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TUSAGA-Aktif Sistemi øúletim YapÕsÕ

TUSAGA-AKTøF

2. TUSAGA-Aktif Sistemi øúletim YapÕsÕ

Seguindo a lógica do número potencial de aulas, que cada professor pode ministrar diariamente, muitas são as variações se consideradas as possíveis jornadas de trabalho. Como exemplo dessa variabilidade constatou-se que mesmo com relação ao ciclo I do ensino fundamental (1ª a 4ª séries), onde geralmente apenas um professor é o responsável pela sala, há variações. Considerado como polivalente, esse professor, em geral, acompanha o desenvolvimento dos alunos em todas as disciplinas curriculares, durante todo o ano letivo. Porém, no caso da rede municipal paulistana, nem sempre é assim. Quando esses professores optam pela jornada básica (JB), devem cumprir dezoito (18) aulas com alunos e duas (2) horas-atividade. Entretanto, tendo em vista que a disposição de aulas, por turno, nas escolas, costuma ser de cinco horas-aula diárias − o que corresponde a uma carga horária de vinte e cinco (25) horas-aula semanais − a jornada do professor que opta pela JB (20 horas-aula) não corresponde ao total de aulas oferecidas aos alunos. Essa discrepância costuma ser resolvida de duas maneiras: 1) as sete aulas a mais são pagas a esse professor (em JEX) para que o mesmo cumpra o total de vinte e cinco ou 2) atribuem-se essas sete horas-aula a um outro professor, normalmente a um adjunto, que passa a dividir a sala com outro professor para que a carga horária seja cumprida. Essa prática pôde ser detectada em todas as escolas pesquisadas e é conhecida como rabicho na rede municipal.

Se o rabicho entre os professores de ensino fundamental I é, aparentemente, uma

prática específica das escolas municipais de São Paulo, a diversidade de horários dos professores que ministram aulas para o ciclo II do ensino fundamental parece fazer parte da rotina desses professores. Como diagnosticado, 66% dos professores envolvidos nesta pesquisa declararam ter acúmulo de cargos públicos ou atividades remuneradas, na sua grande maioria, exercendo duas funções como professor, fato que acarreta, flexibilização de seus horários, ou seja, nem sempre um professor de ensino fundamental II, consegue ministrar cinco horas-aula por turno.

Havendo ciência de que essas variações estão presentes nas escolas municipais e de que o levantamento empírico das mesmas tornou-se inviável devido à rotatividade dos professores, as inferências que apresentaremos a seguir são calcadas no número de faltas dos professores, essas sim, coletadas e tabuladas. Portanto, passarei a apresentar as possíveis conseqüências das faltas dos professores para o andamento das escolas.

Se retomadas as informações sobre o total de faltas apresentadas em cada escola, na tabela 08, é possível realizar o seguinte resumo:

Em 2004, a soma das faltas dos professores da escola I foi de 590; da escola II 921; da escola III, 824; da escola IV, 278 e da escola V, 754 faltas. Já no ano de 2005, a

escola I somou 433 faltas; a escola II, 917; a escola III, 722; a escola IV, 315 e a escola V, 816.

Multiplicando-se esses totais de faltas por cinco horas-aula diárias − considerando a média de que cada professor cumpre diariamente cinco horas-aula, em cada uma das escolas − o resultado dessa multiplicação implica a constatação de que, em média, deixaram de sem ministradas pelos professores das escolas pesquisadas:

- 2.950 horas-aula, em 2004 e 2.165 horas-aula em 2005, na escola I; - 4.605 horas-aula, em 2004 e 4.585 horas-aula em 2005, na escola II; - 4.120 horas-aula, em 2004 e 3.610 horas-aula em 2005, na escola III; - 1.390 horas-aula, em 2004 e 1.575 horas-aula em 2005, na escola IV; - 3.770 horas-aula, em 2004 e 4.080 horas-aula em 2005, na escola V.

Diante desse volume, os mecanismos de organização diária das cinco escolas ─ quando da falta de professores ─ também foi tema de questionamento aos professores que puderam optar pelas alternativas que o questionário apresentava, bem como descrever outros mecanismos de organização, expressos na tabela 15.

Tabela 15 - Organização das escolas para atendimento aos alunos, mediante as faltas dos professores

Organização da escola n

Utiliza os professores adjuntos como eventuais 84 Divide os alunos entre as salas de mesma série 71 Utiliza outros espaços para atividades com as classes sem professor(a) 35 Adiantam-se aulas e dispensam-se os alunos um pouco mais cedo 59 Os alunos costumam ficar em aula vaga 23

Outra 14

Não respondeu 01

Total 287 O número de citações é superior ao número de professores que responderam ao questionário

devido às respostas múltiplas.

