• Sonuç bulunamadı

1.3. KURUMSAL ĠLETĠġĠM ÇEġĠTLERĠ

1.3.2. Biçimsel Olmayan ĠletiĢim Kanalları

Nesse item, apresentamos um panorama do modo pelo qual os estudiosos têm examinado a questão do sucesso, para mostrar que o conhecimento das teorias e metodologias que embasam esses trabalhos aponta para a potencialidade do novo caminho epistêmico e metodológico que, no item 3.4, vamos construir.

Ao retomar a literatura sobre o sucesso, consultamos os periódicos nacionais e internacionais das áreas de administração, psicologia e sociologia classificados como A1, A2, B1 ou B2 pelo critério Quali, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), totalizando mais de duzentas e sessenta publicações, sem contar os anais das dez últimas edições do Encontro da Associação Nacional dos Programas de Pós Graduação em Administração (EnANPAD), aos quais também recorremos. A busca utilizou as seguintes bases de dados: ISI Web of Knowledge, Compustat Global & North America, BePress, EBSCO – Business Source Complete, The New Palgrave Dictionary of Economics Online, CALI – The Center for Computer-Assisted Legal Instruction, HeinOline, LexisNexis, RGE Monitor, Portal de Periódicos da CAPES, Dissertation Abstracts OnLine, Gartner Core

Research for Higher Education, Journal of Citation Reports (JCR) e Journal Storage (JSTOR), além das que contam com livre acesso na internet, durante o período de tempo em que seu conteúdo aparece livre para consulta. Textos que se encontravam nas referências desses estudos e se ligavam ao tema, ainda que não estivessem entre o evento ou os periódicos inicialmente consultados também foram considerados. Ao todo, examinamos sessenta e quatro pesquisas, entre artigos, livros ou capítulos de livros. Eles se encontram enumerados no Apêndice A, que traz também uma cópia da figura 1, em dimensões mais favoráveis.

Figura 1 – Distribuição dos trabalhos sobre sucesso no tempo

Fonte – Elaborada pela autora da tese.

A figura 1 apresenta uma linha do tempo que mostra os anos em que os trabalhos analisados foram publicados. Cada asterisco representa um texto do ano correspondente, na linha traçada logo acima. Esse desenho nos permite perceber que o assunto se tornou objeto sistemático de estudo dos pesquisadores apenas recentemente: das sessenta e quatro pesquisas, quarenta datam de anos posteriores a 1990. Os motivos desse ganho em termos de espaço e atenção serão discutidos posteriormente, já na fase de análise dos dados, no item 5, mais precisamente, 5.1.5.

Nesse processo de revisão bibliográfica, prestamos especial atenção a alguns aspectos, utilizando como base a descrição do processo de pesquisa feita por Denzin e Lincoln (2006). Segundo afirmam, a cada paradigma se relacionam estratégias de pesquisa específicas e, a cada estratégia, métodos particulares de coleta e análise. Tendo isso em mente, os aspectos para os quais atentamos foram: campo científico (a partir de que área do conhecimento o tema está sendo tratado), paradigmas (dentro de que perspectiva teórica é abordado), epistemologia que os embasa (se positivista ou antipositivista), tipo de investigação (se ensaio teórico ou pesquisa empírica), caso seja um trabalho empírico: abordagem utilizada (se quantitativa ou qualitativa), estratégia de pesquisa usada (survey, estudo de caso, etnografia, história de vida

1934 43 49 62 64 67 71 72 74 75 76 77 78 79 80 81 83 85 88 89 92 93 95 96 97 98 99 01 03 05 06 07 08 09 10 2011 * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

etc.) e método de coleta de dados empregado (questionário, entrevista, grupo de discussão dentre outros). Analisando os estudos encontrados a partir desse ponto de vista, foi possível traçar um retrato do sucesso na literatura acadêmica.

No que se refere às áreas do conhecimento que se dedicam a compreendê-lo, diferentes campos de estudo discutem esse tópico adotando, obviamente, distintos pontos de vista. A sociologia trata do sucesso frequentemente pela via da mobilidade social, como afirma Pahl (1997) e evidenciam, por exemplo, as pesquisas de Katz (1964), Swift (1967) e Fave (1974). A ideologia do sucesso é alvo de atenção de alguns trabalhos (ICCHEISER, 1943; BASUK, 2001; MERTON, 1968; COEHN, 1972), assim como as nuances na definição do termo de acordo com diferenças culturais (ROMNEY et al., 1979; STEINKAMP e HABTEYES, 1985; FAN e KARNILOWICZ, 1997) ou ainda conforme geração e gênero (DRIES, PEPERMANS e De KERPEL, 2008; GEROLIMATOS e WORTHING, 1999). A ideia de classe social permaneceu presente em várias dessas investigações, ainda que não fosse seu foco, como acontece com o texto de Lima (2009), sobre a noção de sucesso dos emergentes cariocas, que liga talento no mercado, êxito material e consumo conspícuo, e o estudo de Fave (1974), em que o autor questiona se, na sociedade norte-americana, os valores relacionados ao sucesso seriam universais ou diferenciados por classe, encontrando sinais da existência de uma visão comum, no entanto, com diferenças moderadas entre elas.

