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KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

4.9. Regresyon Analizi Sonuçları

4.9.1.3. Özerk-İlişkisel Benlik Kurgusunun Yordanması

Considerando a aula de matemática como situação de intercâmbio verbal, ou evento comunicativo e que a compreensão não pode ser vista como mera captação de uma representação mental, ou como simples decodificação de uma mensagem codificada anteriormente por um emissor, e sim como atividade interativa, complexa de produção de sentidos na qual, também influenciam os elementos linguísticos presentes na superfície textual. Se o contexto cognitivo engloba todos os tipos de conhecimento arquivados na memória dos sujeitos que interagem na situação de comunicação, é possível que elementos linguísticos, como termos ou expressões utilizados na matemática do Ensino Médio, possam estar arquivados na memória dos alunos com outro sentido por conta de também serem usados em situações fora da escola.

Os estudos de Koch nos mostram que as possibilidades de sentido de uma expressão linguística (termo ou palavras) dependem de uma série de fatores. Entre eles, o seu entorno verbal, ou seja, enunciados que a seguem ou precedem e que é chamado de contexto linguístico ou cotexto.

Entendemos então que, no caso do ensino de matemática, precisa estar entre as preocupações do professor, a identificação do cotexto que associa a expressão à matemática, para a atribuição do devido significado no ambiente matemático.

Um dos objetos matemáticos abordados já no início do Ensino Médio é

função.Ainda na introdução da construção deste conceito, empregam-se termos

também utilizados fora da escola. Por exemplo, o termo variável comumente, pode ser compreendido como algo que sofre alterações, que muda. Essa ideia pode ser transferida para a construção do conceito de variável em matemática sem que esse conhecimento prévio represente um obstáculo. Já quando se fala em variável

discreta, o sentido que comumente se confere à palavra discreta talvez represente

um obstáculo, visto que pode não estar relacionado àquele empregado matematicamente.

Quando o aluno resgata de seus conhecimentos o sentido que atribui a expressões como: pessoa discreta; roupa discreta ou uma discreta dor existe uma série de possibilidades de sentido que pode atribuir inicialmente à variável discreta, por exemplo, como ouvi recentemente de uma jovem egressa do Ensino Médio:

variável discreta é uma variável que não faz muita diferença.

As Orientações Curriculares para o Ensino Médio sugerem que o estudo de

funções pode ser iniciado com uma exploração qualitativa das relações entre duas

grandezas. O termo grandeza é utilizado em várias situações fora da matemática, por exemplo, na letra do Hino Nacional brasileiro: Gigante pela própria natureza, és

belo, és forte, impávido colosso, e o teu futuro espelha essa grandeza. Outro

exemplo encontrado no livro O Cortiço, uma das obras indicadas em programas de provas de vestibular de universidades brasileiras:

E, só depois de ter o título nas unhas, é que iria à Europa, de passeio, sustentando grandeza, metendo invejas, cercado de adulações, liberal, pródigo, brasileiro, atordoando o mundo velho com o seu ouro novo americano! (AZEVEDO, 1997, p. 146).

O termo grandeza em matemática é empregado para designar aquilo que pode ser medido (ou contado). É possível que o aluno traga consigo outro conceito que precise ser ajustado à matemática. Dependendo da postura do professor, este

fato pode passar despercebido e prejudicar o sentido que o aluno venha a atribuir para função, ou qualquer outro tópico que envolva o conceito matemático de

grandeza.

Também pode ocorrer que o aluno não faça relação alguma do termo com algo que já tenha utilizado em outras ocasiões e, simplesmente desconheça o seu significado. Em uma das pesquisas desenvolvidas por elementos do nosso grupo de pesquisa, mais precisamente durante o desenvolvimento de uma THA (Trajetória Hipotética de Aprendizagem) sobre o conceito de função, um aluno questiona:

“Professora, o que é grandeza mesmo?” (VITOLO, 2010, p. 83).

Outro questionamento também registrado na pesquisa de Vitolo, diz respeito ao termo matemático razão, o aluno diz: Professora, não sei o que é razão! (VITOLO, 2010, p. 83). Em matemática, razão é definida como o quociente entre dois números (com o divisor, diferente de zero). Mas, em outras situações o termo assume significados diferentes: a razão dessa tristeza; o ser humano é dotado de razão; você está coberto de razão!

Voltemos agora ao termo função que, de modo geral em matemática pode ser visto como uma forma especial de relação entre variáveis. O termo aparece com certa frequência em situações diversas. Como exemplo, selecionamos trechos de notícias recentemente veiculadas na mídia:

- Existe possibilidade de deslizamentos de encostas em função das fortes chuvas

que caíram sobre o Rio nos últimos dias.

- O jogador brincou com a dupla função que agora exerce no clube, onde, além de jogador, é presidente.

