como o uso de uma língua em decorrência do exercício de uma determinada profissão, o que se verifica na maioria das sociedades (FISHMAN apud HEYE, 1979, p. 216);
4. Nem bilingüismo, nem diglossia, o que é passível de ocorrer apenas no caso de isolamento absoluto da comunidade lingüística, quando a inexistência de contato lingüístico- cultural impossibilita as interferências naturais do processo. O desenvolvimento dos meios de transporte e de comunicação dificulta a ocorrência desta configuração (FISHMAN apud HEYE, 1979, p. 216-217).
Figura 01 – Relação entre bilingüismo e diglossia
1. Diglossia e bilingüismo 2. Diglossia sem bilingüismo 3. Bilingüismo sem diglossia
4. Nem diglossia nem bilingüismo
Fonte: FISHMAN apud HEYE, 1979, p. 216.
Lüdtke (1974, p. 241-242), para descrever as diversas possibilidades de contato de línguas, apresenta outro esquema, correlacionando esferas de emprego e categorias em que se classificam as línguas do mundo, conforme especificado a seguir.
Esquema de esferas de emprego:
I. Conversação (família, negócios, lugar de trabalho, círculo de amizade). II. Cultura (ensino geral, rádio, imprensa, livros).
III. Ritual (liturgia, recitação, ensino teórico).
A partir das esferas de emprego, estabelecem-se as categorias lingüísticas:
I = dialeto; língua espontânea
I + II = língua de cultura espontânea; língua nacional II + III = língua de cultura codificada
III = língua ritual
O termo dialeto ressalta forte variação regional, a exemplo de dialetos árabes empregados do norte da África à Península Arábica. Caso se trate exclusivamente de uso corrente, usa-se língua espontânea. Língua de cultura é uma mesma e única língua empregada simultaneamente como língua de cultura e da conversação, a exemplo das línguas européias em sua origem, a maioria das quais línguas espontâneas (I) tornadas línguas nacionais
+ DIGLOSSIA +
-
- BILIGUISMO
(línguas oficiais de um ou mais estados) (I + II). Já o latim exemplifica a língua ritual (III), empregado como língua da expressão religiosa na Idade Média.
Assim, estabelecem-se as categorias a partir de maior ou menor codificação dos sistemas lingüísticos, desde “ausência” de codificação (I) à máxima codificação (III), passando por estágios intermediários, de “codificação pelo uso” (I + II) e de efetiva codificação exigida por tarefas às quais se impõe uso da escrita, como a educação, a literatura e a legislação (II + III).
Segundo Lüdtke (1974, p. 243), consideram-se “normais” as seguintes situações lingüísticas:
1. Predomínio de uma língua culta espontânea (língua nacional): I + II
2. Língua culta espontânea empregada simultaneamente como língua ritual: I + II + III
3. Dialeto e língua culta espontânea:
I / I + II 4. Língua culta espontânea e língua ritual:
I + II / III 5. Dialeto, língua culta espontânea e língua ritual:
I / I + II / III
Segundo Lüdtke (1974, p. 243), Diglossia é uma situação particular, menos freqüente, em que se opõem um dialeto e uma língua culta codificada que também é empregada como língua ritual, isto é: I / II + III.
Ainda conforme Lüdtke (1974, p. 243), a diglossia se caracteriza pela conversação realizada por meio de uma língua, enquanto a cultura e o rito expressam-se por intermédio de outra. Ambas, entretanto, relacionam-se reciprocamente, dadas as condições abaixo:
a) I e II + III são estruturalmente aparentadas; sendo, na maioria das vezes, II + III uma fase pretérita de I e artificialmente conservada. Os falantes de I equivocadamente julgam-na uma variedade deturpada de II + III.
b) O vocabulário fundamental de I e de II + III é idêntico em sua maior parte. A classificação das sociedades multilíngües proposta por Stewart (apud HEYE, 1979, p. 218-220) é mais detalhada, possibilitando visualização mais clara das funções das línguas em contato. Pauta-se na tipificação em padrão, clássico, artificial, vernáculo, dialeto, crioulo e pidgin, a partir de diferentes associações dos atributos padronização, autonomia, historicidade e vitalidade, conforme especificado na figura abaixo:
Figura 02 – Classificação de tipos de línguas
ATRIBUTOS TIPO SÍMBOLO
1 2 3 4 Padronização Autonomia Historicidade Vitalidade
+ + + + Padrão S + + + - Clássico C + + - - Artificial A - + + + Vernáculo V - - + + Dialeto D - - - + Crioulo K - - - - Pidgin P
Fonte: STEWART apud HEYE, 1979, p. 219.
À tipificação, indicada por letras maiúsculas, segue a especificação das funções das línguas, representadas por letras minúsculas: oficial (o), provincial (p), comunicação extensiva (w), comunicação internacional (i), cidade capital (c), grupo (g), educação (e), matéria na escola (s), uso literário (l) e religião (r) (STEWART apud HEYE, 1979, p. 219).
Stewart considera, ainda, o percentual de falantes de cada língua na sociedade como um todo, critério cuja inclusão nas pesquisas sociolingüísticas obviamente depende da disponibilidade de dados demográficos referentes às sociedades a que se aplica a análise.
Paul já havia mencionado o risco de morte de uma das línguas nas situações de contato lingüístico. Tarallo e Alkmin (1987, p. 12-13) evidenciam duas soluções para o bilingüismo: 1. o “bilingüismo estável”, em que se mantêm as duas línguas, sem mescla, e do qual resultam fenômenos como a diglossia e o code-switching (mescla das duas línguas no nível da sentença); 2. retorno ao monolingüismo, com o desaparecimento de uma das línguas em questão.
Também resulta de critérios sócio-históricos o estabelecimento de funções particulares para cada língua da comunidade bilíngüe ou a definição daquela cujo menor prestígio leva ao seu abandono (TARALLO, ALKMIN, 1987, p. 12).