Ocorreram oitenta e quatro citações de que, nas escolas pesquisadas, a mais freqüente das providências tomadas quando há falta de professores é a de utilizar os professores adjuntos como eventuais. Toma-se, portanto, uma solução provisória que, segundo as observações realizadas nas escolas, nem sempre é eficaz ou possível. A

impossibilidade está, principalmente, no fato de que nem sempre os professores adjuntos estão disponíveis para entrar nessas salas, principalmente quando são efetivos, pois quando, da atribuição anual de aulas, se existem aulas disponíveis esses professores simplesmente as assumem até que um titular se interesse pelas mesmas, sendo possível também que os adjuntos efetivos cubram professores titulares que se encontrem designados para outras funções − cargos de confiança ou funções de diretor, coordenador pedagógico, assistente de direção, auxiliar de direção ou até mesmo supervisor de escola. Assim, é muito comum que os professores adjuntos que se encontram nas escolas não estejam disponíveis como eventuais.

Além disso, essa solução, segundo as observações realizadas no interior das escolas, nem sempre se torna eficaz, principalmente quando relacionadas às salas de ciclo II do ensino fundamental. Constituídas de oito diferentes componentes curriculares e tendo os professores adjuntos formação específica, o que ocorre é que nem sempre a substituição do professor corresponde à matéria para a aula prevista. Em páginas anteriores descreveu-se que os professores adjuntos efetivos, assim como os professores titulares devem ser concursados. O vínculo como efetivo possibilita que os professores adjuntos possam substituir professores titulares que, por algum motivo, estejam afastados das salas. Porém, para que isso se concretize, é necessário que o professor adjunto esteja habilitado a ministrar o mesmo componente curricular que o professor titular, significando que, na prática, as aulas de uma professora titular de Língua Portuguesa, que se encontre, por exemplo, em licença gestante, só poderão ser ministradas por um professor adjunto de Língua Portuguesa, garantindo-se assim, o cumprimento do planejamento pedagógico. Porém no caso desses professores entrarem nas salas de ensino fundamental II, quando da ocorrência de falta do professor, eles não têm a necessidade − e nem a formação − para ministrarem outra matéria, que não a sua. Sendo assim, é comum que uma sala tenha a falta do professor de Matemática, em sua primeira aula, e que um professor adjunto de Artes, por exemplo, entre nesta sala e ofereça atividades relativas a essa matéria e que, nas próximas aulas, o professor de Artes, responsável pela sala, dê continuidade a seu planejamento e desconsidere a atividade aplicada anteriormente pelo professor eventual, caracterizando que, além de não ter a aula de Matemática, a sala teve duas aulas de Artes, num mesmo dia, com professores diferentes e sem que haja nenhuma ligação entre as atividades desenvolvidas. Ainda é possível, em aula posterior, que outro professor venha a faltar, e

que o professor adjunto eventual, de Artes, retorne a essa mesma sala e retome sua atividade inicial.

Outra estratégia utilizada de modo freqüente pelas escolas (71 citações) é a divisão dos alunos entre as salas do mesmo ano/ciclo (série). Este tipo de estratégia costuma ser mais comum entre os quatro primeiros anos do ciclo I (1ª a 4ª séries) e costuma ser bastante criticada pelos professores. Na verdade, essa distribuição dos alunos entre outras classes, além de não solucionar o problema − que seria a substituição do professor faltoso − acarreta outro, ou seja, a superlotação das classes que recebem esses alunos.

No questionário distribuído aos professores, ofereceu-se uma lista com catorze problemas na organização diária das escolas e que mais haviam sido citados, informalmente, pelos professores, sendo alguns deles levantados com base em pesquisa sobre professores no Brasil, divulgados pela Unesco (2004). Na lista desses catorze problemas, o número alto de alunos por sala de aula foi o segundo mais apontado pelos professores, com 114 citações − o primeiro obteve 118 citações e se referia à ausência de acompanhamento familiar em relação à vida escolar das crianças.

Se as salas de aula, segundo os professores, já estão com um número alto de alunos, como ficam então, essas mesmas salas, quando ocorre a distribuição dos alunos, cujo professor não tenha faltado?

