II. 1.3.1.2 Göller
II.4. Arnavutluk’un Dini ve Etnik Yapısı
II.4.2. İslamiyet
Naquela época Fonseca também estava em Teresina. Ele era dono de um botequim, onde vendia principalmente cachaça e panelada. Barreto freqüentava o lugar sem saber que o rapaz do balcão era aquele violeiro do Buriti, pois Fonseca tocava violão, cantava samba, mas não fazia mais repentes. Tempos depois, já casado e com um filho, Barreto transferiu-se para a Terra de Iracema. Certo dia, sentado na calçada da Pousada Redenção, em Fortaleza, percebeu o olhar estranho de alguém: “Quando eu vi aquele cara com uma viola olhando assim pra mim... Aí eu digo: ‘Meu Deus, quem será esse camarada?’. Tive vontade de me aproximar dele, mas ele pegou o ônibus e foi embora”.
Pouco tempo depois, no ano de 1947, o cantador Fonseca e meu avô reconheceram-se durante o festival de cantoria promovido por Rogaciano Leite, saudoso poeta e incentivador do Repentismo. Nascido em São José do Egito, no pernambucano Vale do Pajeú, que é uma região de destaque na cantoria nordestina, Rogaciano estava radicado em Fortaleza desde 1943. Além de exercer as funções de bancário e jornalista, ele teve fama na viola: “Rogaciano participou ativamente da vida cultural da nossa sociedade, ora movimentando rodas de boêmios, ora trazendo para os jornais vibrantes reportagens, ora deliciando platéias com os fenomenais repentes”, comenta Waldy Sombra25. O musicólogo Christiano Câmara relembra a seguinte história26:
25 Em entrevista para a matéria “Poesia de corpo e alma”, publicada no site Diário do Nordeste [http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?Codigo=677663], sessão Literatura, 07.10.09, acessado em 03.12.09)
26
Essa história também é narrada no livro do jornalista Assis Ângelo (1996, p. 59): “Noutra ocasião, o Cego Aderaldo foi provocado numa cantoria pelo então jovem e folgado cantador e jornalista Rogaciano Leite (1921-1969), que o humilhava diante de uma platéia predominantemente feminina (“Tô cantando com um velho/ Cheio de reumatismo...”, dizia ele). Irritado, Aderaldo deu de garra na viola e, que nem uma faísca, desabou sobre Rogaciano, fulminando-o sem dó nem piedade:
Andei procurando um besta Um besta que fosse capaz De tanto procurar um besta Eu achei esse rapaz
O Silvio Caldas mesmo conta o caso dos repentes que estavam fazendo o poeta Rogaciano Leite, que é um caso único no Brasil – um repentista que era formado e era repentista mesmo, espontâneo, sem se mostrar pra ninguém – e do Cego Aderaldo, que era um repentista de raiz. Então o Rogaciano Leite começou a sair do esquema de não melindrar o outro e chamar o Cego de besta, e pepepe e tal. Aí o Cego no final de um repente lá, disse: “Cansei de procurar um besta/ mas um besta que fosse capaz/ e de tanto procurar um besta/ encontrei esse rapaz/ que nem serve pra ser besta/ porque é besta demais”. Essas coisas assim, mas tudo isso era de repente.
Assim como o encontro de repentistas promovido por Ariano Suassuna – no Teatro Santa Isabel, em Recife – no ano anterior (1946), o I Congresso de Cantadores, que aconteceu no Teatro José de Alencar, foi um marco na atividade repentista, ao apresentar os desafios fora dos tradicionais ambientes pés-de-parede. Das casas de família, fazendas, bares e feiras a cantoria subiu ao palco do mais importante teatro cearense, ganhando um formato de espetáculo diferente. “Fui assistir ao Festival e aí falaram ‘Domingos Fonseca’, e pelo martelo agalopado [estilo de cantoria] que cantou eu lembrei que quando menino ele cantava aquele martelo. Aí foi que me aproximei, quem é, Buriti, daí pronto”, conta Barreto. Na ocasião, Fonseca conquistou o primeiro lugar no certame, cantando com o inseparável parceiro João Siqueira de Amorim. Essa parelha ainda traria muitos versos para enriquecimento do repertório da poesia nacional.
Barreto, surpreso e entusiasmado ao rever o velho amigo, que havia se tornado um premiado profissional da cantoria, passou a acompanhá-lo: “Ele já estava morando aqui, aí fui me encontrar sempre com ele na Confeitaria Ritz, onde se encontravam os cantadores, os poetas, os cientistas: a nata da cachaça. Tudo era cachaça e cerveja. Todo cantador ia aparecer por aí e ia pra lá”. Em outubro de 1948, Rogaciano organizou outra edição do festival, que foi sucesso no Teatro Santa Isabel, em Recife. Coutinho Filho escreveu:
Salientaram-se nas audições do histórico Congresso, distinguindo-se nos aplausos da assistência, e nos votos da classificação para a legítima conquista de prêmios, os repentistas Domingos Martins da Fonseca, Severino Lourenço da Silva Pinto, e os
Que nem serve pra ser besta Porque é besta demais”.
três irmãos Batista – Lourival, Dimas e Otacílio. Estes, e seu digno comandante, o poeta Rogaciano Leite, foram os maiores do conclave.
Naquela noite, Fonseca travou memorável batalha com o pernambucano Dimas Batista. Num dos grandes momentos do desafio, os cantadores trocaram as seguintes décimas (transcritas em Coutinho Filho, F., 1953, p. 48 apud Barreto, 1991, p. 21). Fonseca improvisou:
Recordo Castro Alves na versagem, Tiradentes na sua história pública; Relembro Deodoro na República, E vivo Miguel Ângelo na imagem. Imitando Oliveiros na coragem, Ou a um Ferrabrás na Alexandria, Comparando-me a Nero em soberbia, E na ciência a um Tales de Mileto, Sou Augusto dos Anjos no soneto, Luiz Vaz de Camões na poesia
Dimas Batista devolveu:
Assisti a tragédia do Dilúvio,
Contemplei todo o incêndio de Sodoma, Fui Ministro dos Césares em Roma, Penetrei nas crateras do Vesúvio; Comovido senti o doce eflúvio Dos sermões de Jesus na Galiléia, Escavei as ruínas de Pompéia, Sondei todas as grutas netuninas, Tomei parte nas lutas herculinas, Fui criado com o leite de Amaltéia