Tartışmaları: Çokkültürcülük ve Cumhuriyetçilik
I. Kale Avrupası (Fortress Europe)
As abordagens apresentadas têm suas particularidades com características específicas, no entanto, o importante para esse trabalho é as similaridades nos estudos e conceitos de aglomerações locais discutidas em relação à estrutura, à operação e aos atores envolvidos. Valendo lembrar, que esses exemplos apresentados podem ser vistos tanto como abordagem análoga quanto como exemplos de um APL.
Neste contexto, é preciso perceber não só a importância crescente de aglomerações produtivas locais e regionais como elemento primordial na busca de competitividade e dinamismo tecnológicos de firmas em diferentes setores, mas também no aprendizado10 interativo que surge como um papel chave nestes novos conceitos de desenvolvimento regional, onde a localidade se apresenta como facilitador das trocas de conhecimentos tácitos. Com isso, o espaço geográfico torna-se um espaço cognitivo, o qual valores compartilhados, confiança e outras formas de ativos intangíveis constituem em elementos fundamentais que podem contribuir para o desenvolvimento de processos de aprendizado interativo (Lemos, 2003).
Essa questão do aprendizado é entendida como a base para a oportunidade de aplicar a solução de um determinado problema ou a inovação de um processo produtivo, por exemplo. Contudo, apesar das empresas serem os centros dos processos de aprendizado e inovação, estas são influenciadas pelos contextos institucionais que se inserem. Portanto, a dimensão institucional, enquanto conjunto de normas e rotinas sob as quais sistemas produtivos locais são organizados constitui-se em elemento crucial para compreensão do processo da capacitação produtiva e inovativa (Lastres e Cassiolato, 2003a).
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“ Do ponto de vista epistemológico a discussão em torno d e aprendizado vin cula-s e na tentativa d e desvendar os mecanismos de funcionamento da ment e humana com rel ação ao processo pelo qual indivíduos adquirem e utilizam seus conhecimentos como bas e para fo rmar suas opiniões e paut ar suas açõ es e tomada de decisões. Na literatura econômica o con ceito d e ap rendizado está p autado a um pro cesso cumulativo através do qual as org anizações, por meio de seus recursos humanos, adquirem e ampliam seus conhecimentos, aperfei çoam procedimentos de busca e refinam habilidad es em desenvolver, produzir e comerci alizar bens e servi ços” (Lastres e Cassiolato, 2004:5).
Outro ponto de convergência da maior parte desses estudos são as ações descentralizadas das empresas e das instituições públicas, o que leva a um processo de interação entre elas, numa relação de concorrência e cooperação entre as empresas, com um enraizamento na localidade que está instalada a aglomeração produtiva, configurando uma coletividade ativa de agentes públicos e privados numa atuação com os mesmos propósitos, que são o de manter a dinâmica e a sustentabilidade do sistema produtivo local (SPL). Essa interação só é possível na presença de três elementos, segundo Amaral Filho (2001): construção de confiança; criação de bases concretas capazes de permitir a montagem de redes de comunicação; proximidade organizacional (esse como resultado da comunicação dos outros dois elementos).
A tabela abaixo apresenta alguns pontos comuns das características básicas de aglomerações locais focada nesses novos estudos sobre desenvolvimento regional.
Tabela 1: Aspectos comuns das abordagens de aglomerações territoriais Aspectos Principais Características
Localização - Proximidade ou concentração geográfica dos atores; Atores - Grupos de pequenas empresas;
- Pequenas empresas nucleadas por grande empresa;
- Associações, conselhos, consórcios, instituições de suporte, serviços, ensino, P&D, fomento, financiamento, etc.
Características - Intensa divisão de trabalho entre as firmas; - Flexibilização de produção e de organização; - Especialização e mão-de-obra qualificada; - Competição entre firmas baseadas em inovação; - Colaboração entre as firmas e demais agentes; - Fluxo intenso de informações;
- Identidade cultural entre agentes; - Relações de confiança entre os agentes; - Complementaridade e sinergias
Fonte: Lemos, C (1997) Notas p reliminares do Projeto “ Arranjos Locais e Capacidade Inov ativa em Contexto Crescente Globalizado”.
