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3. TÜRKİYE’DE BUĞDAY PİYASASI VE TMO

3.2. TMO’nun Piyasadaki Rolü

3.2.2. TMO’nun ürün alım politikası

Cerca de 97,61% dos agricultores entrevistados nunca tiveram acesso a outros programas de crédito agropecuário antes do Pronaf. Os agricultores que relataram já ter tido acesso a outros programas de crédito dizem não se lembrarem como eram as regras de acesso a estes. Lembram-se apenas que foi na década de 1980 e os recursos eram destinados à aquisição de adubos químicos para utilizar na plantação de fumo. Tais re- cursos também eram obtidos junto ao Banco do Brasil.

Eu tive um financiamento pra compra de adubo pro fumo, mas já faiz muito tempo. Eu nem lembro como era não. Só lembro que era no Banco do Brasil e que era pra comprar adubo. Na época era bem difícil de conseguir era pra pou- co produtor. Não era igual o Pronaf não. Meus vizinho tudo tem ou já teve Pronaf, esse outro empréstimo não. Também, naquele tempo, era pouca gente que tinha corage de pegá dinheiro emprestado em banco (A. F. 8).

Os dados dessa pesquisa informam que há uma nítida concentração de contratos na modalidade Custeio, atingindo 61,90% dos contratos, na amostra analisada. O volu- me de contratos de Investimentos soma 11,90 % e, ambas as modalidades respondem por 26,2% dos contratos.

De acordo com Pereira (2000), o crédito para investimento é necessário para que os agricultores possam dar continuidade ao processo produtivo em suas propriedades. Em muitas situações há carência de infra-estrutura necessária à execução das atividades. Contudo, 11 agricultores, (26,20% dos entrevistados), não desejam ampliar suas dívidas buscando mais recursos tendo em vista que têm receio de investir em condições para produzir e depois demorar a recuperar o valor investido.

      

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Agricultor familiar que concilia renda das aposentadorias (dele e de sua esposa) com os recursos do Pronaf para investir na propriedade..

Entre os onze (11) agricultores que são beneficiários de ambas as modalidades (Custeio e Investimento), quatro deles afirmam que pretendem renovar apenas o Pronaf Custeio porque este atende melhor as suas necessidades e apresentam riscos menores de endividamento porque o volume de crédito é menor, embora o prazo de um ano para renovar o contrato seja considerado pequeno por alguns agricultores.

As principais razões que levam os beneficiários a ter pretensões de renovar o contrato do Pronaf estão os juros baixos e, para alguns, a facilidade de acesso aos recur- sos. Do total, cerca de 88,01% dos agricultores desejam renovar os contratos pelo tempo que o banco permitir65.

Todos os agricultores entrevistados têm outras formas de interação com o Banco do Brasil, por isso, reconhecem que os juros do Pronaf são realmente atrativos quando comparados com outras modalidades de empréstimos oferecidos pelas instituições ban- cárias.

Curiosamente, três agricultores afirmam que, caso não seja preciso aplicar os re- cursos nas atividades rurais, o valor poderá ser aplicado em uma caderneta de poupança e servir como uma reserva de capital para a família frente a uma situação de emergên- cia.

Eu ia desistir do Pronaf, mas depois eu pensei: o juro é barato. Por enquanto resolvi mantê o empréstimo só que como não to precisando gastá, vou deixar ele no banco, na poupança mesmo. Não dá prejuízo não. O juro que ela rende é maior do que o que é cobrado no Pronaf. Se precisar de dinheiro, numa emer- gência, com a família ou a propriedade eu gasto desse dinheiro (A. F. 4).

Dentro do universo pesquisado pode-se ver agricultores que desejaram desistir do Pronaf, mas foram convencidos a permanecerem com os contratos por pelo menos mais um ano aplicados em cadernetas de poupança tendo em vista que os rendimentos obtidos nesta aplicação são suficientes para pagar os juros anuais do Pronaf. Outra su- gestão dada a um destes beneficiários foi que o mesmo investisse em equipamentos no- vos para os tratores, cujo aluguel das máquinas rapidamente pagaria o investimento.

