1.2. TÜRK HUKUK SİSTEMİ İÇERİSİNDE HATANIN İNCELENMESİ VE
1.2.2. Ceza Hukuku Çerçevesinde Hatalar ve Vergi Hukuku İlişkisi
A cobertura dos eventos e festas próprias dos ribeirinhos ou dos colonos deve ser tomada a partir do contexto em que está inserida nas Lógicas de Produção do Diário da Amazônia. É assim que a publicação de sete edições de um caderno especial sobre a feira agropecuária de Vilhena precisa ser colocada em perspectiva e compreendida como parte do grupo de 46 cadernos referentes a nove eventos agropecuários. Da mesma forma, os espaços destinados ao Flor do Maracujá precisam ser relacionados ao que foi publicado sobre outros eventos da cultura tradicional.
O Diário da Amazônia mantém uma coluna direcionada aos eventos culturais próprios da população tradicional de Rondônia. Trata-se da página Zé Katraca, assinada pelo jornalista Silvio Santos, que entre segunda e sábado é publicada na página 3 do caderno Cultura, e nos domingos é deslocada para a página 2 do Diário Revista, encarte em formato tablóide. Durante os períodos de realização da procissão de São Pedro, do Duelo da Fronteira e do Arraial Flor do Maracujá, não houve um planejamento específico para a cobertura dos eventos. Os produtores do Diário da Amazônia sinalizam que há um esforço para a cobertura dos eventos ligados à cultura ribeirinha.
Eu acho que o jornal trabalha essa questão cultural, estamos até buscando dedicar um espaço maior, para que esse processo econômico que está acontecendo hoje não acabe oprimindo essas manifestações culturais. A gente entende que isso faz parte da
identidade cultural do estado e deve ser preservado. [...] sempre pautamos também matérias referentes aos povos tradicionais da floresta, à questão ambiental, povos indígenas, quilombolas. Tem sido tema recorrente, não é um tema que a gente abandonou (LIBERATO, 2009).
Isso, no entanto, não se reflete no volume de conteúdo veiculado, este relativamente escasso – como pode ser visto na Tabela 5 – e com uma abordagem que não apresenta estas festas populares com o mesmo destaque dado a outros eventos. A maior parte da cobertura destes eventos aconteceu na página Zé Katraca, sem que outros espaços fossem destinados.
É um movimento inverso que se pode verificar quando se observa os espaços voltados para as festas agropecuárias. Além dos cadernos especiais, a cobertura das práticas voltadas para este outro complexo cultural já estava presente no caderno Agronegócios, que circula aos domingos, e matérias diretamente a ele ligadas são distribuídas em diversas editorias, principalmente Cidades, onde se concentra a cobertura do interior do estado. Diante à prevalência de espaços destinados às práticas ligadas à colonização agrícola de Rondônia, os espaços voltados para uma cultura tradicional podem ser tomados como locais de resistência dentro do próprio jornal. Esta posição é explicitada pelo editor-geral do Diário da Amazônia:
A gente tem aqui um personagem, que é até nosso colunista, o Silvio Santos, o Zé Katraca, que é um pouco uma representação dessa raiz cultural. Ele é um nativo do beiradão do Madeira, nasceu em São Carlos, na margem do rio Madeira, e é um pouco da raiz da identidade local, ou seja, vamos pegar o migrante que chegou aqui do Sul, Sudeste, e quem já estava aqui. O Zé Katraca representa isso, e o espaço que ele ocupa, que é uma página inteira, é dedicado quase que inteiramente a esse movimento cultural, de resistência dessa identidade primeira (LIBERATO, 2009). [destaque meu]
A cobertura preferencial de eventos ligados ao complexo cultural da colonização agrícola de Rondônia é tomada no Diário da Amazônia como um reflexo das demandas da sociedade, em geral, e dos seus leitores, em particular. Essa posição é adotada ao mesmo tempo em que se tenta oferecer espaço na cobertura para temas relacionados às populações tradicionais, mas torna-se claro, na comparação entre os textos voltados para uma e outra temática, que não há paridade, mas a prevalência de uma dessas posições. Se por um
