Nesta última categoria resgatar-se-á um “painel final” onde fora representado por meio de desenhos os desdobramentos do método GSC, o qual gerou palavras que demarcaram o benefício para cada sujeito, os quais foram inscritos no quadro de expectativa construído no primeiro encontro, ou seja, cada imagem representado no início do processo GSC tem em seu final re-significada por estas palavras as quais representam o bem-estar propiciado a cada um. A produção de uma participante de um grande baú demarcou e simbolizou o processo do GSC, uma vez que, no baú guardamos coisas de valor as quais tendemos a não mexer, pensar-se-á no baú como um lugar onde estão guardados sentidos e significados das nossas vivências as quais o GSC possibilitou abrir. A produção de um bem-estar datou-se neste movimento de olhar para si, o qual consiste cada um olhar para suas coisas que estão guardadas em um baú o qual relaciona-se ao texto interno, e a partir delas rememorar e compartilhar com outrem por meio da narrativa que atualiza sua leitura sobre si, a qual é reconhecida por uma escuta, sendo esta calcada no respeito pois a recebe em um tom de verdade. Conforme Serafini (2006) a leitura faz parte dessa necessidade humana de compreensão, de descobrir os enigmas da existência. Portanto a participante que desenhou o baú assim condiz sobre a contribuição do GSC para si: “ eu acho que foi mais pro pessoal, de se olhar no espelho de si refazer, a partir dali de onde achamos necessário.” Enfim, bem como complementa a referida participante a qual registrou em seu primeiro desenho no primeiro encontro resumiu escrevendo: “ufa, estou me alimentando” .
A questão da leitura para Serafini (2006) é colocada como sendo “esse modo de ler, para saber quem somos e onde estamos, lembra-nos a função da bússola, que nos orienta, nos direciona durante uma trajetória. Para Jb a sua trajetória no GSC proporcionou crescimento pessoal e trabalhou a sua autoestima, a qual considerava baixa. Assim diz a participante: “no trabalho com a argila eu fiz um espelho e um sexto que representavam minhas buscas, as quais estava relacionada a um olhar para mim mesma”. Contudo, a participante em sua inscrição no painel final, fora a de um grande e belo sol, uma vez que este representou sua estima, e uma maior satisfação com sua autoimagem. A palavra que a participante acreditava faltar em seu primeiro desenho produzido no primeiro encontro onde representou uma criança que brincava fora completado pelas palavras: “luz e troca”.
A participante Mg coloca que O GSC foi um divisor de água: “eu estava meio acomodada eu quis parar um pouco, eu estava desmotivada. Eu me percebi pelos olhos dos outros, eu construí minha imagem de tudo que foi dito sobre mim. E que foi essa construção que me fez e que mobilizou. A construção desta imagem foi que me motivou, uma fala de fora que mexeu com uma vontade que era minha”. Na simbolização sobre o que representou o GSC Mg, desenhou um baú fechado, com o qual tem consigo a chave para abri-lo. O efeito do GSC sobre Mg também foi representado por uma frase, onde diz: “isso tem que continuar”. Portanto para a participante evidencia-se a promoção de mudanças que a auxiliaram pessoalmente e profissionalmente e resgatar a verdadeira satisfação no exercício pelo magistério.
Ss ao falar sobre o GSC como um lugar para se perceber para se construir, para lembrar de coisas que se vivenciou sendo boas ou ruins, e sobre esta última destacando a forma como as superou como forma de compartilhar tanto a sua experiência tanto a experiência do colega participante através da escuta. Ss diz: “escutar, isso é importante, pois isto dá uma equilibrada, e a gente se valoriza”. Como fora proposto com esta pesquisa, não há como falar de bem estar humano, sem mencionar o mal estar, embora exista clareza de que é necessário resgatarmos os aspectos positivos das pessoas, para diminuir o sentimento de abandono e de angústia. Enfim o processo da referida participante no processo conteve num primeiro momento uma forma para se motivar que fora invertido pela retomada de sua história e por um valorizar-se, assim sua fala contempla: “nesses dias dos encontros, e de trocas, se refletiu fora daqui. Neste período foi uma fase muito crítica no trabalho, de alcançar metas e eu estava tão atrapalhada e com estresse, mas como estava vindo com prazer para cá, não como refúgio, mas as coisas foram melhorando”. A participante no encontro onde o grupo simbolizou a expectativa para o GSC, desenhou um sol entre nuvens, o qual datava a busca por motivação, contudo complementa em seu desenho escrevendo: “luz, iluminando caminhos”. Portanto, o bem-estar contém este ter seu caminho iluminado, com o qual é amparado pela produção de linguagem proposto pelo método GSC.
