RİSK KAVRAMI VE RİSK YÖNETİMİ İLE İLGİLİ TEMEL YAKLAŞIMLAR
1.3. Finansal Kavramlarda Belirsizlik ve Risk
1.3.2. Finansal değer kaybı üzerideki belirsizlikler
Na Câmara Federal, os grupos de trabalhos são pouco utilizados porque não há um regimento próprio, o que dificulta a tramitação do processo legislativo. Curiosamente, a 54ª legislatura (2011-2014) foi a que mais teve esse tipo de formação no Parlamento. Na 52ª Legislatura (2003-2006) foram três; na 53ª (2007-2010) foram quatro; na 54ª (2010-2014) foram treze. De certa forma, funcionam como espaço institucional informacional. Porém, a quantidade de membros não precisa obedecer à representação proporcional, o que limita a discussão.
O grupo de trabalho para reforma política foi coordenado por Cândido Vaccarezza (PT) e o relator foi o deputado Esperidião Amim (PP). A escolha do petista passou pelo aval do PMDB, tendo em vista o entrave nas negociações com Henrique Fontana na CEREPOL de 2011, cujo relatório tinha sido obstruído em Plenário meses antes. No início, Fontana fez parte da composição do GT-Vacarezza, mas sua presença foi questionada e ele foi substituído por outro parlamentar.
Reforçando a ideia de expertise, o GT foi constituído de quatorze deputados, um número bem menor do que das Comissões especiais – 40 membros. Luiza Erundina (PSB) questionou a quantidade de membros, dizendo que
É um faz-de-conta muito grande manter um grupo de trabalho que sequer corresponde à representação proporcional das bancadas. Trata-se de um grupo de trabalho, não uma comissão especial, dentro das normas regimentais que devem ser seguidas quando se quer produzir alguma proposta que tenha a representatividade dos órgãos políticos da Casa.127
O GT-Vacarezza foi formado pelos parlamentares que tinham composto a CEREPOL 2011: Ricardo Berzoini (PT), Marcelo Castro (PMDB), Marcus Pestana (PSDB), Guilherme Campos (PSD), Espiridião Amin (PP), Luciano Castro (PR), Júlio Delgado (PSB), Rodrigo Maia (DEM), Miro Teixeira (PDT), Antônio Brito (PTB), Leonardo Gadelha (PSC), Alfredo Sirkis (PSB)128, Luiza Erundina (PSB) e Daniel Almeida (PCdoB).
A análise das reuniões do GT-Vaccarezza foi limitada porque não há registros no site oficial da Câmara dos Deputados. A discussão foi feita, segundo um consultor legislativo e o próprio relatório, através do canal e-democracia, da Câmara. Esse canal é de acesso público e as propostas podem ser elaboradas e enviadas por qualquer cidadão. Funciona, assim, como uma ponte de comunicação entre os parlamentares e os cidadãos. A utilização desse espaço nesse momento pós-manifestações teve o intuito de apresentar o GT como um espaço democrático e de diálogo com a sociedade. Entretanto, coube ao grupo selecionar quais fariam parte do relatório. Mais uma vez, há centralização do processo de construção de proposta para reforma política, que, no caso, tem ênfase exclusiva em uma reforma eleitoral.
127 Entrevista publicada no dia 27 de outubro de 2013. Disponível em: <http://www.redebrasilatual.com.b r/politica/2013/10/201ciludi-a-populacao-e-a-mim-mesma-achando-que-a-reforma-politica-passaria-no-
congresso201d-afirma-luiza-erundina-393.html>. Acesso em: mai. 2016.
128 O deputado mudou de partido no ano de 2013. Político próximo de Marina Silva, ficou no PV após a saída dela. Saiu do partido em 2013 para construir a Rede Sustentabilidade. Naquele ano, o TSE negou o funcionamento do novo partido. Sirkis e Marina Silva seguiram, então, para o PSB.
Alguns registros sobre o GT-Vaccarezza foram retirados nas Nota Taquigráficas da CEREPOL 2015. Isso porque o resultado do GT foi base da elaboração da proposta discutida na CEREPOL 2015, que foi ao Plenário neste ano.
Esperidião Amin (PP), ao apresentar a proposta em 2015, disse que ela foi uma demanda gerada pelas Manifestações de Junho de 2013. Para ele, o que as pessoas diziam sobre
o “você não me representa” estava associado ao sistema eleitoral de representação proporcional
de lista aberta.
