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Risk yönetimi kavramı ve temel yaklaşımlar

RİSK KAVRAMI VE RİSK YÖNETİMİ İLE İLGİLİ TEMEL YAKLAŞIMLAR

1.2. Risk Türleri ve Yönetimine Yönelik Algılamalar

1.2.3 Risk yönetimi kavramı ve temel yaklaşımlar

A obstrução da votação do Relatório Fontana foi caracterizada como mais uma tentativa de reforma política que não deu certo. Na opinião publicada, a interpretação é de que a classe política não queria reformar; entre a classe política, a reforma proposta por Henrique Fontana (PT) não foi interessante porque não houve consenso entre as bancadas – entre as legendas e com discordâncias intrapartidárias - e, ainda, desgastou-se após um longo debate da

Comissão Especial. Dois meses depois, as “Manifestações de Junho” trouxeram novamente a

necessidade, mesmo que através de discurso abstrato, de que as instituições políticas deviam ser mudadas. O principal motivador para foi a corrupção.

As manifestações ocorridas em junho de 2013 deram forma aos novos posicionamentos políticos da sociedade no que diz respeito às definições de “direita”,

“esquerda” e “centro”. Os movimentos aconteceram em 350 municípios metropolitanos,

formando, assim, a característica principal de movimento urbano. Para David Harvey (2015)123, “A urbanização se tornou o centro das atividades econômicas” numa escala mundial.

Para compreender o caráter das manifestações, Singer (2013) dividiu os acontecimentos de junho em três fases: 1) o Movimento Passe Livre (MPL), com a pauta do transporte público; 2) temas diversos; 3) fragmentação dos movimentos.

O primeiro momento das manifestações teve como protagonista o MPL, com reivindicação objetiva contra o aumento das passagens na cidade de São Paulo. A convocação foi por meio das redes sociais. Posteriormente, o método de articulação através da internet teve crescimento e se tornou o principal meio de convocação para outras manifestações. A grande repressão policial foi destaque em meios de comunicação, que a partir de então passaram a

tratar os manifestantes como “vândalos”, no intuito de disputar a formação da opinião pública

com as publicações via redes sociais (SINGER, 2013).

123 Disponível em: < https://blogdaboitempo.com.br/2015/01/10/david-harvey-a-crise-da- urbanizacao-planetaria/>. Acesso em: Novembro de 2015.

A segunda fase teve diversos temas pautados: os gastos públicos com a Copa em 2014, a indicação de Marcos Feliciano (PSC) para presidente da Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados124, a PEC 37 (veto ao Ministério Público para investigações independentes) e o voto distrital. Nessa fase, os partidos políticos foram alvo de manifestações de repúdio, principalmente pela presença dos partidos de esquerda. Houve a tentativa de marcar

os movimentos como “apartidários”, contra a corrupção generalizada na política. A classe

média e a direita se integram ao movimento: o sentimento anticorrupção cresceu, e, para Singer (2015), esta é uma bandeira aceita por diversas classes porque se dilui facilmente no senso comum.

Como a corrupção é um fluxo de transações indevidas entre os bens públicos e os interesses privados, os governos, enquanto gestores da riqueza coletiva, estão constantemente no centro das denúncias. Acrescente-se que o chamado mensalão, cujo julgamento, amplamente televisionado, ocorrera seis meses antes das explosões, pode ter tido efeito sobre os acontecimentos de junho, mobilizando uma fração que viu no chamado do MPL para ir às ruas a oportunidade de colocar em pauta um assunto profundamente entalado na garganta (SINGER, 2013, p. 35).

Na configuração dessa fase, aponta Singer, a direita se insere através da pauta anticorrupção; a esquerda aderiu ao movimento pelas condições da vida urbana, com o Movimento dos Trabalhadores Urbanos (MTST) reivindicando o aumento do custo de vida nas cidades devido à Copa do Mundo 2014, somado à inserção de classes baixas, que se contrapunham ao “branqueamento” dos estádios, devido ao alto custo dos ingressos. Já o centro se insere nesse contexto questionando o aparelho estatal opressivo e corrupto.

Na terceira fase, como consequência da inserção de diversos temas, as manifestações se fragmentam de acordo com a vinculação específica de cada movimento e posicionamento político.

Os acontecimentos de junho de 2013 trouxeram para a cena de discussão política parcelas da sociedade que ainda não tinham se agregado de forma continua em debates. Até então, tínhamos a sociedade civil, assim como em termos gramscianos, dentro dos espaços institucionais por meio dos conselhos e conferências. Para Romão (2016), esses espaços ficaram restritos aos agentes governamentais, militantes de partidos e algumas organizações com interesses mais específicos: os conselhos e as conferências eram compostos por agentes que já

124 Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/437055-PASTOR-MARCO- FELICIANO-E-ELEITO-PRESIDENTE-DA-COMISSAO-DE-DIREITOS-HUMANOS.html>. Acesso em: mai. 2015.

tinham proximidade com a classe política. O cidadão comum continuava à margem da participação.

