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Üniversitedeki Arkadaşları ve Çevresi

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A etnografia é uma forma de pesquisa qualitativa. Genericamente, o termo “ethnos” proveniente do grego, denota um povo, uma raça ou grupo cultural. Combinado ao termo “graphic”, faz referência à disciplina conhecida como antropologia descritiva, o que equivale a dizer que é a ciência devotada a descrever as formas de viver das pessoas e a pesquisa dos estilos de vida.

Seu significado, segundo André (1995), é o de “descrição cultural”, o qual se divide em dois sentidos para os antropólogos. O primeiro é de um conjunto de técnicas para coletar dados sobre os valores, os hábitos, as crenças, as práticas e os comportamentos de um grupo social e o segundo, é um relato escrito resultante do emprego dessas técnicas.

A pesquisa etnográfica, por meio do pai da moderna antropologia inglesa – Bronislau Malinowski – inventou a pesquisa de campo, trazendo legitimação ao processo investigativo, não somente pela pesquisa de campo, mas também pela ênfase nos valores da observação participante, assim como técnicas de coleta, ordenação e apresentação das evidências do trabalho de campo.

Segundo Peirano (2002),

“[...] a antropologia se desenvolve por meio do diálogo entre teoria e etnografia, esse procedimento tem como base a surpresa com que o antropólogo se deparam com novos dados de pesquisa que são revelados, geralmente, nos tipos de eventos de que participa ou que reconhece como significativos para aqueles que observam – de Mauss e Malinowski a Geertz, passando por Lévi-Strauss, essa tem sido à base do entendimento sobre o que é etnografia.”

Outro ponto importante é o fato de o pesquisador distinguir os resultados da observação direta em relação aos depoimentos dos atores, ou como Peirano denomina, nativo, e suas interpretações dos fatos, mais as interpretações e as inferências do pesquisador.

Tais premissas continuam válidas até os dias atuais, ajudando de forma pontual os trabalhos de campo de pesquisadores de diversas áreas do saber e de arenas de investigações.

Ainda para se fazer uma abordagem etnográfica, alguns critérios devem ser seguidos, como disciplina, criatividade e talento para o desenvolvimento do ofício da etnografia. Alguns estudiosos admitem segundo Elsen (2003), que as etnografias são construídas dentre inúmeras possibilidades, em que o pesquisador, com determinada maneira de olhar a realidade, extrai as interrogações a problematização e a definição do objeto de estudo.

Para André (1995), a etnografia não é utilizada no seu sentido restrito, sendo o que normalmente acontece quando estudos do tipo etnográfico são realizados. As características de estudos dessa amplitude, no que tange as técnicas utilizadas para coleta de dados, são a observação participante, a entrevista intensiva e a análise de documentos.

Sobre a observação participante, o pesquisador possui grau de interação com o objeto de estudo, o que o afeta diretamente, assim como o pesquisador sofre sua interferência. As entrevistas têm por finalidade de aprofundar as questões e esclarecer os problemas observados; e a análise de documentos serve para contextualizar o fenômeno, explicitar vinculações mais profundas e completar as informações coletadas por meio de outras fontes (ANDRÉ, 1995).

As características da pesquisa etnográfica são sintetizadas a seguir: • Interação constante entre pesquisador e objeto pesquisado.

• O pesquisador é o instrumento principal na coleta e na análise dos dados, o que o coloca em posição bem diferente de outros tipos de instrumentos: “[...] permite que ele responda ativamente às circunstâncias que o cercam, modificando técnicas de coleta, se necessário, revendo as questões que orientam a pesquisa, localizando novos sujeitos, revendo toda metodologia ainda durante o desenrolar do trabalho” (ANDRÉ, 1995, p.29).

• Ênfase no processo, naquilo que está ocorrendo e não no produto ou nos resultados finais.

• Preocupação com o significado, com a maneira própria com que as pessoas vêem a si mesmas, as suas experiências e o mundo que as cerca. “O pesquisador deve tentar aprender e retratar essa visão pessoal dos participantes” (ANDRÉ, 1995, p.29).

• Envolve trabalho de campo, em que há aproximação com as pessoas, as situações, os locais e os eventos, mantendo com eles um contato direto e prolongado.

A interpretação sobre a interpretação que os informantes fazem, se traduz em ato cognitivo através do olhar que sensibiliza o pesquisador a compreender pessoas, relações, organizações, ambiente, estruturas, poderes, dentre outros. Mas além do olhar, é preciso ouvir, dependentemente do primeiro processo, sustentando o trabalho de campo que caminha na estrada do conhecimento.

Outras características importantes na pesquisa etnográfica são as descrições e as induções. Ou seja, o ato de escrever, que ocorre após o trabalho de campo, precisa descrever a realidade observada contextualizando os fenômenos sócio-culturais observados.

O pesquisador faz uso de grande quantidade de dados descritivos: situações, pessoas, ambientes, depoimentos, diálogos, que são por ele reconstruídos em forma de palavras ou transcrições literais.

As principais vantagens do estudo de caso etnográfico são:

• A pesquisa fornece uma visão mais profunda, ampla e integrada da unidade social complexa e composta de múltiplas variáveis.

• Capacidade de retratar situações vivas do dia-a-dia.

• Possui capacidade heurística, isto é, oferece insights e conhecimentos que clareiam os vários sentidos do fenômeno estudado, podendo ser descobertas

novas significações, estabelecidas novas relações e ampliadas as experiências.

• O pesquisador não parte de um esquema teórico fechado, que limite suas interpretações e impeça a descoberta de novas relações.

Mas a pesquisa etnográfica também possui algumas limitações sintetizadas a seguir:

• O pesquisador tem de assumir uma postura de neutralidade diante do caso estudado.

• Muitas vezes, o estudo de caso acaba se perdendo na acumulação infinita de dados ou na análise superficial e inconsistente.

• O pesquisador tem de estar bem preparado e estar sensível ao estudo; além de manter uma postura ética diante das informações coletadas, pois elas podem afetar negativamente a vida ou comprometer o futuro da instituição, da pessoa ou do fenômeno estudado.

Por fim, segundo ANDRÉ (1995, p.30), a pesquisa etnográfica busca “[...] formulação de hipóteses, conceitos, abstrações, teorias e não sua testagem”. Devido a isso, o plano de trabalho é aberto e flexível, sendo que as investigações são construídas e revistas constantemente, as técnicas de coletas são reavaliadas, os instrumentos reformulados e os fundamentos teóricos repensados.