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BÖLÜM 2: KUR’ÂN YORUMUNDA ZAHİRÎ BOYUT: TEFSİR

2.1. Âyet Yorumlarında Dil Ve Mantık Verileri

2.1.2.4. İ‘rab-Metinsel Bağlam İlişkisine Dair Analizler

A publicidade habermasiana, atrelada em diferentes momentos a um quadro

teórico que jamais contempla a produção material da sociedade, pôde resguardar a aspiração de organizar racionalmente a experiência dos indivíduos numa ordem social heterogênea à custa da intensificação de seus contornos formais. A ampliação da arena política – a admissão nas discussões públicas de modos de vida múltiplos, cujos objetivos imediatos são inconciliáveis – foi consentida pelos segmentos que detêm as prerrogativas do poder mediante a manutenção do ardil que garantira o êxito do espaço público burguês: o acolhimento do capital como um fato inquestionável. Sem que haja à primeira vista nenhuma modificação que ameace a lógica econômica em vigor, os mecanismos de exclusão característicos da

publicidade burguesa são substituídos por subterfúgios eficientes na arte de

assimilar os interesses autênticos da maioria da população. Em outros termos, o ponto de vista burguês é o limite da experiência que se organiza na esfera pública

burguesa, a despeito desta última encontrar-se numa fase de decadência.

O recurso à idéia lukacsiana de ponto de vista burguês 1 é de fundamental importância para o prosseguimento de nossas considerações. Com efeito, os fundamentos da sociedade civil burguesa comportariam tão-somente procedimentos abstratos de apreensão do real. O método das ciências do espírito, modelado pela generalização indevida de condutas adotadas no âmbito da averiguação de acontecimentos naturais, teria a finalidade de aprofundar a compreensão de

1 Cf. LUKÁCS, G. Geschichte und Klassenbewußtsein: Studien über marxistiche Dialektik. Frankfurt am Main: Luchterhand, 1983.

fenômenos sociais apenas aparentemente autônomos. O conhecimento da totalidade corresponderia à somatória de dados obtidos em investigações desprovidas de vínculos. No entanto, a essência reificada do pensar burguês explicar-se-ia antes pelo entendimento restrito da relação entre sujeito e objeto. A ciência estabelecida agiria sobre uma realidade já pronta. O sujeito, neste sentido, deveria apropriar-se progressivamente da vida social. Aqui, conhecer significa interpretar as conseqüências de um processo que, como tal, teria que permanecer ignorado.

O ponto de vista burguês acarretaria a naturalização da história, a mistificação de relações firmadas sob condições materiais específicas. O segredo do capital consistiria justamente na ocultação de sua gênese. Sem a recuperação do percurso que o traz à superfície, o presente – o instante fugaz em que salta aos olhos a dominação da contingência, invertida em necessidade, da forma mercadoria – fixa- se como eterno, retirando de foco o devir, assumido como práxis que visa à superação do estranhamento no qual se encontra o homem.

Uma teoria verdadeiramente comprometida com a emancipação, isto é, interessada em submeter à critica a produção social, pressupõe uma perspectiva que transcenda a falsa universalidade do capitalismo. Em Lukács, o ponto de vista proletário, entendido como projeto de reflexão que se contrapõe à cultura predominante, é uma etapa indispensável na constituição da consciência de classe. No plano intelectual, trata-se da recomposição da subjetividade. O desvendamento do nexo entre sociedade e história exige, em um nível posterior, a transformação

particular, anteciparia o vir-a-ser do mundo. A negação da propriedade privada – a extensão ao restante da sociedade de um princípio que já se aplica ao operariado – definiria a passagem de um universal negativo para um universal positivo. A

Bildung da classe trabalhadora, imunizada contra a reificação, seria, sob o auspício

do partido, a garantia deste movimento. Em resumo, independentemente das adversidades, o proletariado cumpriria seu desígnio. Por intermédio da intervenção deste sujeito-objeto, a totalidade enfim deixaria de ser abstração.

A complexa relação entre proletariado empírico e consciência de classe será retomada no capítulo em que discutiremos o vínculo instantâneo entre publicidade

proletária e publicidade burguesa, liame que reclama ser desfeito. Como veremos, o

trabalhador coletivo organizado pelo capital abriga um potencial deformador que pode reduzir a fetiche a classe trabalhadora, travando o processo de formação concebido por Lukács. Contentemo-nos, por enquanto, em ressaltar a superioridade metodológica do ponto de vista proletário. Ao não se paralisar diante do imediato, esta postura reflexiva abre o caminho para uma experiência social efetiva. Em linhas gerais, a mesma abordagem permite à teoria crítica ser distinguida da teoria tradicional. 2 Ao contrário da resignação imobilista da segunda, a primeira pretende, identificada a causa da repressão, redirecionar o curso da história. O esclarecimento requer a realização de uma nova concepção de mundo. Esta se confunde com a liberdade humana numa sociedade sem classes.

2 Cf. HORKHEIMER, M. Traditionelle und kritische Theorie. In: ___. Traditionelle und kritische Theorie. Frankfurt am Main: Fischer, 1986. Uma análise mais detalhada das diferenças propostas por Horkheimer entre o procedimento teórico crítico e o tradicional pode ser encontrada na apresentação a esta tese.

Nos termos anteriormente expostos, o pensamento habermasiano caracteriza- se por ser tributário de uma visão conservadora. Sua apreensão do capitalismo concentra-se em um epifenômeno. Por esta razão, ela pode ser considerada como superficial. Contudo, esta certificação não é suficiente para invalidar a funcionalidade do espaço público como critério. É evidente que o conceito, para não continuar refém do formalismo, necessita ser reformulado. Sem substancialidade, a experiência que abdica da produção carece também de completude. Caminhando numa direção oposta à tomada por Habermas, Negt e Kluge vislumbram a solução para o problema da desintegração da publicidade burguesa no desenvolvimento da idéia de contrapublicidade. 3 A organização da experiência social coletiva em uma

esfera pública proletária, na qual o trabalho vivo articula a autodeterminação das

massas, é vista por ambos como a única alternativa viável para fornecer à teoria social uma base histórica.

A transição para a publicidade proletária seria mediada por aquilo que denominam esferas públicas da produção. Graças à legitimação de reivindicações privadas, estas formas de publicidade típicas do capitalismo tardio surgem como uma resposta à principal fragilidade revelada pela esfera pública burguesa: o distanciamento dos interesses concretos da existência cotidiana dos indivíduos. Este rearranjo, porém, insere-se no domínio da reprodução ampliada do capital. Apesar de adquirir status público, o contexto proletário de vida segue impedido de se auto-

3 Cf. NEGT, O., KLUGE, A. Öffentlichkeit und Erfahrung: Zur Organisationsanalyse von bürgerlicher und proletarischer Öffentlichkeit. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1976.

organizar, de buscar, como totalidade autônoma, a emancipação. A dinâmica da

publicidade pós-burguesa tornar-se-á patente caso façamos uma análise mais

acurada dos resultados desta apropriação das pretensões espontâneas dos trabalhadores.