2.2. BATI ANADOLU’NUN SİYASAL DURUMU
3.1.8. Kocabaş Tepe
O cenário do estudo foi o SAMU do município de Natal no estado do Rio Grande do Norte. O SAMU de Natal foi escolhido como foco da pesquisa por ser o primeiro implantado no Estado do Rio Grande do Norte, em 17 de setembro de 2002, contando hoje com o maior número de profissionais e viaturas, devido às características demográficas da capital do Rio Grande do Norte. O maior tempo de atuação aumenta também a vivência das situações referentes ao objeto de estudo em análise. Isso fundamenta a discussão das estratégias e compreensões, tanto individuais como institucionais, estruturadas para resolver os entraves presentes no atendimento ao sujeito em crise psíquica, assim como, contribui para o conhecimento das políticas e práticas de saúde/saúde mental.
Além disso, Natal, como a capital do Rio Grande do Norte, exerce influência operacional, administrativa e técnica tanto nas cidades da região metropolitana como nos municípios do estado que contam com os serviços do SAMU. Isso amplia o impacto e a aplicação dos nossos resultados, situando a pesquisa para além da realidade local, o que tem relação direta com a relevância social do estudo.
A sede do SAMU-Natal é composta por duas edificações dispostas em um único terreno localizado na Rua Potiguares s/n no Bairro Felipe Camarão em Natal. Em um dos blocos funciona o Núcleo de Educação Permanente (NEP), que conta com uma recepção, um auditório, uma sala para coordenação administrativa, uma sala para coordenação médica e uma sala para secretaria que serve às duas coordenações. O NEP é coordenado por uma enfermeira que se responsabiliza por promover e realizar treinamentos periódicos junto aos profissionais da instituição. Tais treinamentos podem partir de encaminhamentos do Ministério da Saúde, Secretarias de Saúde, por demanda própria da coordenação do SAMU ou por solicitação dos profissionais da instituição.
No outro bloco funciona a parte assistencial do SAMU-Natal, neste espaço estão distribuídos o repouso médico, o repouso de enfermagem, o repouso de condutores e de técnicos de enfermagem, a sala de regulação médica, a coordenação de enfermagem, a farmácia, a sala de equipamentos, o estoque de materiais, dois banheiros (masculino e feminino) e um refeitório. Além disso, este prédio comporta duas salas onde funciona o Programa de Acessibilidade Especial (PRAE), que presta serviço de transporte social a pessoas que necessitam de deslocamento para realização de procedimentos de saúde na rede assistencial do SUS. O PRAE não mantém nenhum tipo de ligação operacional com o SAMU,
ou seja, a divisão de um mesmo prédio acontece exclusivamente por questões administrativas e técnicas da Prefeitura de Natal.
Apesar da divisão da sede entre o SAMU e o PRAE não identificamos conflitos por espaço ou prejuízo para nenhum dos serviços. Ambos os blocos do SAMU e as salas do PRAE são amplos, arejados, bem conservados, limpos, iluminados, com sinalização de segurança e devida identificação. Ou seja, o prédio comporta satisfatoriamente a quantidade de funcionários nos setores e oferece condições para a execução das atividades assistenciais e administrativas dos referidos serviços vinculados ao SUS.
No espaço externo, entre os dois blocos, existe um local coberto destinado distintamente às seguintes funções: lavagem e desinfecção das ambulâncias; garagem das ambulâncias de Suporte Avançado de Vida; estacionamento para os carros dos plantonistas e uma quadra de vôlei de areia, que é utilizada para prática de atividade física pelos profissionais do SAMU, fora do seu horário de trabalho.
