1.4 Götürü Tazminatın Amacı
1.4.4 Şeffaflığın ve Hukuki Güvenliğin Sağlanması
Em linhas gerais, pode-se dizer que a noção de legitimidade está ligada à idoneidade de alguém para propor uma demanda. No campo da técnica, no entanto, a legitimidade é dividida em duas categorias distintas: legitimidade ad causam e legitimidade ad processum.
A legitimidade ad processum ou processual consiste em pressuposto de existência válida ou de desenvolvimento regular do processo e diz respeito à averiguação da capacidade das partes em integrar a relação jurídico-processual, o que envolve juízo relativo à capacidade para os atos da vida civil123, bem como averiguação referente à capacidade postulatória, relativa à aptidão para realização os atos do processo, que é exclusiva de advogado (art. 36 do CPC).
Assim, como destaca Aluisio Gonçalves de Castro Mendes, a aferição da legitimidade ad processum depende de que “a parte se encontre, na qualidade de autora, ré ou interveniente e de pessoal natural, jurídica ou judiciária, no exercício dos seus direitos ou devidamente representada ou assistida, bem como munida de advogado ou possua o ius postulandi.”124 Trata-se, portanto, de classificação que não desperta maiores controvérsias.
É na esfera da legitimidade ad causam ou substancial, conceituada tradicionalmente como a pertinência subjetiva da lide125 e classificada no direito brasileiro como condição da ação (i.e., requisito para a análise do mérito da causa), que aparecem as maiores polêmicas, principalmente diante das diversas teorias que enfrentam a natureza jurídica da legitimidade ad causam.
O enfrentamento da controvérsia, contudo, resta simplificado pelas lições de José Carlos Barbosa Moreira, que esclarece que cabe à lei definir a situação legitimante por meio da qual será possível aferir a legitimidade substancial das partes no caso concreto:
122
Os termos legitimidade e legitimação serão tratados como sinônimo no presente trabalho, muito embora se concorde com a ressalva de Donaldo Armelin, que defende que legitimação transmitiria a ideia de uma situação, o ato de legitimar, enquanto legitimidade evocaria a qualidade de estar legitimado. (Legitimidade para agir no direito processual civil brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1979, n. 4, p. 12)
123
A capacidade para os atos da vida social está disciplinada no art. 5º do Código Civil de 2002, no que tange às pessoas físicas, e no art, 40 deste mesmo diploma legal quanto às pessoas jurídicas ou entes despersonalizados.
124 Ações coletivas no direito comparado e nacional. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. (Temas atuais de
direito processual civil, v. 4), p. 239.
125
BUZAID, Alfredo, Do Agravo de petição no sistema do Código de Processo Civil. São Paulo, 1965, nº 39, p. 88.
Para todo e qualquer processo, considerado em relação à lide que por meio dele se busca compor, cria a lei, explícita ou implicitamente, um esquema subjetivo abstrato, um modelo ideal que deve ser observado na formação do contraditório. Esse esquema é definido pela indicação de determinadas situações jurídicas subjetivas, às quais se costuma chamar situações
legitimantes. [...] Denomina-se legitimação a coincidência entre a situação
jurídica de uma pessoa, tal como resulta da postulação formulada perante o órgão judicial e a situação legitimante prevista na lei para a posição processual que a essa pessoa se atribuiu ou que ela mesma pretende
assumir.”126
Assim, com base nesta concepção de situação legitimante, resta possível agrupar as diferentes teorias acerca da legitimidade ad causam em dois grupos distintos: (i) de um lado, aquelas que defendem que a legitimidade depende da titularidade da relação de direito material deduzida em juízo, sendo esta, portanto, a situação legitimante e (ii) de outro, as teorias que admitem que a titularidade do direito controvertido não seria a única situação legitimante possível.
O nosso ordenamento, no que tange ao clássico processo individual, houve por bem adotar a titularidade da relação jurídico-material controvertida como situação legitimante, consoante se extrai do art. 6º do Código de Processo Civil, que estatui: “Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado pela lei”.
Todavia, como se pode inferir da parte final do referido dispositivo legal, admite-se, excepcionalmente, a legitimação daquele que não for titular do direito controvertido, ou seja, que não se adeque à situação legitimante padrão, desde que haja expressa autorização legal.
