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İKİNCİ BÖLÜM: KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.3. Gündelik Hayat ve Toplumsal Karşılaşmalar

2.3.1. Gündelik Hayatın Dönüşümü

Hans Morgenthau ([1948], 2003), grande nome do Realismo Político, distinguiu dois tipos de teorias políticas internacionais: a primeira pressupunha a retidão inerente e a maleabilidade infinita da natureza humana, de forma que a incapacidade de uma sociedade atingir altos padrões racionais devia-se à falta de conhecimento, compreensão, obsolescência de instituições sociais ou depravação de indivíduos ou grupos isolados. Tal visão recorria a princípios abstratos e confiava na educação, reforma e uso esporádico da força para remediação de defeitos. Contudo, o autor enquadrava-se numa segunda perspectiva: a que entendia a imperfeição do mundo sob o prisma do encontro de forças inerentes à natureza humana, de forma que o melhor era trabalhar com as mesmas e não contra elas. Baseava-se principalmente em precedentes históricos e buscava “... a realização do mal menor em vez do bem absoluto” (MORGENTHAU, [1948], 2003 p.04).

Para elucidar a teoria do realismo político clássico, Morgenthau ([1948], 2003) destacou seis princípios básicos. Para ele:

1. A política era governada por leis objetivas inerentes à natureza humana, de maneira a possibilitar o desenvolvimento de uma teoria racional que refletisse tais leis, ainda que de modo imperfeito e desequilibrado. Seria possível, então, distinguir verdade e opinião, objetivo e subjetivo.

2. O conceito de interesse definido em termos de poder fornecia um elo entre razão, para a compreensão da política internacional, e os fatos a serem compreendidos. Colocava a política como esfera autônoma de ação e entendimento.

3. O conceito-chave de interesse definido como poder era uma categoria objetiva universalmente válida, mas sem um significado fixo e permanente. Esta noção de interesse não era afetada por circunstâncias de tempo e lugar, ainda que o tipo de interesse dependesse do contexto político e cultural dentro do qual uma política externa era formulada. O mesmo vale para o poder que:

[...] pode abarcar tudo que estabeleça e mantenha o controle do homem sobre o homem. Assim, o poder engloba todos os relacionamentos sociais que se prestam a tal fim, desde a violência física até os mais sutis laços psicológicos mediante os quais a mente de um ser controla uma outra. O poder cobre o domínio do homem

pelo homem não só quando se apresenta disciplinado por desígnios morais e controlado por salvaguardas constitucionais (tal como ocorre nas democracias ocidentais), como quando ele se converte nessa força bárbara e indomável que só consegue encontrar leis em sua própria força e justificação em seu próprio desejo de engrandecimento (MORGENTHAU, [1948], 2003, p.18).

4. O realismo político era consciente da significação moral da ação política, assim como da tensão inevitável existente entre mandamento, moral e exigências de uma ação política de êxito.

5. O realismo político recusava-se a identificar as aspirações morais de uma determinada nação com as leis morais que governam o universo. Distinguia verdade e opinião; separava verdade de idolatria. Para ele, havia diferença entre saber que as nações estavam sujeitas à lei moral, e o que era bom ou ruim no âmbito das relações entre nações.

6. Era real e profunda a diferença entre realismo político e outras escolas de pensamento. Ainda que o realismo político tivesse sido mal compreendido e mal interpretado, não seria possível negar sua singular atitude intelectual e moral acerca das matérias ligadas à política.

Podem-se utilizar os elementos teóricos propostos por Morgenthau ([1948], 2003) para avaliar até que ponto se aplicam às relações internacionais atuais e, neste caso, à ordem ambiental internacional sobre mudanças climáticas. Verifica-se que, de fato, o interesse nacional é um ponto fundamental à compreensão da articulação dos países, que estabelecem posicionamento unilateral, integram determinado grupo, ou mudam suas alianças de acordo com a conveniência do contexto, em função de interesses que se expressam de diferentes formas, mas que visam aumentar o poder de influência nas negociações. Corrobora-se com Ribeiro (2001b) ao afirmar que a questão do interesse levantada por Morgenthau ([1948], 2003) constitui sua maior contribuição aos estudos contemporâneos que buscam entender a ordem ambiental internacional.

