Medyada Çocukları Koruyucu Önlemler
3. Medyaya karşı çocukların korunmasına ilişkin uluslararası düzenlemeler
3.1. Birleşmiş Milletler
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U não duvido, mas muitos (que outrora conheceram meu talento) se surpreenderão que (dentre tantos músicos esplêndidos como os que temos em nosso país neste momento e de longe munidos de conhecimento melhor que o meu), eu assumi a responsabilidade de apresentar em nossa língua vernácula aquilo que na prática é familiar aos nossos compatriotas, porém pouco conhecido na forma escrita. Ainda assim, se eles refletissem as razões que me levaram a esta tarefa, não apenas maravilhar-se-iam, mas também considerar-me-iam merecedor, se não de louvor, ao menos de perdão por meu tormento. Primeiro, a sincera e diária súplica de meus amigos pedindo-me que o faça pelo amor pátrio que, assim como a glória de Deus, deve ser precioso a cada homem. Tal razão, tantas vezes dita e repetida por eles, fez-me ceder aos seus sinceros pedidos para que assumisse este trabalho que agora publico para apreciação do mundo, não apenas buscando através dele algum reconhecimento ou glória (embora nenhuma alma sincera possa condenar-me, já que poderia tê-los obtido por meios menos laboriosos), mas de alguma forma promover os estudos daqueles que (sendo dotados de boa e natural aptidão e inclinados a aprender a divina Arte da Música) são desprovidos de mestres aptos. Finalmente, na vida solitária que levo (sendo forçado a ficar em casa), dá-me satisfação encontrar qualquer coisa na qual me mantenha ocupado em prol do meu país. Mas no que diz respeito ao próprio livro, confesso que se tivesse iniciado anteriormente, creio que me custaria a metade do trabalho e do sofrimento, preferiria ter sido persuadido a qualquer outra coisa a ter assumido um trabalho tão tedioso que se assemelha ao imenso mar, pois quanto mais me adentrava, mais percebia o tanto que teria que percorrer. Finalmente, desesperado por terminar (vendo crescer exponencialmente em minhas mãos aquilo que pensei que concluiria em duas ou três páginas), abandonei-o, totalmente resolvido a não prosseguir; mas tê-lo abandonado foi tão vergonhoso como tão insensatamente o comecei.
No entanto, sendo advertido pelos meus amigos que seria uma pena perder os frutos de tantas horas de trabalho e que merecidamente seria condenado por ignorante presunção ao ter em mãos algo que não poderia realizar, caso não fosse adiante, resolvi suportar qualquer dor, trabalho, perda de tempo e sacrifício e não sei mais o quê, tudo para não deixar inacabado o trabalho no qual até agora tanto tinha me empenhado. Tomando, portanto, aqueles preceitos que aprendi quando criança e os dispondo em ordem, comecei a compará-los com alguns outros do mesmo tipo, apresentados por alguns autores recentes. No entanto, deparei-me com uma situação pior que a anterior, pois encontrei tamanha diversidade entre eles que não sabia quem falava a verdade, ou em quem poderia acreditar. Fui, então, forçado a recorrer às obras de muitos, tanto estrangeiros quanto ingleses (cujos trabalhos, assim como seus nomes, teriam sido enterrados comigo num esquecimento perpétuo se não fosse por esta ocasião), para solucionar e elucidar minha dúvida.
Mas para meu profundo pesar, percebi que a maior parte de meus próprios preceitos era falsa e que eram facilmente refutados pelos trabalhos de Taverner52, Fayrfax53, Cooper54 e tantos outros, cujos nomes seria extremamente entediante enumerar aqui. Mas que trabalho foi deparar com tão grande obstáculo e pesquisar tantos livros; e com que esforço e fadiga fui forçado a comparar os autores para comprovar o valor de algumas notas (despendendo dias inteiros e até mesmo, muitas vezes, semanas para a comprovação de um exemplo que, ao contrário do que poder-se-ia pensar, não havia sido composto em um breve instante). Portanto, deixo ao vosso discernimento examinar [este trabalho]; e ninguém compreenderá completamente [o meu esforço], a não ser aquele que teve ou terá oportunidade para fazer o mesmo.
Quanto ao método do livro, embora não possa, em cada aspecto, satisfazer a curiosidade dos dicotomistas55, ainda assim, acredito que ele seja mais conveniente para a faculdade do aprendiz. Além disso, tive cuidado especial em não deixar que nada fosse disposto fora de seu devido lugar, mas fazer com que aquilo que servisse para a compreensão do que viria a seguir, fosse apresentado primeiro.
52 John Taverner (c. 1490-1545) – um dos mais importantes compositores ingleses da primeira parte do século
XVI. Conhecido principalmente pela sua música sacra.
53 Robert Fayrfax (1464 - 1521) – considerado um dos compositores mais proeminente e influente nos reinados
de Henrique VII e Henrique VIII da Inglaterra.