É neste sentido que se diz, portanto, que “quando a situação legitimante coincide com a situação deduzida em juízo, diz-se ordinária a legitimação; no caso contrário, a legitimação será extraordinária.”127
Considerando, portanto, que a legitimação extraordinária é fenômeno por meio do qual alguém expressamente autorizado por lei vem a juízo, em nome próprio, defender direito alheio, entende a doutrina majoritária que esta espécie de legitimação equivale à substituição processual128, de modo que o substituto participará de processo cujos efeitos serão produzidos na esfera jurídica do substituído.129
126
BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Apontamentos para um estudo sistemático da legitimação extraordinária. Revista dos Tribunais, São Paulo, v. 404, jun.1969, p. 9.
127 Cf. ROCHA, Luciano Velasque. Ações coletivas – O problema da legitimidade para agir. Rio de Janeiro:
Forense, 2001, p. 10.
128
Cf. ARMELIN, Donaldo. Legitimidade para agir no direito processual civil brasileiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1979, p. 132; DINAMARCO, Cândido Rangel. Fundamentos do processo civil moderno. 5.ed.
José Carlos Barbosa Moreira, contudo, é um dos que discordam desta posição, eis que, no seu entender, a substituição processual apenas terá lugar quando se tratar de legitimação extraordinária autônoma exclusiva, i.e., quando o legitimado extraordinário pode agir em juízo com total independência em relação ao legitimado ordinário e quando apenas o legitimado extraordinário pode defender o direito em juízo como parte principal, cabendo a atuação do legitimado ordinário apenas como assistente.
Além da previsão legal expressa, a substituição processual ou legitimidade extraordinária depende da existência de um vínculo entre a situação jurídica do que vem à juízo e aquele que é substituído ou mesmo um interesse próprio do substituto.130
Conforme magistério de Antonio Carlos de Araújo Cintra, é justamente este interesse próprio do substituto que o autoriza a vir a juízo na defesa de direito alheio: “a legitimação do substituto processual decorre da existência de um seu interesse material cuja satisfação depende da satisfação do interesse material litigioso do substituído”.131
Este interesse próprio do substituto que lhe acarreta a atribuição de legitimação para agir, também revela a desnecessidade de autorização ou anuência do substituído, pois, apesar de o substituto postular a tutela de um interesse alheio, visa através deste a proteção de um interesse material próprio.132
É o caso, portanto, da hipótese do art. 42 do Código de Processo Civil, em que aquele que alienou o bem litigioso continuará sendo parte legítima no processo, muito embora não seja mais o titular do direito material envolvido.
São Paulo: Malheiros, 2002 t.2, p. 228 e THEODORO JÚNIOR, Humberto. Direitos do consumidor. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 111; CINTRA, Antonio Carlos Araújo. Estudo sobre a substituição processual no direito brasileiro. Revista dos Tribunais, 438, abril.1972, p. 27: “[...] realmente, é ela uma legitimação
substitutiva, no sentido de que o substituto se põe no lugar do substituído para afirmar a mesma pretensão deste” 129 Cf. BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Apontamentos para um estudo sistemático da legitimação
extraordinária. Revista dos Tribunais, São Paulo, v. 404, jun.1969, p. 10: “O legitimado ordinário deve encontrar na sentença a disciplina de sua própria situação; o legitimado extraordinário, a disciplina de situação alheia, talvez suscetível de repercutir na sua.”
130 Cf. ROCHA, Luciano Velasque. Ações coletivas – O problema da legitimidade para agir. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 116: “Não se ignora, contudo, que haja uma relação jurídica entre substituto e o substituído na
maior parte dos casos – ou ao mesmo um interesse na tutela de pretensão alheia, já que é em atenção a esta
relação jurídica ou em atenção a este interesse que o legislador legitima o substituto.”
131 CINTRA, Antonio Carlos Araújo. Estudo sobre a substituição processual no direito brasileiro. Revista dos
Tribunais, 438, abril.1972, p. 26. Deve-se destacar, no entanto, que será objeto da ação apenas o interesse material do substituído.