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3.1. Aşk ve Evlilik

3.1.1.1. Çocukluk Aşkı

Cury (2005, p.24) descreve poeticamente musealização como a ação do museu ao recolher 'fragmentos das coisas', no que compete à cultura material, imaterial, ao

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Texto de apresentação extraído do website do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – CPDOC, < http://cpdoc.fgv.br/acervo/arquivospessoais >. Acesso em maio de 2010.

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Comunicação apresentada na Disciplina Planejamento Museológico: da Museologia tradicional à Sociomuseologia. Programa de Pós Graduação Interunidades em Museologia, Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2013

patrimônio cultural. A musealização é, portanto, "um processo que se inicia com uma seleção realizada pelo olhar museológico". Ainda conforme a autora, a musealização se inicia na valorização seletiva e continua no conjunto de ações que transformam o objeto, ao longo do tempo, em documento e elemento de comunicação.

Para Guarnieri, (1990, p.7) "não musealizamos todos os testemunhos do homem e seu meio, mas aqueles traços, vestígios ou resíduos que tenham significação". Para a autora, musealização vai além de simplesmente transferir objetos para o museu:

[...] quando musealizamos objetos e artefatos [...], as paisagens com as quais o homem se relaciona, com preocupações de documentalidade e de fidelidade, procuramos passar informações à comunidade. [...] informação pressupõe conhecimento, registro e memória. [...] É a partir dessa memória musealizada e recuperada que se encontra o registro e daí o conhecimento (Guarnieri, 1990, p. 8).

Cury considera que o processo de musealização pode ser representado com base nas ações sobre os objetos, que partem da aquisição, passam pelos processos de pesquisa, conservação e documentação, terminando com o processo de comunicação, que envolve as exposições, atividades educativas ou pesquisa.

A autora representou graficamente o processo no diagrama a seguir, "onde cada uma das ações possui sua especificidade e seu próprio processo de desenvolvimento [...] embora a ação seja contínua, essas ações não acontecem

necessariamente com a linearidade apresentada no diagrama" (Cury, 2005 p. 26).

Estas ações "devem ser sistematicamente avaliadas [pela equipe do museu] e seus resultados aplicados na dinâmica [...] que consiste a musealização" (Cury, 2005 p. 27).

Meneses (1992, p.111), define o “eixo da musealização” como “o processo de transformação do objeto em documento”, o que introduz “referências de outros espaços, tempos e significados numa contemporaneidade que é a do museu, da exposição, e de seu usuário”. Nesse sentido, os objetos somente se tornam documentos, ou seja, objetos passíveis de musealização quando interrogados de diversas formas.

Primeiramente devem ser tratadas as questões de natureza física, do próprio objeto e, em seguida, as de natureza contextual, obtidas de outras fontes que não o objeto. Isso nos permite delinear a conjuntura na qual o objeto existiu e adquiriu significado, pois esse processo permite levar em conta questões fundamentais, como procedência, autenticidade, interesse e valor das obras, atribuindo visibilidade a realidades naturalmente invisíveis tais como: eventos, fenômenos ou conceitos científicos, entre outros, visto que esses objetos são portadores de informações que se valem de símbolos e convenções arbitrárias. Essa condição está na base dos sistemas de informação museológicos.

Deste modo, a aquisição de um objeto ou coleção é o elemento principal para a formação e ampliação do acervo de um museu. Por sua vez, as políticas de aquisição de acervo são sustentadas pela pesquisa, enquanto que as questões relativas à conservação preventiva documentação estão relacionadas à salvaguarda. Pode-se encontrar pensamento semelhante em Santos, quando afirma que:

[...] o fazer museológico é compreendido como um processo, caracterizado pela aplicação de ações de pesquisa, preservação e comunicação: [...] a pesquisa tem como objetivo a construção do conhecimento, a preservação envolve etapas de coleta, classificação e registro, e conservação [...] a comunicação não está restrita ao processo de montagem de exposições [...] ela é o produto de um trabalho interativo e de reflexão. (Santos, 2002, p. 4).

A seguir, o esquema exemplifica o modo como uma coleção pessoal pode integrar- se ao acervo do museu: um conjunto de ações museológicas viabiliza a coleção

como um documento, transformando-a em fonte de pesquisa, tornando-a preservada, acessível e pública. O processo, após a verificação da viabilidade da coleção às especificidades do museu, consiste em elaborar uma listagem ou um inventário da coleção/acervo de origem, informando como e quando a coleção foi adquirida pela instituição. A coleção pessoal quando entra em um museu já pressupõe seu valor histórico/documental. A análise dos dados físicos e históricos relativos aos objetos dessa coleção permite viabilizar a elaboração de diagnósticos, possibilitando a constatação da necessidade de intervenções, elaborar ações de conservação preventiva e recomendações de armazenamento. Isso permite garantir a integridade física dos objetos da coleção e elaborar, em consonância com o acervo do museu, as diretrizes do Plano Museológico. A partir da coleção institucionalizada, seus objetos e a própria coleção tornam-se fontes de pesquisa.

Mas, para que o conjunto de ações efetive-se é necessário que ocorra um processo de comunicação entre o homem, o bem cultural e o espaço do Museu como propõe a definição de Fato Museal, elaborada por Guarnieri15. Para a autora, “é a relação

15 GUARNIERI, Waldisa Rússio Camargo. Cadernos Museológicos nº3 (1990)

profunda entre o Homem, sujeito que conhece, e o Objeto, parte da Realidade à qual o Homem também pertence e sobre a qual tem o poder de agir, relação esta que se processa num cenário institucionalizado, o museu" (Guarnieri, 1990, p.7). A seguir, a figura mostra como a autora elaborou a síntese do processo de integração entre os três fatores, que podem se alternar no topo da pirâmide.

A comunicação entre o bem cultural, objeto musealizado e o público ocorre nas diferentes formas de exibição destes no âmbito da instituição museológica, potencializada pelos recursos expográficos. As exposições utilizam-se da linguagem documental do objeto para elaborar questões desenvolvidas pela equipe do museu e permitem o diálogo entre o objeto museológico e o público, oferecendo-lhe a oportunidade para um "comportamento ativo cognitivo [...] que ocorre pela apreciação que ele faz a partir do seu universo referencial" (Cury, 2005, p.38). Portanto, a exposição não é o final do processo de comunicação. O processo vai mais além, quando o indivíduo realmente vivencia uma experiência.

Em uma exposição, os objetos de uma coleção pessoal podem ser usados como símbolos subordinados a outra narrativa histórica, diferente de seu contexto e de sua condição de caracterizar um indivíduo, o que lhe atribui mais significados - significados esses conseguidos por meio da pesquisa e documentação – aumentando sua potencialidade de comunicação.

No entanto, é preciso ficar atento ao fato de classificar objetos de coleções pessoais somente por categoria de acervo, com risco de perder, com o tempo, sua especificidade de identificação do indivíduo. Abreu (1996, p. 209), cita que "a dissociação dos objetos com relação a seus possuidores originais acarreta perda de informações, empobrecendo as leituras possíveis", pois "ao recompor o passado tal como ele hipoteticamente teria existido, cria-se uma nova realidade que nada tem a ver com o passado, mas apenas com um presente desmemoriado".