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KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

4.6. Anababanın Eğitim Düzeyi ve Ergenlerin Benlik Kurgusu

Koch já nos alertou sobre a possibilidade de não existir uma definição única e precisa sobre contexto. Declara também que foi preciso percorrer um longo caminho para chegar às concepções de contexto hoje dominantes.

Na fase inicial das pesquisas sobre o texto, denominada fase transfrástica, o contexto era visto apenas como o entorno verbal de uma unidade linguística, também chamado de contexto, ou contexto linguístico, que é o conjunto de enunciados que seguem ou precedem a unidade linguística (palavra, expressão) considerada. O texto ainda não era considerado um objeto autônomo, nem

constituía o objeto de análise em si, pois o percurso ainda era da frase para o texto.

(GALEMBECK, 2008, p. 146).

Ainda que estudos tenham levado o conceito de contexto como algo mais amplo, o entorno verbal tem fundamental influência na compreensão de um texto. Valentin e Lejeune (2009) concordam que a dinâmica interna à própria linguagem é da ordem da interação e, consequentemente, a interpretação de qualquer enunciado

e das unidades que o engendram, decorrem dessa dinâmica de interação (p. 3).

associada a cada unidade linguística depende do cotexto de ocorrência e a significação global do enunciado depende da rede de relações de dependência recíproca entre as unidades linguísticas que o compõem.

Por outro lado, ocorre a dinâmica de interação existente entre a unidade linguística e uma situação mais ampla, o contexto situacional.

Um enunciado só o é - ie., só é susceptível de interpretação - relativamente a um contexto. O contexto é a condição de interpretação do enunciado. Digamos que cada sequência determina o tipo de contexto que, por sua vez, funda a sua interpretação e, portanto a sua actualização como enunciado. (VALENTIN; LEJEUNE, 2009, p. 5).

Por exemplo, nos enunciados: solução de cloreto de sódio e solução do

problema, a palavra solução, muito empregada em matemática, tem significações

distintas reveladas pelos seus respectivos cotextos. Por outro lado, o enunciado

solução do problema convoca várias situações (ou vários contextos): esse problema

é emocional? É de saúde? É de matemática?

Podemos citar outro exemplo, a expressão isolada função da matemática, nos direciona para, pelo menos, duas situações distintas: função como objetivo da disciplina ou função como objeto de estudo da matemática. Estamos chamando de

situações distintas, mas Valentin e Leujeune chamam de contexto situacional, no

entanto, ainda nos falta clareza sobre a concepção de contexto.

Koch (2003) cita vários autores que dedicaram estudos sobre a concepção de contexto: Malinowski (1923), Firth (1957), Halliday, Labov, Hymes (1964), Goodwin & Duranti (1992), Goffman (1974), Kleiber (1997). Dentre eles, Mailinowski criou os termos “contextos de situação” e “contexto de cultura”.

Pereira (2009), apoiado em Kramsch (1998), afirma que o que está em jogo no contexto de situação é o entendimento do porquê de os interagentes dizerem o que dizem e como dizem em contextos específicos. Abarca apenas a situação vivenciada e tem uma abordagem restrita, pois considera o momento em que se passa determinada interação. Já o contexto de cultura está relacionado ao mundo, às crenças, à organização social, aos conceitos de tempo e espaço, aos ritos. O

contexto de cultura apresenta um caráter mais amplo, envolve outros fatores além da interação em si, que dizem respeito ao modo de vida e às escolhas dos interagentes.

Para Koch, o principal defeito de muitas propostas é que o contexto de situação é visto como algo dado no mundo real.

Procuremos distinguir aqui os dois aspectos que Malinowski inclui na noção de "contexto de situação"; falamos de "situação" para entender não um "lugar real", um espaço fisicamente delimitado ou "situação imediata" em que o discurso se efetiva. Entendemos por "situação" todo um jogo de fatores e relações que constituem condições de uso significativo da linguagem, ordenadas em relação ao sujeito (para não usar aqui o termo excessivamente restrito "falante"). Usando as expressões de um modo pouco crítico, uma expressão linguística se torna significativa (como correspondendo a modos de operar concretamente sobre a realidade ou por abstração) não somente por associar-se a "coisas" (objetos, relações, processos, sistemas), mas por servir-se de um "referencial" (de "coordenadas") em que essas correspondências se atualizam (o tempo, o lugar, as instâncias pessoais do discurso, a indicação demonstrativa dos objetos, a atitude do locutor frente a seu próprio discurso etc.). Constitui um aspecto fundamental da "situação" a maneira pela qual as opções do sujeito (pela atividade constitutiva da própria linguagem ao lado da percepção) organizam os "objetos" a que se referem, segundo traços, categorias e relações, em um "sistema de referências", de natureza essencialmente linguística (podemos dizer que o "sistema de referências" é constituído pela linguagem e nada tem a ver com a existência real das entidades que na linguagem se delimitam e a que nos referimos). (FRANCHI, 1977, p. 34, citado por KOCH, 2003, p. 28).