Eu ia desistir mais no banco me fizeram vê que era melhor ficar com o dinhei- ro. Mesmo que fosse só pra guardar ele no banco ou comprar alguma coisa se os trator precisasse (A. F. 4).

      

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Nas entrevistas dos agricultores familiares que não desejam renovar o contrato do Pronaf , os argumen- tos que justificam essa postura são as exigências do banco em relação a documentos impossíveis de serem obtidos e a adesão a seguro de vida cujo valor extrapola o orçamento de muitos agricultores.

Entre os agricultores que não desejam renovar os contratos do Pronaf estão a- queles que tiveram os maiores problemas relatados em seus investimentos. Neste uni- verso pesquisado, existem três situações de inadimplência confirmada. São agricultores familiares menos capitalizados que canalizaram os recursos para uma única atividade e não obtiveram desta o retorno financeiro esperado. Em uma das situações, o investimen- to foi realizado na pecuária leiteira e, as duas outras, em cultivo de olerícolas. Estes a- gricultores encontram-se em uma situação muito delicada porque de imediato não têm como quitar seus débitos e também não é possível continuar a exercer as atividades ru- rais. O caminho encontrado por eles foi procurar emprego na cidade e tentar, posterior- mente, encerrar suas dívidas junto ao Banco do Brasil. Nestas situações de inadimplên- cia, nenhum dos beneficiários do Pronaf é proprietário das terras onde aplicaram os re- cursos. Dois deles trabalhavam nas terras do pai e o terceiro, era arrendatário da área onde cultivava.

A falta de retorno financeiro nos investimentos realizados também é citada por todos os agricultores que não pretendem renovar os contratos do Pronaf. Dois destes relatam que a política de crédito é uma conquista muito importante para o agricultor familiar, no entanto, somente crédito não resolve o problema do agricultor. “Nosso mai- or problema não é produzir. É vender a produção, tirar a despesa e sobrar o lucro. Isso não tem acontecido e ficamos endividados”66.

As incertezas relacionadas à comercialização da produção é uma realidade para o agricultor familiar tocantinense, pois, o município não dispõe de nenhum órgão como secretaria da agricultura ou outro que pudesse intervir neste aspecto. A produção de olerícolas, por exemplo, é muito expressiva no município, porém, a venda destes produ- tos é realizada individualmente por cada produtor no campo para os chamados “atraves-

sadores67”. São estes que estabelecem valores para cada mercadoria. Muitas vezes os

preços não cobrem sequer os custos de produção causando grandes prejuízos para os agricultores. Não tendo outra forma de comercializar a produção, os agricultores ven- dem no campo as mercadorias deixando o lucro que poderiam ter nas mãos dos atraves- sadores.

      

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Relato de um dos agricultores familiares inadimplentes. 67

O termo atravessadores aqui é utilizado para designar os comerciantes que compram mercadorias no campo a preços geralmente abaixo do valor real e revendem esses produtos nos CEASAs e nos comércios em geral.

Indagados sobre porque os mesmos não negociam as mercadorias nos centros de comercialização, a resposta foi: “em tempos de colheita é muito difícil uma pessoa des- locar duas ou três vezes por semana para Juiz de Fora, Barbacena ou Belo Horizonte para levar mercadoria para vender. Além disso, é difícil entrosar no mercado, escolhê bons fregueses. Tem muita dificuldade”. Muitos agricultores desvencilham completa- mente as funções de produção daquela de comercialização.

A mesma questão foi feita aos representantes da Emater e do STR e as respostas foram: afirmaram que é possível alterar este quadro desde que haja confiança e partici- pação dos agricultores. A idéia deles é fundar uma associação para comercializar con- juntamente a produção de olerícolas a preços de mercado, ou delegar essa função para a ASPRUT, assim que esta associação estiver plenamente estruturada. É um grande desa- fio, enfim.

5.5. Valor dos contratos, prazos de renovação dificuldades enfrentadas para se