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Ayanlık ve Mütesellimlik Makamlarını Elde Etme Mücadelesi

3.2. Kayseri Ayanlarının Toplum ile İlişkileri

3.2.1. Ayanların Halk ile İlişkileri: İhtilaflar-İttifaklar

3.2.1.5. Ayanlık ve Mütesellimlik Makamlarını Elde Etme Mücadelesi

Analisando os estudos que apresentamos percebemos a profundidade das reflexões feitas na abordagem de cunho funcionalista, por incorporar aos aspectos sintáticos os semânticos e pragmáticos de forma articulada. Vemos aí um ponto em comum com a teoria na qual fundamentamos nossas análises.

Porém, segundo os pressupostos teóricos da TOPE a dicotomia léxico-gramátical não existe, pois defende justamente a articulação desses dois níveis, considerando, como já dissemos, que toda operação de linguagem tem implicações tanto no léxico quanto na gramática. Postula também a indeterminação da linguagem, que significa que as marcas da língua jamais se cristalizam. Pode ocorrer a estabilização de um termo em um determinado enunciado, mas em outro, minutos depois, a estabilização pode se dar com significado diferente.

O funcionalismo, mesmo convergindo com a TOPE quanto à reflexão sobre as marcas da língua, difere dela pelo fato de trabalharem com o enunciado já estabilizado, não se interessando pelo processo de produção porque passou o enunciado.

Defendemos a maior eficácia de uma gramática enunciativa, em detrimento tanto da normativa quanto da funcionalista, pelo fato de que essa concebe o processo comunicativo como sendo dialógico e dinâmico. Dessa forma, emissor e receptor são vistos como interlocutores igualmente ativos, diferentemente do modelo tradicional exposto por Jakobson (1969) em que emissor é ativo e receptor é passivo. Mesmo no silêncio ocorre uma intensa atividade dialógica, nesse caso intrassujeito, que visa ajustar os significados atribuídos aos enunciados. Araújo (2005, p. 74) explica que na abordagem culioliana “a língua não é considerada um código externo aos sujeitos, mas sim, parte do processo de constituição do

indivíduo psíquica e socialmente. Antes de ser meio de comunicação externa, a linguagem é um processo interno de organização”.

Essa organização é o que permite ao indivíduo ter uma visão própria dos fatos que o rodeiam, daí a importância de se considerar as mais variadas formas de expressão do sujeito. Desse modo, a língua não fica reduzida a poucas, ou muitas, formas de construção já estabilizadas e passíveis de categorizações. Também o sujeito não se reduz a um repetidor de tais formas, ou um simples transmissor de formas previamente concebidas.

É essa consciência da complexidade da língua, de sua gramática e de seus falantes que é preciso estar presente no ensino da língua materna, de forma a construir uma identidade linguística para os falante. Também é interesse de um ensino dinâmico de gramática, tornar os indivíduos senhores do seu discurso, tornando-os suficientemente capazes de decidir entre uma ou outra construção dependendo do seu objetivo e propósito. Ou seja, contribuir para o desenvolvimento de sua competência linguística.

O levantamento bibliográfico feito aqui nos ajudou a reconhecer e aprofundar alguns pontos que comporão as análises da nossa pesquisa, principalmente com relação às gramát icas normativas e sua abrangência sob o ensino básico.

4ANÁLISEDOSENUNCIADOS

Após o estudo da marca mas sob diferentes enfoques teóricos, iniciamos, nesta seção, a sua análise sob os pressupostos teóricos e metodológicos da TOPE. A pesquisa bibliográfica, apresentada na seção anterior, serve de base para as análises que seguem, pois permitiu um amadurecimento das operações desencadeadas pelo termo em questão. De modo que, estamos mais sensíveis para os diferentes mecanismos que devem surgir a partir da análise. Além disso, pudemos verificar que a gramática normativa reduz enormemente o escopo de atuação da marca, diferentemente das abordagens funcionalista e descritiva, que ampliam esse escopo, porém o encerram ao final das suas listagens.

Visando a compreender os processos formadores das operações desencadeadas por meio da marca mas, apresentamos a análise de dez enunciados de acordo com os pressupostos teóricos e metodológicos da TOPE. Os enunciados analisados foram retirados tanto dos textos com os quais trabalhamos nas aulas que ministramos para as turmas de sexta/sétima séries, quanto do discurso dos próprios alunos nos momentos de discussões das aulas.

Na busca de construções diversificadas variamos a origem dos enunciados, de modo que a análise pudesse ampliar ainda mais o leque de possibilidades exposto pelas gramáticas normativa e funcionalista. Assim analisamos enunciados retirados dos textos que trabalhamos em sala de aula e também do discurso dos alunos, selecionados nas transcrições das aulas. No texto que trata dos procedimentos metodológicos explicaremos melhor a seleção do corpus.

Após o estudo das abordagens tradicional, funcionalista e descritiva sobre a conjunção

mas, ficou visível a importância de um terceiro ponto de vista sobre o tema. Uma visão que

permitisse observar a questão de um modo mais amplo, considerando suas relações mais intrínsecas no enunciado. Bem como, que considerasse ainda, outras formas de uso de tal marca.

Como a TOPE apresenta um modelo de análise que não cristaliza as operações realizadas por determinada marca, nos servimos dela para analisar os processos e operações que podem ocorrer com o mas. Com esse modelo de análise, além de levantarmos os aspectos invariantes dos enunciados adversativos, pudemos também verificar o aparecimento do termo

mas marcando outros processos, como: a indicação do alto grau da noção; a construção da

fronteira do domínio nocional; a relação intrínseca entre a marca e a negação; a constituição de um gradiente da noção.

Iniciamos a seção apresentando detalhadamente a metodologia que seguimos na análise dos enunciados, desde a seleção até as análises do material linguístico fornecido pelos

alunos. Lembramos que os alunos, além de fornecerem enunciados para a composição do

corpus, participaram da aplicação das atividades tradicionais e epilinguísticas, para

comparação do aproveitamento linguístico em ambas metodologias. A atividade de comparação das duas metodologias consiste no grande objetivo da pesquisa.

Apresentamos também uma breve revisão bibliográfica sobre a TOPE e os termos utilizados na análise dos enunciados que seguem.

Na Seção 5 descreveremos a parte prática da pesquisa, ou seja, as aulas ministradas em duas turmas de sexta-séries, sobre a marca mas, com duas metodologias diferentes – uma tradicional, baseada na gramática normativa, e outra baseada nas atividades epilinguísticas. Assim, as análises realizadas na presente seção (Seção 4), foram de suma importância para as aulas da turma (B), turma com a qual trabalhamos epilinguisticamente, pois permitiu o amadurecimento das atividade propostas para a turma.