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157  Kültürel olarak heterojen grupları bir araya getirme

4.SONUÇ VE TARTIŞMA

O Plano Diretor, considerado como um instrumento básico de planejamento, busca abranger o espaço na escala mais adequada em determinado tema, permitindo trabalhar de forma integrada as variáveis espaciais e funcionais, assim como os aspectos econômicos, sociais e ecológicos.

Quando de caráter regional, o Plano Diretor tem a função de orientar o desenvolvimento, através de diretrizes para o crescimento econômico e a justiça social, em condições ecologicamente equilibradas. Se de caráter setorial ambiental, tem o objetivo de induzir o correto planejamento de uso e conservação de determinado recurso natural, como a floresta ou a água.

Por sua visão de longo prazo, permite prever cenários futuros e definir diretrizes, metas e estratégias também de curto, médio e longo prazos, possibilitando maior estabilidade dos Programas e Projetos decorrentes. Além disso, o Plano Diretor possui grande interface com os demais instrumentos de

ordenamento territorial, e mesmo com os de comando e controle e de tomada de decisão.

Plano Diretor de Bacias Hidrográficas

Aspectos positivos

O Plano Diretor de Bacia reconhece a bacia hidrográfica como a unidade básica de gestão ambiental, e particularmente dos recursos hídricos. É estruturado a partir de um diagnóstico sócioambiental - com ênfase nos recursos hídricos - da análise de tendência de cenários na bacia, do estabelecimento de prioridades e metas e da definição de diretrizes operacionais.

Antes de ser homologado pelo Conselho de Recursos Hídricos é discutido e aprovado no Comitê da Bacia Hidrográfica, o que amplia a decisão local e a internalização social, possibilitando também a compatibilização de interesses locais e regionais.

Por natureza, apresenta grande interface com outros instrumentos específicos, como outorga de uso da água, cobrança pelo uso da água, licenciamento ambiental, zoneamento ambiental e enquadramento dos corpos d água.

Limitações existentes

Apesar de ser formulado e aprovado com a participação de diferentes segmentos sociais e do governo, o plano da bacia esbarra na limitação dos recursos financeiros para a sua execução, sempre muito menor do que os efetivamente necessários. Isto resulta em não atendimento pleno das necessidades e demandas, sendo comum um desequilíbrio entre o poder de pressão pelos históricos controladores das decisões referentes a obras hídricas e de saneamento, e os que defendem maior atenção para a gestão integrada dos recursos naturais como forma de melhorar a qualidade da bacia hidrográfica, sendo estes de tomada de decisão em relação à gestão dos

Como reflexo, o Plano das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí - PCJ aloca poucos recursos para a Proteção e Conservação do Solo e dos Mananciais, que inclui estudos e ações específicos de caráter hidro- florestal, correspondendo a apenas 6,95% do montante total proposto para investimento.

Além disso, a bacia do Corumbataí não possui um Plano Diretor de Bacia Hidrográfica próprio, inserindo-se no Plano de Bacias do PCJ, da qual representa apenas 13,4% da área total. Esta pequena participação geográfica, aliada à reduzida presença das instituições locais no comitê, dificulta um enfoque mais específico na bacia do Corumbataí.

Plano Diretor de Microbacias Hidrográficas

Aspectos positivos

Considerando que a microbacia hidrográfica é a menor unidade territorial capaz de enfocar as variáveis ambientais de forma sistêmica, o Plano Diretor de Microbacias induz e dá sustentação ao manejo integrado do espaço, compatibilizando as produções agrícola, pecuária e florestal, com a gestão dos recursos hídricos.

Pelo seu caráter de instrumento de planejamento tópico, apresenta grande potencial de induzir, de forma articulada, a proteção e gestão integradas do solo, da água e da vegetação, em um espaço econômicamente produtivo.

Saliente-se que na escolha das microbacias a serem planejadas, geralmente utilizam-se critérios de hierarquização, como vulnerabilidade do ambiente, presença de mananciais hídricos de abastecimento urbano ou rural, número de pequenos produtores com base na agricultura familiar, necessidades de recuperação do solo e da cobertura florestal, além de uma base social receptiva à implantação das mudanças de procedimentos e métodos.

Um outro aspecto importante é que o Programa de Microbacias Hidrográficas de São Paulo PMBH tem um forte potencial de mobilização

viabilizarem a aquisição de implementos agrícolas e obras de interesse coletivo. Neste sentido, de acordo com a coordenação do programa, foram criados no Estado, cerca de 250 associações rurais, estando em vias de criação a Federação Estadual das Associações de Microbacias.

Ao mesmo tempo, o Programa apresenta um grande potencial de interface com outros programas, como os relacionados à saúde, à educação e ao meio ambiente.

Recentemente, iniciaram-se gestões para que o Programa Estadual de Matas Ciliares e a compensação do passivo ambiental das empresas de eletricidade, como a Centrais Elétricas de São Paulo - CESP, se orientem para a execução de projetos de recuperação de matas ciliares nessas mesmas microbacias.

Limitações existentes

Apesar do grande potencial, o PMBH tem avançado lentamente no Estado de São Paulo, sobretudo nas áreas de prioridade 2 e 3. Na bacia do Corumbataí, considerada de prioridade 2, apenas uma microbacia possui plano aprovado. Além disso, o programa ainda caminha isolado de outras ações ambientais, desenvolvidas por órgãos como DEPRN e CETESB.

Além da falta de uma estratégia mais articulada do Governo do Estado, localmente o programa conta com o freqüente desinteresse das prefeituras, sobretudo nas regiões mais urbanizadas ou industrializadas, caracterizando-se em conseqüência, em avanço maior no oeste paulista do que no centro do Estado de São Paulo, onde localiza-se a bacia do Corumbataí. Fator que também influencia sobremaneira é a falta de tradição de trabalho associativista e de participação coletiva.

