1.2. ORTA TUNÇ ÇAĞI ARAŞTIRMA TARİHÇESİ
1.2.1. Batı Anadolu Bölgesi Orta Tunç Çağı Kazı ve Araştırma Tarihçesi
Nesse processo dinâmico observado na moradia estudantil, com regras e normas, de hora de estudo e de trabalho, em um tempo-espaço delimitado de maneira individual e na coletividade, na vida assumida por esses estudantes, verifica-se outro componente do fenômeno da ludopoiese – a autoterritorialidade.
A autoterritorialidade como propriedade ludopoiética corresponde as relações que se dão no espaço/tempo, construídas com base no sentimento de pertencimento e no bem-estar de quem é acolhido. Assim, compreende-se a autoterritorialidade como autorreconhecimento
do Ser, partindo de seu corpo, como território, de seu mundo, seus limites, em interação com o mundo exterior. Um corpo-sujeito, dotado de capacidades criativas, que pode humanescer- se a partir de suas interações inter e intrapessoais, fazendo irradiar alegria para os outros, para o mundo, ao cosmo.
Partindo do conceito fundante de território como espaço delimitado, que se constitue de relações de poder, (BRUNET et al, 1993) e, procurando relacioná-lo à acepção de território como algo mais próximo do homem, neste estudo, esse tipo de relação se estabelece inicialmente no tratamento que ocorre entre os estudantes “veteranos” e os “calouros”, quando do acolhimento a cada início de ano. Ou seja, os estudantes residentes mais antigos assumem relações de poder frente aos estudantes recém-chegados na moradia estudantil. Essa relação fica claramente visível no acolhimento aos novos residentes, a chamada “calourada” (festa realizada para recepcionar os novos estudantes-residentes). Com uma nova forma de acolhimento, esta conduta esta sendo substituida para situações menos agravantes, já existindo um acolhimento mais fraterno e, por que não dizer, mais afetuoso. O sentimento de pertencimento ao território ocupado torna-se, durante os três anos de permanência, algo meio paradoxal: ora surge um sentimento de posse extrema, ora um de acolhimento e de proteção ao outro, principalmente entre os oriundos do mesmo lugar.
De acordo com de Raffestin (1993, p.158), “a territorialidade reflete a multidimensionalidade do "vivido" territorial pelos membros de uma coletividade nas sociedades em geral”. Concordamos com o autor quando argumenta que os homens vivem ao mesmo tempo o processo e o produto territoriais, por meio de um sistema de relações existenciais e/ou produtivistas. São relações de poder, uma vez que existem na interação entre os agentes que buscam modificar tanto as relações com a natureza como as relações sociais: “Sem se darem conta disso, os atores também modificam a si próprios. É impossível manter qualquer relação que não seja marcada pelo poder” (RAFESTIN, 1993, p. 158).
Baseada nessa acepção de território, de territorialidade (RAFFESTIN, 1993) e na teoria da autopoiese, a propriedade da autoterritorialidade ficou identificada em algumas vivências ludopoiéticas diárias representadas nas construções imagéticas dos participantes, acentuando-se com mais clareza nos intervalos de aulas. Nas descrições dos cenários, os estudantes residentes expressam:
Ainda costumávamos ficar conversando sentados nos vários corredores da escola, representado no meu cenário na borda inferior da caixa, com as pessoas sentadas nobanco. E, por fim, aqui nesse espaço, sempre acontecia um maior relacionamento entre os alunos, compartilhando os acontecimentos diários da escola (SOLO F. L. S., 2008).
A minha representação na caixa de areia está dividida em três cenários. O primeiro, situado no canto superior do lado esquerdo da caixa, representa a sala de aula. Durante os intervalos, na maioria das vezes, busco estar perto dos meus amigos, principalmente agora que estou mais próxima do pessoal da turma (são momentos de relaxamento, que nos fazem ficar descontraídos, felizes, brincalhões...); ou ficamos no bosque ou na frente da nossa sala (SOLO G. L. F., 2008).
Nas descrições simbólicas, observa-se que os estudantes ocupavam espaços por eles próprios delimitados para conversarem diariamente. Esse tipo de atitude favorece as relações estabelecidas nas interações interpessoais, no cotidiano escolar expandindo-se para outros espaços do cotidiano da vida. Entendemos como espaço o lugar onde o estudante se apropria de suas ações em seu cotidiano. Um lugar onde é possível a existência do eu e do outro; isto é, o espaço de pertencimento no mundo, na sua interação com o outro. Podemos até afirmar que esses espaços são momentos inventados no cotidiano, o que é corroborado por Certeau (1994, p. 38), quando afirma na sua linguagem metafórica: “o cotidiano se inventa com mil maneiras de caça não autorizada”, ou seja, com maneiras inventivas, diferentes das habituais.
Nos espaços transitados pelos participantes deste estudo, configurados em histórias e narrativas da vida, os estudantes revelam sua corporeidade. Sentimentos e emoções foram expressos nas vivências lúdicas ocorridas nos períodos da noite, revelando a autoterritorialidade no espaço-tempo vivido no cotidiano individual e no coletividade, como é descrito a seguir:
No lado direito da caixa, na parte de cima, represento o alojamento feminino, mais precisamente o meu quarto. No período da noite, estou ficando mais no meu quarto: me sinto melhor naquele ambiente, além de aproveitar mais o tempo para estudar. Quando não estou estudando, fico conversando e brincando com as meninas (ou até mesmo comendo). É muito bom pra mim esse momento (SOLO G. L. F., 2008).
O armário e o beliche representam o meu quarto (quando o arrumo me sinto bem...). Nele convivem Marcila e Clarice. Temos muitos momentos de alegria, às vezes ficamos sem sono, então conversamos sobre a nossa formatura, as pessoas da nossa comunidade, até a madrugada (I. M. B., 2008).
Nesses cenários apresentados nas duas primeiras descrições, percebe-se um sentimento de pertencimento, principalmente em relação ao dormitório feminino, o que mostra a importância da interação afetiva com o interior desse espaço habitado diariamente pelas adolescentes durante os períodos da noite. É um espaço de diálogo, confidências, desabafos, angústias, tristezas, alegrias e estreitamento de laços afetivos. O sentimento de pertencimento emerge como forma dos adolescentes residentes manterem sua sobrevivência em coletividade.
Nos cenários construídos, observam-se, ainda, características da autoterritorialidade nas vivências ludopoiéticas experienciadas nos finais de semana, destacando-se o interesse social do lazer, como é exposto nesta descrição:
No lado direito da caixa, simbolizei os fins de semana no ambiente do nosso quarto, com os bonecos em cima das camas, fogão e os armários. Nele, o que mais gostamos de fazer é comer, dormir e jogar conversa fora. Gostamos também de aproveitar cada momento – porque são difíceis de acontecer, devido ao pouco tempo que temos para nos divertir. Enfim, tudo que fiz no jogo de areia foram os instantes mais fortes vividos no nosso cotidiano (SOLO A. H. C., 2008).