A psicologia, por sua vez, é a ciência que parece ter se dedicado mais intensamente ao assunto, sobretudo a psicologia social, que investigou as visões distintas do sucesso que homens e mulheres carregam (SIMON, 1996; CHUSMIR e PARKER, 2001; DYKE e MURPHY, 2006); o chamado medo do sucesso (HORNER, 1972; LEVINE e CRUMRINE, 1975; LEVINE et al., 1976; SADD et al., 1978; GRAVENKEMPER e PALUDI, 1983; YODER e SCHLEICHER, 1996), conceito controverso segundo o qual mulheres motivadas para a conquista ajustariam suas habilidades a estereótipos de gênero, reduzindo seu desempenho para evitar avaliações sociais negativas; a relação entre a batalha pelo sucesso e o bem-estar, a satisfação ou a felicidade do indivíduo (KASSER E RYAN, 1993; CARVER e BAIRD, 1998; NICKERSON et al., 2003) dentre outros assuntos. Em grande parte dessas pesquisas, a questão da motivação é recorrente, mesmo que não ocupe o centro da preocupação dos autores.

Já a administração, como era de se esperar, liga essa noção continuamente ao universo profissional falando, por exemplo, da conciliação entre vida profissional e vida privada (BARTOLOMÉ e EVANS, 1980; WHITE, 1995; EILLEN et al., 2005), dos custos pessoais da busca pelo sucesso (KORMAN, WITTIG-BERMAN e LANG, 1981; TOLEDO, 2006; TANURE, CARVALHO NETO e ANDRADE, 2007; BORGES e CASADO; 2009; FREITAS, 2006) e de como administrar esses problemas de forma a garantir resultados organizacionais (PARKER e CHUSMIR, 1992; DANN, 1995; EVANS, 1996). Nessa área, o que se percebe é que o conceito de carreira perpassa boa parte dos trabalhos, como evidenciam Callaman (2003), Kim (2005), Punnett et al. (2007) e Costa (2011).

Quanto aos paradigmas que, em síntese, podem ser definidos como o conjunto de crenças que explicitamente ou não orientam a ação do pesquisador (DENZIN e LINCOLN, 2006), boa parte das investigações não esclarece que perspectiva teórica as embasa e muitas apresentam, ao mesmo tempo, elementos de paradigmas distintos. Diante disso, o que fizemos foi enquadrar os estudos dentro da perspectiva da qual cada um se apresentou mais próximo, ainda que houvesse aspectos que remetessem a outros quadros teóricos. Para identificá-los, foi utilizada a classificação de Burrell e Morgan (1979), que dividiram as pesquisas conforme dois eixos básicos: natureza da ciência (subjetiva ou objetiva) e da sociedade (regulação ou mudança radical), formando categorias excludentes em que os estudos podem ser enquadrados.

Nesse ponto, o que observamos foi a esmagadora predominância dos trabalhos funcionalistas, descritos pelos autores como deterministas, cujo objetivo está no entendimento da ordem social, da estabilidade, do consenso e da integração, sempre com explicações racionais tiradas, muitas vezes, das ciências naturais. Domina entre essas pesquisas a premissa de que o real é externo, independente do indivíduo e se baseia em fatos concretos, além da preocupação em explicar para gerar conhecimento útil, ou aquele que serve a fins de previsão e gerenciamento. Como exemplos, citam-se os estudos de Katz (1964), Cohen (1972), Zuckerman e Wheleer (1975), Romney et al. (1979), Vecchio (1981), Salili e Mak (1988), Kasser e Ryan (1993), White, Cox e Cooper (1997), Mitchel e Mickel (1999), Rego e Leite (2003), Aquino e Martins (2007), Dolan, Peasgood e White (2007), Abele e Spurk (2009), dentre outros. Exceções, nesse caso, são raras, indicando que o predomínio do funcionalismo apontado por Bertero e Keinert (1994), há mais de quinze anos, parece se manter, e reforçando que aquilo que Ibáñez (1993, p.105) chamou de “[...] ingenuidades da

modernidade” continua guiando muitos dos esforços de pesquisa empreendidos até hoje: a convicção quanto à existência de uma realidade independente do nosso modo de acessá-la e a crença na existência de uma forma privilegiada de acesso, capaz de nos conduzir, graças à objetividade, à realidade como ela é.