Ainda sobre o realismo político clássico, Morgenthau destacou três tipos de mecanismos que podem limitar o poder dos Estados: a balança de poder, a opinião pública e o direito internacional. A balança de poder refere-se à compensação da força de um Estado ou grupo de Estados pelo aumento da força de outro ou configuração de alianças, para manter a estabilidade e a preservação de todos dentro do sistema internacional:

O meio utilizado para manter o referido equilíbrio consiste em permitir que os diferentes elementos sigam normalmente suas tendências conflitantes, até o ponto em que a tendência de cada um deixe de ser suficientemente forte para superar a

tendência dos demais, mas bastante vigorosa para impedir que as dos demais a subjuguem (MORGENTHAU, [1948], 2003, p.234).

O conceito de equilíbrio de poder, conforme definido pelo autor, é imprescindível à compreensão do posicionamento dos agentes na ordem ambiental internacional sobre mudanças climáticas. Verifica-se o estabelecimento de diversos tipos de alianças e estratégias a partir de agrupamentos formais e informais com vistas a aumentar o poder de influência perante outros agentes com interesses distintos, como pode ser verificado em todas as rodadas de negociações analisadas ao longo deste trabalho. Por exemplo, o Brasil, conforme a conveniência, se posiciona de maneira unilateral, no âmbito do grande grupo de países que conformam o G77+China, do grupo BASIC (Brasil, África do Sul, China e Índia), bem como de outros agrupamentos ocasionais33, para fazer com que suas demandas sejam contempladas nos resultados finais de cada evento sobre o tema.

No tocante ao Direito Internacional, Morgenthau ([1948], 2003, p.512) aponta duas forças que podem ou não levar ao surgimento de leis: a necessidade e o consentimento. Contudo, diante do caráter descentralizado da sociedade internacional, afirma que o Direito Internacional mostra-se ineficiente em relação ao cumprimento dos acordos estabelecidos caso algum Estado se oponha à sua ratificação ou implementação. De fato, nas negociações multilaterais sobre mudanças climáticas, em virtude da natureza anárquica do sistema internacional, evidencia-se a complexidade da regulamentação dos mecanismos para que os acordos possam ser operacionalizados e não há elementos que assegurem qualquer tipo de punição para países que não respondam às responsabilidades assumidas perante os demais.

Outro ponto fundamental refere-se à forma como os documentos de caráter internacional são redigidos, para abarcar o máximo possível o interesse de todos, o que pode gerar acordos vagos e imprecisos, sujeitos a múltiplas interpretações. Para Morgenthau ([1948], 2003), os Estados constituem a autoridade suprema para interpretar e dar sentido concreto aos atos por eles aprovados, e sempre o farão de acordo com seus interesses particulares e divergentes, ainda que a norma possa vagamente ter algum poder restritivo aplicável a todos.

Observa-se que, nas negociações multilaterais sobre mudanças climáticas, as delegações de diferentes Estados nacionais dedicam grande parte do tempo à redação dos textos decisórios, palavra a palavra, para que tais documentos realmente reflitam elementos que configuram seus posicionamentos. Porém, para contemplar as expectativas dos mais de

33 Os diferentes grupos de países que caracterizam a ordem ambiental internacional sobre mudanças climáticas são apresentados no terceiro capítulo.

190 países que compõem a ordem ambiental internacional sobre mudanças climáticas, os presidentes e redatores de cada órgão de negociação produzem acordos muitas vezes caracterizados por termos ambíguos e imprecisos, com vistas a destravar a tomada de decisões. Tal situação tem sérias implicações, já que os elementos colocados de forma vaga tornam complexa sua operacionalização, por exemplo, as decisões referentes ao financiamento de ações de mitigação de emissões de GEEs e aos mecanismos de desenvolvimento e de transferência de tecnologia que geralmente caracterizam-se por grandes impasses, em especial entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Verifica-se que cada um interpreta os documentos à sua maneira e, ao entender que tem feito sua parte, passa a cobrar atitudes “mais responsáveis” dos demais.