- O paciente apresenta piora da função renal.

- Um estudo revela a função de uma proteína na reprodução do cancro de próstata. - A função desta ONG é justamente divulgar documentos secretos.

- Ele terá de fazer a função que era do camisa sete.

- O Inter leva para Abu Dhabi uma equipe de funcionários que trabalham em função do time de futebol.

Podemos também encontrar o termo função empregado no sentido de exibição ou espetáculo: Ninguém como o diabo da mulata para armar uma função

que ia pelas tantas da madrugada, sem saber a gente como foi que a noite se passou tão depressa. (AZEVEDO, 1997, p. 38). No livro Capitães da Areia, também

presente nas listas de obras para vestibulares atuais, em um diálogo sobre o carrossel de um parque de diversões um dos meninos diz: – Então amanhã, quando

acabar a função, tu pode botar ele pra rodar só com a gente. Tu bota as coisas pra andar, a gente se aboleta. (AMADO, 2002, p. 59).

Se o professor acredita ser o responsável pelo sentido de suas palavras e não oferece possibilidades de interação, que significado pode atribuir à função, enquanto objeto matemático a um aluno para o qual função é, por exemplo, sinônimo de uma tarefa a ser cumprida? Só a interação permitirá estabelecer conexões entre tarefa a

ser cumprida e a função como objeto matemático.

Quando a interação professor/aluno ou aluno/aluno se faz presente, os diálogos revelam evidências que indicam se o texto está ou não fazendo sentido ao aluno, revelando também se está ocorrendo associações indevidas com o conteúdo matemático e aqueles arquivados em sua memória. Há então um partilhamento de sentidos que contribui para a construção do significado da expressão dentro da matemática.

Estar descontextualizado, a nosso entender, não significa que não esteja associado a alguma experiência do cotidiano. Significa que o conceito não foi compreendido no ambiente de ocorrência, no caso, no ambiente matemático. O aluno traz uma bagagem cognitiva que, como diz Koch (2003), já é um contexto, que precisa ser ampliado, alterado e ajustado ao novo contexto. Talvez pudéssemos dizer que estar descontextualizado seria não estar ajustado ao contexto considerado, em nosso caso, ao contexto matemático.

Pensar em ensino, de modo contextualizado, com a finalidade de promover uma aprendizagem com significado, exige uma série de reflexões. Uma delas diz respeito à forma como o professor concebe a linguagem. Esta por sua vez vai

influenciar a postura a ser tomada pelo professor diante de seus alunos ou diante do seu trabalho de modo geral.

Lembramos que Koch (2003) nos apresenta três posições clássicas do sujeito. A posição em que o emissor é dono absoluto do discurso e a língua é usada apenas como representação do seu pensamento. A segunda, na qual o emissor apenas repete um discurso que não é seu, servindo-se da língua como um código para transmitir informações. Em ambos os casos, acredita-se que o sentido já vem anexado ao discurso. A terceira concebe a língua como lugar de interação, os sentidos são construídos por meio da interação entre emissor e receptor.

Um dos propósitos do ensino contextualizado, segundo documentos curriculares, é retirar o aluno da condição de passividade. Assumindo uma postura relacionada às duas primeiras posições, citadas no parágrafo anterior, ainda que o professor apresente situações envolvendo experiências do cotidiano ou apresente exemplos de aplicação, não há garantia de participação não passiva do aluno, ou de aprendizagem significativa. O trabalho junto a seus alunos, provavelmente não atingirá o propósito exposto nos documentos curriculares em relação ao tratamento contextualizado do conhecimento, visto que tanto em uma como em outra situação, o aluno seria um mero e passivo ouvinte, já que na primeira o professor seria o responsável pelo sentido do que diz e, aos alunos caberia descobrir o pensamento que ele pretende veicular, e, na segunda, como não é dono do seu discurso, o professor seria apenas um repetidor de um texto pronto.

Depois dessas discussões, consideramos que contexto é o conjunto dos elementos, comportamentos ou fatos que interferem ou colaboram na atribuição de sentidos de uma ação comunicativa. Esses elementos podem ser internos ao indivíduo, como conhecimentos adquiridos ao longo da história de vida dele e sua interação; externos, como conhecimentos adquiridos ao longo da história de vida do indivíduo com os quais interage. Externos também são o local, a situação em discussão, os gestos, os sorrisos, as expressões que revelam aprovação, espanto, rejeição, confirmação, impaciência, os termos utilizados.

Como vimos, a linguística expõe a importância da interação social para a alteração e a ampliação da bagagem cognitiva de cada sujeito participante da interação. Temos Vygotsky como um dos precursores da teoria sociointeracionista da aprendizagem. Vejamos agora as ideias centrais de sua teoria.