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f. Sosyalist Gerçekliğin Doğuşu

Belgede ANDREY TARKOVSKİ SİNEMASI (sayfa 65-68)

O Nigéria é uma produtora de audiovisual que se caracteriza como um coletivo, como veremos mais adiante. Não é, e nem se propõe a ser, um movimento social. Entretanto, as pautas encampadas pelo grupo estão intimamente ligadas ao cotidiano dos movimentos populares. Na websérie Cartas Urbanas, vê-se o protagonismo dos movimentos populares de moradia, que também estão presentes em outras produções audiovisuais do coletivo, como A Posse da Nova Estiva28, o Baixio Preocupado29, A Comunidade que Desviou30 o Trem e Areia Loteada31. Um outro exemplo é a participação dos movimentos ambientalistas, que encontram reverberação nos vídeos Sucata de Plástico32 e Água Envenenada, Sede por Justiça33, ambos do coletivo. Mas o que caracteriza, de fato, um movimento social?

De uma forma bem geral, os movimentos sociais envolvem um coletivo de pessoas demandando algum bem material ou simbólico, conforme atesta Gohn (2007, p. 242). A autora, todavia, diz não poder afirmar que existam teorias bastante elaboradas a este respeito, por conta da multiplicidade de interpretações e enfoques sobre o que são os movimentos sociais. De toda forma, ela apresenta uma série de características comuns a esses movimentos, o que ajudaria a identificar se agrupamentos podem ou não ser considerados como tal.

Possuir interesses comuns é um componente básico de um movimento, apesar de não suficiente, por si só, para caracterizá-lo. Exemplo disso, são protestos (pacífico ou não), rebeliões, ocupações, que podem ser estratégias de ação de um movimento social, mas que, isoladamente, não se caracterizam como tal. Ao analisar os protestos de junho de 2013 no Brasil, que inclusive foram tema do documentário Com Vandalismo, do Nigéria, como já citamos, Cicília Peruzzo (2013) afirma que os grupos que praticaram a chamada ação direta34 naquelas

28Vídeo pode ser assistido no link: https://www.youtube.com/watch?v=ZIHhArkbZdw 29Vídeo pode ser assistido no link: https://www.youtube.com/watch?v=48lds9eJxUg 30Vídeo pode ser assistido no link: https://www.youtube.com/watch?v=7hi4G0jPplA 31Vídeo pode ser assistido no link: https://www.youtube.com/watch?v=X2EGPbKAOkQ 32Vídeo pode ser assistido no link: https://www.youtube.com/watch?v=teUY_QMuYMo 33Vídeo pode ser assistido no link: https://www.youtube.com/watch?v=wFjnS-CnSz4

34Ação direta é uma forma de ativismo que usa métodos mais imediatos para produzir mudanças desejáveis ou impedir práticas indesejáveis na sociedade. Exemplos destas ações são greves, boicotes, ocupações dos locais de

manifestações não podem ser considerados como movimentos sociais. Para elas, aquilo trata-se uma tática, não um movimento organizado.

Podem desaparecer tão rápido quanto surgem. Depende do contexto político. Segundo Saul Newman, “são uma força temporária, sem identidade, na qual os indivíduos podem nem saber quem é a pessoa ao lado” (Locatelli; Vieira, 2013: 25). A ação direta desse tipo começou na Alemanha nos anos 1980 em defesa de manifestantes nas lutas contra riscos ambientais provocados pelas usinas nucleares. (PERUZZO, 2013, p. 76)

Segundo Gohn (2007), o movimento social deve estar constituído enquanto um coletivo social e, para isso, necessita de uma identidade compartilhada. “Há uma realidade em comum, anterior à aglutinação de seus interesses” (GOHN, 2007, p.245). Ela destaca que trata-se de um espaço não-institucionalizado, nem na esfera pública, nem na privada, criando um campo político. Desta forma, um movimento social genuíno deixa de sê-lo quando se institucionaliza, quando se transforma em Organização Não-Governamental (ONG), por exemplo, “embora possa continuar como parte de um movimento mais amplo, enquanto organização de apoio daquele movimento” (Idem, p. 247).

Uma categoria-chave para a conceituação de movimento social, para a autora, é a “luta social”. “(...) luta social é um conceito mais abrangente e as classes sociais são uma das formas, e não a única, de agrupar homens na história” (Ibidem, p. 248-249).