A internet tornou-se um espaço de fluxo de informações e mobilizações, mas não há como garantir a qualidade das informações. Figura-se, pois, como um espaço de debate público sem filtros e mediações.

O primeiro pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff (PT) foi de apoio às manifestações, sem, no entanto, apresentar qualquer indicativo de apoio às demandas de maneira mais efetiva, ou seja, não respondia às questões levantadas. Alguns dias depois, ela fez outro pronunciamento, dessa vez indicando a solução: reforma política por meio de uma Assembleia Constituinte Exclusiva. A dinâmica de articulação via internet dos movimentos nas ruas se repetiu: surgiram análises de juristas nas redes sociais sobre a constitucionalidade de tal medida.

As redes sociais vêm construindo uma agenda de discussão temporária através dos compartilhamentos de ideias. Essa forma de debate gera uma intensa adesão ao tema da vez, repercutindo em articulações políticas e produção de saberes. Por isso, embora Dilma Rousseff não tenha dado prosseguimento à ideia de Constituinte Exclusiva, a pauta fomentou discussões sobre sua legitimidade política e jurídica.

Pelo ponto de vista jurídico, o artigo 14 da CF88 estabelece que os princípios da soberania popular no Brasil são garantidos pelo voto universal, secreto e direto. Essa soberania popular pode ser exercida de três formas: plebiscito, referendo e iniciativa popular. O plebiscito é convocado previamente à criação de ato legislativo ou administrativo que trate do assunto em pauta, enquanto o referendo é convocado posteriormente, cabendo ao povo ratificar ou rejeitar a proposta. A iniciativa popular diz respeito ao processo de produção legislativa por iniciativa da própria população.

Diz-se que o Poder Constituinte é a manifestação soberana do povo, social e juridicamente organizado. Dentro de um Estado regido pelo dito Estado Democrático de Direito, o poder Constituinte é o primeiro ato. Nesse sentido, o parágrafo único do art. 1º da nossa CF diz “Todo o poder emana do povo, que exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente” (BRASIL, 1988). Dentro desse conceito, o Poder Constituinte se divide em Originário, de 1º grau, e Derivado, de 2º grau.

O Poder Originário é exercido por meio de uma Assembleia Constituinte ou de uma Revolução, e tem o poder de elaborar uma Constituição através da ruptura da ordem jurídica existente para elaborar uma nova. Florestan Fernandes (apud MAGALHÃES, 2013) considerou que a CF88 do Brasil estava inacabada, pois embora fale, em seu texto, acerca dos direitos

sociais, não foi estabelecido por quais procedimentos eles seriam efetivados. Essa margem possibilita aos posicionamentos do centro político apontar ambiguidades em relação à responsabilidade do Estado em garanti-los (MAGALHÃES, 2013).

Dito isso, tem-se o Poder Constituinte Derivado, que, como o nome diz, deriva do Poder Constituinte Originário. O poder derivado é o poder de reforma e sofre limitações impostas por aquele, subordinado ao que foi posto pelo Originário e condicionado às regras previstas na própria CF88. Os limites são: 1) Materiais, pelos quais impossibilita abolir direitos fundamentais e suas garantias como, por exemplo, a democracia, o federalismo e a divisão dos três poderes; 2) Formais, correspondendo aos procedimentos técnicos para alterar o texto da Constituição; 3) Circunstanciais, impedindo que exista modificações na CF88 em estado de defesa, de sítio ou intervenção estatal (MAGALHÃES, 2013).

As emendas à Constituição são mecanismos formais que possibilitam as reformas através do Poder Derivado e, assim, é possível ter atualizações do texto constitucional.

Busca “[...] equilibrar segurança com a mudança necessária para Constituição Federal

acompanhar mudanças ocorridas pela democracia representativa majoritária” (MAGALHÃES, 2013, p. 77).

Com o debate sobre a viabilidade de uma Constituinte Exclusiva, Dilma Rousseff voltou atrás em seu posicionamento, dizendo-se a favor de um plebiscito para a reforma política. Novas questões, então, se desdobraram. Os partidos se dividiram entre os que eram a favor do plebiscito e os que eram a favor do referendo. O PT e os partidos de esquerda que compõem a base governamental se colocaram a favor do primeiro; o PSDB se colocou a favor do segundo. O argumento a favor do referendo é que a reforma política trata-se de um assunto demasiadamente técnico, e que a população não conseguiria entender as nuances de cada ponto. Já o plebiscito seria uma forma de construir junto com a sociedade – ideia petista presente nos anos de 1990 e com a tentativa de ser novamente colocada como possibilidade por Henrique Fontana (PT).

