4. BULGULAR VE YORUM
4.2. Öğrenci Kategorisi
4.2.1. Öğrenci Kategorisi İletişim Alt Kategorisi
E STUDA NTES SO RTE A DO S E NTREVISTAS CON C LUÍ DAS E STUDA NTES SUBSTIT UÍD OS Q UESTION ÁRI OS VALIDA DOS ADMINISTRAÇÃO 29 26 0 26 ARQUITETURA 29 29 1 29 BIOLOGIA 14 13 3 13 CIÊNCIAS SOCIAIS 15 14 15 14 COMUNICAÇÃO 18 18 1 18 DIREITO 47 47 2 47 ECONOMIA 13 12 0 12 EDUCAÇÃO ARTÍSTICA 18 17 1 17 EDUCAÇÃO FÍSICA 32 32 3 32 ENFERMAGEM E OBSTETRÍCIA 30 28 3 28 ENGENHARIA CIVIL 49 46 4 46 ENGENHARIA ELÉTRICA 25 24 2 24 FARMÁCIA 49 47 2 47 FILOSOFIA 12 12 0 12 FÍSICA 13 13 3 13 FISIOTERAPIA 19 17 4 17 GEOGRAFIA 36 33 2 33 HISTÓRIA 20 18 0 18 INFORMÁTICA 4 4 0 4 LETRAS 42 40 4 40 MATEMÁTICA 18 17 2 17 MEDICINA 84 77 2 77 ODONTOLOGIA 35 34 1 34 PEDAGOGIA 47 40 4 40 PSICOLOGIA 9 9 0 9 QUÍMICA 17 17 5 17 SERVIÇO SOCIAL 23 23 4 23 ESPECIALIZAÇÃO EM DESIGN 2 2 2 0 ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO 1 1 0 0 ESPECIALIZAÇÃO EM ENDODONTIA 1 1 1 0
ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL 1 0 0 0
ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA MODERNA 1 0 0 0
ESPECIALIZAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL 1 1 0 0
MESTRADO EM CIÊNCIA DA RELIGIÃO 3 3 1 0
MESTRADO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS 1 1 0 0
MESTRADO EM EDUCAÇÃO 7 7 0 0
MESTRADO EM FILOSOFIA 3 0 0 0
MESTRADO EM LETRAS –LINGÜÍSTICA 2 2 1 0
MESTRADO EM LETRAS -TEORIA DA LITERATURA 2 2 2 0
Registre-se, finalmente, que o objetivo principal do survey realizado entre os estudantes de graduação da UFJF também consistiu no levantamento de dados que permitissem verificar a existência de relações significativas entre, de um lado, a exposição ao uso de “drogas” (no sentido amplo do termo), as demandas por cuidados médicos e por outros cuidados corporais e, de outro, determinados sujeitos sociais, procurando traçar-lhes o perfil, só que, dessa vez, num contexto relativamente menos diversificado do que aquele em que estão inseridos os habitantes de Juiz de Fora. Feitas as devidas qualificações, seja porque as amostras foram produzidas de modo independente e segundo diferentes procedimentos, seja porque uma população engloba praticamente toda a outra63, esse survey não
apenas serve de contraponto àquele desenvolvido entre os habitantes de Juiz de Fora, como também permite o aprofundamento da investigação em torno de alguns pontos (particularmente aqueles relativos ao uso de “drogas psicotrópicas”) explorados de modo mais superficial pelo outro survey.
METODOLOGIA E METODOLATRIA, NOMES E NÚMEROS
Vêm de longa data e são, de certo modo, infindáveis, as controvérsias metodológicas entre o emprego de modelos hipotético-dedutivos e de modelos empírico-indutivos, o uso de técnicas quantitativas e de técnicas qualitativas de pesquisa, o lugar e o alcance da teoria e da empiria, da explicação e da interpretação, no campo das ciências sociais. Essa controvérsia está presente em inúmeros autores. Entre muitos outros, e não da mesma maneira, nem nos mesmos termos, nem com a mesma intensidade, ela perpassa, por exemplo, os trabalhos de Durkheim (1895) e Weber (1904), os de Kuhn (1962) e Popper (1972), os de Reis (1991) e Peirano (1991). Considerando apenas os autores citados, é possível perceber que tais controvérsias não envolvem apenas cientistas sociais (como é o caso de Kuhn e Popper) e que, mesmo entre os cientistas sociais, ela por vezes se dá internamente a uma de suas especialidades (no caso, a sociologia, com Durkheim e Weber), outras vezes opõe autores de diferentes especialidades (no caso, Reis, cientista político, e Peirano, antropóloga).