Outro autor realista cuja obra mostra-se bastante interessante para esta discussão é Raymond Aron ([1962], 2002, p.55), cuja compreensão das relações internacionais foi bastante marcada pela guerra. Define as relações internacionais como “... relações entre unidades políticas que reivindicam o direito de fazer justiça e de escolher entre a paz e a guerra”. Segundo o autor, os objetivos eternos que levam um Estado a agir de forma agressiva perante outros e que caracterizam a rivalidade entre as unidades políticas envolvem o fato de serem autônomas e poderem contar apenas consigo mesmas. Em outras palavras, refere-se à natureza anárquica do sistema internacional. Segundo o autor, é uma questão de sobrevivência, de segurança, o que revela uma perspectiva marcadamente hobbesiana.

Mas a relação entre força e segurança, para ele, contem alguns problemas, porque existe um optimum de forças para que não haja uma inversão dialética (os demais Estados se colocarem em posição de neutralidade ou do lado oposto, em busca do equilíbrio de poder), ou mesmo porque as unidades políticas não buscam a força apenas para desencorajar as ações de outros Estados, mas porque querem temor, respeito e/ou admiração. Ou seja, poder:

Os dois objetivos estão interligados: quanto maior sua força, menos o homem corre o risco de ser atacado, e mais ele passa a encontrar na própria força e na capacidade de se impor aos outros uma satisfação que não precisa de outra justificativa. A segurança pode ser um objetivo último – não ter mais razão para temer é uma sorte invejável: todavia, a potência pode ser igualmente um objetivo último. Que importa o perigo, na embriaguez do poder? (ARON, [1962], 2002, p.129)

Além disso, dentre as dimensões da análise política, Aron destaca a importância da praxiologia, entendida como as implicações normativas do comportamento diplomático- estratégico dos Estados. Para o autor, ainda que utilizem a força como recurso legítimo do Estado no plano internacional (já que a força a serviço da “justiça” sempre foi considerada moral), sempre buscam justificar suas condutas por meio de ideias, princípios ou normas.

Indaga-se se isto ocorre por razões jurídicas ou éticas ou, contrariamente, em conformidade com o cálculo de forças, de acordo com a oportunidade, já que: “... se cada um dos atores é juiz, e juiz exclusivo, da legitimidade da sua causa, todos devem sentir-se ameaçados, e o jogo internacional torna-se uma luta na qual quem respeita as regras corre o risco de ser vitimado pela sua (relativa) moralidade” (ARON, [1962], 2002, p.701). Portanto, verifica-se que Aron (2002) corrobora com as ideias de Morgenthau ([1948], 2003) sobre o conceito de interesse definido em termos de poder na caracterização das relações entre Estados, enquanto categoria objetiva independente das circunstâncias de tempo e lugar, bem como da significação moral diferenciada no tocante à ação política.

As ideias de Aron ([1962], 2002), acima apresentadas constituem referenciais teóricos interessantes à compreensão do tema abordado neste trabalho, ao mostrarem o tênue equilíbrio entre os Estados que constituem a ordem ambiental internacional, as dificuldades em conciliar os diversos interesses nacionais por meio de normas e princípios, e em justificar determinadas posturas que vão contra os objetivos de outros Estados.

O realismo estrutural ou realismo defensivo, por sua vez, também dispõe de instrumental interessante para o estudo aqui desenvolvido. Kenneth Waltz (2004), o principal representante da abordagem neorrealista, destacou três imagens ou níveis de análise para a ocorrência das guerras/conflitos entre Estados: o comportamento humano, a estrutura interna dos Estados, e a anarquia internacional. Para o autor, as grandes potências mundiais não agem de forma agressiva porque possuem uma vontade de poder inerente, mas sim por questão de segurança, ou seja, para garantirem sua sobrevivência. A anarquia34– não a natureza humana – compele os Estados à competição para estarem mais seguros. Ele afirma que é a estrutura do sistema internacional que força os Estados a estarem vigilantes quanto ao equilíbrio de poder. Com base em Rousseau, comenta a origem da guerra, que se pautaria não em causas acidentais, mas estruturais:

