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ÇALIŞANLARA AYNİ OLARAK ÖDENEN ÜCRETLERİN MUHASEBE KAYITLARINDA İZLENMESİ

Em teoria, a entrada e a permanência como confrade ou irmão não devia obrigar a nenhum pagamento, mas apenas a rezar semanalmente o rosário. Isso afirmava em 1573 Frei Nicolau Dias, o importante teólogo domi- nicano: “Muitas outras confrarias obrigam os confrades que paguem alguma cousa (…) mas os confrades desta confraria não são obrigados a mais que a rezar o rosairo inteiro uma vez na somana” (52). No entanto, as dificuldades inerentes ao funcionamento e cumprimento dos fins destas entidades obrigaram-nas, ao fim de pouco tempo, a enfrentar a realidade, procurando meios, sobretudo financeiros, com que pudessem fazer face às respetivas despesas. Foi com esse fim que D. Manuel I, provavelmente por sua solicitação, em 1518 atribuiu à confraria dos Pretos de São Domingos, em Lisboa, 500 reais de cada caravela que viesse da Mina, como já tinha dado às restantes confrarias da cidade, privilégio confirmado por D. João III em 1529 (53). Também a confraria do Rosário do mosteiro do Salvador contava, no século XVIII, com esta fonte de recursos, confirmada em 1742 e 1782 (54).

Mas isso não as dispensava de terem que procurar outras formas de financiamento. Uma delas era a cobrança aos associados quer de joias de

51 Arquivo Distrital do Porto, K/21/5/1 – Cx. 684 – Liv. Receita e Despesa da Confraria de Nª Sª. do Rosário. e São Benedito, f. 4, 7 v., 8 v., 9 v. e 13 v.

52 Frei Nicolau Dias, Livro do Rosário de Nossa Senhora (1573), p. 45. 53 Isaías da Rosa Pereira, Ob. Cit., p. 19.

54 Torre do Tombo, Chancelaria de D. João V, Liv. 104, f. 240 – 512.1742 e Chancelaria de D. Maria I, Liv. 84, f. 238 – 28.5.1782.

89 entrada quer de quotas anuais. Além disso, promoviam peditórios, quer

dentro das igrejas em que estavam constituídas quer no exterior, por ruas e praças e mesmo nos arredores das cidades e vilas, para o que necessi- tavam de autorização régia. A confraria do Porto decidiu, em 1749, que as esmolas a recolher à porta da igreja de São Francisco, em que estava instituída, deviam ser pedidas, alternadamente, em cada mês, por um irmão preto e um irmão branco (55). O exercício de cargos, como o de mordomo, e os de rei e rainha também obrigavam ao pagamento de “esmolas”. A de São Domingos, de Évora, conseguiu licença de D. Manuel I para pedir esmolas pela cidade e termo, por haver muitos moradores que lhes queriam dar pão (cereais), vinho e outras coisas, desde que eles fossem pelas casas e eiras recolhê-las (56). Podiam ainda contar com o rendimento de propriedades que lhes tinham sido legadas ou que tinham adquirido, e de dádivas em dinheiro.

A confraria do Rosário instalada no século XVIII no mosteiro de Santa Joana, em Lisboa, recebia, na década de 80, esmolas substanciais dos membros da família real, todos irmãos (57). A de Jesus, Maria, José, do mosteiro do Carmo, tinha privilégio para poder receber donativos de todo o reino. No século XVIII era protegida pelo rei e pela rainha, que anualmente lhe davam esmolas significativas. Contava em 1745 com mais de 2000 confrades, que lhe pagavam anualmente 240 reis (58). A irmandade portuense do Rosário manteve uma situação económica sólida, cobrando aos novos irmãos, sendo casais ou solteiros, 1.600 reis. Se os solteiros viessem a casar, as suas mulheres pagariam 800 reis para poderem entrar também. Deviam todos fazer petição à mesa para o efeito, assinando depois o respetivo termo, desde que fossem brancos ou pretos forros. No caso dos escravos, era ao senhor que cabia assinar. A todos eram passadas patentes que provavam a pertença à confraria (59). A associação

55 Torre do Tombo, Convento de São Francisco do Porto, Confraria de Nª. Sª. do Rosário e São Benedito, Liv. 9, f. 17 – 19.1.1749.