O serviço do SAMU-Natal conta atualmente com três ambulâncias de Suporte Avançado de Vida (chamadas pelos profissionais de ALFAS), nove ambulâncias de Suporte Básico de Vida (chamadas BRAVOS) e quatro motolâncias (chamadas de MIKES), que são motocicletas pilotadas por técnicos de enfermagem, munidos de mochila com equipamentos básicos de resgate, que tem a missão de chegar mais rapidamente às ocorrências em locais de difícil acesso para as ambulâncias tradicionais. Duas ALFAS ficam aguardando chamados na sede do SAMU-Natal e uma fica na Zona Norte da cidade. As BRAVOS e as MIKES se distribuem por pontos estratégicos na cidade de Natal, retornando à sede somente para refeição dos profissionais e para a troca dos plantonistas. As refeições acontecem aproximadamente às doze e às vinte e três horas, com um intervalo máximo de quinze minutos para cada equipe alimentar-se. Por sua vez, as trocas de plantões são feitas às sete e às dezenove horas.
Estão lotados na instituição quarenta e três médicos, vinte e dois enfermeiros e setenta e oito técnicos de enfermagem envolvidos na assistência direta às ocorrências, totalizando cento e quarenta e três profissionais de saúde. Durante os turnos diurnos e noturnos a equipe de plantonistas é composta por quatro médicos, que se dividem nas tarefas de regulação médica e intervenção direta nas ocorrências em que as ALFAS são deslocadas; três enfermeiros que atuam nas ocorrências classificadas como de maior gravidade onde as ALFAS são enviadas; e treze técnicos de enfermagem distribuídos nas BRAVOS e MIKES.
Conforme apresentado anteriormente, a regulação médica é o centro operacional do SAMU, onde se concentra o processo de recebimento das ligações, triagem e classificação dos
casos, bem como, a destinação de recursos e profissionais necessários para o atendimento das urgências. O recinto de regulação médica do SAMU-Natal caracteriza-se como um grande salão sem qualquer divisória. No centro do espaço existem oito cabines com um computador e um telefone cada, onde situam-se quatro médicos reguladores e quatro TARM’s. Ainda nesse local, encontra-se o operador de rádio em uma mesa com computador e aparelho de rádio utilizado para o contato com as ambulâncias e com os profissionais de plantão.
Em termos operacionais o atendimento às urgências prestado pelo SAMU-Natal inicia- se quando a ligação é atendida pelo TARM, que colhe dados preliminares sobre localização e tipo de ocorrência e repassa a ligação para um dos quatro médicos reguladores. Este avalia a gravidade do caso, observando se aquele atendimento compete ao SAMU ou a outro serviço da rede de saúde pública. Se a situação for pertinente ao SAMU o medico regulador classifica-a, atribuindo à ocorrência um código que pode ser vermelho, amarelo ou verde, respectivamente, primeira, segunda e última prioridade para o atendimento. O médico regulador decide ainda sobre que tipo de ambulância será encaminhado em cada caso.
Essas informações chegam ao computador do operador de rádio, que automaticamente encaixa as ocorrências em uma lista seqüencial, conforme a classificação atribuída pelo médico regulador. Além da lista de casos encaminhados pela regulação, na tela do computador do operador de rádio existe também um gráfico que relata a localização de cada ambulância e informa se a mesma está em atendimento ou aguardando chamado. A partir da lista de prioridades, do tipo de ambulância escolhida pelo médico e da situação e localização das ambulâncias, o operador aciona via rádio a equipe pertinente repassando a localização exata e o tipo de ocorrência que será atendida.
Ao chegar à cena da ocorrência, a equipe entra em contato com o médico regulador, descreve clinicamente a situação da vítima e recebe via rádio as orientações de conduta e transporte. Todo esse protocolo é padrão para todos os SAMU’s do Brasil e definido pela Política Nacional de Atenção às Urgências.
Diante dessa realidade o SAMU-Natal propõe-se a atender as solicitações pertinentes em urgências clínicas, traumáticas, psiquiátricas e obstétricas oriundas de toda a capital. Já a região metropolitana e as rodovias federais que circundam Natal são cobertas pelos serviços do SAMU–Metropolitano. O foco do nosso estudo são as concepções e práticas dos profissionais de saúde do SAMU–Natal sobre o atendimento às urgências psiquiátricas, para tanto, realizamos entrevistas e observações na sala de regulação conforme destacado anteriormente.