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157  Kültürel olarak heterojen grupları bir araya getirme

A COMPARISON OF PLAYFULNESS LEVELS OF THE STUDENTS IN KIRŞEHIR AND ANKARA CITIES

2.4. Verilerin Çözümü ve Yorumlanması

À primeira vista, pode parecer óbvio que o processo de escolha por parte dos indivíduos deva considerar a geração dos melhores resultados e que a busca por esses resultados os guiará em

3 Para maiores detalhes e aprofundamento teórico, ver Mas-Colell, A., Whinston, M. D., & Green, J. (1995). Microeconomic theory. New York, Oxford University Press.

suas avaliações das decisões a tomar. Porém, o processo de julgamento e tomada de decisão pode não seguir uma lógica tão coerente que permita que tal “obviedade” se sustente em todas as situações. O entendimento de que os indivíduos nem sempre tomam decisões racionais foi inicialmente considerado por Allais (1953), Edwards (1954) e Simon (1955).

Após muita pesquisa e debate, os estudos de Allais (1953) colocaram em questionamento os fundamentos da teoria da utilidade esperada de Bernoulli. Os achados de Allais (1953) mostraram que o homem tido como racional pela opinião pública (public opinion) se comporta de modo que invalida os princípios de Bernoulli. Um desses achados aponta que não existe em geral um indicador para o homem racional para o qual a função utilidade pudesse ser maximizada, bem como a relação entre valores monetários e valores psicológicos não se dão de maneira linear, e as decisões levam em conta essa relação.

Kahneman (2012, p.342) considera que a teoria de Bernoulli “é um prodígio de brilho e concisão”, mas que, no entanto, falha ao relacionar a utilidade esperada com base em elementos que desconsideram o histórico de cada indivíduo. As ponderações de Kahneman (2012), com relação ao fato de a teoria da utilidade esperada não considerar um ponto de referência relativo a cada sujeito no processo de julgamento e tomada de decisões, mostra que essa teoria não apresenta fundamentos consistentes o suficiente para explicar comportamentos que levam ao risco, e que tipicamente a contrariam.

A relação entre os valores monetários e psicológicos perpassa pela forma como os indivíduos ponderam seus pensamentos. Baron (2008) destaca que o pensamento influencia todas as decisões que as pessoas tomam em suas vidas e a forma como as pessoas pensam afetam os planos e resultados que elas obtêm. Para o autor, ser racional não significa ter um tipo de pensamento que renuncia emoções e desejos, mas pensar de forma a atingir os objetivos pessoais. Pensar de maneira que não caminhe na direção dos objetivos não seria racional. O homem econômico é considerado como sendo direcionado por esse pensamento racional, uma vez que suas decisões sempre buscariam a maximização de seus objetivos. Para Edwards (1954) racionalidade significa duas coisas. A primeira, que o homem racional pode minimamente definir dentre duas opções aquela que ele deseja tomar e, segundo, que essa sua escolha sempre terá como objetivo maximixar o resultado de seus objetivos.

Edwards (1954, p.381), em seus estudos, que combatem os fundamentos da teoria da decisão em condições de risco sob os pilares da racionalidade plena dos agentes, destaca que o homem econômico é considerado completamente informado (completely informed), infinitamente sensível (infinitely sensitive) e racional (rational). Edwards (1954) fez uma discussão sobre os estudos e teorias que estavam em desenvolvimento à época, dentre elas a teoria dos jogos, e apontou críticas às premissas do homem racional e da utilidade esperada, recomendando mais estudos empíricos.

Simon (1955) considera que a racionalidade denota um estilo de comportamento que é apropriado para que se atinjam determinados objetivos, dentro de limites impostos por dadas condições e restrições. Esses limites e condições foram considerados por Simon (1955), de modo a que foi possível chegar à teoria da racionalidade limitada. Em outro texto, Simon (1972) destaca que as teorias de racionalidade limitada dos agentes consideram que a influência do risco e da incerteza em decisões impactam o comportamento da curva de resultados e que os agentes não têm conhecimento sobre a distribuição dessas funções. Ele credita isso ao fato dos agentes não terem informação completa sobre as alternativas (incomplete information about alternatives) (Simon, 1972, p.163).

