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HAVUZ ŞAPEL

MS 602-610 Focas Depremi

IV. Evre: Büyük Constantinus Dönemi (MS 306-337), portikte yapılan geniş çaplı değişiklikler (Propylonun batısındaki stylobat üzerine inşa edilmiş)

3.9. Laodikeia Kilisesi

AGRÁRIA

Neste capítulo será abordado o contexto atual dos municípios que compõem

o lócus da pesquisa, com o propósito de evidenciar as múltiplas territorialidades, formas de uso da terra e relações de trabalho, assim como indicadores que expressam a relevância social e econômica do campesinato regional.

Convém observar que boa parte desta realidade social foi secundarizada e relegada à invisibilidade durante a elaboração do Zoneamento Agroecológico da

Palma de Óleo, um dos principais instrumentos de legitimação pública indutores da formação do grande território do dendê na Amazônia Paraense.

O presente capítulo está organizado em oito subseções, quais sejam: aspectos econômicos, fundiários e socioambientais do espaço agrário pesquisado; perfil territorial, demográfico e socioeconômico dos municípios com assentamentos “integrados” à produção de óleo de palma; espaços territoriais especialmente protegidos da região pesquisada; perfil da agricultura familiar nos municípios pesquisados; produção de óleo de palma x produção de alimentos; desmatamento acumulado e cobertura florestal por município; áreas com incidência de trabalho escravo nos municípios pesquisados e; empregabilidade e nível educacional dos principais municípios produtores de óleo de palma.

4. 1 ASPECTOS ECONÔMICOS, FUNDIÁRIOS E SOCIOAMBIENTAIS DO ESPAÇO AGRÁRIO PESQUISADO

O território no qual estão inseridos os municípios da Amazônia paraense com a presença de áreas de reforma agrária integradas aos monocultivos de dendê estão situados na parte do estado com maior adensamento demográfico e grau acentuado de antropismo, a qual engloba as mesorregiões Nordeste Paraense, Baixo Tocantins e Região Metropolitana de Belém (RMB).

Até os anos 1960 a dinâmica populacional, econômica e territorial era estruturada a partir das principais bacias hidrográficas que banham a região, configurando o que Théry (2004, p. 13) classificou de “Amazônia dos rios e seus nós”. Neste período histórico as cidades eram organizadas nas margens dos rios, que serviam como a principal rota de deslocamento das pessoas e da produção agroextrativista, em direção aos centros mais dinâmicos. Cidades como São Domingos do Capim, Bujaru, Acará, Moju, Irituia e Tomé-Açu enquadram-se nesse contexto, estando situadas às margens de rios importantes que antes interligavam esses centros urbanos à capital do estado.

A base econômica destes municípios era constituída: pelo campesinato, que tinha no sistema de pousio e na mão-de-obra familiar a gênese do seu modo de produção; pela exploração dos recursos naturais de maneira predatória, sobretudo, a madeira, a qual por décadas se constituiu como um dos principais ciclos econômicos de localidades como Moju, Tomé-Açu, Tailândia, Concórdia do Pará e Aurora do Pará; por monocultivos específicos incentivados por agências de fomento,

como foi o caso da pimenta-do-reino em Tomé-Açu, espécie exótica introduzida pelos imigrantes japoneses que ali se instalaram no final dos anos de 1920.

Nos anos de 1960, a partir de uma estratégia geopolítica do Estado brasileiro, o grande capital, subvencionado por incentivos fiscais e financiamento estatal, se instalou fortemente nesta região, provocando uma inflexão que alterou profundamente a economia, as territorialidades, redes e fluxos que ditavam a dinâmica local. Estas mudanças reposicionaram a Amazônia na divisão internacional do trabalho, atribuindo-lhe um papel mais ativo no fornecimento de produtos primários e/ou semielaborados. O eixo principal que antes era o rio passou a ser as rodovias, sobretudo, após a abertura da Belém-Brasília (BR-010), que foi planejada para integrar o Norte do país ao Centro-Sul e vice-versa, e a construção da PA-150, que interligaria Belém ao Sul do Pará. Rapidamente, às margens das rodovias se criaram novos adensamentos populacionais que mais tarde deram origem a novas cidades e municípios, tais como Aurora do Pará, Mãe do Rio, Ipixuna do Pará, Concórdia do Pará (PA 140) e Tailândia, formados principalmente por migrantes nordestinos atraídos pela promessa de prosperidade econômica, além de famílias oriundas de deslocamentos intrarregionais.

As mudanças estruturais que emergiram nesse período, tais como a abertura

de grandes rodovias; a política de incentivos fiscais para atrair a iniciativa privada para a região; os investimentos em infraestrutura e a concessão de créditos para a agropecuária constituem-se como alguns dos fatores que mais contribuíram para a expansão do desmatamento nesta porção da Amazônia. Engendraram-se cadeias produtivas predatórias que provocaram profundas mudanças na dinâmica de ocupação do território, no uso da terra e na apropriação dos recursos naturais. Grandes madeireiras, fazendas, empresas de mineração, projetos de colonização, carvoarias, empreendimentos agroindustriais, dentre outros, foram os principais vetores que deram impulso às transformações socioambientais que impactaram a região.