Esses estudos sobre essas novas formas de desenvolvimento regional vêm contribuindo para formulação de políticas públicas e privadas, para promoção de aglomerações produtivas em favor do desenvolvimento social e econômico de regiões e conseqüentemente de países. Entretanto, é relevante fazer algumas considerações para entender como essas políticas se inserem no contexto atual.
Deste modo, observa-se uma tendência de se reduzir o papel de governos nacionais ou regionais como promotores de políticas de desenvolvimento, tais como políticas científica, tecnológica e de inovação, reduzindo cada vez mais recursos aplicados nestas. Argumenta- se que com o processo acelerado de globalização e das facilidades resultantes das tecnologias da informação e comunicação (TIC) não seja mais necessário o investimento de governos nacionais na promoção de atividades de geração de conhecimento e inovação, pois o processo de globalização também incluiria a geração, difusão e acesso a informações e conhecimento por todo mundo, uniformemente. Porém, ao contrário de se caminhar rumo ao apregoado mundo sem fronteiras, global e homogêneo, com a aceleração da globalização, na verdade, assiste-se ao aprofundamento das diferenças entre países e regiões do mundo, em detrimento daqueles que se situam na periferia do sistema do poder global (Lastres e Cassiolato, 2003a).
Assim, a idéia de que o fluxo de informações circula livremente entre os países, não sendo necessária adoção de políticas para capacitação, geração e absorção de conhecimento e inovações já é reconhecida como inadequada até mesmo no discurso de organismos internacionais, que observam a necessidade de incluírem em suas agendas: a ênfase no conhecimento e na inovação como um processo interativo; novos requerimentos institucionais; necessidade de se combinar diferentes tipos de políticas que incorporem o capital social no processo; busca por maior igualdade social, educação, saúde, respeito ao meio ambiente e a culturas específicas (Johnson e Lundvall apud Lemos, 2003).
Outro ponto importante é a dificuldade de implementar políticas públicas de desenvolvimento regional, tecnológico e de inovação, pelo fato da predominância da financeirização da economia, originários das mudanças político-institucionais dos países mais desenvolvidos, influenciados por preceitos neoliberais (Lastres e Cassiolato, 2003b). As medidas macroeconômicas que fizeram parte até pouco tempo do receituário de
organismos institucionais (Fundo M onetário Internacional, Banco M undial, Organização para a Cooperação Desenvolvimento Econômico, entre outros) para implementação de políticas baseadas em ajuste fiscal, arrocho monetário e abertura econômica, entre outras não contribuíram para o desenvolvimento dos países (Johnson e Lundvall apud Lemos, 2003).
Desse modo, com a globalização e a dimensão financeira implicando em uma maior vulnerabilidade externa e conseqüentemente um menor grau de liberdade de governos nacionais em suas políticas econômicas, observa-se a necessidade de novas estratégias e políticas. Logo, alternativas de desenvolvimento, em níveis mundial, nacional e local vêm sendo formuladas, exigindo novos modelos e instrumentos institucionais, normativos e reguladores que sejam capazes de enfrentar as questões aí colocadas (Lastres e Cassiolato, 2003b).
Com isso, é no nível local que os APL’s surgem como uma das alternativas encontradas para atender a essas novas mudanças, sendo importante que a sua implantação não esteja desvinculada de um todo nacional, pois
“recomenda-se a definição e a implementação de um novo projeto de desenvolvimento que reforce mutuamente a articulação entre política macroeconômica e social, industrial e de ciência, tecnologia e inovação, visando uma inserção mais competitiva e autônoma, que assegure entre a construção de bases produtivas modernas e dinâmicas e o atendimento dos objetivos de inclusão, equidade e coesão social”. (Lastres e Cassiolato 2003a:9)
Nesse sentido, o Estado tem um papel importante nessa nova forma de prover o desenvolvimento de uma região, pois em torno da teoria sobre APL observa-se o poder central com parcerias estabelecidas com a sociedade civil, estabelecendo um dos elementos primordiais, que consiste nas ações coletivas, tendo como pilar para um desenvolvimento eficiente a sua institucionalização (Amaral Filho, 2001).
