Hung et al.39 pesquisaram a influência da cimentação e da ciclagem térmica na fenda marginal de coroas totais. Confeccionaram- se preparos para coroas totais em trinta pré-molares humanos hígidos e para cada dente, coroas totais foram fabricadas (n=10): A- Dicor, B- Cerestone e C- Metalo-cerâmica (controle). Para os grupos A e B, foram realizados preparos com término do tipo ombro arredondado e para as amostras do grupo C o término foi do tipo ombro biselado na face vestibular e do tipo chanfro nas faces proximais e lingual. Utilizando um microscópio óptico (75x), foram mensurados quatro pontos em cada amostra, sendo um em cada face, e em seguida realizada a média das três leituras em cada ponto. Cada amostra teve sua região marginal analisada previamente à cimentação, após cimentação com cimento de fosfato de zinco e após ciclagem térmica (1.500 ciclos, 5º/60ºC). Após análise dos resultados, observou-se que não houve diferença estatística entre os grupos previamente à cimentação, os quais apresentaram médias aproximadamente de: Dicor (50 ± 14 µm), Cerestone (61,6± 7,3 µm) e Metalo-cerâmica (33,3 ± 13,3 µm). Já a análise após a cimentação, as coroas confeccionadas pelo sistema Dicor (78,3 ± 13,3 µm) apresentaram valores semelhantes as do sistema Cerestone (68,3 ± 7,3 µm) e estatisticamente superiores comparado ao grupo das coroas metalo-cerâmicas (50 ± 13,3 µm). Os autores concluíram que a cimentação e a termociclagem aumentou a discrepância marginal vertical das coroas cerâmicas fabricadas pelos sistemas analisados.
Weaver et al.93 avaliaram o efeito da cimentação no desajuste marginal de coroas cerâmicas. Trinta incisivos centrais artificiais foram preparados para coroa total, sendo vinte com término em ombro arredondado e dez com término em ombro arredondado biselado. Cada preparo foi em seguida moldado com silicone polimerizado por reação de adição e preenchido com gesso especial tipo IV. Sobre os troquéis com término em ombro arredondado, foram confeccionadas coroas cerâmicas em (n=10): Dicor e Cerestone. Já sobre os troquéis com término em ombro biselado foram feitas coroas Metalo-cerâmicas (controle). Em seguida cada coroa foi adaptada em seu respectivo preparo padrão e após avaliada a discrepância marginal vertical de cada amostra, sendo mensurados quatro pontos (vestibular, lingual, mesial e distal) ao longo de cada restauração. Cada coroa foi cimentada sobre seu respectivo preparo e nova análise marginal foi realizada. Observou-se que as coroas em Cerestone (21,6 ± 1,6 µm) e Metalo-cerâmicas (30,5 ± 18,9 µm) geraram valores menores de fenda marginal comparado com o sistema Dicor (44,4 ± 9,7 µm). Já após a cimentação, o grupo Cerestone (31,7 ± 2 µm) apresentou média de discrepância marginal inferior a das amostras em Dicor (57 ± 9 µm) e Metalo-cerâmico (58,8 ± 34,9 µm). Os autores concluíram que a adaptação marginal dos três grupos foi clinicamente aceitável após a cimentação.
Beschnidt e Strub7 pesquisaram a influência da cimentação e da ciclagem mecânica na discrepância marginal vertical de coroas totais cerâmicas. A partir de preparos para coroas totais confeccionados em sessenta incisivos humanos, com término em ombro arredondado, foram realizadas moldagens com material elastomérico de alta precisão (Impregum) e em seguida confeccionados os troquéis em gesso, sendo esses distribuídos aleatoriamente entre seis grupos: a- Metalo-cerâmica (controle), b- In-Ceram, c- Empress (com pintura externa), d- Empress (com redução e estratificação), e- Celay (feldspática) e f- Celay In-Ceram. A análise da fenda marginal entre o término do
preparo e a margem da coroa foi realizada utilizando o método da réplica e mensurada com o auxílio de um estereomicroscópio com aumento de 400x, acoplado a uma câmera digital e a um computador, no qual as imagens capturadas pela câmera foram analisadas. Foram realizadas cerca de 2.500 a 3.000 mensurações ao longo da região marginal de cada amostra, antes a após a cimentação e para metade das amostras após simulação mecânica da mastigação. Os resultados demonstraram que a discrepância marginal vertical dos sistemas estudados antes da cimentação foram: Metalo-cerâmica- 64 µm (55-86 µm), In-Ceram- 60 µm (52-69 µm), Empress com pintura- 47 µm (43-62 µm), Empress com estratificação- 62 µm (58-70 µm), Celay feldspática- 99 µm (90-109 µm) e Celay In-Ceram- 78 µm (73-87 µm). Já após a cimentação, os valores obtidos foram: Metalo-cerâmica- 87 µm (82-103 µm), In-Ceram- 82 µm (74-91 µm), Empress com pintura- 63 µm (56-77 µm), Empress com estratificação- 76 µm (69-83 µm), Celay feldspática- 117 µm (102-123 µm) e Celay In-Ceram- 91 µm (85-99 µm). A análise estatística demonstrou diferenças significantes para os grupos C e E após cimentação, comparados com o grupo A (controle). Adicionalmente, observou-se que o sistema Empress apresentou melhor adaptação marginal comparado aos outros sistemas estudados e que a ciclagem mecânica simulando a mastigação não influenciou a discrepância marginal vertical das coroas. Os autores concluíram que todos os sistemas geraram discrepâncias marginais clinicamente aceitáveis.