Os incentivos fiscais concedidos pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), com amplas benesses ao grande capital exógeno, associados às operações de crédito rural fomentadas pelas instituições financeiras oficiais (Banco da Amazônia e Banco do Brasil) foram as principais fontes de financiamento desta concepção de desenvolvimento baseada nas teorias neoclássicas do crescimento econômico: “crescer para depois dividir”. Na prática, os

tão propalados empreendimentos que seriam responsáveis por transformar a base da economia local, por meio da geração de emprego, de divisas e da verticalização agroindustrial se mostrou ineficaz ao aprofundar as desigualdades regionais e ser altamente dependente da mão amiga do Estado, sem praticamente nenhum risco para a atividade empresarial.

O pacote tecnológico embutido nos projetos técnicos que ensejaram as operações de crédito rural intensificou o uso de agrotóxicos, fertilizantes e insumos agrícolas no campo, sob inspiração da suposta eficiência produtivista propalada pelo ideário da Revolução Verde. A adoção dessas práticas gerou impactos diretos no uso da terra e na biodiversidade, uma vez que esses produtos químicos são absorvidos pelo solo, escorrem para os mananciais, afetam o lençol freático, comprometem os ecossistemas e afetam a saúde humana (VEIGA et al, 2006 apud BOHNER, ARAÚJO e NISHIJIMA, 2013, p. 330)

Outro aspecto importante ocorrido neste período no espaço agrário pesquisado diz respeito à estrutura fundiária. Historicamente marcado por desigualdade e concentração, o campo paraense passou a presenciar o avanço da grilagem, a intensificação dos conflitos pela posse e uso da terra, o trabalho análogo à escravidão e o emprego sistemático da violência contra os camponeses. Conforme relata Sacramento (2007, p. 145), assassinatos emblemáticos na região como os das lideranças sindicais Benezinho, em 1984, na cidade de Tomé-Açu, e de Virgílio Sacramento, na cidade de Moju, em 1987, ilustram de maneira inequívoca a face cruel dos grandes projetos implantados na Amazônia paraense.

De acordo com Sacramento (2007, p. 34) é no final da década de 70, após a abertura das rodovias PA 252 (Acará-Moju) e PA 150 (Moju-Tailândia), que se instalam os primeiros projetos agroindustriais no município de Moju - que antes abrangia também o território de Tailândia, o qual só veio a ser elevado à categoria de município em 1988, mediante o desmembramento de parte dos municípios de Moju e Acará -, por meio da chegada de grandes empresas como Socôco, Reasa e Agropalma, que incentivadas pela Sudam, concentravam suas atividades nos monocultivos de coco e dendê. Diferentemente da expectativa do senso comum, as estradas foram planejadas não para atender o clamor das comunidades rurais que reivindicavam meios de escoamento da produção agroextrativista, mas, sobretudo, para viabilizar a logística das grandes empresas recém “atraídas” para este território.

A partir da década de 1980 ocorreu uma expansão territorial destes grandes projetos agroindustriais, com apoio estatal, sobretudo nos municípios de Acará, Moju e Tailândia, provocando simultaneamente a reconfiguração do espaço agrário e a intensificação dos conflitos socioambientais em face de camponeses e remanescentes de quilombos que já se reproduziam física, social e economicamente nesta região. Autores como Sacramento (2007) e Nahum e Santos (2013 e 2014) contextualizam estas transformações e jogam luzes sobre as relações sociais que foram se processando ao longo do tempo.

Com a ausência de uma política agrícola adequada para satisfazer as demandas da agricultura familiar desta região, que tem na produção de mandioca, fruticultura e agroextrativismo as principais atividades, a despeito do aumento do volume de recursos ofertados pelo PRONAF, o baixo dinamismo econômico constituiu-se como um dos principais elementos motivadores para justificar um novo ciclo baseado na expansão dos monocultivos de dendê, sob o comando de grandes companhias nacionais e transnacionais. É a partir de 2004, com o lançamento do Programa de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) e em 2010 com o Programa de Produção Sustentável de Óleo de Palma que uma nova corrida pela apropriação dos recursos naturais se intensifica.

Deste modo, a Amazônia paraense se constitui como território marcado por tensões, conflitos de interesses e visões de desenvolvimento antagônicas, que colocam os sujeitos em constante movimento, dialeticamente, onde cada um produz as suas próprias representações da realidade social, conforme postula Bordieu ( 2004, p. 36).

4.2 PERFIL TERRITORIAL, DEMOGRÁFICO E

SOCIOECONÔMICO DOS MUNICÍPIOS COM ASSENTAMENTOS