Koch alega que, na visão dos autores Goodwin & Duranti, a noção de contexto encerra uma justaposição de duas entidades: o evento focal e um campo de ação dentro do qual o evento se encontra inserido. Assim, deve-se tomar como ponto de partida para análise do contexto:

1. a perspectiva do(s) participantes da ação que está sendo analisada, cabendo ao analista descrever como o sujeito assimila e organiza a percepção dos eventos e situações pelas quais está navegando;

2. como aquilo que um participante trata como contexto relevante é determinado pelas atividades específicas que estão sendo realizadas naquele momento. (KOCH, 2003, p. 22).

a fala simultaneamente invoca o contexto e o fornece para outra fala, constituindo um importante recurso para organização do mesmo; os conhecimentos prévios; o contexto analisado como um modo de práxis interativamente constituído: evento focal e contexto estão numa relação de figura-fundo.

Na fase transfrástica, enquanto o contexto era visto apenas como o entorno verbal, os pragmaticistas alertavam sobre a necessidade de se considerar a situação comunicativa para a atribuição de sentido a elementos textuais. A pragmática volta- se para o estudo e a descrição das ações que os usuários da língua, em situações de interlocução, realizam através da linguagem, considerada como atividade intencional e social, visando a determinados fins.

A simples incorporação dos interlocutores, porém, ainda não se mostrou suficiente, já que eles se movem no interior de um tabuleiro social, que tem suas convenções, suas normas de conduta, que lhes impõe condições, lhes estabelece deveres e lhes limita a liberdade. Além disso, toda e qualquer manifestação de linguagem ocorre no interior de determinada cultura, cujas tradições, cujos usos e costumes, cujas rotinas devem ser obedecidas e perpetuadas. (KOCH, 2003, p. 23).

Assim, outro tipo de contexto passou a ser considerado: o contexto cognitivo, que engloba os outros tipos de contexto. Em uma interação, cada participante traz consigo uma bagagem cognitiva, ou seja, já é um contexto, que vai sendo alterado, ampliado a cada momento da interação. Isso obriga a cada participante a se ajustar aos novos contextos que vão se originando sucessivamente. Para que haja compreensão entre duas ou mais pessoas, é preciso que seus contextos cognitivos estejam parcialmente assemelhados e que, ao menos em parte, seus conhecimentos sejam compartilhados.

O contexto, da forma como é hoje entendido no interior da Linguística Textual abrange, portanto, não só o cotexto, como a situação de interação imediata, a situação mediata (entorno sociopolítico-cultural) e também o contexto sociocognitivo dos interlocutores que, na verdade, subsume os demais. Ele engloba todos os tipos de conhecimentos arquivados na memória dos actantes sociais, que necessitam ser mobilizados por ocasião do intercâmbio verbal (cf. KOCH, 1997): o conhecimento linguístico propriamente dito, o conhecimento enciclopédico, quer declarativo, quer episódico (frames, scripts), o conhecimento da situação comunicativa e de suas 'regras' (situacionalidade), o conhecimento superestrutural (tipos textuais), o conhecimento estilístico (registros, variedade de língua e sua adequação às situações comunicativas), o

conhecimento sobre os variados gêneros adequados às diversas práticas sociais, bem como o conhecimento de outros textos que permeiam nossa cultura (intertextualidade). (KOCH, 2003, p. 24). Para Koch, a mobilização desses conhecimentos realiza-se por meio de estratégias de diversas ordens: cognitivas (inferências, focalização, busca de relevância); sociointeracionais (preservação das faces, polidez, atenuação, atribuição de causas a possíveis mal-entendidos); textuais (decisões concernentes à textualização como pistas, marcas e sinalizações realizadas pelo produtor do texto, tendo em vista seu “projeto de dizer”).