Gu e Kern34 pesquisaram a influência de diferentes agentes cimentantes e da ciclagem mecânica na discrepância marginal de coroas cerâmicas confeccionada pelo sistema IPS Empress 2, bem como o grau de infiltração das restaurações. Sessenta e quatro preparos para coroa total foram realizados em molares inferiores humanos, e a partir deles quarenta e oito coroas cerâmicas foram confeccionadas e em seguida cimentadas em seu respectivo preparo com diferentes agentes cimentantes (n=16): cimento de fosfato de zinco (a), compômero (b) e
cimento resinoso (c). Coroas metalo-cerâmicas com ombro cerâmico foram cimentadas com fosfato de zinco como grupo controle (d). Metade das amostras de cada grupo foi submetida à ciclagem mecânica. Após, utilizando a técnica da réplica, cada conjunto foi duplicado com silicone de adição e modelos em resina epóxi confeccionados para posterior mensuração da adaptação marginal em MEV. Já para análise da extensão das fendas nas interfaces cimento/preparo e cimento/coroa, foi realizada uma leitura a seco dessas interfaces com o auxílio de um estereomicroscópio binocular de luz refletida com 25x de aumento, sendo os valores mensurados e registrados na forma de scores, variando de 0 (sem espaço entre as interfaces) e 7 (fenda com extensão até a superfície oclusal). As discrepâncias marginais dos grupos cerâmicos (a- 49 µm, b- 46 µm, e c- 48 µm) foram significantemente inferiores às observadas nas margens cerâmicas no grupo controle (d- 97 µm). Adicionalmente observou-se que a ciclagem mecânica não influenciou a discrepância marginal dos grupos estudados e que ocorreram diferenças significantes entre os resultados da análise da infiltração dos grupos estudados.
Okutan et al.67 estudaram a resistência à fratura de coroas cerâmicas fabricadas em zircônia estabilizada por ítrio (Everest HPC), bem como a influência da cimentação na fenda marginal das coroas. A partir de um preparo para coroa total realizado em um molar inferior humano, foram confeccionados trinta e dois troquéis em gesso. Baseado nesses modelos em gesso, foram fabricadas coroas totais cerâmicas utilizado o sistema Everest HPC. Cada restauração foi cimentada em seu preparo variando o tipo de cimento: G1- Cimento de ionômero de vidro (Ketac Cem) e G2- Cimento resinoso (Panavia 21EX). Antes e após a cimentação das coroas, cada conjunto foi moldado com silicone de adição e preenchido com resina epóxi (técnica da réplica), sendo a análise da precisão marginal realizada com o auxílio de um estereomicroscópio com 40x de aumento. Todos os espécimes foram submetidos a uma ciclagem térmica (5°/55°C, tempo imersão: 60 s) e
mecânica (carga: 49 N, Freqüência: 1,3 Hz) simulando a mastigação, sendo realizados 1.200 milhões de ciclos. Utilizando uma máquina de ensaio universal, foi aplicada uma carga perpendicular em cada coroa (velocidade: 2 mm/min), até o momento da sua fratura. Os resultados demonstraram que não houve diferença entre a resistência à fratura das coroas cimentadas com ionômero de vidro (1.622 ± 433 N) e com cimento resinoso (1.957 ± 806 N). Adicionalmente, observou-se que a cimentação aumentou significativamente a discrepância marginal das restaurações cerâmicas, sendo: antes da cimentação- G1 (32,7 ± 6,8 µm), G2 (33 ± 6,7 µm) e após a cimentação- G1 (44,6 ± 678 µm) e G 2 (44,6 ± 7,7 µm). Os autores concluíram que a precisão marginal do sistema Everest HPC é compatível aos dos demais sistemas cerâmicos.
Wolfard et al.94, em uma pesquisa in vivo, estudaram a adaptação marginal de próteses parciais fixas cerâmica e inlays, confeccionadas em Empress 2, utilizando a técnica da réplica. Onze pacientes foram selecionados para este estudo. Após confecção dos preparos, moldagem e obtenção das próteses fixas, estas foram moldadas com silicone de adição, antes e após a cimentação das restaurações com cimento resinoso. Os moldes foram preenchidos com resina epóxi em seguida foi mensurada a discrepância marginal das amostras, utilizando MEV. Os resultados demonstraram que a média das discrepâncias marginais foi de 96 µm (coroa) e 98 µm (inlay) antes da cimentação e 130 µm (coroa) e 92 µm (inlay) após a cimentação. Os autores verificaram que a cimentação adesiva aumentou significativamente a discrepância marginal das coroas cerâmicas estudadas.