2. ULUSLARARASI BELGELERDE AYRIMCILIK YASAĞI ve DENETİMİ
2.3. Amerika Birleşik Devletlerinde Ayrımcılık Yasağı
2.3.2. Amerika Birleşik Devletleri Hukukunda Ayrımcılık Yasağı
Realizar a transcrição de uma língua espaço-visual tem sido um desafio para vários pesquisadores (FERREIRA-BRITO, 1995; VIOTTI; McCLEARY, 2006; QUADROS; KARNOPP, 2004; RODRIGUES, 2008, entre outros), já que as LS não contam com um sistema de escrita que seja amplamente conhecido para ser a base da transcrição, como tem ocorrido nas LO. Vários pesquisadores têm buscado formas de registro dessa língua que possibilitem a construção de um corpus que atenda às necessidades de suas pesquisas.
Ferreira-Brito (1995, p.211) apresenta um sistema, construído em conjunto com Lagevin, altamente analítico, organizado a partir de traços dos sinais. Quadros e Karnopp (2004) utilizam fotos acrescidas de símbolos (tais como setas) que indicam movimentos, sua direção, a direção do olhar, etc., acompanhadas da transcrição com o sistema de glosas e da tradução. Viotti e McCleary (2006) apresentam um sistema descritivo, que contém inicialmente, como explicam os autores, elementos percebidos durante a transcrição os quais ainda não se pode afirmar se o status seria de elemento linguístico ou não-linguístico51. A preocupação desses pesquisadores na construção de um sistema de transcrição é a criação de um corpus para análise na Linguística de elementos na LS.
Os autores acima mencionados desenvolveram sua pesquisa na área da Linguística com o objetivo de oferecer uma descrição de elementos da Libras. Rodrigues (2008), no desenvolvimento de sua pesquisa na área da Educação, voltada para aspectos interacionais e interpretativos numa sala de aula de surdos, discute vários sistemas de transcrição de sinais optando pela utilização do Sign Writing (SW), que é um sistema notacional de características gráficas e esquemáticas formado por um vasto grupo de elementos representacionais dos aspectos gesto-espaciais das LS (configurações, movimentos, locações, expressões, direções, orientações, etc.). Rodrigues (2008) a fim de complementar esse tipo de transcrição em seus registros, inseriu, abaixo do SW, uma transcrição por glosas.
O SW foi criado inicialmente por Valerie Sutton, nos Estados Unidos, em 1974. Desde então, tem sido adaptado e modificado em diferentes países. No Brasil, uma das pesquisadoras pioneiras na introdução desse sistema para a “escrita” da LS é Marianne Stumpf, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) (STUMPF, 2002). Esse sistema tem a vantagem de permitir o registro gráfico e icônico das LS, no entanto sua leitura exige treinamento.
Neste trabalho, optei por utilizar o sistema de glosas, apesar de suas limitações. A opção deve-se, em primeiro lugar, à simplicidade desse sistema e à possibilidade de leitura por um público mais amplo. Além disso, a utilização de outros sistemas, tais como o SW ou o sistema proposto por Viotti e McCleary (2006), demandaria algum tempo de aprendizagem e de
51
Um exemplo dado pelos autores foi o piscar dos olhos do sinalizador, elemento cujo status linguístico não se pôde afirmar (McCLEARY; VIOTTI, 2006, p.12).
registro dos dados de que não dispunha no momento da análise dos dados e da redação da dissertação.
Apresento abaixo algumas convenções de transcrição que utilizei no registro da LS com o sistema de glosas. A base para esse sistema é o uso de uma palavra da LP para representar um sinal da Libras. Já que os sentidos dos sinais e os das palavras não são equivalentes, busquei minimizar os efeitos dessa forma de registro dos dados com a constante revisão dos vídeos no momento da análise.
Procurei também refletir sobre algumas convenções utilizadas por outros pesquisadores que recorrem ao sistema de glosas, utilizando algumas estratégias para oferecer ao leitor informações sobre os elementos gesto-espaciais da Libras. Para a construção dessas convenções, recorri aos trabalhos de Ferreira-Brito (1995) e de Quadros e Karnopp (2004). Todas as ilustrações utilizadas foram retiradas de Capovilla e Raphael (2001).
1- As palavras em LP escritas em maiúsculas buscam representar o conceito expresso pelo sinal em LS.
QUADRO 1
Convenção de transcrição da LS 1
Forma em Libras Transcrição Explicação
FIGURA 5 – Sinal “ÁRVORE” Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL, 2001
ÁRVORE Busquei, com a palavra, representar o sinal em Libras.
