Çocuğun beklenmeyen ve aykırı yanıtı fıkradaki komik unsuru yaratır
M. H.’nin Fırıldak(1874)’ında yer alan aşağıdaki latife, dilenen bir ailenin yoksulluk derecesini ortaya koyar:
A crise do sistema penitenciário brasileiro, mormente o problema da superlotação, é atribuída em parte ao recrudescimento da legislação penal. Por causa disso, instituições como Ministério da Justiça, CNPCP, DEPEN, ONGs, além de juristas, magistrados, políticos, defendem um abrandamento em alguns tópicos da legislação penal como forma de reduzir a pressão sobre o sistema penitenciário. A prisão configura-se numa punição bastante praticada, sem no entanto se aferir sua eficiência. Mas qual alternativa adotar em lugar do aprisionamento? Nesse ponto, cogita-se o abrandamento, que poderá ter resultado positivo quanto à punição e a ressocialização. No entanto, ele ainda se constitui numa expectativa para o sistema penitenciário brasileiro.
O relatório do DEPEN de 2004 apontou que o Brasil possui um percentual de privação de liberdade de 0,18%, isso equivale dizer que a proporção de presos e internados por 100.000 habitantes era de aproximadamente 180.173 Trata-se uma margem modesta quando comparado com os países bem mais punitivos, como os EUA que já tiveram uma proporção de 700; ou ainda Rússia, 584; e Ucrânia, 417.174
Já se discutiu sobre a impossibilidade de estabelecer uma margem aceitável de aprisionamento. Mas tal fato é preocupante para o Brasil, pois em 1992 o percentual de privação de liberdade era tão-somente 0,07%. O elevado percentual de privação de liberdade é um fator primordial no avultamento da população prisional. A despeito dos esforços do DEPEN na geração de vagas, caso não haja políticas que contenham a
173BRASIL. Ministério da Justiça. Sistema Penitenciário do Brasil: diagnósticos e proposta. DEPEN, MJ,
Brasília, 2005, p.8.
ascendência do aprisionamento, o resultado continuará sendo um sistema penitenciário superlotado, sem condições efetivas de punir e ressocializar.
A oscilação do percentual de privação de liberdade não decorre necessariamente do aumento da criminalidade. A criminologia comparada confirma peremptoriamente que não existe em lugar nenhum – em nenhum país e em nenhuma época – correlação entre a taxa de encarceramento e o nível de criminalidade.175 Nada obstante, pode-se afirmar que o argumento favorável ao recrudescimento penal decorre justamente dos índices elevados de criminalidade. Se o nível de criminalidade não tem correlação com a taxa de encarceramento, o mesmo não se pode afirmar sobre o recrudescimento, posto que, como se verá oportunamente, a elevação do encarceramento acentua-se com o recrudescimento penal.
Nesse caso, o aprisionamento funciona como um vigoroso e enfático aparelho repressivo. Com ele, objetiva-se conter os distúrbios e desordens sociais que se acumulam nos bairros dos excluídos, que vivem solapados pelo desemprego maciço e pelo emprego informal. Mostrar a luta contra a delinqüência das ruas como um permanente espetáculo moral permite aos dirigentes atuais (como aos anteriores) reafirmar simbolicamente a autoridade do Estado no momento exato em que se percebe sua impotência no campo econômico e social.176 Assim, o direito de punir do Estado assume uma função idiossincrática, a qual encontra ressonância na sociedade, pois a lógica é enrijecer as punições quando a criminalidade expõe o fosso das desigualdades sócio-econômicas. No entanto, tal severidade não implica que a criminalidade seja contida, pois já se apontou que o sistema prisional funciona como um retro-alimentador
175 CHRISTIE, 2003, in WACQUANT, Loïc. A aberração carcerária... 176 WACQUANT, Loïc. op.cit.
do crime, uma vez que a prisão não é um simples escudo contra a delinqüência, mas uma faca de dois gumes: um órgão de coerção que tanto ataca quanto gera o crime.177
Nesse contexto, embora não seja nosso objetivo, abrem-se parênteses para a polêmica sobre a redução da maioridade penal, ou seja, maior severidade aos jovens delinqüentes. As estatísticas sobre criminalidade apontam que cada vez mais jovens ingressam no mundo do crime, conquanto pelo Código Penal e Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), são classificados como inimputáveis, cumprem apenas medidas sócio-educativas. Por conta disso, diversos segmentos sociais defendem a redução da maioridade penal de 18 anos para 16 anos. Porém, desconsideram que tal medida agravaria ainda mais a crise do sistema penitenciário, sobretudo da superlotação, bem como geraria mais criminalidade, visto que estaria colocando jovens em exclusivo contato com criminosos experientes. Enfim, os jovens delinqüentes ingressariam precocemente nas “universidades do crime”.