Diante disso, faz sentido supor que a epistemologia positivista seria também a mais frequente entre os estudos. Afinal, é ela que leva a trabalhos funcionalistas e os fundamenta, objetivando explicar ou predizer o que acontece, por meio da adoção de uma postura teoricamente neutra e da busca de regularidades ou relações causais. De fato, de forma nada surpreendente, o positivismo foi a base epistemológica predominante, entre os textos analisados, confirmando a tradicional hegemonia desse tipo de pesquisa entre as ciências sociais, a despeito de questionamentos relativamente recentes e que vêm ganhando força, sobre suas premissas (CUNLIFFE, 2008). Como exemplos, podem-se enumerar os trabalhos citados no parágrafo anterior, que tenderam a analisar o homem via abordagens realistas, visões deterministas e metodologias nomotéticas, aquelas que baseiam a investigação em regras, técnicas, rigor e métodos quantitativos, na busca de um relato objetivo do mundo real (BURRELL e MORGAN, 1979). É possível destacar uma passagem do artigo de Romney et al. (1979, p. 324), que desenvolveram um instrumento para medir traços representativos de sucesso e fracasso entre populações, que ilustra bem a questão. “Os resultados são livres de cultura, no sentido de que representam o esquema cognitivo dos respondentes, em vez de noções preconcebidas do pesquisador” (tradução nossa), como se esses resultados não fossem fruto de práticas de objetivação que nós mesmos temos desenvolvido conforme aponta Ibáñez (1993).

Com relação ao tipo de investigação realizada, a maior parte das obras consiste em pesquisas empíricas, a exemplo do que fez Vecchio (1981), ao estudar correlações de crenças em determinantes internos e externos de sucesso. O autor percebeu que trabalhadores negros expressaram crenças mais fortes na importância de fatores externos (sorte, por exemplo) como determinantes de sucesso, enquanto os brancos perceberam resultados positivos como consequência de seu próprio comportamento – algo sintomático, mas que não cabe aprofundar aqui. Outros trabalhos com essa característica são, por exemplo, os de Katz (1964), Fave (1974), Kasser e Ryan (1993), White (1995), Marshall e Firth (1999), Kim (2005), Dyke e Murphy (2006) e Eidelman e Biernat (2007), apenas para citar alguns. Uma minoria consiste em ensaios, como os de Swift (2007), que analisa pesquisas da área de psicologia para

examinar o conflito clássico entre a ideia de que o dinheiro não traz felicidade e a paradoxal busca por sucesso financeiro, concluindo que essa busca só é capaz de trazer felicidade se ligada a metas determinadas intrinsecamente.

Bresser-Pereira (1962) é outro autor que, embora não tenha tratado diretamente desse tema, num artigo teórico mostra como a industrialização ocorrida no Brasil, após os anos trinta do século passado, acarretou mudanças importantes para o País. Como uma das principais, o autor cita o aumento significativo do tamanho e da relevância da classe média, inserida no panorama produtivo sobretudo com a criação de postos de trabalho para a gerência média, que lhe possibilitou mover-se para cima na pirâmide social. Nesse contexto, a sociedade se tornou mais individualista, e o aumento do padrão de vida trouxe mais chances de mobilidade, formando um terreno fértil para a definição de sucesso, ligada a aspectos como prosperidade e ascensão, se desenvolver. Outros exemplos de ensaios são os livros de Freitas (2006), Gaulejac (2007) e Ehrenberg (2010).