No que se refere especialmente às ações de reflorestamento ciliar nos planos de microbacias, observa-se ainda uma significativa resistência dos agricultores, geralmente pequenos proprietários de terra. Pela rigidez da legislação que os impede de fazer o corte seletivo da floresta plantada com espécies nativas em Áreas de Preservação Permanente, receiam imobilizar essas terras, impedindo o uso futuro com agricultura ou outras atividades.

Como agravante, não há uma sistemática de acompanhamento dos resultados dos plantios, através de relatório de monitoramento. Tal fato vulnerabiliza mais ainda a ação de refloretamento ciliar, não permitindo se avaliar adequadamente as melhorias ambientais decorrentes.

Planos Diretores Municipais

Aspectos positivos

A Lei Orgânica de todos os municípios da bacia do Corumbataí prevê o Plano Diretor Municipal, independente da necessidade do atingimento dos parâmetros de obrigatoriedade definidos em lei federal.

Ele é instrumento estratégico no planejamento municipal, devendo ser referência para o poder público na elaboração das diretrizes orçamentárias, além de orientar os agentes públicos e privados no direcionamento da produção e gestão do espaço urbano e rural.

Importante observar que os planos diretores mais estruturados dos municípios da bacia do Corumbataí - os de Piracicaba e de Rio Claro - reconhecem as bacias hidrográficas dos seus municípios como referência para o ordenamento territorial, rural e urbano. Este é um passo significativo para a gestão ambiental, tendo como suporte a hidrografia local.

Limitações existentes

Diferentemente da Lei de Uso do Solo, o Plano Diretor Municipal geralmente é pouco consultado pelos agentes públicos e privados, sendo de uso mais direto apenas pelas secretarias de planejamento que os geraram. Além disso, somente metade dos municípios da bacia do Corumbataí possui plano diretor, sendo que apenas Piracicaba e Rio Claro abrangem de forma mais adequada os aspectos físico-territoriais, econômicos-sociais, ambientais e administrativo-institucionais.

Mesmo nos municípios de Piracicaba e Rio Claro, onde o plano diretor é mais completo, as orientações de caráter ambiental, e mais particularmente

aquelas relacionadas à conservação dos recursos hídricos e florestais, na prática estão sendo pouco cumpridas.

Plano Diretor Florestal

Aspectos positivos

O Plano Diretor Florestal da Bacia do Corumbataí, além de apresentar uma boa qualidade técnica nos seus enfoques, tem o mérito de realizar sua abordagem na escala da bacia hidrográfica, estabelecendo uma visão sistêmica dos temas que se relacionam e formulando propostas realistas, para equacionamento dos problemas identificados.

Por outro lado, apresenta diretrizes para a recuperação e conservação florestal em áreas consideradas prioritárias, como em microbacias especiais, nascentes e cabeceiras de drenagem, em Áreas de Preservação Permanente e na APA do Corumbataí. Também orienta para a adoção de práticas de conservação do solo e para a necessária mudança no uso da terra em algumas áreas.

Além disso, apresenta argumentos para a inserção da bacia do Corumbataí no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, estabelecido com base no Protocolo de Quioto, possibilitando a recuperação de áreas florestais para fixação de biomassa, e consequentemente entrada no mercado internacional de carbono.

Limitações existentes

Analisando-se as propostas apresentadas no Plano Diretor Florestal da Bacia do Corumbataí, verifica-se que muito pouco das sugestões apresentadas foi efetivamente implementada.

Pode-se destacar das propostas, a conservação e recuperação dos fragmentos florestais e o estabelecimento de corredores ecológicos entre esses, que viabilizariam a conectividade na paisagem, e consequentemente redução dos riscos de empobrecimento contínuo da flora e de extinção de

Uma outra proposta ainda não implementada na escala necessária, é a de proteção e recuperação das Áreas de Preservação Permanente, particularmente nas nascentes e ao longo dos cursos d água.

Em outro campo, continuam insuficientes as políticas municipais de educação ambiental, não tendo sido viabilizada também a proposta de criação dos Centros Municipais de Referência em Educação Ambiental.

Além disso, o Programa Nacional de Florestas, considerado um plano diretor florestal em nível federal, não evidencia qualquer sinal de presença na bacia do Corumbataí.

9.1.2 Zoneamento Ambiental

Aspectos positivos

O Zoneamento Ambiental orienta e disciplina o uso do espaço visando garantir o equilíbrio entre os atividades humanas e a proteção ambiental, devendo propiciar uma adequada gestão dos recursos naturais. Ele expressa as diretrizes e condicionamentos de ordenamento do território, visando o adequado uso e conservação do meio ambiente, definido a partir de procedimentos técnicos e da participação política dos usuários e demais interessados.

Como instrumento de planejamento, pode ser usado na indução de uso e conservação do solo em diferentes escalas, seja em uma Área de Proteção Ambiental, em uma bacia hidrográfica, em uma microbacia, ou ainda, em determinada região geopolítica. Neste sentido, leva em conta a importância ecológica, as limitações e a fragilidade dos ecossistemas, estimulando algumas atividades e restringindo outras, podendo determinar inclusive a relocalização de atividades incompatíveis com suas diretrizes.

O Zoneamento Ambiental pode estabelecer conexão funcional na gestão do espaço, com a implementação de políticas públicas, dando suporte às tomadas de decisão no licenciamento ambiental e na concessão de crédito oficial ou benefício tributário. Assim, deve ser referência no processo de aprovação e implantação de planos, obras e atividades públicas ou privadas.