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II. RMD HESAPLAMASINDA KULLANILAN PARAMETRELER
De acordo com a Constituição Federal de 1988, o Estado tem o poder de impor tributação e traçar competência tributária em sistema compartilhado entre a União, Estados, o Distrito Federal e os Municípios, de acordo com cada esfera e governo. Os tributos são criados por meio de leis que possuem as definições de regras e incidência, fatos geradores, bases de cálculos, alíquotas e os casos específicos de isenção.
A algumas atividades da economia podem ser concedidos regimes tributários especiais, que impliquem em desonerações tributárias, normalmente quando são consideradas estratégicas para o desenvolvimento do Estado e da Sociedade. É o caso do terceiro setor, que, pelo cunho social de suas atividades, precisam ser incentivadas, pois contemplam a atividade estatal (ARAÚJO, 2005, p. 33).
O mesmo autor explica que “a não tributação das organizações do Terceiro Setor pode ocorrer de duas formas: por meio de instituto da imunidade e por meio da isenção”.
a) Benefícios
De acordo com Conselho (2008, p. 37), as entidades sociais atuam em benefício da sociedade e possuem função social de grande relevância, pois suas atividades estão relacionadas diretamente a benefícios para a sociedade em geral. Reconhece-se, desse modo, que tais entidades desenvolvem papel que é de responsabilidade estatal, simplesmente pelo fato de o Estado ser inoperante e não exercer seu papel de forma satisfatória.
Com o objetivo de reconhecer o trabalho dessas entidades, o Poder Público, com o intuito de incentivar criações de novas associações, fundações e demais entidades de interesse social e, até mesmo manter as existentes, concede benefícios para viabilizar a continuidade do trabalho social.
Conforme Conselho (2008, p. 37), os principais benefícios concedidos às entidades são as isenções ou a imunidade de impostos e contribuições e, também, o recebimento de recursos públicos por meio de subvenções, termos de parceria, convênios e contratos. Outra forma de benefício quanto a não tributação está ligada a terceiros, ou seja, pessoas físicas ou jurídicas, que pela dedução do Imposto de Renda, possam contribuir em forma de doações, com entidades sociais, de maneira direta ou indireta, as doações também podem ser realizadas por meio de fundos municipais de apoio à sociedade carente.
A lei nº. 12.101/2009, em seu Capítulo I, estabelece:
Art. 1º. A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidade beneficente de assistência social com finalidade de prestação der serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam os dispostos nesta lei.
Para que a entidade possa usufruir dos benefícios concedidos pelo poder público, a mesma deve manter seus registros em conformidade com a legislação vigente.
b) Imunidade
De acordo com Machado (2005, p. 233), “é o obstáculo criado por uma norma da Constituição que impede a incidência de lei ordinária de tributação sobre determinado fato, ou em detrimento de determinada pessoa, ou categoria de pessoas”. Sobre a imunidade, o Conselho (2008, p. 37-38) descreve:
A imunidade decorre de uma norma Constitucional, que impõe vedações de diversas naturezas ao Poder Público, no que diz respeito à instituição, majoração, tratamento desigual, cobrança de tributos, entre outras limitações.
A Constituição Federal de 1988 estabelece a seguinte vedação:
Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
[...]
VI – Instituir impostos sobre:
[...]
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei.
Também o Código Tributário Nacional, em seu art. 14, dispõe sobre alguns requisitos que as entidades deverão atender, cumulativamente, para usufruir das imunidades:
Não distribuir qualquer parcela de seus patrimônios ou de suas rendas, a qualquer título;
Aplicar integralmente, no país, os seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais;
Manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar a sua exatidão.
De acordo com Conselho (2008, p. 38-39), com a norma citada, fica evidente que o patrimônio da entidade deverá ser utilizado apenas para a manutenção de seus objetivos institucionais e no Brasil.
Caso a entidade, em qualquer momento, descumpra a legislação ou a fiscalização verificar o não cumprimento de qualquer requisito à imunidade, a imunidade será cassada a partir do momento do descumprimento do requisito legal, sendo obrigatório o recolhimento dos tributos devidos, a partir da data do
descumprimento da lei. Os impostos abrangidos pela imunidade são os relativos ao Patrimônio, Rendas e Serviços das associações, fundações e demais entidades que se enquadram nas regras acima.
O Brasil é constituído na forma de federação; assim, a cada esfera de Governo é atribuída a responsabilidade tributária de seu respectivo imposto, sendo estas esferas de âmbito: Federal, Estadual e Municipal. Apresentamos abaixo, um quadro dos tributos alcançados pela imunidade de acordo com as competências de tributar:
FEDERAL ESTADUAL MUNICIPAL
Imposto sobre a renda de proventos de qualquer natureza (IR)
Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços (ICMS)
Imposto sobre Serviços de qualquer natureza (ISSQN)
Imposto sobre produtos industrializados (IPI)
Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)
Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)
Imposto Territorial Rural (ITR) Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis ou Doação de Bens e Direitos (ITCD)
Imposto sobre transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis (ITBI)
Imposto Sobre a Exportação (IE) Imposto sobre Importação (II) Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)
QUADRO 3 – Impostos por esfera e competências de governo Fonte: ARAÚJO (2005, p. 35)
As entidades do Terceiro Setor estão imunes do recolhimento dos impostos acima relacionados. A principal diferença entre a imunidade e a isenção dos impostos se dá por meio de pagamento do tributo. A imunidade é determinada pela Constituição Federal e a União, os Estados e o Distrito Federal não podem impor tributos às entidades. Entretanto, a isenção decorre de lei infraconstitucional, e pode ou não ser instituída.
Nos municípios, onde não existe previsão em seu Código Tributário Municipal da imunidade de impostos e tributos, como no caso do IPTU - Imposto Predial e Territorial Urbano, as entidades reconhecidas como beneficente de assistência social deverão requerer junto ao órgão municipal, com base no art. 150 inciso VI da
Constituição Federal, o respectivo benefício. Dessa forma, devem comprovar sua condição de entidade sem fins lucrativos, com os respectivos documentos comprobatórios de sua qualificação.
A isenção é a inexigibilidade temporária do tributo, conforme previsto em lei, mesmo com a ocorrência em tese do fato gerador e em tese da obrigação tributária (CONSELHO, 2008, p. 40). A diferença da isenção para a imunidade é que a imunidade tem caráter permanente e só pode ser alterada pela Constituição Federal; enquanto a isenção é temporária, e a lei pode delimitar o prazo de vigência, pois decorre de lei.
Machado (2005, p. 233) explica isenção como “à exceção feita por lei a regra jurídica de tributação”.
As isenções podem alcançar todos os tipos de tributo (impostos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições especiais). Cada esfera de Governo (federal, estadual e municipal) legisla sobre a isenção dos tributos de sua competência (CONSELHO, 2008, P. 40).
No mesmo manual do Conselho continua:
[...] se as pessoas jurídicas constituídas sob a forma de fundação ou associação não se enquadrarem nas regras da imunidade, deverão procurar identificar todas as normas referentes às isenções (federal, estadual e municipal) para obtenção do benefício. Verificando atender aos requisitos, deverá requerer à autoridade tributária, que não poderá denegar o pedido diante do pleno enquadramento da entidade nas regras da isenção.
A Constituição Federal, de acordo com o disciplinado no art. 151, II, afirma que a União não pode instituir isenções sobre tributos de competências dos Estados, Distrito Federal e Municípios.