O fato de que o Estado A deseja certas coisas que só pode obter por meio da guerra não explica a guerra. Esse desejo pode ou não levar à guerra. O fato de eu desejar um milhão de dólares não me faz roubar um banco, mas, se fosse mais fácil roubar bancos, esses desejos levariam a muito mais roubos a bancos. Isso não altera o fato de algumas pessoas tentarem, e outras não tentarem, roubar bancos, seja qual for a situação da lei. Ainda temos de examinar a motivação e as circunstâncias para explicar atos individuais. Não obstante, podemos prever que, permanecendo os outros fatores constantes, um enfraquecimento nos órgãos de aplicação da lei leva a um aumento do crime. Dessa perspectiva, o que conta é a estrutura social –

34 Em concordância com Rosenau (1992, p.19), o conceito de anarquia é muito utilizado para designar a inexistência de uma autoridade central na política mundial. Contudo, segundo ele, o mesmo não apresenta conotações favoráveis ou desfavoráveis e não implica, necessariamente, que a ordem mundial atual se caracterize por comoções e desarranjos extensos.

restrições institucionalizadas e métodos institucionalizados de alterar e administrar interesses. [...] Se a estrutura tiver de ser chamada de causa de algum modo, é melhor especificar que é uma causa permissiva ou subjacente da guerra. [...] Os Estados são motivados a atacarem uns aos outros e a se defenderem dos outros pela razão e/ou paixão do número relativamente pequeno de pessoas que elaboram as políticas para os Estados e do número bem maior de pessoas que influenciam essas poucas (WALTZ, 2004, p.286-287).

Dada a situação de anarquia do sistema internacional, bem como a insuficiência de políticas para restringir as ações dos Estados, Waltz (2004) entende que estes têm que agir para se manter, ou seja, buscam defender-se, mais que perturbar o equilíbrio de poder. Ainda que reconheça que os Estados possuem incentivos para aumentarem seu poder, quando o fazem de maneira agressiva, os demais se equilibram contra o agressor e tendem a frustrar seus esforços de obtenção de maior poder.

Neste ponto, concorda-se com as afirmações feitas por este autor, pois na ordem ambiental internacional sobre mudanças climáticas os países adotam posições defensivas para garantir sua segurança nacional frente aos interesses divergentes dos demais Estados. Por exemplo, as alianças estratégicas das quais o governo brasileiro participa a cada rodada de negociações visam reduzir os desequilíbrios de poder, de modo a aumentar as chances de seus objetivos serem contemplados nos acordos finais, e não configuram uma articulação agressiva para a ampliação do poder per se.

Entende-se também que a institucionalização das questões relativas à ordem tem o poder potencial de reduzir os impasses entre as partes que a constituem, a partir da administração e controle de interesses – ainda que nos termos apresentados por Morgenthau (2003): a necessidade e o consentimento. Por outro lado, discorda-se do realismo político clássico de Morgenthau na associação da política a leis objetivas inerentes à natureza humana, ou seja, da existência de um desejo natural de dominação de pessoas sobre outras como a base dos fenômenos político.

Como pode ser visto, existem diferentes teorias realistas que divergem ao enfatizar um ou outro aspecto de tal vertente do pensamento das Relações Internacionais, ainda que no plano geral, possuam pontos comuns, como o entendimento de que os Estados são os principais agentes do mundo político, a crença de que o comportamento dos Estados é influenciado, sobretudo, pelo ambiente externo e não doméstico, de que não existem distinções entre “bons” e “maus”, além da questão do poder permanecer no centro das ideias para entender como os Estados pensam e agem sobre o mundo (MEARSHEIMER, 2001, p.12).

Destaca-se, por fim, uma terceira via ao realismo político clássico de Morgenthau e ao realismo estrutural de Waltz: o realismo ofensivo proposto por John Mearsheimer (2001).

Segundo este autor, a política internacional sempre foi um negócio cruel e perigoso, e assim tende a se manter, a despeito de períodos de relativa estabilidade. Isso porque os Estados temem uns aos outros e sempre irão competir pelo poder, pois o objetivo de cada um é maximizar sua cota de poder mundial, o que, em outras palavras, significa ganhar poder à custa de outros Estados.