A utilização de outros espaços da escola para atividades extras com as classes sem professor também foi citada por trinta e cinco professores. A intenção é de que se evite que as crianças fiquem sós nas salas de aula e que possam ocupar o tempo livre com os equipamentos que a escola oferece. Porém, verificou-se, na realidade, que nem sempre há espaço e muito menos equipamentos disponíveis nas escolas. Constatou-se, por meio da observação que, em muitos casos, as crianças e adolescentes ficam no pátio da escola, às vezes jogando damas, xadrez ou dominó. Há casos em que são enviados para a quadra poliesportiva, sem bola e mesmo sem nenhum tipo de monitoramento − uma vez que nem sempre as escolas dispõem de agentes escolares com essa incumbência − simplesmente para evitar o barulho no pátio, cabendo aos alunos, muitas vezes, a improvisação com uma bola de papel. Isso, quando há quadra pois, no caso da

escola V, por exemplo, a mesma se encontrava, em 2005, tomada por obras da

Cinqüenta e nove professores citaram, como outra prática comum nas escolas pesquisadas, o adiantamento de aulas e a dispensa dos alunos um pouco mais cedo que o horário de encerramento do turno.

O ato de adiantar-se aula constitui-se na situação de um professor estar ministrando aula em duas ou mais salas, ao mesmo tempo. Essa prática prevalece, principalmente, nos anos finais do ciclo II (5ª a 8ª séries), pois há um número maior de professores e, por isso, são oferecidas aulas de várias matérias em um mesmo dia. Normalmente ocorre quando o professor ou os professores das primeiras aulas não comparecem à escola, caracterizando a denominada aula vaga. Para que os alunos não fiquem sós, os professores das últimas aulas, entram nessas salas, mesmo já estando ministrando aula em outra. Eles solicitam alguma atividade aos alunos, realizam a chamada e, ao final desta primeira aula, considera-se que a última, já tenha sido ministrada. Ou seja, os alunos são dispensados mais cedo, as aulas são consideradas como dadas e o dia é considerado letivo, não havendo, portanto, a necessidade de repor a aula que deixou de ser ministrada pelo professor que faltou. Os alunos são dispensados mais cedo e em algumas escolas, os professores também, pois já cumpriram toda a sua carga.

Outra prática também comum nas séries finais do ciclo II é, ainda, a permanência dos alunos em sala, aguardando sozinhos pela próxima aula. Essa prática, apesar de garantir que os alunos cumpram todo o horário do turno, ainda assim não parece contribuir pedagogicamente para os alunos. Ociosos, alguns picham as paredes das salas e, em alguns casos causam danos ao patrimônio público, quebrando ventiladores, armários e os vidros das janelas. Isso ocorre porque, como citado anteriormente, nem sempre existem os inspetores de alunos disponíveis nas escolas. Em muitas situações, mesmo havendo essa inspeção, é possível ver que alguns alunos, simplesmente ignoram sua presença, colocando-se a circular pelos corredores das escolas. Além de causarem tumulto ao andamento da escola, as aulas vagas também, não costumam ser repostas.

Catorze professores também descreveram outras estratégias utilizadas pelas escolas, quando da ocorrência de falta dos professores. São elas:

1) As salas, sem professor, ficam sobre a responsabilidade do auxiliar de direção;

2) Os professores adjuntos e titulares que tiverem a necessidade de complementar sua carga horária (CCH) ministram aula nas salas sem professor;

3) Quando possível, são solicitados professores adjuntos contratados à Coordenadoria de Educação para serem eventuais em caráter temporário; 4) Dispensam-se as turmas quando ocorre a falta de mais de um professor para

determinada turma.

A primeira dessas estratégias, dentre as alternativas relatadas e descritas pelos professores, antes de ser explicitada necessita de uma breve explicação do que vem a ser o auxiliar de direção.

O auxiliar de direção − também conhecido como auxiliar de período − é uma função exercida por professores, que possuem suas atribuições especificadas no artigo 46, do Regimento Escolar municipal − portaria nº 1971 de 03/06/1998 − a saber:

I - Auxiliar na organização do funcionamento do período no qual atua;

II - Atender à comunidade escolar informando, orientando e agilizando os encaminhamentos necessários, mantendo a integração com demais auxiliares objetivando estes encaminhamentos.

III - Acompanhar os projetos e/ou atividades de Saúde Escolar, estabelecendo a ligação entre a ESCOLA e a Unidade Básica de Saúde;

IV - Acompanhar a merenda escolar, recebimento, controle e distribuição. V - Executar outras atividades, após discussão e aprovação pelo Conselho de Escola e definidas no Projeto Pedagógico (SÃO PAULO, 1998).

