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Müfessirin Çeşitli Görüşlerinin Âyetlerle Temellendirilmesine Dair Analizler

BÖLÜM 2: KUR’ÂN YORUMUNDA ZAHİRÎ BOYUT: TEFSİR

2.2. Âyet Yorumlarında Rivayetler

2.2.1. Sebeb-i Nüzul

2.2.2.2. Müfessirin Çeşitli Görüşlerinin Âyetlerle Temellendirilmesine Dair Analizler

A concepção de esfera pública proposta por Negt e Kluge distingue-se daquela desenvolvida ao longo da obra de Habermas por enfatizar o processo de produção material que determina em última instância a configuração de todas as dimensões que compõem a vida social, inclusive da comunicativa. Enquanto o modelo habermasiano atém-se em suas diferentes etapas de elaboração a critérios eminentemente formais, atuantes numa realidade já pronta, a teoria que os dois primeiros autores apresentam abarca o fenômeno da publicidade como conseqüência de relações de trabalho contingentes, perfeitamente passíveis de modificação.

Ao contrário do que uma análise mais apressada e superficial poderia induzir, a rigor, jamais encontraremos em Negt e Kluge a negação absoluta do conceito de

esfera pública burguesa, o ponto de partida utilizado pelas reflexões críticas levadas

a efeito por Habermas. Antes disto, eles consentem com a idéia de esclarecimento forjada pela filosofia clássica durante o apogeu liberal. No entanto, recorrendo aos procedimentos consagrados pela autêntica tradição marxiana, buscam demonstrar que a realização da promessa de autonomia do ser humano exigiria a dissolução sem concessões da ordem capitalista, fundamentada em contradições concretas. Em outras palavras, a emancipação espiritual constituiria o ponto máximo proporcionado pelas possibilidades intrínsecas à publicidade burguesa. Qualquer projeto alicerçado sobre tais parâmetros nada poderia oferecer além de soluções culturais para problemas essencialmente estruturais.

De acordo com Negt e Kluge, não seria metodologicamente oportuno seguir o caminho repleto de volteios traçado por Habermas a partir dos anos 1960 e rotular

de decadência a inquestionável transformação sofrida pelo espaço público burguês. Embora suscitadas pela intensificação do ciclo de valorização do capital, as esferas

públicas da produção, do ponto de vista da construção histórica de um horizonte

experiencial pautado pela libertação efetiva das massas, representaria um momento dialético mais elevado. Pela primeira vez, o privado, o domínio no qual os interesses reais da classe trabalhadora são imediatamente engendrados, adquiriria expressão pública. Todavia, esta organização primitiva do contexto proletário de vida manifestar-se-ia subordinada à forma mercadoria. Neste contexto, os indivíduos teriam, portanto, acesso assegurado à matéria-prima política. Para que o político - a condição imprescindível para a superação do estranhamento - fosse produzido, faltaria uma arena na qual pudessem firmar conexões duradouras com o empírico, permitindo que os sentimentos alcançassem intensidade suficiente para se apossar da objetividade, revelando as mediações que formam o existente. Esta arena seria precisamente a esfera pública proletária. O apelo aos padrões abstratos que dão sustentação à ética do discurso significaria aqui um retrocesso, um expediente fadado a sucumbir à falsa consciência.

A noção de espaço público proletário, a única alternativa materialista considerada como viável para pôr fim à crise do capitalismo tardio, não se conformaria aos limites exíguos das manifestações empíricas de tal tipo de

publicidade, invariavelmente circunscritas à ação estratégica delineada pela

teria ameaçado impor-se aos estatutos reificados que resguardam a influência decisiva do aparato, a reação da força de ratificação que define a Realpolitik não tardou a aparecer, obstruindo o movimento de amadurecimento da consciência de classe, condenando-a a permanecer no plano da abstração.

Imaginação corresponde ao termo apto a captar a substância da esfera pública

proletária. Dotada de um ritmo de aprendizagem próprio, que não reflete a

especificidade do vigente, esta categoria cognitiva combina a recepção do objeto com a nítida expectativa de ultrapassá-lo. Por se tratar de um sentimento autônomo, a hipótese de antecipar a forma pela qual irá exteriorizar-se politicamente está de antemão excluída. Para Negt e Kluge, a fantasia é muito mais do que um mero expediente repressor do qual se vale a indústria cultural. Em virtude de possuir essência dialética, ela teria importância fundamental para a retomada do exercício da negação determinada, inviabilizado por um desvio inadmissível, responsável por afastar o proletariado - entendido, sob quaisquer circunstâncias, como o portador das qualidades características do trabalho vivo, que não podem ser anuladas pelo capital – de seu objetivo original: o da apreensão da falsa totalidade.

Em resumo, a emancipação das massas requereria uma nova síntese, uma totalidade organizada pela medida exata do trabalho vivo. Esta continuaria a ser a tarefa da classe trabalhadora, o verdadeiro sujeito da contrapublicidade. Não importa que nos dias de hoje pareça ser praticamente impossível identificar uma classe social que objetivamente possa cumpri-la. O que está em jogo é a necessidade de relembrar que o capitalismo refere-se a um modo de produção contraditório.

Neste sentido, os desarranjos capazes de dissolvê-lo permaneceriam, como sempre estiveram, em plena atividade. Caberia reconhecê-los e, sobretudo, preservá-los em sua autenticidade. De fato, estamos diante de uma missão árdua. Porém, esta imensa dificuldade não é grande o bastante para que nos obrigue a considerá-la uma utopia.

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