lado há a tentativa de manter um espaço de “resistência” no jornal, por outro há a decisão de se priorizar a cobertura de temáticas ligadas, direta ou indiretamente, ao agronegócio e às suas representações: “Isso é uma demanda da sociedade. A gente aborda por que é um tema da ordem do dia, como é o agronegócio. A gente criou o caderno de agronegócio para refletir a economia do estado. Se vai refletir comercialmente, é uma conseqüência” (LIBERATO, 2009). A lógica utilizada no Diário da Amazônia segue na mesma direção de um movimento já identificado por Martin-Barbero, para quem o gosto popular está ligado ao prazer da repetição e do reconhecimento, onde
Falam tanto o gozo quanto a resistência: a obstinação do gosto popular por uma narrativa que é ao mesmo tempo matéria-prima de formatos comerciais e dispositivo ativador de uma competência cultural, terreno no qual a lógica mercantil e a demanda popular às vezes lutam, e às vezes negociam (MARTIN-BARBERO, 2003, p. 303). A concentração na cobertura das feiras agropecuárias acontece no interior do estado, justamente onde os recursos e a disposição de jornalistas é reduzida. Mesmo assim este trabalho é priorizado, em detrimento da cobertura de eventos realizados em Porto Velho, como é o caso do Flor do Maracujá. É possível apontar que a cobertura de um evento em Porto Velho teria melhores condições para ser levada a efeito, o que não se repete no interior de Rondônia, onde o Diário da Amazônia mantém, normalmente, seis correspondentes, apenas. Este aspecto, que evidencia a preferência pela cobertura das feiras agropecuárias, torna-se mais aparente em casos de feiras realizadas em cidades onde não há correspondentes permanentes, como deixado claro pela editora dos cadernos de feiras agropecuárias, Aurimar Souza: “A estrutura usada para a cobertura já estava nas cidades, e foi mantida a mesma que já se oferece aos correspondentes. Só em Jaru, que não tem, e aí foi gente pra lá” (SOUZA, 2009).
A contradição que leva a ser efetivada a cobertura extensa de um grupo de eventos, sem os devidos recursos para tal, é apontada pelo editor-geral do Diário da Amazônia, Guarim Liberato, como falta de gestão e planejamento estratégico. Com isso a
prática cotidiana e as condições oferecidas, somadas a atrelamentos econômicos e políticos acabam limitando as possibilidades e levando a haver mais atenção a um setor que a outro. Isso, no entanto, não é o índice necessário para se compreender a razão pela qual há prevalência de eventos, e consequentemente de um complexo cultural, distantes do local onde estão concentrados os principais recursos disponíveis para o Diário da Amazônia. Tal índice pode estar na conjunção dos elementos já elencados com outras posições, relacionadas à legitimação da cultura dos imigrantes da colonização agrícola:
Eu não entendia a filosofia dos cadernos de exposições. Agora eu chego e pergunto: o que a gente quer? É a divulgação do agronegócio, a fomentação, a movimentação popular, as figuras que aparecem na feira, pois aparecem pessoas que não têm nada a ver com o agronegócio, mas que vão atrás da feira. O evento proporciona a aglomeração, e então as pessoas correm atrás para atender o que elas buscam. E o jornal foi para atender também (SOUZA, 2009).
Outro elemento é a distância entre as referências culturais dos produtores do Diário da Amazônia do complexo cultural da população tradicional, o que pode resultar em obstáculos para a compreensão das práticas efetivadas nas festas tradicionais. Esse movimento pode ser apontado a partir da fala de Santiago Roa Júnior, secretário de redação do Diário da Amazônia:
Eu, como leitor que há oito anos mora em Rondônia, falo: eu não via [a cultura tradicional]. E se via não entendia. Eu lia a coluna do Zé Katraca e não entendia. Então falta o quê? Uma tradução dos movimentos culturais daqui. Falavam do Flor do Maracujá, e eu não sabia o que era, se era uma festa de quadrilha ou não sei o quê (ROA JÚNIOR, 2009).
O contato com as práticas ribeirinhas é conjugado com as práticas jornalísticas do Diário da Amazônia a partir de um discurso de paridade da cobertura. Mas, ao mesmo tempo em que pretendem a aproximação os produtores do DA – jornalistas, editores e proprietários do jornal – tomam as práticas ribeirinhas como diferentes. E como diferentes são tratadas nas páginas do Diário da Amazônia, passíveis dessa tradução pelos leitores.