56 Torre do Tombo, Chancelaria de D. João III, Liv. 45, f. 10 v. – 27.2.1521. 57 António Brásio, Os Pretos em Portugal, p. 97.

58 Didier Lahon, Esclavage et confréries noires …, v. II, f. 463.

59 Torre do Tombo, Ordens religiosas, Convento de São Francisco, do Porto, Confraria de Nª. Sª. do Rosário e São Benedito, Liv. 9, Inventário e assentos das esmolas (1739-1810), f.33-48 (Referido por Didier Lahon, Esclavage et confréries noires …, v. II, p. 467-468).

90 recebia também donativos do Brasil, nomeadamente da Baía (60) e do Rio de Janeiro. Desta cidade lhe enviou, por meio de um procurador, 3.200 reis a irmã da confraria Esperança do Rosário, talvez uma preta levada do Porto para a colónia americana (61).

A de Elvas, por exemplo, além de três prédios urbanos, um dos quais legado por uma mulher baça, cujos aluguéis recebia, em 1681 cobrava foros em dinheiro, mas também em azeite, impostos em olivais dos arre- dores da cidade, que se destinavam à manutenção da lâmpada de Nossa Senhora do Rosário acesa na igreja de São Domingos, os quais tinham resultado de legados, mas também de compras pela irmandade. Emprestava dinheiro a juros, que lhe proporcionavam um rendimento regular. Nas décadas de 80 e 90 do século XVII cobrava 300 reis pela entrada de cada irmão, fosse livre ou escravo, baixando esta quantia quando se tratava de um casal (62). Promovia periodicamente peditórios, para o que dispunha de licença régia, quer na cidade quer nos arredores, contando com mordomos para o fazer. Em 1657 nomeou 16 mordomos para essa atividade, dois dos quais “para o peditório do campo” e em 1673 um para pedir na vila vizinha de Barbacena (63). A confraria de Arraiolos recebia pela entrada de cada associado, de acordo com o respetivo compromisso, 200 reis dos homens e das “mulheres ricas” e 100 dos pobres e dos defuntos (64). Essas importâncias podiam ser substituídas por serviços a prestar à irmandade, como em Elvas, em 1677, os quatro escravos músicos do governador João Furtado de Mendonça, que deram “de esmola”, quando entraram, “o fes- tejar com a charamela na festa do Santo Jubileu” (65) e, em Arraiolos, José Martins Malagão, dispensado em 1776 por se ter comprometido a compor o altar de Nª. Senhora nos dias de festa (66). E também por produtos, como

60 Torre do Tombo, Convento de São Francisco do Porto, Confraria de Nª. Sª. do Rosário e São Benedito, Liv. 3, f. 1-2.

61 Idem, Liv. 9, p. 30 – 6.12.1754.

62 Arquivo Histórico da Igreja de São Domingos de Elvas, Livro das Receitas da Irmandade, 1688-1693, f. 1-39.

63 AISD, Livro das eleições dos mordomos de Nª. Sª. do Rosário dos Homens Pretos, 1656-1712, f. 40.

64 Arquivo Histórico da Igreja Matriz de Arraiolos, B 2/2/Lv 1 1654.

65 Arquivo Histórico da Igreja de São Domingos, Elvas, Livro de Assentos dos Irmãos, f. 204 v.

91 cereais, caso da escrava de um lavrador de Elvas, que deu um alqueire de

trigo, e de uma preta “que deu de esmola um pão de ló” (67).

O dinheiro recebido pelas confrarias ou outros bens de valor eram guardados numa arca ou cofre, que ficava à responsabilidade dos seus dirigentes. Na do Rosário de São Domingos, em Lisboa e a exemplo do que se passava na irmandade da Misericórdia, a arca das esmolas tinha três chaves, confiadas ao juiz, a um dos mordomos e ao escrivão, não podendo sair dinheiro da mesma sem a presença dos três. E qualquer gasto teria que ser registado no respetivo livro da receita e despesa, guardado na arca da confraria, certamente aquela em que era conservado o arquivo da instituição (68). Na do Salvador, como na sua congénere do Porto, as três chaves ficavam em poder do juiz, do escrivão e do procurador preto (69). A inclusão deste último confirma a influência dos negros e escravos dentro da irmandade.

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Benzer Belgeler