5.2. Yüksek Ölümlülük Hızları
5.2.3. HIV/AIDS Yaygınlığına Bağlı Ölümler
A partir do século XX, o mundo vem passando por grandes transformações, principalmente política, economia, social, cultural e ambiental. Com a globalização e o avanço da tecnologia as fronteiras multinacionais foram abertas e com isso aconteceram inúmeras mudanças. Muitas trouxeram malefícios à sociedade, desemprego, destruição do meio ambiente, criminalidade, violência, aumento de doenças, crescimento do consumo de drogas. Outras, de fato, representam avanços e benefícios como à cura de doenças, a melhoria da qualidade de vida de segmentos da população, inclusive a emancipação das mulheres.
Sem dúvida, o papel da mulher na sociedade vem se ampliando cada vez mais. Hoje ele vem assumindo grandes responsabilidades e conquistando o mercado de trabalho, além de cuidar da família. Dentre outros avanços estão a formação de carreira profissional, a garantia de leis contra violência doméstica e sexual, o direito de participar ativamente da política. Essas conquistas são frutos de muitas lutas pela garantia de seus direitos e de espaços que até então só eram permitidos aos homens, muito embora ainda existam muitos preconceitos quanto a sua autonomia.
Azeredo (2007, p. 24), afirma o seguinte em relação à questão do preconceito contra a mulher:
É claro que hoje ele está sendo profundamente abalado com a saída das mulheres para o mercado de trabalho, transformando a mãe/dona de casa, que antes era proibida de trabalhar, em provedora, o que lhe dá maior autonomia, mesmo com todos os conflitos relacionados ao trabalho doméstico, já que a maioria dos homens se recusa a partilhar esse trabalho.
Contudo, as mulheres continuam sendo estigmatizadas e discriminadas pela sociedade, que em muitos casos, insiste em defender que elas são destinadas a ser donas de casa, viverem para família, aquela companheira fiel e leal, a qual muitas vezes deixa de lado os seus sonhos e desejos para cuidar do
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companheiro e filhos. Muitas delas lutam pelos seus direitos, tentam driblar os obstáculos e, em decorrência dessa emancipação e, também, das dificuldades encontradas no dia-a-dia, ou seja, além de ter uma profissão ainda se responsabiliza pela família e os afazeres do lar, muitas vezes se sentem violadas e desmotivadas, o que pode acarretar problemas graves, como o uso e abuso de substâncias psicoativas, a exemplo dos benzodiazepínicos e do álcool, visto como uma maneira de suportar e, muitas vezes, fugir da realidade. De acordo com Hochgraf (1995), a emancipação social e cultural da mulher, também, tem favorecido para o aumento do consumo do álcool entre elas.
Outro fator é que a mulher moderna se vê na necessidade de seguir regras para ser aceita no seu meio social, tem que ir além do seu grau de intelectualidade, da sua ascensão no mercado de trabalho, sobretudo, valorizar a sua beleza feminina, como regra imposta pela sociedade, então, essa busca por um padrão de beleza sem limites também pode ser incentivo para o consumo de drogas, como o uso de anorexígenos, o que pode resultar no aparecimento de diversos distúrbios físicos e psíquicos, e até mesmo na dependência química (MELO e OLIVEIRA, 2011).
Em 2001, o CEBRID realizou o I Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas no Brasil, constatou que a prevalência do álcool nos homens é 17,1%, enquanto que nas mulheres é de 5,7%, mais também concluiu que as mulheres são as principais consumidoras de estimulantes (anfetaminas), tranquilizantes (benzodiazepínicos) e de remédios para perder o apetite (anorexígenos). No entanto, esses dados podem ser alterados em algumas regiões do país, dependendo das condições sociais, políticas, econômicas e culturais da população. O uso de substâncias químicas está presente no cotidiano de mulheres de diferentes idades e classes sociais, salientando que o número de mulheres dependentes vem crescendo aceleradamente. Cerca de 50% do consumo total ocorre em uma faixa etária que vai dos 15 aos 35 anos, o percentual restante dividiu-se em seguimentos cujos extremos ampliam-se continuamente, pois se observa que o consumo ocorre não somente mais cedo, como também acontecem em idades mais avançadas.
