No tocante à educação de pessoas jovens e adultas no governo de Fernando Henrique, em 1997 foi criado, através do Conselho da Comunidade Solidária (Sociedade civil sem fins lucrativos), o Programa Alfabetização Solidária, PAS, sendo constituído, em 1998, pela Associação de Apoio ao Programa Alfabetização Solidária, responsável direta pela efetivação do programa. Sua criação deu-se
através do Conselho da Comunidade Solidária, e o PAS constituiu em 1998 uma sociedade civil sem fins lucrativos (Associação de Apoio ao Programa Alfabetização Solidária) responsável pela execução do Programa. A Secretaria Executiva do Programa faz questão de caracterizá-lo como uma ação civil.
O objetivo central do PAS era a operacionalização de uma rede de solidariedade nacional que contribuísse para a diminuição dos índices de analfabetismo. O programa foi estabelecido através de parcerias e foi co-financiado pelo MEC, por empresas e doadores individuais.
O PAS atuava na alfabetização inicial durante cinco meses, era destinado principalmente ao público juvenil e aos municípios e periferias urbanas, nas quais o índice era mais elevado. A infra-estrutura e a mobilização dos alfabetizadores e alfabetizandos foram atribuídas à competência municipal, e a capacitação dos alfabetizadores, bem como a supervisão pedagógica eram realizadas por estudantes e docentes das universidades públicas e privadas.
A coordenação do Programa afirmou que em três anos o PAS chegou a 866 municípios atendendo, aproximadamente, 770 mil alunos. A avaliação realizada pela universidade apontou que menos de 20% do total aprendeu a ler e a escrever pequenos textos. Segundo Haddad e Di Pierro (2000), o PAS operou com conceito operacional de alfabetismo muito estreito, redundando, portanto, em mais uma campanha que não conseguiu assegurar que os egressos tenham oportunidades de seguir seus estudos.
Através do Programa de Educação na Reforma Agrária – PRONERA,
delineado em 1997 e operacionalizado em 1998, foram engenhadas ações para a população adulta analfabeta rural.
O PRONERA foi desenhado fora do governo, através da articulação entre o
Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, vinculado ao Ministério Extraordinário da Política Fundiária, foi o coordenador do projeto que se constituiu enquanto uma parceria entre governo federal – responsável pelo financiamento –, sindicatos e movimentos do campo – responsáveis pela mobilização – e as universidades – responsáveis pela formação dos educadores.
A alfabetização inicial foi o objetivo central do PRONERA, as ações desenvolvidas visavam atender aos trabalhadores rurais assentados em condições absolutas de analfabetismo, com cursos oferecidos durante um ano.
Destacou-se, também, o Plano Nacional de Formação do Trabalhador – PLANFOR, coordenado da Secretaria de Formação e Desenvolvimento Profissional
do Ministério do Trabalho. Sua operacionalização se deu de forma descentralizada,
a partir de uma rede de parceiros públicos e privados intermediados por secretarias de educação e instituições do Sistema “S”, ONGs.
O financiamento foi parcialmente descentralizado mediante contratos e convênios com Estados, e a coordenação era atribuída às secretarias de trabalho e emprego.
O PANFLOR, diferentemente do PAS e do PRONERA, não se constituiu enquanto um programa de ensino, mas destinava-se à qualificação profissional da população economicamente ativa. Nesse sentido, era entendido como complemento e não substituto da educação básica.
O objetivo era qualificar 20% da mão de obra a partir dos Planos Estaduais de Qualificação e das Parecerias Nacionais e Regionais. Entre os anos 1996 e 1998, mais de três milhões de trabalhadores receberam cursos de habilidades básicas. O obstáculo enfrentado pelo programa foi a baixa escolaridade da maioria dos alunos.
Em 2001, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, (FNDE/MEC), lançou o Projeto Recomeço, Supletivo de Qualidade. Este visava atender às regiões norte e nordeste, onde o índice de analfabetismo era bem maior, como constava no índice de desenvolvimento humano10. O Recomeço seria a complementação das ações do Alfabetização Solidária.
Na gestão Luiz Inácio Lula da Silva, foi criada a SECAD – Secretaria de
Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. A atenção central da SECAD
deveria guiar-se pela redução das desigualdades educacionais por meio da participação de todos os cidadãos, em especial de jovens e adultos, em políticas públicas que assegurassem a ampliação do acesso à educação continuada.
A Secretaria é composta por quatro departamentos: (1) o Departamento de Educação de Jovens e Adultos; (2) o Departamento de Desenvolvimento e
10
Como veremos no último tópico desta seção – na qual discorremos sobre o financiamento da educação – este projeto contribuiu para reverter a tendência que apontava desde o biênio de 1996 - 1998 a crescente diminuição na distribuição de recursos para educação de jovens e adultos.
Articulação Institucional; (3) o Departamento de Educação para Diversidade e Cidadania; e (4) o Departamento de Avaliação e Informações Educacionais.
O Departamento de Educação de Jovens e Adultos é dividido em três
coordenações gerais: a Coordenação Geral de Alfabetização, a Coordenação Geral
Pedagógica e a Coordenação Geral de Educação de Jovens e Adultos.
A política implementada pelos agentes do Departamento de Educação de
Jovens e Adultos focalizou a educação como o principal instrumento para a
promoção social, individual e coletiva.
As diretrizes políticas e pedagógicas gerais estabelecidas visavam garantir o direito à educação aos que foram excluídos da escola ou nunca tiveram a oportunidade de acesso.
A educação em consonância a todas as declarações e orientações, como vimos na seção anterior, é um processo de permanente aprendizado para toda a vida. Logo a alfabetização é somente o início do processo de escolarização, portanto, é objetivo do Departamento de Educação de Jovens e Adultos desenvolver ações que possam permitir a continuidade de estudos.
Um dos projetos encaminhados foi o Programa Fazendo Escola, cujo objetivo era enfrentar o analfabetismo e baixa escolaridade nos bolsões de pobreza, responsáveis pela concentração de adultos e jovens que não completaram as séries iniciais do ensino fundamental.
O Fazendo Escola foi desenvolvido pelo MEC em parceria com os governos
estaduais e municipais, por meio da transferência suplementar de recursos administrados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.
O objetivo principal, como no Recomeço, era desenvolver ações principalmente nas regiões que concentram maior número de analfabetos ou de população com baixa escolaridade. Também se realiza na forma de parceria com o Ministério da Educação, que apóia técnica e financeiramente os governos estaduais, as prefeituras municipais e a sociedade civil.
O projeto visava atender a 2.015 municípios dos estados do Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, PB, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins e, também aos municípios dos estados do Amapá, Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul que possuíssem um índice de desenvolvimento humano menor que 0,500.
Em 2003 foi iniciado o projeto Brasil Alfabetizado, cujos objetivos principais constituíam na ampliação do período de alfabetização de seis para até oito meses; aumento de 50% nos recursos para a formação dos alfabetizadores; estabelecimento de um piso para o valor da bolsa paga ao alfabetizador, aumentando a quantidade de turmas em regiões com baixa densidade populacional e em comunidades populares de periferias urbanas; implantação de um sistema integrado de monitoramento e avaliação do programa; maior oportunidade de continuidade da escolarização de jovens e adultos, a partir do aumento de 42% para 68% do percentual dos recursos alocados para estados e municípios.
3.3 As possibilidades para a realização dos projetos, e algumas anotações