7.2 Temel Uluslararası İlişkiler Teorilerinin Devlet-Dışı Aktörlere Bakışı
7.2.4 Konstraktivizm'in (İnşacılık) Devlet-Dışı Aktörlere Bakışı
Apesar das dificuldades em relação ao trabalho da equipe, observou-se que havia um empenho na construção de estratégias coletivas de enfrentamento das dificuldades vivenciadas, o que se confirmou através das observações e das verbalizações dos entrevistados de uma maneira geral.
Eu acho que a gente tem, não sei se sou eu ou o ser humano, essa mania de lembrar mais das coisas ruins do que das coisas boas, mas a gente tem muito retorno de alguém que está bacana, que te encaminhou outro paciente. Às vezes você nem se lembra mais dele. “Eu vim porque fulano tá muito bem, tá trabalhando...” [...] O que fica para mim do serviço é a vontade que a equipe tem de construir um trabalho bacana, de fazer um trabalho bacana. Acho que a gente tem essa enorme vantagem (P9).
Ao reconhecerem que o trabalho real era bem diferente do trabalho prescrito, que havia dificuldades, até mesmo porque o serviço era relativamente novo e a própria rede ainda estava em construção, os profissionais verbalizaram uma série de estratégias que desenvolviam, cotidianamente, para dar conta desse trabalho, as quais evidenciam que o trabalho não é só execução, mas também criação, uso de si.
A integração da equipe, a cooperação e a solidariedade eram pontos fundamentais que ajudavam os trabalhadores a se protegerem dos sentimentos de impotência, das coisas que não davam certo, da inoperância do sistema que dificultava um trabalho já tão árduo.
Isso se verificou na criação de novos dispositivos para fazer frente às variabilidades. Por exemplo, frente à insuficiência de médicos no serviço e sobrecarga dos poucos que permaneceram, buscava-se ampliar a geometria da configuração coletiva ao referenciar os casos para serem avaliados pelos médicos dos Centros de Saúde ou ao buscar estabelecer parcerias com abrigos para retaguarda noturna de pessoas em situação de rua. Outro exemplo se refere à iniciativa da equipe em mobilizar a rede para discussão de um caso para o qual os recursos disponíveis no serviço não se mostravam suficientes, no momento da supervisão técnica.
Pode-se citar também situações vivenciadas pelos profissionais na PD, tarefa que em si pressupõe fazer escolhas o tempo todo em função do coletivo. Por exemplo, o profissional podia oferecer retaguarda para o plantão, realizar atividades coletivas como assembleia e oficina ou realizar atendimentos individuais. A disponibilidade em deslocar-se de sua atividade para não sobrecarregar o colega implicava em fazer escolhas que eram fruto tanto de valores individuais quanto de negociações coletivas.
Outro exemplo é a regulação da porta-de-entrada realizada pelo profissional de plantão que, ao priorizar os casos mais graves, não sobrecarrega o serviço. Assinala-se ainda outras invenções locais como fazer atendimento ambulatorial ou acolhimento em conjunto entre médico e TSS de modo a otimizar o tempo e as decisões de encaminhamento, os murais e livro de plantão para facilitar a comunicação são também exemplos de arranjos coletivos que se fazia para dar conta do trabalho nas condições dadas. Apesar disso, é certo que:
A gente não tem governabilidade num monte coisa (P2).
Nesse sentido, em concordância com o pressuposto ergonômico de que o trabalho real sempre difere do prescrito, recorre-se ao que apontou Saraceno (2001) para afirmar que as condições reais de trabalho nos serviços de saúde mental não permitem que se ponham em ação quaisquer condições recomendadas porque não se trata somente de settings físicos, mas de cenários emotivos. O autor chama atenção para os “fatores de confusão”, mais potentes que os modelos, e mais influentes e disruptivos que qualquer técnica, os quais “consomem as técnicas e modelos e cria técnicas e modelos operativos, que se constituem em objetos desconhecidos e não descritos” (p.80). As condutas são, para o autor, a resultante da interação
de variáveis que incluem o usuário, a família, o serviço e sua organização. Acrescenta-se aqui como variável, o profissional, sua história de vida, sua formação e sua subjetividade.
A verdadeira capacidade de trabalhar em equipe está em compreender que cada homem, em função de sua história, de sua vida escolar, de suas possibilidades e impossibilidades, de suas experiências de vida, tem um perfil mais ou menos diferente: ele tem um perfil que não é meu, ele é mais rico em tal coisa que em outra; e quanto a mim, devo ser modesto, quando isso se justifique e assumir minhas responsabilidades quando sei que sou mais competente em determinado plano (SCHWARTZ, 2010c, p.219).
Não se trata, portanto, de anular as especificidades de cada disciplina, mas de criar dispositivos para que favoreçam o diálogo e cooperação entre elas frentes as demandas de cada caso.
Quanto a esse aspecto, a manutenção de espaços que possibilitavam a comunicação e a cooperação mostraram-se fundamentais para a construção de estratégias de regulação individuais e coletivas. Por exemplo, através da observação, verificou-se que, nos intervalos entre os atendimentos, os profissionais frequentemente se direcionavam a sala de plantão, onde preenchiam prontuário, anotavam no livro de plantão, faziam ligações e, sobretudo, trocavam informações entre si, estabelecendo laços de confiança e apoio mútuo.
Da mesma forma, observou-se que as reuniões semanais de equipe constituíam-se em espaços privilegiados para compartilhamento de angústias e dificuldades, construção de saberes sobre o trabalho, onde se reafirmavam os valores e pressupostos da Redução de Danos e se desenvolviam estratégias de ação que não se reportassem ao modelo manicomial, apesar de considerado por alguns profissionais como pouco democrático e resolutivo.
A FIG. 10 resume os principais elementos identificados como potencialiadores para o desenvolvimento das estratégias coletivas de enfrentamento das adversidades no serviço.
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Figura 10: Fatores que contribuem para o desenvolvimento de estratégias coletivas de enfrentamento das adversidades no CAPS ad
Fonte: elaborado pela autora
Além de fortalecer os laços do coletivo e favorecer o desenvolvimento de estratégias de regulação, cabe acrescentar que, no contexto desse estudo, também se verificou o que apontaram Lancman e Silva (2008) no que se refere ao desenvolvimento dos processos de regulação. As estratégias de regulação permitiam tanto minimizar a carga de trabalho individual quanto absorver uma quantidade maior de usuários. No entanto, o aumento de demanda comprometia o trabalho coletivo uma vez que as soluções criadas se revertiam em sobrecarga. Os resultados concordam também quando apontam que num contexto de ausência de suporte material e psíquico, o engajamento militante mostra-se fundamental para continuar a trabalhar apesar de tantas carências, embora paire a dúvida sobre a viabilidade da proposta.
Nesse sentido, a atuação clínica é também um posicionamento político para a sustentação desse modelo em um momento delicado em que é duramente questionado por setores mais conservadores da sociedade. Daí afirmar que clínica é política uma vez que as escolhas que se faz através da atividade determinam “a relação com os outros ou o mundo no qual você quer viver” (SCHWARTZ; DURRIVE; DUC, 2010d, p. 192).
Estratégias coletivas para enfrentamento das adversidades
Comprometimento com a própria formação, o próprio trabalho e o trabalho coletivo Mobilização dos recursos existentes no serviço e na rede Gestão e manutenção dos espaços de comunicação e cooperação • Compartilhamento dos pressupostos teóricos políticos