O II Levantamento Domiciliar sobre o uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, também, realizado pelo CEBRID, em 2005, concluiu que “as mulheres apresentaram uma prevalência de uso na vida para Estimulante,
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Benzodiazepínicos, Analgésicos [...] e Anorexígenos cerca de duas a três vezes maiores que os homens”.
É importante destacar que o crescimento considerável de mulheres usuárias de drogas pode estar associado à nova participação social feminina, em espaços que até então eram limitados aos homens, como, por exemplo, o beber em público, buscando condições de igualdade ao homem. Os Levantamentos realizados em 2001 e 2005 (acima citados), também, consideram que o uso de álcool, tabaco, cocaína, crack, estimulantes, solventes, esteroides, dentre outras drogas cresceu consideravelmente na população feminina.
O CEBRID, em 2007, realizou o I Levantamento Nacional sobre os Padrões do Consumo de Álcool na População Brasileira, entrevistou 3.007 pessoas em 143 municípios brasileiros e verificou que 52% dos brasileiros com idade de 18 anos ou mais já fizeram uso abusivo do álcool pelo menos uma vez na vida. Os homens são os que bebem mais, cerca de 40%, enquanto que as mulheres representam 18%. Em relação à frequência do beber abusivamente de duas a três vezes por mês, a pesquisa constatou que tanto os homens quanto as mulheres tem o percentual igual de 8%. Podemos observar que a prevalência do uso de álcool ainda pertence aos homens, porém, é significativo o número de mulheres que, também, fazem essa prática.
Conforme Hochgraf (1995), o álcool é uma droga lícita bastante utilizada pelas mulheres, embora elas tenham o metabolismo menos tolerante a essa substância do que os homens, devido ao seu peso e a menor quantidade de água no corpo, consequentemente armazena mais gordura, levando a intoxicação mais rapidamente. Dessa forma, pode-se dizer que a mulher ao consumir um copo de cerveja ela está absorvendo o equivalente a quatro vezes mais que o homem, isso a deixa mais vulnerável para o desenvolvimento de complicações clínicas, como doenças hepáticas num curto período de uso.
De maneira geral, as mulheres consomem álcool de forma menos frequente do que os homens. Apesar da menor pressão social para iniciar o consumo do álcool, em detrimento da maior pressão para parar o uso, o julgamento social em relação à mulher usuária de álcool continua sendo muito árduo (NÓBREGA e OLIVEIRA, 2008).
Essas pesquisas, com dados quantitativos, tem sido de suma importância para que o Estado e a sociedade possam conhecer a real situação dessa
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problemática e, assim, intervir de forma efetiva, diminuindo esses números, uma vez que as intervenções com respaldo de estudos e pesquisas cientificas são susceptíveis de apresentar resultados mais favoráveis. Salientado que o universo feminino e toda sua complexidade carecem desta atenção para que medidas sejam tomadas em seu favor, visando sua qualidade de vida e garantia dos seus direitos.
Os estudos realizados sobre o uso e abuso de substâncias psicoativas por mulheres ainda são poucos, isso se dá porque até algumas décadas atrás essa questão não era muito discutida devido o baixo índice de prevalência de uso de drogas por esse segmento. Conforme Hochgraf (1995), os estudos concernentes à dependência química feminina só iniciaram há cerca de 50 anos, com a finalidade de analisar os fatores e os reais motivos que favorecem o uso de drogas entre esses sujeitos sociais. Porém há apenas 20 anos é que se buscam modelos de tratamento e de abordagens que atendam as suas necessidades, tendo em vista que as intervenções prevalecentes até então se destinavam exclusivamente aos homens. O preconceito e o estigma social contra a mulher com dependência química foram alguns dos agravantes que contribuíram para o retardamento da emergência desses estudos e essas intervenções.
