• Sonuç bulunamadı

3.4. Finansal Liberalizasyonun Ekonomik Büyümeyi Etkileme Kanalları

3.4.1. Doğrudan Kanallar

3.4.1.1. Yurtiçi Tasarruf Hacmindeki Artış

É freqüente na literatura falar apenas da relação médico-paciente, como sendo de extrema relevância no processo de adesão ao tratamento (Edelmann, 2000; Helene, 2003; Jardim, 2001; Pierin, 2001; Vigil, 1999). Para esses autores, o relacionamento que se estabelece entre o médico e seu paciente pode ser a base de sustentação para a efetividade do sucesso no tratamento. Esta é uma posição que traz em seu bojo toda uma carga histórica, cultural e ideológica, que tem o médico como o único detentor do saber sobre os processos de enfermidade e suas formas de cura, fruto da hegemonia do modelo biomédico (Traverso-Yépez, 2001a).

Além disso, Oigman (2001) destaca a tendência do médico em fazer seu julgamento clínico quase que exclusivamente sobre o valor medido da pressão arterial. Se constatar falha ou sucesso terapêutico (ou seja, a pressão do seu paciente baixou ou não), decide entre as opções: 1) continuar o tratamento; 2) aumentar a dose do medicamento; 3) atenuar o tratamento; 4) suspender o tratamento. Desta forma, se o nível esperado de pressão foi atingido, o regime terapêutico é mantido. Havendo a permanência da pressão arterial em níveis elevados, o médico aumenta a dose do medicamento, substitui este por outro ou o associa com outro mais potente. Por fim, se a pressão estiver muito baixa, ele diminui a medicação ou pode até suspendê-la. Tal raciocínio assume que o principal determinante da pressão arterial é a eficácia e a potência do remédio. E os outros fatores de risco? É uma pessoa estressada? Está com problemas na sua vida familiar e/ou social? Está com dificuldades de manter a dieta? Tem realizado atividades físicas? Que outros fatores, além da medicação, podem estar impedindo a eficácia desse tratamento no caso das pessoas cuja pressão continua elevada?

Como já foi discutido, o processo do adoecer – e da hipertensão mais concretamente – é bem mais complexo, não se limitando apenas ao surgimento de uma patologia em dado organismo, da mesma forma que a eficácia de um tratamento não consiste apenas na tomada da medicação e sua ação sobre o organismo doente.

Sendo a saúde um processo multidimensional, é necessária a presença de diferentes profissionais: médico, nutricionista, psicólogo, assistente social, educador físico, enfermeiro, entre outros, como já foi citado neste trabalho, trabalhando em função da pessoa que está com uma enfermidade e não da doença (Jardim, 2001; Labbadia & Cury, 1996 e 1997; Ortega, Nobre & Mion Jr, 2001). Em um trabalho realizado em equipe, existem condições de atender melhor essa complexidade, na medida em que os diferentes profissionais podem ajudar o médico na melhor condução terapêutica ao dar informações sobre a pessoa, respondendo à maioria das perguntas citadas acima. Quando isto acontece, esta pessoa percebe que há um real interesse da equipe por sua vida, pelo seu tratamento. Isto é mais do que perguntar sobre como se manteve a pressão durante os últimos dias, medi-la, e se o remédio foi tomado. Contudo, a tendência atual é a utilização de programas que tratam todas as pessoas portadoras de hipertensão de uma mesma forma, com a mesma comunicação unilateral – tipo palestras – cronograma e a mesma técnica de atenção, sem observar diferenças individuais (pessoais, culturais e econômicas) e sem ouvir a opinião do indivíduo.

Além disso, Mercado et al (2002) apresentam uma preocupação: a própria visão dos profissionais de saúde acerca do processo saúde-doença. De acordo com estes autores, a ótica dos profissionais pode remeter mais à enfermidade, do que às pessoas que estão com uma doença, podendo se perceber isso ao se ver constantes referências aos pacientes, enfermos, diabéticos, hipertensos, asmáticos, entre outros termos muito usados na prática médica. O ideal é que cada profissional tenha a preocupação de

entender as pessoas que possuem uma doença, como atores sociais, indivíduos ou pessoas que, entre outras coisas, convivem com uma enfermidade incurável.

Como já foi colocado no início deste capítulo, desconsidera-se o fato de que cada ser humano tem seu próprio conceito sobre o que é ter saúde e o que deve e quer fazer com a sua vida, algo que somente a própria pessoa pode avaliar, informar e conduzir. Portanto, é vital para uma boa adesão ao tratamento, um processo que envolva a participação efetiva da pessoa que tem a doença com a equipe, construindo juntos o melhor caminho a ser traçado, desde a discussão sobre o que é ter hipertensão, até que atitudes ela – a pessoa – deve, pode e quer tomar.

Jardim (2001), Pierin (2001) e Traverso-Yépez (2001b), colocam que a participação ativa do indivíduo, opinando quanto ao tratamento proposto, é considerado como elemento positivo da adesão. Baseadas nisso, Sadala & Mendes (1996) desenvolveram uma pesquisa qualitativa, visando compreender os significados atribuídos pelas pessoas com hipertensão à convivência com sua doença, com o objetivo de implementar um programa de assistência para elas. Esse programa seria baseado no estabelecimento de uma comunicação eficiente entre os profissionais da equipe e as mesmas.

Nessa concepção, portanto, torna-se necessário compreender o adoecer da pessoa, a sua história pessoal, seu estilo de vida, dinâmica familiar, relações sociais, tensões e conflitos intra e inter pessoais, transtornos emocionais, situações estressantes de vida e sua forma pessoal de reagir a isso, recursos financeiros disponíveis para uma boa alimentação e aquisição de remédios, etc.

Para Edelmann, (2000), a adesão diminui quando a equipe se interessa em fazer perguntas direcionadas apenas para o tratamento, perguntas essas já previamente elaboradas ou quando se restringem ao uso de técnicas de exame clínico; no entanto,

ocorre uma significativa melhora na adesão quando os profissionais da equipe perguntam aos portadores de hipertensão sua opinião, sugestões e evidenciam atitudes que apontam o interesse por compreender o seu processo de adoecer.

Se a equipe toda tem uma boa disposição para a escuta e possui interesse genuíno no discurso e história de vida da pessoa que adoece, os membros da equipe conseguirão também prever onde estarão as dificuldades dessa pessoa e dar melhor apoio no que concerne às mudanças de hábitos de vida e adesão satisfatória ao tratamento.

Em suma, um relacionamento de participação entre equipe e pessoa que possui uma doença crônica como a hipertensão, parece tornar a adesão mais bem sucedida, isto é, a pessoa tem um sentimento de participação ativa no seu programa de tratamento. A informação apropriada conduzida de forma empática, o interesse genuíno pelos problemas que a cercam, o sentimento de estar sendo apoiada e entendida, pode servir para aumentar em muito os índices de adesão ao tratamento.

5 – O PERCURSO METODOLÓGICO: COMPREENDENDO O