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Dünyada 1980 Sonrası Dönemde Çevre Sorunları

GENEL OLARAK DÜNYADA VE TÜRKİYE’DE ÇEVRE SORUNLARI VE DÜNYADA ÇEVRE ALANYAZIN

2. DÜNYADA VE TÜRKİYE’DE ÇEVRE SORUNLARININ ORTAYA ÇIKIŞ AŞAMALAR

2.1. Dünyada Çevre Sorunlarının Ortaya Çıkış Aşamaları

2.1.2. Sanayi Devrimi Sonrasında Çevre Sorunları

2.1.2.4. Dünyada 1980 Sonrası Dönemde Çevre Sorunları

Considerando que para Benjamin, a alegoria, cuja principal característica em relação à hermenêutica é a possibilidade de ser renovada numa nova interpretação, constitui a chave interpretativa do barroco alemão, e que para Hans Robert Jauss a história da literatura deve ser considerada de uma forma dinâmica – a partir de cortes sincrônicos e de articulações promovidas pelo leitor – é possível perceber uma relação entre crítica e historicidade em ambos os autores, e por esse motivo, pensar que a leitura exerce um importante papel na construção teórica feita por eles. No entanto, é preciso lembrar que o dinamismo em torno da história da literatura proposto por Jauss está, necessariamente, submetido a uma história da recepção, por assim dizer. Além disso, se por um lado os dois autores possuem certa similaridade quanto à possibilidade de atualização no exercício da leitura, por outro, eles se distanciam em relação à ideia de atemporalidade em torno da obra de arte, defendida pelo primeiro Benjamin. No decorrer deste item enfoco a construção jaussiana, eventualmente retomando a o estudo benjaminiano do Trauerspiel com a intenção de pensar similaridades e diferenças em se tratando de crítica e historicidade na perspectiva desses dois importantes nomes que consideram o trabalho da leitura.

Tendo em vista que a Estética da Recepção é uma vasta escola crítica que possui certas diferenças em relação ao que é em primeira mão enfocado, abro breves parênteses para esclarecer uma dúvida muito provável relacionada aos nomes dessa tendência crítica que aqui menciono. Sabe-se que o estudo em torno da recepção divide-se, grosso modo, em duas grandes vertentes no âmbito alemão (que, por sua vez, teve certa propagação na crítica brasileira, sobretudo, considerando a difusão feita por Luis Costa Lima). Uma, representada, sobretudo por Roman Ingarden e Wolfgang Iser, para mencionar apenas alguns dos nomes mais conhecidos, enfatiza a investigação da fenomenologia da leitura. A outra, sob as figuras de Gadamer e Jauss, se interessa por uma hermenêutica que revela a resposta pública de textos. Aqui, como já dito, circunscrevo minhas reflexões à proposta de Jauss, considerando especificamente sua perspectiva em relação à história da literatura, embora ao longo desta seção, eventualmente, sejam mencionados outros nomes.

Na conclusão do texto “Nas fontes paradoxais da crítica literária. Walter

Benjamin relê os românticos de Iena”, Gagnebin propõe que o papel da crítica dos nossos dias – herdeira do romantismo alemão – talvez seja, seguindo as reflexões benjaminianas, refletir

sobre a relação entre crítica e historicidade. Na esteira dessa hipótese, prolongo questionamentos decorrentes do estudo benjaminiano relacionado ao drama barroco alemão discutindo esses dois pontos, aproximando-o da perspectiva histórico-recepcional proposta por Jauss em História da literatura como provocação à teoria literária.

O pensador berlinense advoga pela autenticidade da expressão artística alegórica, demonstrando que a abertura interpretativa possibilita a atualização mediante a leitura. A afirmação de que uma obra se constitui de ruínas se relaciona intimamente com a interpretação alegórica, lembrando que “as alegorias são no reino dos pensamentos o que são

as ruínas no reino das coisas”.174

Seu estudo em torno do drama barroco alemão foi a primeira mostra desse trabalho hermenêutico e mais tarde em suas reflexões sobre a literatura de Baudelaire e dos vanguardistas, a alegoria pôde também ser vislumbrada em suas leituras e, até mesmo, como elemento estético de alguns de seus próprios escritos artísticos.

Jeanne Marie Gagnebin chama atenção que já em “O Narrador”, texto escrito em

1936, Walter Benjamin anuncia uma teoria antecipada da obra aberta, lembrando a teorização a esse respeito feita algum tempo depois por Umberto Eco. A comentadora reflete sobre a

possibilidade de que “também na doutrina benjaminiana da alegoria, a profusão do sentido,

ou, antes, dos sentidos, vem ao contrário, de seu não-acabamento essencial”.175 Não há dúvidas de que o trabalho de compreender a forma alegórica, nesse sentido, pode ser relacionada à resposta do leitor teorizada por Jauss. Seu caráter inacabado, por assim dizer, favorece até mesmo a diversidade de interpretações que naturalmente variam em comunidades interpretativas, conforme aponta Stanley Fish em Is there a Text in this Class? (Há um texto nesta aula?).

Na verdade, já o barroco, conforme menciona Umberto Eco em sua Obra aberta, embora não havia uma teorização consciente da obra aberta, com sua “indeterminação de

efeito” e sua “progressiva dilatação do espaço” (lembrando que Benjamin ao analisar o Trauerspiel chama atenção para o palco móvel) possuía uma “forma aberta”. Uma vez que o

palco do teatro barroco não é fixo, como consequência, o espectador não possui uma visão fixa. Ele vê a obra sob diferentes perspectivas, “como se ela estivesse em constante mutação”. Além disso, continua o comentador italiano: “Se a espiritualidade barroca é encarada como a

174 BENJAMIN. Origem do drama barroco alemão, p. 200. 175 GAGNEBIN. Walter Benjamin ou a história aberta, p. 12.

primeira manifestação clara da cultura e da sensibilidade modernas, é porque nela o homem se subtrai, pela primeira vez, ao hábito do canônico”.176

Não é preciso reiterar de forma exaustiva que ler constitui a chave mestra para a estética da recepção, tendo em vista a fenomenologia de Wolfgang Iser, a hermenêutica de Hans Robert Jauss, o exercício semiótico-interpretativo de Umberto Eco ou a ideia de comunidade interpretativa de Stanley Fish. Sucessor à explosão de sentidos anunciada pela alegoria benjaminiana, Jauss defende a concepção de uma história da literatura diferente daquela tradicionalmente concebida até então. No texto História da literatura como

provocação à crítica literária, ele comenta que “a historicidade da literatura” deve ser estabelecida “no experimentar dinâmico da obra literária por parte de seus leitores”.177 Segundo essa perspectiva, à chamada “superação da contemplação diacrônica” por ele

anunciada, deriva a possibilidade de serem articulados historicamente vários cortes sincrônicos efetivando, desse modo, uma mudança estrutural na história da literatura.

Antes de pensar a noção de leitura e a ideia de atemporalidade defendida por Benjamin em comparação com a teoria que fundamenta a dinâmica história da literatura teorizada por Jauss, considero em particular a conceituação feita em A história da literatura

como provocação à teoria literária.