Vale salientar que um dos maiores agravantes para as mulheres com dependência química é que elas, em sua maioria, não procuram tratamento, tendo em vista que é muito mais difícil para a mulher assumir perante a família e a sociedade que é usuária compulsiva de drogas e que não consegue controlar o consumo. Na verdade, no tocante à dependência de droga, há todo um estereotipo que denigre a imagem feminina, relacionando o comportamento da mulher à promiscuidade sexual, falhas no cumprimento do papel familiar.
Ao procurarem tratamento, em geral as mulheres trazem consigo muitas questões emocionais, problemas da infância, baixa estima, tendência a autodestruição. Mais do que os homens, elas buscam sozinhas os serviços específicos e evitam que outras pessoas saibam o que está acontecendo, por isso, aparentam ter mais dificuldade no tratamento. Entretanto, ao perceberem a gravidade do problema, são mais adaptáveis ao tratamento e demonstram mais empenho para superação da dependência. Isto também foi percebido nas mulheres participantes deste estudo.
34 Nesse cenário não é difícil imaginar porque durante décadas as mulheres dependentes foram consideradas menos graves do que os homens e uma série de mitos tenha sido criada, como por exemplo, de que as mulheres alcoolistas aderem menos, evoluem mal e tem pior prognóstico.
Outro fator importante que dificulta o encaminhamento de mulheres ao tratamento da dependência química é a falta de capacitação dos profissionais de saúde, que muitas vezes não conseguem realizar um diagnóstico preciso e encaminhar para um serviço especializado.
Vale salientar, que na regulamentação das políticas públicas concernentes a essa questão não existe nenhuma diferenciação no tratamento de dependentes químicos em relação ao gênero. As ações e estratégias são voltadas tanto para homens quanto para mulheres, bem como, normalmente as atividades realizadas no âmbito das instituições também são iguais para todos. No entanto, existem algumas instituições que já tem percebido a necessidade de desenvolver atividades inerentes as mulheres como forma de valorizar a sua auto-estima.
Como afirma Moraes (2011, p.19),
[...] em alguns contextos de atenção à saúde de mulheres que estão em tratamento por problemas relacionados com drogas, algumas práticas terapêuticas pretendem resgatar uma suposta feminilidade perdida (ao desenvolverem práticas que desconsiderem o auto cuidado, por exemplo, tido como naturalmente feminino). Tais práticas terapêuticas incluem atividades de cuidado do espaço físico do centro de saúde ou de sua própria aparência física, como um modo de revalorizar práticas de cuidado inerentes às mulheres.
Convém destacar que, no plano das políticas públicas, a saúde da mulher a principio foi vista pelo Estado apenas como cuidados na gravídico-puerperal, sobretudo, após muitas lutas o movimento feminista conseguiu avançar de forma que essa atenção a saúde se expandiu para questões relacionadas a ações educativas, preventivas, de diagnósticos e tratamento, englobando a assistência à mulher em clínica ginecológica, no pré-natal, parto e puerpério, no climatério, em planejamento familiar, DST, câncer de colo de útero e de mama, violência doméstica e sexual, além de outras necessidades identificadas a partir do perfil populacional das mulheres. No entanto, ainda é necessário avançar na questão da dependência química.
35 2 POLÍTICA SOBRE DROGAS NO BRASIL
Diante dos problemas sociais decorrentes do uso e abuso de drogas se faz necessário uma intervenção efetiva do Estado que contemple as diferentes dimensões da questão; prevenção, tratamento, reinserção social do usuário, inclusive o controle do tráfico. Assim sendo, neste capítulo foi discutida a atuação do Estado no que se refere ao contexto histórico referente ao processo de construção e efetivação da política especifica sobre drogas no Brasil, abordando a legislação brasileira sobre substâncias psicoativas, os planos e ações de enfrentamento e a rede de serviços existentes no estado da Paraíba.
2.1 Os Antecedentes à Atual Política sobre Drogas: a legislação brasileira sobre o