De acordo com o artigo 13º da Política Nacional de Formação dos Profissionais do Magistério da Educação Básica, o financiamento desta Política será efetuado a partir de dotações orçamentárias anualmente consignadas ao Ministério da Educação, à CAPES e ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Existe ainda a possibilidade de financiamento para a formação dos profissionais da educação através do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB, lei nº 11.497/07), criado pelo Governo Federal com o propósito de manter e desenvolver a educação básica pública e a valorização dos trabalhadores em educação (incluindo sua remuneração). O que não isenta os Estados, Distrito Federal e Municípios de aplicar na educação básica os recursos provenientes da arrecadação de impostos previstos no Art. 212 da Constituição Federal de 1988, segundo o qual,
a União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino (BRASIL, 1988).
Estes recursos são depositados em contas específicas do Fundo em cada ente federativo (estados, Distrito Federal e municípios), inclusive os recursos advindos da União em complementação a algum Estado, caso seja necessário. Pelo menos, 60% destes recursos são destinados ao pagamento dos profissionais do magistério em efetivo exercício na rede pública; e a Lei nº 11.494/2007, em seu Capítulo V, artigo 22, deixa claro o significado do termo profissionais do magistério,
o termo profissionais de magistério está relacionado a: “docentes, profissionais que oferecem suporte pedagógico direto ao exercício da docência: direção ou administração escolar, planejamento, inspeção, supervisão, orientação educacional e coordenação pedagógica (BRASIL, 2007).
E o termo em efetivo exercício,
atuação efetiva no desempenho das atividades de magistério (...) associada à sua regular vinculação contratual, temporária ou estatutária, com o ente governamental que o remunera, não sendo descaracterizado por eventuais afastamentos temporários previstos em lei, com ônus para o empregador, que não impliquem rompimento da relação jurídica existente (BRASIL, 2007).
Fica vedada a utilização dos recursos do respectivo Fundo para despesas não consideradas como de manutenção e desenvolvimento da educação básica e/ou como garantia de operações de crédito contraídas pelo Estado, Distrito Federal ou Municípios, que não se destinem a operações de manutenção e desenvolvimento da educação básica29.
29 A distribuição dos recursos leva em conta diferentes etapas, modalidades e tipos de estabelecimentos de ensino da educação básica, tais como: creche em tempo integral, pré-escola em tempo integral; creche em tempo parcial; pré-escola em tempo parcial; anos iniciais do ensino fundamental urbano; anos iniciais do ensino fundamental no campo; anos finais do ensino fundamental urbano; anos finais do ensino fundamental no campo; ensino fundamental em tempo integral; ensino médio urbano; ensino médio no campo; ensino médio em tempo integral; ensino médio integrado à educação profissional; educação especial; educação indígena e quilombola; educação de jovens e adultos.
E os outros 40% dos recursos devem ser direcionados para despesas diversas consideradas como de Manutenção e Desenvolvimento de Ensino (MDE), tendo ainda alguns critérios que devem ser seguidos pelos entes governamentais: a) Estados – devem aplicá-los no âmbito do ensino fundamental e médio; b) Distrito Federal – na educação infantil, no ensino fundamental e médio; c) Municípios – na educação infantil e no ensino fundamental.
O conjunto de despesas do MDE em relação aos 40% do FUNDEB compreende: a) Remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e dos profissionais da educação; b) Aquisição, manutenção, construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino; c) Uso e manutenção de bens vinculados ao sistema de ensino; d) Levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino; e) Realização de atividades necessárias ao funcionamento do ensino; f) Concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas; g) Amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos itens acima; h) Aquisição de material didático-escolar e manutenção de transporte escolar.
Já que o nosso foco é voltado para o financiamento direcionado à formação dos profissionais de educação, destacamos que, no tocante ao primeiro ponto de aperfeiçoamento de pessoal, o FUNDEB pode contemplar:
- remuneração e capacitação, sob a forma de formação continuada, de trabalhadores da educação básica, com ou sem cargo de direção e chefia, incluindo os profissionais do magistério e outros servidores que atuam na realização de serviços de apoio técnico-administrativo e operacional;
- remuneração do(a) secretário(a) de Educação do respectivo ente governamental (ou dirigente de órgão equivalente) apenas se a atuação deste dirigente se limitar à educação e no segmento da educação básica que compete ao ente governamental oferecer prioritariamente, na forma do art. 211, §§ 2º e 3º da Constituição Federal;
- formação inicial e/ou continuada de professores da educação básica, sendo: formação inicial relacionada à habilitação para o exercício profissional da docência, de conformidade com o disposto no art. 62 da LDB, que estabelece, para os docentes da educação básica, exigência de formação em nível superior (licenciatura plena, na área exigida), mas admite como formação mínima a de nível médio, modalidade normal, para o exercício da docência na educação infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental; - formação continuada voltada para a atualização, expansão,
sistematização e/ou aprofundamento dos conhecimentos, na perspectiva do aperfeiçoamento profissional que, de forma contínua, deve ser promovido pelos estados, DF e municípios, mediante programas com esse objetivo, assegurados nos respectivos Planos de Carreira e Remuneração do Magistério (BRASIL, 2007, p. 27-28).
Diante do exposto, observamos que este Fundo oferece aos Estados, Municípios e Distrito Federal a possibilidade de investirem na formação dos trabalhadores em educação, de forma geral, e, em específico, dos professores da Educação Básica. O que, segundo o nosso entendimento, seria o caso de se contemplar a oferta da formação inicial para os professores que ainda não possuem a formação superior (a primeira licenciatura), e da formação continuada para o aperfeiçoamento dos profissionais que já estão atuando na educação básica.
No entanto, a partir do momento em que a União deixa a cargo de cada ente federativo (Estados, Distrito Federal e Municípios) a responsabilidade de desenvolverem programas de formação inicial e/ou continuada, sem estabelecer nenhum tipo de articulação com os programas nacionais desenvolvidos para este fim, como, por exemplo, a Rede Nacional de Formação Continuada, dá margem para que esses entes federados não executem nenhum programa de formação continuada para esses profissionais, continuando assim a desvalorizar e desqualificar a categoria “professor”.
Como não existe uma normatização na legislação que determine a responsabilidade pela promoção de programas de formação continuada por parte do Estado, fica a cargo de cada ente federado planejar ou não esta ação em sua política educacional. Cientes dessa problemática iremos apresentar como se configura a política de formação de professores no estado de Pernambuco, que é nosso foco de pesquisa.