O auxiliar de direção é considerado como pertencente à Equipe Auxiliar da Ação Educativa, da qual também fazem parte o secretário da escola, os auxiliares técnicos de educação, os agentes escolares e os agentes administrativos (vigilantes). Cada escola pode manter um auxiliar de direção por período/turno, sua designação é realizada após aprovação do candidato, em conselho de escola. Cabe-lhe também auxiliar no controle da disciplina e da organização da escola, sendo prevista, inclusive em portaria específica, eventualmente, a substituição de professores. Essa eventualidade foi descrita pelos professores, por meio dos questionários.

Se por um lado, a situação de eventualidade do auxiliar de direção em sala de aula garante que ela seja ministrada, por outro não caracteriza necessariamente uma situação pedagógica favorável, pois antes de se tornar um auxiliar de direção, é necessário que se seja professor efetivo da rede municipal, isto é, ou seja, que se seja

titular ou adjunto licenciado para lecionar em alguma das disciplinas que compõem o currículo. Assim, da mesma forma que o professor adjunto, eventual, o auxiliar de período nem sempre conseguirá suprir o conteúdo da disciplina do professor que faltou por ser formado em área diversa daquela a que está atendendo a falta.

A complementação de carga horária (CCH) também é apontada, por alguns professores como possível solução, quando da ocorrência de falta dos professores. O denominado CCH existe para adequar o professor na Jornada de Trabalho escolhida. Pode ser usada, por exemplo, por um professor que assuma 24 aulas horas-aula, mas que, para ser inserido na Jornada Especial Ampliada (JEA) ou na Jornada Especial Integral (JEI), necessita de 25 horas-aula. Nesse caso, o professor recebe seus vencimentos conforme a jornada. Porém, deverá se disponibilizar a cumprir essa uma aula que lhe falta, em qualquer outra sala, uma vez por semana, quando houver solicitação da escola. Como os CCHs costumam ser comuns a muitos professores, algumas escolas aproveitam-se da disponibilidade desses professores para cobrirem as possíveis faltas dos demais. Contudo, não há − assim como no procedimento dos professores adjuntos eventuais e dos auxiliares de período − nenhuma garantia de continuidade pedagógica, conforme exemplos apresentados anteriormente.

A terceira estratégia apontada pelos professores é a de solicitação de contratação temporária de professores adjuntos, para que os mesmos se tornem eventuais. Essa possível solução até poderia ser bastante eficaz se fossem contratados professores para todas as disciplinas, e se as Coordenadorias de Educação pudessem atender prontamente a todas as escolas, o que constatou-se não corresponder à realidade. Os professores adjuntos contratados foram, na maioria das vezes, das disciplinas de Matemática e de Língua Portuguesa − que possuem as maiores cargas horárias no currículo escolar − e normalmente abrangem um professor por escola. Os contratos costumavam ser feitos somente no início do ano. Assim, se mais de um professor necessitar se afastar da escola, no decorrer do ano letivo, os professores adjuntos eventuais, seguramente, não conseguirão suprir as necessidades da escola.

Por último, os professores relataram que, havendo a falta de mais de um professor em uma mesma turma é possível que esta seja dispensada, já no início do turno/período. Isso ocorre quando se trata dos anos finais do ciclo II. Já nos anos iniciais, os professores costumam avisar, por meio de bilhetes aos pais, quando faltarão à escola, dispensando assim, os alunos nesse dia. Quando em situações imprevistas

esses professores não comparecem, a secretaria da escola costuma anexar um cartaz, no portão, para que os pais voltem com as crianças para casa.

3.4.1. Organização escolar versus problemas cotidianos

Foi descrito anteriormente, dentre os problemas que os professores detectavam diariamente nas escolas pesquisadas estava o elevado número de alunos por sala. Como forma de melhor apresentar esse dado, foi elaborada a tabela 16, com três6 dos problemas detectados:

Tabela 16 - Problemas detectados no dia-a-dia das escolas, segundo as manifestações do professores

Problemas n Número alto de alunos por sala de aula 114

Sobrecarga de trabalho dos professores 98 As faltas dos professores 56 Total 268

O número de citações é superior ao número de professores que responderam ao questionário devido às respostas múltiplas.

Os professores detectam que o número alto de alunos por sala impede a realização de um acompanhamento pedagógico mais atencioso. Eles reclamam da sobrecarga de trabalho que necessitam assumir pois, segundo descreve um dos professores da escola II: “Há a necessidade de acumular cargos para garantir um

salário razoável”. E detectam, também, que as faltas dos professores acabam

influenciando no andamento do dia-a-dia da escola.

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Originalmente foram apontados catorze problemas, em maior ou em menor número de citações, porém, para efeito desta apresentação, optou-se focar nos problemas que estivessem relacionados ao professor e a possibilidade de faltar ao serviço.