Foi um bordão que tem que ficar aqui todo dia no nosso ouvido: ‘Você não me representa’. Eu me lembro disso. Ou seja, você está exercendo um mandato sem ter tido votos, ou voto suficiente, ou tantos votos quanto outros que não são Deputados porque não alcançaram quociente eleitoral, ou porque a coligação ou um candidato que puxa voto levou 4 ou 5 junto com ele (informação verbal).129
Ressalto que a interpretação do deputado tomou uma forma que não existia nas manifestações. O que se pedia de reforma política nas ruas não tinha um direcionamento, ou seja, seu teor era difuso, vago e circunstancial. O que podemos considerar como proposta e interpretações do sistema eleitoral veio por meio de organizações civis, e não das manifestações. Desse modo, o resultado do GT-Vaccarezza redirecionou as demandas populares para, através da centralização nas mãos da classe política, construir uma proposta que excluía elementos enunciados como importantes pela sociedade civil organizada.
O Relatório Vaccarezza unificou os pontos de reforma em uma única proposta de emenda, a PEC-352, que ficou conhecida como a PEC-Vaccarezza. Ao unificar como PEC, abriu espaço para que sua tramitação obedecesse aos procedimentos regimentais recusados na CEREPOL 2011 – ideia defendida pelo PMDB.
Na justificativa do relatório estava a redução dos gastos de campanha, ao diminuir as circunscrições eleitorais nos estados federativos. Sobre as coligações, a ideia de criar blocos parlamentares iniciada na discussão da CEREPOL 2011 permaneceu, mas sem definir o tempo de sua existência como bloco parlamentar. O deputado Marcus Pestana (PSDB) disse sobre o entrave da transição da proposta do Relatório Fontana:
[...] o PT e a esquerda, isso é histórico, não é no Brasil, têm uma cláusula pétrea ideológica, que é o voto proporcional. A esquerda e o PT não abrem mão do voto proporcional. Por outro lado, PMDB, PP e PSDB não topam nenhum tipo de lista fechada. O PSDB defende o distrital misto, que, no caso, contempla... Então, o impasse e por isso que não anda. Essa discussão é difícil de avançar, porque cada um
tem os seus princípios (informação verbal).130
Diante do impasse descrito, Pestana explicou a lógica da proposta no Relatório Vaccarezza para o sistema eleitoral, que teria como consequência o barateamento de campanha.
Qual foi a ideia? Mexer com uma única variável. Tudo o que é difícil de explicar já está derrotado. Se você tem que explicar demais, você já está a meio caminho da derrota. Então, qual foi a ideia? Mexer em uma única variável, que é território, a única variável que muda. É tudo como é hoje. Só que o PT, o PSDB, o Democratas, o PMDB e o PP, em São Paulo, em vez de lançar uma única chapa concorrendo a 70 cadeiras, vão lançar 10 chapas pelo sistema em 10 regiões. Isso barateia...[a campanha] (Marcus Pestana, PSDB, NT, 05 de março de 2015)
A proposta do Relatório Vaccarezza era de que os estados federativos fossem divididos entre quatro ou sete regiões. Os partidos lançariam os candidatos de acordo com o número de cadeiras correspondentes ao estado divididos territorialmente em novas cirscuncrições.
A PEC-Vaccarezza buscava diminuir os gastos de campanha através da mudança do sistema eleitoral. Entretanto, no que diz respeito aos financiamentos, não apresentava modificação ao modelo já existente e, portanto, o processo eleitoral fica a cargo do poder econômico. A proposta no relatório era de que cada partido escolheria o tipo de financiamento a qual iria aderir. Ou seja, ao centralizar as eleições em torno do poder econômico, cria-se um modelo de exclusão daqueles que não possuem financiamentos altos.
Ainda como ponto de exclusão, a PEC-Vaccarezza não incluiu proposta de cotas para participação de mulheres e nem citou possíveis formas de ampliação de participação popular. A cota para ampliação da representação de mulheres seria mais viável com a mudança do sistema para lista fechada; porém, como vimos na fala do deputado Marcus Pestana (PSDB), a alteração não foi aceita pelos partidos de centro.
Desse modo, considero que a PEC-Vaccarezza buscava, na contramão do fôlego das manifestações, reforçar o sistema político existente, que funciona de modo a distanciar os políticos profissionais de seus representados. Essa configuração impede que a cultura política seja modificada: os representantes formam uma classe política dominante, distante de seus representados. A mudança de cultura política pela via institucional se formaria com a ampliação de espaço de representação e participação popular. Esse marco de inclusão constitucional tornaria viável uma educação promotora de capital político, para além do campo interno.
130 Marcus Pestana, PSDB, NT, 05 de março de 2015.
A PEC 352 tinha, incialmente, o intuito de ser colocada para votação em plebiscito, o que seguia a demanda de Dilma Rousseff diante das manifestações de junho de 2013. A PEC ficou 14 meses na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e o relator Esperidião Amin (PP) chegou a fazer modificações para proceder a admissibilidade, embora sem sucesso.
O projeto foi arquivado, retornando ao processo legislativo em 2015, quando o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), aprovou sua admissibilidade, mesmo tendo sido barrada pela CCJ.