Para ampliar a ideia da luta para além das lutas de classes, Gohn (2007) clama a categoria dos “atores sociais”, que se envolvem em lutas relacionadas a questões de gênero, étnicas, ecológicas, entre outras. Parte significativa dos movimentos sociais da contemporaneidade, ressalta, não diz respeito ao conflito de classe, mas a conflitos entre atores da sociedade. Por esta razão, é possível que encontremos movimentos sociais em vários segmentos da sociedade, atuando em áreas de conflito na defesa de seus interesses.

Unindo diversas reflexões e ponderações, a autora chega a sua conceituação do que são os movimentos sociais:

(...) são ações sociopolíticas construídas por atores sociais pertencentes a diferentes classes e camadas sociais, articuladas em certos cenários da conjuntura socioeconômica e política de

trabalho e sabotagem. Estes métodos são realizados em oposição a meios indiretos, tais como a eleição de representantes políticos ou o recurso ao sistema jurídico.

um país, criando um campo político de força social na sociedade civil. As ações se estruturam a partir de repertórios criados sobre temas e problemas em conflitos, litígios e disputas vivenciadas pelo grupo na sociedade. As ações desenvolvem um processo social e político cultural que cria uma identidade coletiva para o movimento, a partir dos interesses em comum. Esta identidade é amalgamada pela força do princípio da solidariedade e construída a partir da base referencial de valores culturais e políticos compartilhados pelo grupo, em espaços coletivos não- institucionalizados. (GOHN, 2007, p. 251).

Por fim, a autora cria cinco categorias para agrupar os movimentos sociais na contemporaneidade. A primeira delas é a dos movimentos construídos a partir da origem social da instituição que apóia ou abriga seus demandatários. Nesta, incluem-se os religiosos, os político-partidários, os sindicais, os das corporações de estudantes, professores, funcionários de uma categoria social ou de uma instituição etc. Na segunda, estão aqueles construídos a partir das características da natureza humana, como sexo, idade, raça e cor, a exemplo do movimento das mulheres, dos índios e dos homossexais. “Deve-se destacar que na era da globalização os movimentos desta categoria têm ganhado centralidade sobre outras lutas sociais, dado sua natureza universalizante” (Idem, p. 268).

A terceira categoria é a dos movimentos sociais construídos a partir de determinados problemas sociais. Nesta, estão aqueles que buscam solução ou criação de equipamentos coletivos de consumo, como o movimento pela saúde, pelos transportes, por creches e escolas em geral, pela habitação etc. Aqui, reforça-se, está a maior parte dos movimentos que são retratados nos vídeos do coletivo Nigéria. Também se incluem nesta categoria os que lutam pela preservação do meio ambiente (geográfico, social, econômico e cultural), a exemplo dos movimentos ecológicos, pacifistas, de preservação do patrimônio histórico, em defesa dos animais e plantas em geral.

A quarta categoria trata dos movimentos sociais construídos em função de questões da conjuntura das políticas de uma nação (socioeconômica, cultural etc.). “Nesta categoria encontramos toda uma série de movimentos que os livros de história dos países registram usualmente como sublevações, insurreições, revoltas, motins, revoluções etc” (Ibidem, p. 270). Por fim, Gohn acrescenta a categoria dos movimentos sociais construídos a partir de ideologias. Ela defende que o anarquismo, o marxismo, o cristianismo etc. “foram ideologias

com forças motoras próprias (...) [que] criaram movimentos sociais que aparecem e desaparecem segundo conjunturas históricas” (Ibidem, p. 271).

É importante destacar que a diversidade das temáticas trabalhadas pelo coletivo Nigéria está diretamente relacionada com a diversidade de bandeiras encampadas hoje pelos movimentos sociais. Uma cobertura mais recorrente dos assuntos relacionados à moradia por meio destes documentários mostra, antes de tudo, uma identificação maior dos integrantes do coletivo com estas causas e com os atores desta causa, ainda que não seja uma luta própria dos integrantes do coletivo.

2.2. Os coletivos de audiovisual e o videoativismo

Belgede ANDREY TARKOVSKİ SİNEMASI (sayfa 65-68)