63 Embora a UFJF atraia muitos alunos naturais de outras cidades, quase todos os estudantes da universidade residem, ao menos nos “dias úteis” e no “período letivo”, na região urbana de Juiz de Fora, isto é, na área coberta pelo outro survey.
Sem querer diminuir ou resolver esses debates, gostaria, no entanto, de lembrar que, por vezes, eles vão além da conta, quando não se tornam de todo bizantinos64, o que freqüentemente acontece quando as discussões epistemológicas e
metodológicas de fundo dão lugar à metodolatria pura e simples, que vem a ser o complemento instrumental de certa hagiolatria peculiar ao métier65. Um dos efeitos
mais danosos dessa metodolatria aparece quando se confunde o emprego de certos modelos ou métodos com certas especialidades disciplinares e quando, além disso, se pretende legitimar (ou desqualificar) certa disciplina pelos métodos ou modelos por ela privilegiados. Que o uso de certos métodos ou modelos não é prerrogativa exclusiva de nenhuma disciplina em particular fica claro desde que se considerem, por exemplo, de um lado, as famosas “análises de conjuntura” levadas a cabo pelos especialistas em ciência política e, de outro, o que escreveu Malinowski (1922: 27), tido como um dos “pais” da etnografia, no seu texto mais clássico a respeito: que a etnografia não dispensa, nem se opõe, ao emprego de surveys, mas o envolvem, no duplo sentido do termo66.
Pois é preciso não esquecer que métodos são, antes de mais nada, meios, caminhos cuja avaliação só faz sentido caso se levem em conta os horizontes que eles permitem ou nos levam a atingir. Como não faz sentido comparar, de modo essencialista, martelos e chaves de fenda, como ferramentas, também não faz
64 Registre-se, para que se evitem eventuais equívocos de interpretação, que esse não me parece ser, absolutamente, o caso dos autores citados, mas, muitas vezes (embora nem sempre), se torna o caso em inúmeras retomadas desses debates em nossas salas de aula ou encontros acadêmicos. 65 Nos termos de Soares (1998: 154), “o essencialismo e a metodolatria são a face dogmática das práticas micropolíticas corporativas, reificadoras de tradições inconscientes de sua dimensão contingente, que acionam identidades disciplinares como fetiches da autoconsagração”. Isso porque, ainda segundo Soares (Ibidem: 153), quando se discute epistemologia ou metodologia, não se está “simplesmente discutindo questões abstratas ou expressando legítimas opiniões pessoais a respeito de [uma] disciplina. O que está em jogo são posições relativas de poder e prestígio de indivíduos e instituições, obras ou áreas disciplinares”.
66 A propósito do emprego de métodos quantitativos na antropologia, veja-se, ainda, o texto em que Mitchell (1967) faz um balanço do uso de surveys na antropologia social e o texto em que Sanchis (1997) se coloca e encara a questão: “será possível a um antropólogo, sem diminuir a importância estratégica da observação participante e da análise qualitativa que esta permite, introduzir efetivamente o questionário na sua bateria, não como um método paralelo, preparatório ou complementar, mas como parte de um procedimento unificado, em que quantidade e qualidade se articulam dinamicamente e se metamorfoseiam uma na outra?”
sentido comparar, de modo essencialista, tabelas e narrativas: assim como não é adequado usar martelos para apertar parafusos, nem chaves de fenda para bater pregos, não é adequado usar tabelas para se dar conta dos aspectos qualitativos, nem narrativas para se dar conta dos aspectos quantificáveis da realidade social. Isso não faz dos martelos ou das tabelas, nem das chaves de fenda ou das narrativas, ferramentas intrinsecamente melhores ou piores do que as outras, pois não há métodos que sejam, por si mesmos, melhores ou piores, apenas métodos mais ou menos adequados aos fins que se pretende atingir.
A propósito, não deixa de ser sintomático o que já notara Latour (1996:5):
epistemologists and philosophers of science write a great deal about ‘the scientific method’, but natural scientists – sensibly enough – do not bother to read them. It is only the social scientists who, insecure about their own scientific status, take these discussions seriously.