Embora inexista consenso sobre os índices de reincidência no sistema penitenciário brasileiro, argumenta-se que ela pode chegar a 85%.178 Tal percentagem evidencia o malogro do aprisionamento, como exclusivo instrumento de punição e ressocialização. Isso encontra ressonância no estudo comparado de sistemas prisionais, visto que é virtualmente universal entre os investigadores a convicção – na total falta de efetividade da prisão, em si mesma, como estimuladora de comportamento dentro da lei, nos infratores. Mais ainda, esta crença freqüentemente é radicalizada, em termos de uma suposta tendência das prisões de induzir – em lugar de reduzir – à reincidência criminal.179
177 WACQUANT, Loïc, op.cit.
178 FERREIRA, Otávio Dias de Souza. Carandiru, violência e crise no sistema penal. ILANUD, 05.2003.
Disponível em: http://www.ilanud.org.br/index.php?cat_id=54&pag_id=550
179 FANDINO MARINO, Juan Mario. Comparative analysis of the effects of socioeconomic status, crime
Por causa disso, discute-se a questão do abrandamento penal, ou seja, o direito penal mínimo, como forma de contrapor ao aprisionamento. O direito penal mínimo seria norteado pela aplicação de penas alternativas, considerando a prisão como situação limite. Sobre o aprisionamento, nota-se seu espantoso índice de reincidência. Mas como a reincidência se situa na punição através de penas alternativas? Assim, argumanta-se:
Sua eficácia se comprovaria nos baixíssimos índices de reincidência: no Brasil, segundo dados do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente – ILANUD, 12% seria o índice de reincidência dos condenados a penas alternativas contra 45%*180 dos condenados a regime fechado; enquanto na Europa, segundo estudos da ONU, os mesmos índices, respectivamente, seriam de 25% contra 80%6. Seriam penas diversas, pontuais, mais próximas do ideal da individualização da pena. Envolveriam educação. Garantiriam efetivamente a punição sem a necessidade do uso de violência. Reduziriam em muito, nos condenados, o sentimento de ódio perante aquele Estado que lhes foi ausente e omisso tantas vezes, aparecendo apenas para os reprimir cruelmente após certos desvios na conduta.181
As penas alternativas, portanto, teriam menor taxa de reincidência, pois, mostram-se mais eficazes no aspecto da ressocialização. Agora, quanto à punição, há uma lacuna, porquanto de um lado, pode atender às necessidades do direito de punir do Estado; porém, de outro, será que as vítimas da criminalidade ficarão satisfeitas ao verem seus algozes exercendo tão-somente um trabalho comunitário ou distribuindo cestas-básicas? A sensação de impunidade pode pairar na sociedade, incitando assim o desejo de vingança. Tal fato seria elemento de uma violência não necessariamente vinculada ao banditismo, isto é, uma violência civil decorrente da insatisfação das penas discriminadas pelo Estado aos criminosos. Já existem movimentos denominados
December 2005], p.220-244. Available from World Wide Web. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.
180 (*NOTA DO AUTOR: Este índice de 45% é controverso, pois, segundo a Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) do Sistema Penitenciário finalizada em 1993 e declaração de Angelo Roncalli, diretor do DEPEN, em 2002, o índice de reincidência de presos no Brasil seria de 85%, número mais razoável se comparado com o mesmo índice na Europa, de 80% segundo a ONU)
181 FERREIRA, Otávio Dias de Souza. Carandiru, violência e crise no sistema penal. ILANUD, 05.2003.
“justiceiros”, que combatem a criminalidade a despeito do poder de polícia do Estado.182 No entanto, decididamente são eles motivadores de mais violência.
A proporção do delito cometido com a pena aplicada é um elemento a ser considerado na discussão das penas alternativas, não só nos segmentos governamentais envolvidos, mas, sobretudo, na sociedade, cuja cultura nutre a prisão como efetiva prova de punição.
Afinal, o Estado brasileiro necessita ater-se ao debate sobre o recrudescimento da legislação penal, notadamente sobre a Lei de Crimes Hediondos e sobre o abrandamento com as penas alternativas, pois impactam no direito de punir e se apresentam como um paradigma ao sistema penitenciário.