54 Ou Rober Cowper (c. 1474 – 1535-40) – compositor inglês. Clérigo do King’s College em Cambridge entre
1493 a 1507.
Quanto à definição, divisão, partes e tipos da Música, optei por omiti-las por serem assuntos que somente seriam úteis para a satisfação do erudito e não [úteis] para ensinar ao não instruído. Deste modo, tendes as razões que me induziram a assumir e a prosseguir com meu livro. Embora o fardo de sua feitura recaia sobre mim e somente sobre mim, ainda assim, muitos se beneficiarão. Posso garantir que qualquer um, exceto aquele com limitada capacidade, poderá verdadeiramente cantar suas melodias, que geralmente chamamos de seis Vozes56 ou ut, ré, mi, fá, sol, lá e poderão, sem qualquer outro auxílio a não ser deste livro,
aprender perfeitamente a cantar, compor um contraponto e a bem compor as partes57 e reuni-
las com precisão. Porém, observando estes nossos dias e em tempos de um mundo desvairado, não há vítima maior da calúnia e da difamação que aquilo que é verdadeiro e correto. E do mesmo modo como alguns iniciarão a leitura do meu livro para sua instrução, não duvido que muitos também o lerão, não exatamente pelo prazer ou benefício que pretendem obter dele, mas para encontrar algo do que se queixar e aproveitar o ensejo para caluniar. A tais homens advirto que, se na amizade me prevenirem (quer publicamente ou privadamente) sobre qualquer coisa do livro que não gostem ou não entendem, não apenas ficarei satisfeito por dar-lhes uma explicação (e se não puder, acatarei suas opiniões), como também me sentirei extremamente grato a eles.
Mas se alguém, seja por despeito ou para ostentação do próprio conhecimento, ou por ignorância (como quem é mais destemido que Bayard58), criar uma confusão ou caluniar abertamente aquilo que não entende, ou então deturpar intencionalmente para sua própria compreensão, ele (assim como disse Augustus quando difamado) descobrirá que também tenho boca e me remorsurum petit59, e que ele vocifera para alguém que revidará, pois não disse nada sem justificativa ou ao menos confirmado pela autoridade dos grandes mestres, tanto os versados quanto os profissionais. Houveram também alguns que (conhecendo sua própria limitação e não ousando desaprovar, nem sendo capazes de aperfeiçoar qualquer coisa no livro), ainda assim difamaram tanto a mim quanto esta minha obra, afirmando que eu, ao fazê-la, estaria intencionalmente tirando o sustento de várias pessoas necessitadas e honestas que vivem (e de forma honesta) do ensino de menos da metade do que se pode encontrar neste livro.
56 As seis sílabas eram frequentemente chamadas de voces e também vox pelos teóricos medievais e do século
XVI, mas Morley as denomina notes. Optamos por manter a nomenclatura derivada da tradição latina. Cf. Note –
“Nota” / “Voz”, p. 54.
57 Cada uma das vozes ou instrumentos de uma composição musical.
58 Pierre Terrail, senhor de Bayard (1473-1524): soldado francês conhecido como “o cavaleiro sem medo e sem
censura”.
Em resposta a estes mal-intencionados sanguessugas (que vivem à custa dos esforços alheios), advirto que este livro de longe será um obstáculo a qualquer pessoa; ao contrário: para aqueles que alegam que por ele foram prejudicados, serão capazes de descobrir o motivo porque o foram: considerando que o fizeram por puro acaso ou por todas as razões alegadas, que foram instruídos desta forma. Portanto, se alguém me deve agradecimento pelo enorme esforço que despendi, são aqueles, a meu ver, que ensinaram o que não sabiam e que podem aqui, se assim quiserem, aprender. Mas, se o efeito não corresponder ao meu bom propósito, e se muitos não se beneficiarem do resultado que eu esperava, ainda assim não haverá razão porque eu deveria ser responsabilizado, pois fiz o que pude e dei oportunidade a outros, de melhor discernimento e mais profunda habilidade, de fazer o mesmo. E quanto às bestas ignorantes - que tomam para si a liderança de outros, sendo ninguém mais cego que eles e ainda sem qualquer razão, antes de examinarem os trabalhos, condenam os autores – eu já os ultrapassei; como sendo indignos de serem citados ou que qualquer pessoa deveria dignar-se respondê-los, pois na verdade, agindo maldosamente, odeiam o conhecimento, pois temem ser descobertos. E assim, amável Leitor, esperando por vossa favorável cortesia para evitar tanto a maldade dos invejosos como a audácia do ignorante, desejo-vos todo o proveito do livro e toda a perfeição em vossos estudos, aqui me fino.
Por toda a vossa atenção THOMAS MORLEY