1. OTOMOTİV SEKTÖRÜNE İLİŞKİN KAVRAMSAL YAKLAŞIM VE İLGİLİ
1.4. OTOMOTİV SEKTÖRÜNDE ARTAN REKABET VE ETKİLERİ
1.4.4. Teknoloji ve Kapasite Kullanımı Politikası
Até o início da década de 1960, a produção industrial do estado do Ceará estava voltada para o setor primário e para as tradicionais indústrias têxteis, alimentícia e química, que eram beneficiadas pela matéria-prima existente no interior do estado. A partir de 1963 vários planos foram implantados voltados na criação de infraestrutura. Entre eles destacaram-se:
- 1963 o Plano de Metas Governamentais – PLAMEG;
- 1967 e 1971 o Plano de Ação Integrado do Governo – PAIG;
- 1971 a 1974 o Plano do Governo do Estado do Ceará – PLAGEC;
- 1974 a 1979 o Plano de Desenvolvimento do Ceará – PLANDECE;
- 1979 a 1983 o II Plano de Metas Governamental - II PLAMEG;
- 1983 a 1987 o Plano Estadual de Desenvolvimento – PLANED;
No Ceará tem dois momentos bastante característicos: as décadas de 1960 -1970 época dos coronéis e o período pós 1987 governo de mudanças. Nos dois períodos houve incentivos a industrialização porém, de forma diferente. Tende-se a imaginar que só no governo de mudanças houve a questão do incentivo a industrialização, no entanto quando há uma discussão maior sobre o desenvolvimento no Ceará dentro do Nordeste, a SUDENE privilegiou os estados com mais oportunidades. Dentro do Nordeste os estados mais privilegiados com a SUDENE foram a Bahia e o Pernambuco.
O estado do Ceará tenta criar instrumentos próprios como forma de suprir essa falta de interesse do capital, tanto que as empresas do Ceará são mais de capital local do que da Bahia e Pernambuco. Essa própria distancia do Ceará em relação a Bahia e Pernambuco fizeram com que o Ceará tivesse uma perspectiva diferente em termos de empresariado. Esses tomam o poder político a partir de 1987 como forma de tentar implementar um programa para trazer benefícios para essa classe. A partir desse período do governo de mudanças houve um outro tipo de incentivo, em outro contexto econômico o da pré abertura da economia brasileira e do estabelecimento das políticas neoliberais.
Dessa forma, além da abertura comercial como fator catalisador ou atrator do capital houve as políticas de incentivos fiscais implementadas pelos estados notadamente a partir da metade da década de 1980.
Na década de 1990, a economia nordestina expandiu seu parque industrial através de políticas fiscais adotadas principalmente pelo Ceará e Bahia, atraindo indústrias tradicionais dos setores têxteis, vestuário e calçados. Dessa forma, a oferta de empregos elevou-se devido aos setores tradicionais da indústria ser intensiva em mão de obra. Vale salientar que até 2002 a questão dos incentivos fiscais no Ceará foram muito forte
O incentivo fiscal foi de grande relevância para a industrialização do estado do Ceará em todos os planos econômicos anteriormente citados. Através das novas propostas de investimentos em infraestrutura, enxugamento da máquina estatal, ajuste fiscal e desenvolvimento da indústria, o Ceará vinha empreendendo esforços contínuos para a transformação de sua estrutura econômica. Essas alterações refletiram-se nos níveis de empregos e tamanho médio das empresas, pois houve surgimento de novas grandes e médias empresas ao longo dos anos operando no Ceará. Essas alterações econômicas têm se evidenciado nos anos mais recentes (SOARES, 1998). Assim:
A reestruturação produtiva do Ceará é consequência de uma política industrial baseada em incentivos fiscais predominantemente sustentados pelo governo estadual, que tem como marco determinante a criação de vantagens fiscais e de infraestrutura em conjugação com investimentos e recursos federais em projetos de acordo com a política nacional de fomento aos eixos de desenvolvimento econômico e social (MACAMBIRA e CARLEIAL, 2009, p. 182).
Promover a atração de novos e diversificados investimentos industriais para o estado do Ceará esteve entre os objetivos dos planos de desenvolvimento econômico dos governos cearenses, normalmente com o intuito de produzir uma reestruturação produtiva na economia local para, desse modo, engendrar-se uma mudança na economia do estado.
O setor industrial era entendido como elemento-chave para o desenvolvimento. A criação do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará - FDI, em 1979 no Governo de Virgílio Távora, foi uma estratégia gerida com o objetivo principal de dotar o Ceará de um aporte legalizado que viabilizasse o incentivo a industrialização (CEARÁ, 1979).
Conforme Irffi, Nogueira e Barreto (2009) as principais políticas adotadas pelo Governo do Estado do Ceará foram as de incentivo à industrialização, via FDI, que destacam-se pela isenção e prorrogação de impostos (incentivos fiscais), no intuito de dar apoio à implantação, modernização, realocação e ampliação de empresas industriais consideradas fundamentais para o desenvolvimento. Desde a criação do FDI, foram necessárias alterações nos mecanismos de incentivo operado por esta política no Ceará, devido às diferenças econômicas existentes entre os municípios da rede metropolitana de Fortaleza e os localizados fora desta região.