Rigor in science is more a question of logistics than method, for objectivity, certainty and control are required only when masses of data must be stored, transported, combined or modeled. ‘Scientific’ has two different meanings: logistics on the one hand, and content on the other. Science is at its most productive when it defines new agencies under examination. Such methodological rhetoric in anthropology [em particular, ou nas ciências sociais como um todo] carries no more meaning than the construction of a highway, six lanes wide and several hundred meters long, located in the middle of nowhere. It would be robust and ‘rigorous’, yet where would it lead? What kind of traffic is it designed to carry? These are the questions that take precedence over the actual dimension of the road.
É por isso que, como enunciara Latour (1996: 4), “to be or not to be scientific is not the question”. Posta em outros termos, a questão não é imitar a pureza científica das ciências naturais, mas a produtividade dessas disciplinas encarnadas nas novas agências que elas mobilizam (Ibidem: 5).
No que diz respeito ao modelo analítico desta tese, certamente ele não é, ipsis litteris, nem empírico-indutivo, nem hipotético-dedutivo. De um lado, não parto de observações feitas a partir das quais proponho inferir leis ou regularidades gerais, pois as observações feitas não o foram a partir do nada – não me fiz de tábula rasa antes de ir para o campo observar – mas a partir de um conjunto razoavelmente claro de idéias a propósito do que e de onde investigar. De outro lado, não enuncio hipóteses gerais que procuro falsear através das observações feitas; nem por isso temo a falácia da hipotetização ex post facto. Creio, com Babbie (1990: 379-380), que “a análise de dados é um processo contínuo, que exige toda a engenhosidade e perseverança que se puder reunir”, um processo que, portanto, envolve idas e
vindas, teoria e empiria67, sendo o problema de saber o que deve vir primeiro tão
insolúvel quanto aquele do ovo e da galinha. É por isso que os métodos empregados nesta tese têm um caráter instrumental e são utilizados com propósitos exploratórios (na medida em que buscam, seja viabilizar os enunciados arrolados ao longo da tese, seja problematizá-los) e pedagógicos (na medida em que aprender a manejá-los adequadamente é parte integrante de meu processo de formação como doutorando).
Considerando os diferentes levantamentos empíricos realizados mediante o emprego dos métodos utilizados, esta tese envolveu a produção e o manejo de uma massa considerável e, sob vários aspectos fundamentais, inédita de dados. Trata-se de uma massa considerável de dados por conta do número de casos pesquisados68;
da diversidade das e nas populações pesquisadas69 e do montante de itens
abordados pelos questionários aplicados70. Trata-se de uma massa inédita de dados
porque não existe equivalente, ao menos no Brasil, de um survey sobre uso de “drogas” produzido a partir de uma amostra probabilística da magnitude e com a diversidade daquela que utilizamos no survey realizado entre os habitantes de Juiz
67 Como afirma De Vaus (1986: 218), apesar dos problemas suscitados por análises ex post facto, this approach to analysis has a number of advantages over simply adopting the deductive hypothesis testing approach. First, it reflects that data analysis is a continuing process which involves moving backwards and forwards between theory and data. This results in analysis and theories which take account of the complexities in the data more than does a ritualistic hypothesis testing approach. Secondly, it encourages researches to look at patterns in the data and to develop explanations of these regardless of what they might be […]. Thirdly, it can help avoid the sterility of a purely hypothesis testing approach.
68 Nos surveys, foram entrevistados, e tiveram os questionários validados, 1254 habitantes de Juiz de Fora com 15 anos ou mais e 707 estudantes de graduação da UFJF, tendo sido feitas as amostras aleatórias nas escalas de cerca de, respectivamente, 1:100 e 1:10; na etnografia, 27 pessoas foram entrevistadas e tiveram as entrevistas transcritas na íntegra, para não falar daquelas que foram observadas, cujo número não sou capaz de precisar.
69 Habitantes de uma cidade de médio porte com 15 anos ou mais de idade, estudantes de graduação de uma universidade pública e usuários de “drogas” de uso “ilícito” residentes nessa mesma cidade e, alguns deles, (ex)alunos dessa mesma universidade.
