3.2. MÜTESELSİL KEFALET SÖZLEŞMESİNİN KURULMASINA İLİŞKİN
3.2.5. Müteselsil Kefil Olma Ehliyeti
3.2.5.1. Gerçek Kişilerin Müteselsil Kefil Olma Ehliyeti
De uma forma geral, assume-se que a metodologia utilizada em grounded theory é quase uma única forma de abordagem explicitada com algumas variações entre os fundadores Glaser e Strauss (KOOLS et al, 1996). No Brasil é fácil de comprovar esse desconhecimento de outras perspectivas que contemplem o propósito de desenvolver teorias dentro dos conceitos de grounded theory .
Uma pesquisa entre os artigos publicados nos Encontros da ANPAD, no período compreendido entre 1998 e 2008, revela que 55 artigos fazem referência de alguma forma a grounded theory. Entretanto, nenhum desses artigos referencia Leonard Schatzman, que criou a abordagem da análise dimensional, em 1991, ou Adele Clark, criadora da metodologia de análise situacional dentro dos pressupostos da grounded theory. Kathy Charmaz é citada em seis artigos, três em 2008, dois em 2007 e um em 2005, mas todas as citações referem-se às suas visões e interpretações da metodologia qualitativa em geral ou a leituras que ela faz da grounded theory de Strauss e de Glaser e nenhuma referência a sua proposta de uma grounded theory construtivista.
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Strauss e Corbin (1998) utilizam a palavra memo. Adotou-se a palavra nota em português por julgar mais adequada.
Uma das principais razões citadas por Schatzman (1991) para desenvolver a análise dimensional foi a forma como os estudantes com que ele teve contato lecionando pesquisa qualitativa e os problemas que eles enfrentaram para compreender e realizar as operações previstas no processo de aplicação da grounded theory. Sua análise da forma como os estudantes lidaram com essa abordagem indica que:
Muitos estudantes se deram bem com a grounded theory , como esperado; alguns outros declararam ter obtido resultados adequados mas foram, em meu ponto de vista, decididamente “influenciados” por concepções de teorias pré existentes, estruturas prévias e/ou ideologias políticas. Alguns estudantes mal desenvolveram códigos iniciais e, consequentemente, produziram conceitos em diferentes níveis de abstração que não se integraram como teoria; e, finalmente, alguns estudantes falharam totalmente em compreender esse processo de descoberta e simplesmente desistiram dele em favor de outros métodos de pesquisa. (SCHATZMAN, 1991, p.305)
Schatzman (1991) atribui esse comportamento dos estudantes ao fato de que a grounded theory não consegue se sustentar em suas operações sucessivas, da codificação aberta à integração teórica em nenhum paradigma que seja facilmente identificável pelos pesquisadores. Alega ainda que o nome grounded theory em si não é suficiente para que se enxergue o conjunto de operações envolvidas no processo de descoberta de teoria de forma que configure como um sistema que faça sentido. Isso faz com que, muitas vezes, o pesquisador execute as ações de forma mecânica ou intuitiva ao invés de teoricamente sustentado.
3.3.3.1 A Matriz Explicativa
Para dar um significado sistêmico ao processo de descobrir uma teoria, Schatzman (1991) propõe que uma teoria seja como uma explicação e que uma explicação é, de certa maneira, uma narrativa sobre as relações existentes entre coisas, eventos e/ou pessoas. Caso essa explicação se refira a algo que seja complexo, é necessário que se identifique eventos ou objetos, caracterizando suas dimensões e propriedades ou atributos. A partir desses elementos então deve-se procurar indicar que condições são suficientes ou necessárias, dentro do contexto onde ocorre o evento observado para que ocorra as ações ou interações centrais à estória narrada. Com isso, ele propõe a “matriz do paradigma explicativo”
FIGURA 3 Matriz para o Paradigma Explicativo. Fonte: Kools Et al (1996, p.318)
A lógica proposta pelo autor é que de uma perspectiva, ou ponto de vista, em determinado contexto, sob condições especificadas, ocorrem certas ações com conseqüências identificadas. Essa lógica serve tanto para a construção da estória ou narrativa, como para avaliar a consistência das relações construídas para explicar as ações.
Nos métodos tradicionais de grounded theory, uma estrutura explicativa similar à matriz explicativa de Schatzman (1986) tem um papel importante na identificação das categorias principais. Na análise dimensional, entretanto, ela é a “pedra fundamental” do processo analítico (KOOLS e McCARTHY, 1996, P.317) que propicia ao pesquisador a transição da descrição para uma conceituação explicativa do fenômeno observado através de um contexto e estrutura de suporte para essa explicação.