Os movimentos sociais aproveitaram o ensejo da proposta de Dilma Rousseff, e, através de uma Plenária Nacional Popular, articularam um movimento a favor do plebiscito, defendendo a Constituinte Exclusiva. A ideia sobre a viabilidade jurídica foi de que as relações sociais constroem o direito, e não a normatividade, pois está associada à capacidade decisória da classe dominante. Assim, os movimentos sociais se colocavam diante da relação dialética de, por intermédio das regras existentes (plebiscito), gerar tensão para que a ordem normativa

concretizasse sua própria mudança através da Constituinte Exclusiva125, representando a ideia de direito insurgente (PAZELLO; RIBAS, 2013).

A contraposição à Constituinte Exclusiva teve dois argumentos formulados, um no âmbito jurídico e outro no âmbito político. Em relação ao primeiro, considerou-se que o Poder Constituinte é soberano e ilimitado, e por isso a pauta não pode ser restrita. Em relação ao segundo argumento, de ordem política, dizia-se que cabia ao Congresso Nacional a reforma política, pois os políticos congressistas possuíam a competência técnica para tal (PAZELLO; RIBAS, 2013).

Quando Dilma Rousseff se reuniu com “políticos aliados”, logo circulou a informação de que existia consenso em torno do apoio ao plebiscito. Um recurso discursivo, pois a mensagem lançada era pouco objetiva e dava margem a diversas interpretações. Existia o sentido preferencial estabelecido pelos porta-vozes do governo que indicava forte propensão à formulação do plebiscito. O outro sentido era de que a presidente e seus aliados estavam impulsionando a pauta, cabendo ao Legislativo confirmá-la. Nenhum político apareceu para se dizer contra a reforma política. As divergências eram relacionadas ao tempo – se o plebiscito seria feito ainda no ano de 2013 para entrar em vigor em 2014 ou se seria colocado mais adiante. Outros argumentavam a complexidade da construção do plebiscito em termos técnicos e de repasse para a população de forma que esta compreendesse os pontos nos quais estavam votando.

Henrique Alves (PMDB), presidente da Câmara, disse que “A proposta da

presidente Dilma é respeitosa, oferece sugestões ao Parlamento. Mas o plebiscito só caminha

se houver consenso. Basta que três ou quatro partidos fiquem contra para não andar”126. Ao invés de colocar em andamento a proposta da presidenta Dilma Rousseff sobre o plebiscito, o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), sugeriu a formação de um grupo de trabalho para formulação de um projeto de reforma política. Alves, ao indicar os membros para fazer parte da comissão de 90 dias, excluiu Henrique Fontana (PT) e indicou o também petista Cândido Vacarezza (PT/SP). Fontana queria uma cadeira no grupo por seu trabalho já iniciado na comissão anterior e por sua inserção na elaboração das propostas de consulta popular. Entretanto, a relação entre Fontana e o PMDB não era boa, e por isso havia resistência ao seu nome.

125 A Constituinte Exclusiva é composta por representantes escolhidos apenas para esse momento. Após a reforma, o grupo se desfaz e são eleitos representantes dentro da nova ordem constituída.

126 Disponível em < http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2013/07/02/sem-consenso-sobre-o-plebiscito- proposto-por-dilma-camara-define-nesta-terca-um-plano-b-2/ >. Acessado em: Maio de 2016.

Fabiano Santos (2011) inclui, em sua descrição do modelo do presidencialismo de coalizão, fundamentos informacionais que são relativos às decisões do Legislativo sob condições de incerteza: é o modelo chamado cheap talk (conversa barata). O decisor é o legislador que, não tendo informações suficientes para a tomada de decisão dentro do processo legislativo, consulta possíveis especialistas. O resultado dessa consulta pode gerar benefícios mútuos, caso o legislador e o especialista tenha um bom canal de comunicação. Nesse sentido, diz Santos (2011, p. 27): “O especialista compartilha toda a sua informação com o decisor somente no caso de eles possuírem os mesmos interesses e valores, sendo a quantidade de informação compartilhada uma função decrescente da divergência, até o ponto em que nenhuma

informação é compartilhada”.

No modelo cheap talk, o presidente da República pode ser considerado um especialista, pois tem o poder de agenda para indicar as políticas a serem votadas. As comissões também são consideradas agentes informacionais, pois estudam as matérias e as apresentam em Plenário. Como as comissões, no caso brasileiro, são reativas, elas não possuem informações suficientes, e todo o processo legislativo da tomada de decisão fica prejudicado, reforçando o poder de agenda do Executivo, que continua sendo o agente informacional especializado, fazendo uso dessa atribuição de forma estratégica ao divulgar ou não todas as informações (SANTOS, 2011).

Neste sentido, em 2013, o Executivo incluiu em sua agenda a reforma política, recorrendo ao Legislativo para encaminhá-la. Este, por sua vez, atendeu à demanda do ciclo de euforia provocado pelas manifestações de junho de 2014 e retomou a discussão através de um Grupo de Trabalho.