70 No total, são cerca de 300 perguntas no questionário aplicado aos habitantes e um pouco mais do que isso no aplicado entre os estudantes, com o roteiro das entrevistas semi-estruturadas aplicadas como parte da pesquisa etnográfica envolvendo cerca de meia centena de questões. Isso não quer dizer que os entrevistados tiveram que responder a todas essas perguntas, já que, nos questionários dos surveys, existem vários filtros, e, nas entrevistas semi-estruturadas, as questões fazem parte de um roteiro que, enquanto tal, serviu para orientar a entrevista, e não para definir seu curso de modo rígido. Entretanto, esse é o montante de perguntas formuladas cujas respostas foram disponibilizadas para agregação e análise.
de Fora71; de surveys que se proponham pesquisar, num mesmo levantamento, um
conjunto bem mais amplo de “drogas” do que as comumente visadas em pesquisas do gênero; de uma etnografia entre usuários de “drogas” de uso “ilícito” residentes em Juiz de Fora; e de uma pesquisa que, envolvendo surveys e etnografia, procure levantar, de modo integrado, dados a respeito do uso de “drogas” de uso “lícito” e “ilícito” em populações que, por um lado, são bastante heterogêneas internamente e uma com relação às outras e, por outro, guardam certas homogeneidades importantes, como o fato de todos os entrevistados serem residentes de uma mesma cidade praticamente num mesmo período de tempo.
Seja porque as análises desenvolvidas ao longo desta tese estão longe de esgotarem as interpretações possíveis dos dados que produzimos com os levantamentos empíricos, seja para que o leitor deste trabalho tenha acesso aos dados sobre os quais se sustentam os argumentos aqui alinhados e, com isso,
71 De fato, até o momento, as maiores e mais consistentes pesquisas quantitativas sobre uso de “drogas” no Brasil são os quatro levantamentos realizados em 1987, 1989, 1993 e 1997 pelo CEBRID, da Escola Paulista de Medicina. Comparando os levantamentos do CEBRID com o que realizamos, registramos as seguintes diferenças: o alcance dos levantamentos do CEBRID é, sob certos aspectos, bem mais amplo (já que foi realizado em 10 capitais brasileiras e em quatro períodos diferentes) do que os que realizamos. Não obstante, considerando outros aspectos, mormente as populações visadas, os levantamentos do CEBRID são bem mais restritos: eles se concentraram entre “estudantes de primeiro e segundo graus da rede estadual de ensino”, enquanto o que realizamos, ao menos um deles, focou uma população bem mais diversificada, a constituída pelos “habitantes de Juiz de Fora com 15 anos ou mais de idade residentes em moradias eletrificadas”. Registre-se ainda que as amostras utilizadas pelo CEBRID foram feitas por cotas, não sendo, portanto, de tipo probabilístico, enquanto as que produzimos foram feitas mediante sorteio aleatório dos entrevistados. Além disso, ainda que a parte dos questionários do CEBRID dedicada ao uso de “drogas psicotrópicas” seja semelhante à que dedicamos – inclusive porque nos orientamos pelos questionários do CEBRID e, tal como o CEBRID, tomamos o instrumento proposto pelo Research and
Reporting Project on the Epidemiology of Drug Dependence da Organização Mundial de Saúde como
parâmetro (Smart & outros, 1980) para a elaboração dessa parte de nossos questionários – esses são bem mais amplos do que os aplicados pelo CEBRID e o sugerido pela OMS, sobretudo no que diz respeito às próprias “drogas” pesquisadas. Ciente das limitações do recorte amostral até então utilizado, recentemente o CEBRID noticiou a intenção de realizar o “I Levantamento Domiciliar Nacional sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas”, anunciou já ter concluído tal levantamento nas 24 maiores cidades do Estado de São Paulo e informou que os resultados do levantamento já realizado serão publicados em breve. Caso consumado, tal levantamento abarcará uma população bem mais ampla e heterogênea do que a que pesquisamos; entretanto, ao que tudo indica, o levantamento novamente se restringirá às “drogas psicotrópicas”.
possa tirar suas próprias conclusões, lembro, novamente, que esta tese têm como anexo um CD-ROM onde estão disponibilizados não apenas os dados empíricos coligidos, como também os instrumentos utilizados ao longo das pesquisas e um sumário dos principais resultados apurados por cada questão indagada e pelos indicadores que, a partir dela, foram produzidos.