Bazerman e Moore (2010) discutem o conceito de racionalidade como sendo o processo de tomada de decisão que é logicamente esperado a levar para o resultado ótimo, dada uma avaliação acurada das preferências de valores e risco do tomador de decisão. Esse processo de tomada de decisão lógica á apresentado pelos pesquisadores como sendo composto por seis passos, quais sejam: definição do problema, identificação de critérios analíticos, ponderação dos critérios, geração de alternativas, ponderação de cada alternativa em cada critério e computação da decisão ótima. Bazerman e Moore (2010) chamam esse processo de anatomia da decisão racional.

Smith (2008, p.40), cujas contribuições na linha da economia experimental vieram a lhe render o Nobel de Economia em 2002, destaca que quando as pessoas tomam decisões que fogem aos princípios da teoria da racionalidade, deve-se buscar compreender tais desvios com base em reformulações de hipóteses e dos métodos de pesquisa, que permitam chegar a conclusões mais consistentes do que a simples e apressada afirmação de que se trata de um comportamento irracional. Para ele, uma questão importante nesse contexto é buscar descobrir

qual a percepção que o sujeito está tendo do problema que está tentando solucionar e que tipo de informação ele está considerando neste processo.

Assumindo a premissa do acesso pleno às informações sobre as diversas alternativas, o homem racional haveria de realizar procedimentos estatísticos que lhe permitissem avaliar e decidir pela opção que lhe assegurasse a máxima utilidade esperada. Para Simon (1955), não há evidencias que confirmem que o homem racional tenha capacidade de tais processamentos. Destaca ele, existe uma completa falta de evidências que, em situações de escolhas humanas reais de qualquer complexidade, essas computações podem ser, ou de fato são, realizadas (Simon, 1955, p.104)4. Para ele, as teorias da firma e da administração geram um paradoxo ao considerar o comportamento humano como sendo plenamente racional, fazendo desaparecer os dilemas internos das organizações, que seguem com seus problemas estruturais por conta da existência de um comportamento humano que se pretende racional, mas que nem sempre o é.

Os estudos de Simon sobre racionalidade limitada (bounded rationality) se expandiram nas décadas de 1960 e 1970. As pesquisas que vieram a reboque da teoria da racionalidade limitada reforçaram as críticas aos fundamentos da teoria da utilidade esperada e às suposições de que os tomadores de decisões calculam a utilidade esperada dos resultados de suas opções de escolha, ponderando a probabilidade de ocorrência de cada uma de suas alternativas.

Smith (2008) destaca que é preciso evitar o que ele chama de retórica ou interpretação popular sobre os desvios ou equívocos cometidos pelas pessoas nos processos decisórios. Os estudos experimentais no campo da economia, aliados às pesquisas relacionadas com a linha psicológica, permitiram que tais desvios cognitivos por parte dos indivíduos pudessem ser identificados, o que não significa perda de racionalidade plena, mas sim desvios aos princípios racionais.

Para Smith (2008), duas ordens racionais coexistem simultaneamente: a racionalidade construtivista e a racionalidade ecológica. A construtivista, fundada nos preceitos cartesianos, propõe que todas as instituições sociais são criadas mediante processos dedutivos da razão

4 There is a complete lack of evidence that, in actual human choice situations of any complexity, these

humana; enquanto que a racionalidade ecológica se vale da razão para compreender as experiências prévias e o conhecimento adquirido, gerando tradições e princípios morais que definem uma forma de agir. Smith (2008) considera que as duas ordens fazem parte dos indivíduos na condição de seres sociais e sem as quais é impossível compreender as experiências vividas e as decisões tomadas.

Slovic (1995) destaca que um tomador de decisões limitadamente racional tenta atingir um nível satisfatório em suas realizações, mas não necessariamente máximo. Ou seja, existe uma distância entre os processos decisórios puramente analíticos e racionalizados e as decisões realmente tomadas pelos indivíduos. Não por acaso, existem ao menos duas linhas de estudos no âmbito das teorias decisórias: a linha normativa, que consideram os modelos racionais de decisão; e a descritiva, que busca compreender e discutir como as pessoas de fato decidem.