Assim Ea resume o GSC: “ contribuiu no sentido de conhecer as pessoas, de uma forma diferente do convencional, diferente de uma festa de um trabalho, conhecer com o jogar, com o brincar, eu acho que contribuiu para o bem-estar social, e uma forma de ter um olhar de mim mesmo”. Conforme Birman (2009) o desamparo do sujeito indica o ponto de chegada do discurso freudiano (p. 36). Por este enunciado Freud demarcou a posição de fragilidade estrutural do sujeito, estando esta associada às fontes de sofrimento para o homem,
relacionadas a sua corporeidade, às ameaças oriundas da natureza e ao desconforto gerado nas relações ambivalentes com os outros. Sendo este último um aspecto simbolizado pelo participante, uma vez que, sua expectativa no início desta pesquisa datou da questão da relação com os colegas no seu antigo trabalho onde relatou ao grupo: “Optei em sair também pois havia muita fofoquinha entre colegas, coisa que atrapalha o andamento do trabalho”. Ea desenhou no quadro de expectativas (primeiro encontro) um lápis que representava seus questionamentos, o qual acrescentou no último encontro as seguintes palavras: “sentir-se bem, prazer” uma vez que representam o desdobramento deste trabalho para si.
Percebe-se em todos participantes uma maior satisfação com sua autoimagem e autoestima uma vez que possibilitou uma forma de compreendê-la pela leitura de si, com o reconhecimento e escuta e de leitura do outro/grupo, o qual fora sustentada pelas diferentes linguagens, desdobrando-se num bem-estar. Conforme Manguel (1997) “todos lemos a nós e ao mundo à nossa volta para vislumbrar o que somos e onde estamos. Lemos para compreender, ou para começar a compreender” (p.20). Enfim, o trabalho do GSC, contribuiu para o crescimento dos educadores, pois possibilita acessar as expectativas e as questões dramática de cada história dos participantes, bem como produzir uma metaforização e a inscrição para um novo discurso/história/texto para si, por meio da linguagem favorecendo a autoimagem e autoesima de cada sujeito. Bem como escreveu Ep sobre seu primeiro desenho, sendo esta, uma pessoa com uma cabeça e com um cérebro a qual respondeu a si mesma com a pequena frase: “Eu cresci”.
A seguir um quadro com os aspectos relevantes desta última categoria, sendo elas, as falas que registram a contribuição do GSC,associadas com a inscrição de palavras no painel produzido no primeiro encontro (quadro de expectativas) :
PARTICIPANTES
PALAVRAS QUE MARCAM O RESULTADO DA PESQUISA, O BEM-ESTAR DOS
PARTICIPANTES.30
LEITURA DO DINAMIZADOR/DIÁRIO DE CAMPO, RESGATE DE PALAVRAS Ea Sentir-se bem prazer. “Contribuiu para um bem-estar social”
Fg Não compareceu
Ep Eu cresci. “respostas para si”
Cs Estou me alimentando. “si refazer”
Jb Luz e troca. “olhar para si”
SS Luz, iluminando caminho. “Se perceber para si construir” MG Isso tem que continuar. Percebi-me pelo olhar dos outros
Quadro VI – Desdobramentos
30 Fotos das imagens do quadro de expectativas produzidos no primeiro encontro, que foram marcados por