No caso das pesquisas empíricas, a abordagem mais frequente foi a quantitativa, também em coerência com o paradigma funcionalista e a epistemologia positivista predominantes. Rego e Leite (2003) são uma boa ilustração desses estudos, com sua tentativa (frustrada) de validar no Brasil um questionário que mede motivos de sucesso, afiliação e poder. Apesar de ter demonstrado boas propriedades psicométricas em Portugal, seu êxito não se reproduziu aqui no País. Repetidas vezes foi possível encontrar o tratamento estatístico de dados usando, por exemplo, análise fatorial (SADD et al., 1978; STEINKAMP e HABTEYES, 1985; CARVER e BAIRD, 1998; REGO e LEITE, 2003; COSTA, 2011), análise de cluster (ROMNEY et al., 1979; SALILI e MAK, 1988; STEINKAMP e HABTEYES, 1985), análise discriminante (VECCHIO, 1981), análise de variância (PARKER e CHUSMIR, 1992; VECCHIO, 1981; KIM, 2005; DRIES, PEPERMANS e De KERPEL, 2008), regressão (KIMBALL e LEAHY, 1976; CARVER e BAIRD, 1998; PUNNET et al., 2007), equações estruturais (COSTA, 2011). Utilizaram-se amostras, trabalhou-se com hipóteses (KORMAN, WITTIG-BERMAN e LANG, 1981) e escalas (YODER e SCHLEICHER, 1996; DANN, 1995; DRIES, PEPERMANS e De KERPEL, 2008). Falou-se também em predição (NICKERSON et al., 2003; REGO e LEITE, 2003).

Nesse ponto, sobre essa visão que quantifica e enquadra a realidade num raciocínio pretensamente isento, em que o método ganha destaque, ressaltamos como emblemático o

trabalho de Gerolimatos e Worthing (1999). Nele, os autores resumiram numa fórmula a discussão sobre o tema, realizada por cientistas num encontro anual da New York Academy of Sciences:

S= ∫∞

0 [Σpsatisfação (I, t, p)] dt,

em que o sucesso é igual à integração da expectativa de vida, do nascimento ao infinito, como a soma da satisfação em que I é o indivíduo, t é o tempo e P inclui parâmetros como contribuições à sociedade, alegria de viver, poder, família, reconhecimento dos pares e dinheiro. Trata-se do conceito traduzido em números e relações matemáticas, expressão última dessa forma de enxergar a realidade e investigá-la, contra a qual compartilhamos, junto aos construcionistas, algumas objeções.

Exceções a esse modo de pensar também existiram, como mostram, por exemplo, os estudos qualitativos de White (1995), Pahl (1997), Toledo (2006) e Dyke e Murphy (2006), utilizando entrevistas em profundidade. É possível encontrar também trabalhos quali-quanti, que usaram ferramentas típicas das duas abordagens, como os de Katz (1964), com testes projetivos e questionários, ou aqueles de Romney et al. (1979), Bartolomé e Evans (1980), Dann (1995), White, Cox e Cooper (1997) e Tanure, Carvalho Neto e Andrade (2007), com questionários e entrevistas.

A estratégia de pesquisa mais utilizada entre os estudos analisados foi o survey. Os textos de Swift (1967), Hoffmann (1977), Evans (1996), Korman, Wittig-Berman e Lang (1981), Vecchio (1981), Steinkamp e Habteyes (1985), Parker e Chusmir (1992), Kasser e Ryan (1993), Dann (1995), Carver e Baird (1998), Chusmir e Parker (2001), Nickerson et al. (2003), Kim (2005), Punnett et al. (2007), Eidelman e Bienart (2007) e Abele e Spurk (2009) são boas ilustrações. Outras estratégias, contudo, também estiveram presentes, como a história oral (SIMON, 1996) ou a etnografia (LIMA, 2007), porém em número consideravelmente menor.

Quanto aos métodos de coleta de dados, em conformidade com os achados anteriores, os questionários apareceram com predominância. Alguns autores, porém, optaram por grupos de discussão, como Gerolimatos e Worthing (1999), outros por entrevistas em profundidade, a exemplo de White (1995) e Pahl (1997). O estudo de textos esteve presente nas investigações de Lima (2007), examinados em seguida por análise de discurso, e de Prado (2003), que optou

pela análise de conteúdo de algumas reportagens. Borges e Casado (2009) também realizaram uma análise de conteúdo, mas tendo como objeto de estudo quatro filmes para examinar como o cinema retrata o bem-sucedido.

Ao conhecer as bases metodológicas e epistemológicas que têm guiado os esforços dos autores ao investigarem o sucesso, chamou nossa atenção a predominância de pesquisas funcionalistas, positivistas, empíricas e quantitativas sobre o assunto. Destacou-se também o predomínio de autores estrangeiros discutindo esse tema, sendo ainda tímida a presença de pesquisadores nacionais nas referências, talvez um reflexo do nosso hábito de consumir e repetir ideias produzidas em outros países, na maioria das vezes os Estados Unidos (BERTERO e KEINERT, 1994; VERGARA, 2005; CALDAS e ALCADIPANI, 2006);

Perceber isso é importante porque nos direciona para a pergunta de pesquisa a ser apresentada no item 3.4. Antes de fazê-lo, no entanto, problematizamos, no próximo tópico, a literatura ora apresentada.