2. VERGĐ UYUMU
3.3. VERGĐ YASALARI VE HUKUKSAL YAPI
3.3.2. Bilgi ve Đstihbarat
A falta de estudos sobre o conceito de saúde propriamente definido aponta para dificuldades do paradigma científico dominante em compreender e abordar a saúde po- sitivamente (COELHO; ALMEIDA FILHO, 2002). Segundo Paim e Almeida Filho (1998),
a ‘crise da saúde’ traz amplos desafios para o campo da saúde coletiva e estimula a in- tegração e articulação de novos paradigmas, tendo como maior desafio epistemológico a re-conceituação da ‘saúde’ no seu sentido complexo, totalizado, dinâmico e não-linear.
As dúvidas acerca da questão pairam, segundo Almeida Filho (2011), em “como avançar em direção a uma concepção integrada de saúde, contemplando a historicidade do conceito e sua aplicabilidade como noção capaz de subsidiar processos de transformação das situações e condições de saúde? ” (ALMEIDA FILHO, 2011, p. 12).
Mediante as análises realizadas nesta pesquisa, fica evidente que mais do que con- tribuições, a perspectiva positiva da saúde, como novo fundamento teórico, tem diferentes impasses que precisam ser superados para que a epidemiologia da saúde, enquanto ciência e prática, seja realidade no modelo de assistência à saúde brasileiro.
A primeira questão que surge ao se pensar em pesquisas com desfechos positivos em saúde se circunscreve em: É possível avaliar objetos subjetivos, como a felicidade e o amor, na epidemiologia? Ou será que os questionamentos deveriam perpassar por: Será que os objetos são a priori eminentemente objetivos ou subjetivos? Ou depende a posteriori da percepção, da intencionalidade e racionalização de quem observa, a partir das lentes do paradigma científico e médico vigente?
Segundo Giannetti (2002), a dimensão subjetiva consiste na experiência interna de cada indivíduo, isto é, tudo aquilo que passa na mente de forma espontânea, que sente e pensa sobre a vida que tem levado.
Inúmeras pesquisas internacionais tem demonstrado que apesar da singularidade das emoções vivenciadas pelos seres humanos, de uma forma geral, as dimensões subjetivas dos afetos positivos são objetiváveis, a ponto de serem mensuráveis e generalizáveis, já que a natureza das respostas varia pouco possibilitando, assim, comparações entre indivíduos e grupos sociais (VEENHOVEN, 1997).
Quanto à compreensão do que é saúde positiva, os desafios se circunscrevem em elaborar construtos interdisciplinares de intersecção dos conceitos de qualidade de vida, bem-estar, saúde e felicidade. Ou seja, o que é saúde, qualidade de vida, bem-estar e felicidade? Como esses conceitos se interrelacionam e se diferenciam em determinado grupo e cultura? Que conhecimentos são necessários para possibilitar uma construção teórica e metodológica que não simplifique a complexidade dos objetos em estudo?
Não obstante o interesse cada vez maior de pesquisadores sobre a qualidade de vida, seu significado ainda é bastante impreciso, não consensual e fundamentado em vários
modelos epistemológicos, o que traz limitações para o seu uso tanto na prática clínica como em pesquisa (LIMA; FLECK, 2009).
Na literatura científica, a qualidade de vida e desenvolvimento humano são con- siderados conceitos mais abrangentes que a felicidade e bem-estar, sendo que em algumas situações, tais definições se tornam intercambiáveis (BEKHET; ZAUSZNIEWSKI; NAKHLA, 2008;ALKIRE, 2010). Além disso, reconhece-se que estudos de base epidemiológica sobre felicidade e bem-estar são uma das vertentes que convergiram para o desenvolvimento de conceito de qualidade de vida (PANZINI et al., 2007).
Entretanto, de acordo com Almeida Filho (2000b), mesmo as estimativas de qua- lidade de vida relativa à saúde, consideradas proposições científicas mais atuais e sofisti- cadas, não passam de medidas de morbi-mortalidade (ALMEIDA FILHO, 2000b).
Com relação à saúde, recentemente e diferentemente do conceito estático da Or- ganização Mundial da Saúde, esta vem sendo considerada como a capacidade resiliente de auto-organizar a vida e superar os obstáculos (MINAYO, 2010). Esta definição se asseme- lha à publicada por Huber et al. (2011), que diz que saúde é a capacidade de adaptação e autogestão em face aos desafios sociais, físicos e emocionais.
Vale lembrar que, já em 1986, a Carta de Ottawa trazia a concepção de que “a saúde deve ser vista como um recurso para a vida, e não como objetivo de viver. Nesse sentido, a saúde é um conceito positivo, que enfatiza os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas” (OPAS, 1986).
Dadas as informações expostas acima, fica claro que mais que respostas, existem muitas perguntas e questionamentos acerca da abordagem positiva no campo da saúde coletiva. Desta forma, para ocorrerem avanços teóricos e metodológicos, é imprescindível que haja interesse político e técnico na valorização, fomento e investimento de pesqui- sas no campo da epidemiologia da saúde que abranjam indicadores positivos de saúde, indicadores de salubridade, fatores de proteção e promoção da saúde.
Outrossim, mostra-se pertinente a inserção da reflexão crítica da perspectiva po- sitiva da saúde na formação dos profissionais de saúde, incluindo estudantes de cursos técnicos até pós-graduação stricto sensu, docentes, gestores e equipes de saúde – em es- pecial da atenção primária.
Importante destacar que os achados da presente investigação corroboram e rei- teram os desafios epistemológicos aqui apresentados. Apesar de pouco se conhecer a respeito da ótica positiva da saúde, os entrevistados, ao serem questionados sobre que
palavras lhe viam a mente quando se lembravam de ‘felicidade’, a expressão mais citada foi ‘saúde’. Logo, fica claro que a despeito da incompreensão científica mais aprofundada sobre o tema, a relação entre felicidade e saúde na prática é conhecida e valorizada pela população matinhense.
Vilosio (2008) enfatiza que mesmo sem contornar os problemas metodológicos, as pesquisas que analisam a relação entre saúde e emoções positivas representam uma contribuição expressiva, pois são fenômenos importantes tanto para quem trabalha a questão da saúde a partir da visão social e política como para a prática clínica.