Para ele, o objetivo final de um Estado é ser o hegemon, ou seja, a única grande potência no sistema. Isso porque a estrutura do sistema internacional força os Estados a procurarem apenas estar seguros, mas, no entanto, a agir agressivamente frente a outro para garantir tal segurança.

O autor afirma que o temor entre os Estados é causado por três fatores: a ausência de uma autoridade central acima deles que possa protegê-los dos demais, ou seja, a anarquia internacional; o fato dos Estados sempre disporem de alguma capacidade militar ofensiva; e o fato dos Estados nunca terem certeza sobre as intenções dos demais. Assim, quanto mais poderoso um Estado é em relação aos demais, maiores seriam suas chances de sobrevivência.

Entende-se que o Estado, segundo esta visão realista, ainda que não tenha razões claras para indispor-se com os demais, precisa garantir sua própria sobrevivência de forma ofensiva, ao buscar poder e dominar ou influenciar outros Estados. Segundo Mearsheimer (2001, p.21, tradução nossa35):

Minha teoria do realismo ofensivo é também uma teoria estrutural da política internacional. Tal como o realismo defensivo, minha teoria vê grandes potências preocupadas, sobretudo, em descobrir como sobreviver num mundo onde não há agência para protegê-los uns dos outros; eles rapidamente percebem que o poder é a chave da sobrevivência. [...] acreditam que o sistema internacional obriga as grandes potências a maximizar seu poder relativo porque é a melhor forma de maximizar sua segurança. Em outras palavras, a sobrevivência determina um comportamento agressivo. Grandes potências se comportam agressivamente não porque elas querem ou porque possuem algum impulso interior para dominar, mas porque eles têm que procurar mais poder se quiserem maximizar suas probabilidades de sobrevivência. É interessante pensar como a teoria do realismo político ofensivo se aplica à ordem ambiental internacional sobre mudanças climáticas. Nesta verifica-se que, de fato, há uma

35Do original: My theory of offensive realism is also a structural theory of international politics. As with

defensive realism, my theory sees great powers as concerned mainly figuring out how to survive in a world where there is no agency to protect them from each other; they quickly realize that power is the key to survival. […] believe that international system forces great powers to maximize their relative power because there is the optimal way to maximize their security. In other words, survival mandates aggressive behavior. Great powers behave aggressively not because they want to or because they possess some inner drive to dominate, but because they have to seek more power if they want to maximize their odds of survival (MEARSHEIMER, 2001, p.21).

grande preocupação com a segurança, haja vista que, ainda que as negociações ocorram no âmbito da ONU, não há realmente uma instituição mundial que garanta a proteção entre os Estados.

Concorda-se com o fato de os Estados buscarem garantir sua sobrevivência. Sobre a busca por poder, observa-se que, ainda que em teoria os Estados tenham o mesmo direito à palavra, as atenções se voltam para as grandes potências, o que vai de acordo com as ideias de Mearsheimer (2001), por sua responsabilidade em relação à intensificação do problema, por seu poder para assumir posicionamentos unilaterais em favor ou contra a ordem estabelecida, e pela forma como influenciam outros Estados para fazer valer seus interesses. Por outro lado, em tal ordem, diversos outros agentes assumem papéis centrais, como, por exemplo, países emergentes como o Brasil, que detêm grande peso político na condução do processo negociador.

Em geral, tanto as grandes potências quanto os demais Estados se articulam para fazer com que seus interesses se sobreponham e integrem os acordos finais, dinâmica que pode ser vista como uma questão de sobrevivência. Destaca-se a atuação dos pequenos países insulares que, diante de sua extrema vulnerabilidade aos impactos possíveis das mudanças climáticas, assumem posturas mais agressivas no processo negociador, em busca de medidas que garantam sua segurança. Porém, dada a assimetria de poder, apresentam menor capacidade de influenciar os demais Estados, ainda que desempenhem papel fundamental para a

Benzer Belgeler