2- Quando duas ou mais palavras da LP são necessárias para expressar o conceito, essas palavras foram ligadas por hífen.
QUADRO 2
Convenção de transcrição da LS 2
Forma em Libras Transcrição Explicação
MAIS-OU- MENOS
Optei por utilizar as duas palavras para indicar o sinal.
FIGURA 6 – Sinal “MAIS-OU-MENOS” Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL, 2001
NÃO-TER
Diferentemente do caso acima, neste caso há uma incorporação do elemento de negação no sinal por meio da mudança do movimento, da locação e da expressão não-
manual do sinal. FIGURA 7 – Sinal “NÃO-TER”
Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL, 2001
3- As palavras realizadas em alfabeto manual durante as interações foram registradas em letras maiúsculas com todas as letras separadas por hífen, mesmo quando tais palavras indicam empréstimos linguísticos da LP para a Libras, sendo tal uso já incorporado.
QUADRO 3
Convenção de transcrição da LS 3
Forma em Libras Transcrição Explicação
FIGURA 8 – Sinal “O-I” Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL, 2001
O-I
Algumas palavras em LP são soletradas pelos surdos por
inúmeros motivos (nomes próprios, palavras técnicas,
etc.). Outras, como a representada ao lado, são feitas via alfabeto manual com um movimento típico da
LS o que assinala sua incorporação na Libras.
4- Os verbos foram representados por palavras no infinitivo, mesmo quando apresentavam algum tipo de flexão.
QUADRO 4
Convenção de transcrição da LS 4
Forma em Libras Transcrição Explicação
FIGURA 9 – Sinal “TRABALHAR” Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL, 2001
TRABALHAR
Essa forma do verbo em Libras pode ser usada com
quaisquer pessoas do discurso, do singular ou plural, indicando passado,
presente ou futuro.
5- Os verbos com concordância em Libras foram representados no infinitivo juntamente com numerais que indicam o sujeito ou objeto. Os numerais (1), (2) e (3) indicam respectivamente as três pessoas do discurso.
QUADRO 5
Convenção de transcrição da LS 5
Forma em Libras Transcrição Explicação
FIGURA 10 – Sinal 1RESPONDER2 Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL, 2001
1RESPONDER2
O número 1 indica o sujeito da oração. No caso, seria a
primeira pessoa, indicada pela origem do movimento do
sinal.
FIGURA 11 – Sinal 2RESPONDER1 Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL, 2001
2RESPONDER1
O número 2 indica o sujeito da oração. No caso, seria a segunda pessoa, indicada pela
origem do movimento do sinal.
6- As palavras em português com flexão de gênero, utilizadas para se referir a sinais em que não há marcação de gênero, foram escritas utilizando-se o sinal de arroba (@) para se referir ao masculino ou ao feminino.
QUADRO 6
Convenção de transcrição da LS 6
Forma em Libras Transcrição Explicação
FIGURA 12 – Sinal “AMIG@”
Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL, 2001
AMIG@
Os nomes em Libras não apresentam flexão de gênero. Quando ocorre ambiguidade, não podendo ser resolvida no contexto, acrescentam-se os
itens lexicais HOMEM ou MULHER.
7- As expressões não-manuais foram indicadas logo após a palavra ou expressão em que aparecem. O trecho está indicado entre (< >), seguido dos seguintes símbolos: interrogação - ?; exclamação - !; negação – ñ; topicalização- t.
QUADRO 7
Convenção de transcrição da LS 7
Forma em Libras Transcrição Explicação
<POR-QUE>?
As expressões não-manuais podem aparecer ao longo de
uma frase, como numa pergunta, por exemplo, ou num único termo da oração.
FIGURA 13 – Sinal <POR-QUE>?
Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL, 2001
8- Os classificadores da língua de sinais, que são morfemas usados em verbos de movimento e localização para se referir a um nome (BERNARDINO, 2006), foram representados por meio de palavras ligadas por hífen entre (< >), precedidos da sigla CL.
QUADRO 8
Convenção de transcrição da LS 8
Forma em Libras Transcrição Explicação
CL<UM-IR- EM-DIREÇÃO-
A-OUTRO>
O formato de cada mão representa uma pessoa
(ou outro referente, dependendo do contexto), e há o
movimento que representa o encontro
dessas pessoas. FIGURA 14 – Classificador <UM-IR-EM-DIREÇÃO-
A-OUTRO>Fonte: CAPOVILLA; RAPHAEL, 2001
9- Além das convenções acima expostas relativamente ao registro dos sinais, em alguns trechos, indiquei também: entre colchetes - [ ], alguns comentários ou informações contextuais; entre parênteses – ( ), sinais ou datilologia incompreensível.