Dessa forma, a matriz explicativa da análise dimensional trabalha as diferentes dimensões identificadas na codificação e as categoriza em componentes conceituais que seriam: (a) o contexto, delimitador de ambiência ou de situação onde se percebem e se identificam as dimensões sob análise; (b) condições, que são as dimensões identificadas no fenômeno em análise que influenciam diretamente as ações e interações (processos), facilitando, modelando ou bloqueando, de alguma maneira, o fluxo das mesmas; (c) processos, que caracterizam a s ações e interações, intencionais ou não que ocorrem sob as condições identificadas; (d) conseqüências que são os fenômenos observados resultantes dos processos identificados no locus de pesquisa.
Observe-se que a primeira etapa do processo de atribuição de dimensões29 está na designação, na qual se dá nomes aos atributos (dimensões e propriedades observadas). Em seguida, o que ocorre é um processo de diferenciação das características inerentes às dimensões identificadas nas componentes conceituais que reescreverão a narrativa. Essa é a chave para a matriz explicativa de Schatzman que propõe o seguinte enredo explicativo:
Uma explicação, em resumo, conta uma história sobre as relações entre coisas, pessoas e eventos. Para contar uma história complexa, devem-se designar objetos e eventos, descrever algumas de suas dimensões e propriedades – isto é, seus atributos – providenciar algum contexto para esses objetos e eventos, indicar uma condição ou duas para cada ação ou interação escolhida para ser central na história, criar suas relativas saliências e seqüenciá-las. Dessa forma, “a partir” de uma perspectiva, “em determinado” contexto, “sob certas” condições, ações específicas, “que implicam” em conseqüências, reestruturam a história em termos de uma lógica explicativa (da matriz explicativa) (SCHATZMAN, 1991, P.308).
3.3.3.2 Teorizando com a Análise Dimensional
Uma das grandes diferenças ao se fazer análise dimensional, em relação à abordagem clássica de grounded theory, está no fato de se assumir que a construção da narrativa explicativa do fenômeno observado, ou seja a teoria, reconhece a experiência de vida e o conhecimento do pesquisador como parte integrante do processo de análise. Com isso, fica implícito que a adoção da posição de “tabula rasa” na perspectiva do pesquisador não só é difícil, como desnecessária para desenvolver-se a grounded theory (GOULDING, 2002; KOOLS e McCARTHY 1996).
Ao contrário do que parece, a construção da teoria não é um processo linear, no qual as sequências de ações sugeridas pelos diferentes autores ocorram uma atrás da outra. Ao contrário, existe uma circularidade e, algumas vezes, uma simultaneidade de ações, sendo que a teorização se dá pela construção sucessiva de diferentes narrativas de explicação até o encontro daquela que “melhor se encaixa” e que consegue explicar satisfatoriamente o fenômeno observado (GOULDING, 1999, p.7).
Esse “encaixe” explicativo fica mais claro à medida que as categorias identificadas e suas propriedades começam a dar indícios de saturação e a amostragem teórica começa a se fazer presente para identificar segmentos de fala e textuais que ilustram as abstrações construídas. Assim, se agregam segmentos de dados que ilustram melhor determinadas
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categorias e suas dimensões. Outros trechos podem ser utilizados para mostrar as variações de determinada dimensão em função de contextos, atores ou condições observadas. De certa maneira, a sensibilidade teórica preconizada por Glaser e Strauss (1967) poderia também ser explicada como “a habilidade do pesquisador em dissecar as narrativas dos respondentes, e usando pontos específicos na história, criar uma explicação factível e crível que é atrelada nas palavras e histórias dos informantes” (GOULDING, 2002,.83).
Como se percebe, a análise dimensional conseguiu superar um dos aspectos mais frágeis e sujeitos a crítica da grounded theory, que é a falta de clareza na descrição e formulação do processo de análise utilizado para a geração ou descoberta de teoria, suscitando assim dúvidas tanto relativo à forma quanto à validade dos achados nas pesquisas de grounded theory. As ações descritas no método em todas as etapas percorridas são coerentes com os preceitos do interacionismo simbólico, origem da grounded theory, provendo o pesquisador de condições e técnicas suficientes para uma análise sistemática e clareza na demonstração dos resultados alcançados (KOOLS e McCARTHY, 1996; GOULDING, 2002).