As funções do Estado têm-se baseado nas respostas oriundas de processos e de dinâmicas econômico-sociais determinados por comportamentos dos atores, dos agentes e das instituições locais, porque estes levam uma grande vantagem sobre instâncias governamentais centrais, pois tem um maior conhecimento e facilidade de atuação por estarem mais próximos com relação aos usuários finais dos bens e serviços. Desta forma,
os argumentos favoráveis para a descentralização da ação pública têm como alicerce, segundo Amaral Filho (2001), alguns pontos importantes:
- O da proximidade e da informação: os governos locais estão mais próximos dos produtores e dos consumidores finais de bens e de serviços públicos (e privado), e por isso são mais bem informados que os governos centrais a respeito das preferências da população;
- O da experimentação variada e simultânea, ou seja: a diferenciação nas expectativas locais pode ajudar a destacar métodos superiores de oferta do serviço público;
- O elemento relacionado a tamanho, quer dizer: quanto menor o aparelho estatal melhor é o resultado em termos de alocação e eficiência, isto no sentido da burocratização do Estado.
Desta forma, a questão do desenvolvimento regional nesta concepção recente tem como proposta uma construção “de baixo para cima”, isto é, as potencialidades locais que irão construir e conduzir o planejamento para a execução do modelo, ao invés de ocorrer “de cima para baixo”, onde Estado nacional conduz o planejamento e intervenção. Este modelo não segue somente o princípio neoliberal, onde o mercado e os preços são os únicos mecanismos de importância para a atuação dos agentes, mas também, não é a favor de um Estado centralizado dirigista levando a uma burocratização do poder e desperdício público (Amaral Filho, 2001). Isso não quer dizer, mais uma vez, que as ações de apoio público a infra-estrutura científica e tecnológica devam ser excluídas, pelo contrário há a necessidade do incremento das instituições de ensino e pesquisa dentro de um planejamento de longo prazo.
Com isso, em uma estratégia de desenvolvimento existe a necessidade de se promover o capital produtivo, mas fundamentalmente o capital intelectual e o capital social, que são elementos intangíveis, mas que fazem parte das bases para um desenvolvimento de longo prazo de uma local, região ou país (Lemos, 2003).
Para um APL, as principais fontes de competitividade são os elementos de confiança, de solidariedade e de cooperação entre empresas, um resultado de relações muito estreita de natureza econômica, social e comunitária. Essa cooperação também precisa existir junto
aos demais agentes para isso é necessário que haja uma identidade social e cultural entre eles. Outra questão, segundo Haddad (2004) é a distinção entre três campos para a delimitação dos planos de desenvolvimento de um arranjo. São eles:
- “O campo das decisões privadas, que se referem às decisões individuais das empresas, podendo envolver a localização das atividades, a escolha de tecnologia, as relações capital-trabalho, a adoção das técnicas de gestão, entre outros;
- O campo das decisões governamentais, que se referem à oferta, pelos três níveis de governo, de decisões de serviços públicos tradicionais como justiça, segurança, infra-estrutura, saúde e educação, ciência e tecnologia;
- O campo das decisões comunitárias, que se referem a problemas comuns às empresas que integram os APL’s, sem que cada um tenha condições de resolvê-los. É neste campo que se concentra um grande número de externalidades positivas” (Haddad, 2004: 32).
A adoção de um plano para o desenvolvimento de um APL depende em que nível ele se encontra, no que diz respeito as suas características estruturais, com o nível de cooperação entre firmas, com a qualidade das lideranças locais, a interação das instituições públicas e privadas, a sociedade civil, etc. Sendo assim, é necessário que este plano aconteça dentro de um processo de participação e de consenso entre as lideranças e instituições locais, tratando de suas heterogeneidades como atores (Haddad, 2004). Nesta direção, a formulação e implementação de políticas para a interação não devem ocorrer somente por meio da cooperação com os beneficiários potenciais, mas sim através de parcerias entre estes, objetivando que o aprendizado ocorra, em ambos sentidos, entre implementadores das políticas e empresas, o que vem sendo chamado por alguns autores de “interação comunicativa” (M eriti, 1999; Nauwelaers & Wintjes, 2000 apud Lemos 2003). Visando assim, uma descentralização de ações, um enxugamento das etapas de decisões e a aproximação dos cidadãos ao processo de estabelecimento de políticas, tais como formulação, plano regional, elaboração e provisão de serviços, entre outros (Lemos, 2003).