As fases mais importantes do FDI desde sua criação foram:
1) 1979 a 1995 – A concessão maior de impostos era dada às indústrias que se
instalasse no interior do estado, não sendo relevante a que distância estas estivesse da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e nem a que setor estas empresas pertencia. O benefício era da ordem de 75% para as empresas que se instalassem no interior do Estado e de 60% para as que se instalassem na RMF. Todas as empresas tinham 36 meses de carência;
2) 1996 a 2001 – São estabelecidos novos critérios para concessão fiscal, em que as empresas mais favorecidas seriam aquelas que se instalassem mais distante da RMF. Os
valores e benefícios continuavam os mesmos adotados até então, com o diferencial apenas no tempo em que a empresa passava a dispor do benefício. A intenção era intensificar a interiorização dos investimentos industriais e o desenvolvimento espacial desconcentrado;
3) 2002 – O FDI passou por uma nova reformulação. A nova visão centra-se na integração produtiva com foco na dinâmica industrial. Nesse período foi criado o Centro de Estratégia de Desenvolvimento (CED), com a missão de identificar as cadeias produtivas presentes no estado e remodelar a política industrial. Os municípios foram identificados pela quantidade de polos formados por cadeias produtivas, os quais seriam beneficiados por incentivos à produção. Dentre eles se destacam: os municípios da RMF, Sobral, Itapajé, Canindé, Quixeramobim, Iguatu, Juazeiro do Norte, Tauá, Bela Cruz, Morada Nova e Crato (PONTES et al, 2006).
As indústrias mais beneficiadas seriam:
a) Indústria estruturante (siderurgia, refinaria e energias alternativas), inclusive a indústria de bens de capital;
b) Indústria de bens de consumo finais e seus componentes (cadeia couro-calçadista, de móveis, têxtil, eletroeletrônica e metal-mecânica;
c) Indústria de alta tecnologia, ou indústria de base tecnológica (empresas pertencentes a cadeias de biotecnologia, farmo-química, tecnologia da informação, etc;
d) Indústria de reciclagem e agroindústria.
A justificativa para escolha desses segmentos estava no fato de induzirem a instalação de outras empresas industriais do estado, por provocarem impactos positivos sobre a produtividade de outros setores, por gerarem produtos e serviços de alto valor agregado, gerarem efeitos positivos sobre a ocupação e renda, entre outros fatores (CEARÁ, 2002).
4) 2003 – Esta nova política industrial obedece a critérios de seletividade mais profunda e traz um diferencial. Embora continue levando em consideração a localização geográfica da empresa, nessa fase, observa-se como muito relevante o fator setorial, com o intuito de melhorar o conjunto de vantagens locacionais de segmentos e setores industriais afetados por algumas insuficiências estruturais, geradas por falhas de mercado e de políticas federais destinadas a promover o desenvolvimento regional (DIÁRIO OFICIAL, 2003)
Merecem destaque alguns incentivos que colaboraram para a promoção da atração de investimentos para o Ceará, são eles:
- Incentivo à infraestrutura: doação de terrenos, rede de comunicação, sistema de tratamento de esgoto, etc;
- Finor: concede benefícios a pequenos, médios e grandes empresas mediante incentivos fiscais e financeiros;
- Linhas de crédito: instituições como Banco do Estado do Ceará (BEC), Banco do Brasil (BB), Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), auxiliam as empresas concedendo- lhes empréstimos e assistência geral (CEARÁ, 2003). Conforme Beserra (2006, p. 12),“o BNB apresenta-se na região como um financiador de projetos com diversas linhas de crédito. Em parceria com o Governo Estadual e com agências de fomento do Governo Federal atuam diretamente na promoção e no incentivo dos projetos industriais”.
Dias, Holanda e Amaral Filho (2003) evidenciam que ainda nessa fase de industrialização foi criado um sistema de pontos, em que o valor da pontuação máxima do critério era: volume de investimentos que representava 13 pontos; setores e cadeias produtivas valendo 8 pontos; geração de empregos 12 pontos; aquisição de matérias- primas e insumos no Ceará 7 pontos; localização geográfica 6 pontos e finalmente a responsabilidade social 4 pontos. Foi estabelecido que o incentivo mínimo fosse 25% para zero ponto e o máximo de 75% para 50 pontos. Cada ponto obtido pela empresa equivalia a 1%.
Com o FDI, no período de 1995 a 2003, os investimentos para interior do estado foram da ordem de R$ 1.453.027.753,80 com atração de 190 empresas e 40.093 empregos diretos. Os principais setores contemplados com esses investimentos foram o coureiro-calçadista, metal-mecânico, alimentício, têxtil e de confecções (DIAS, HOLANDA e AMARAL FILHO, 2003).
Essa nova política vem garantindo a instalação de alguns investimentos nos municípios do interior do estado, como pode ser confirmado pela ampliação de investimentos industriais em Sobral e no Crato e na abertura de importantes fábricas de calçados em municípios como Russas, Iguatu, Morada Nova, Itapagé, entre outros.
Com a implementação dessas políticas o Ceará saiu na frente nas disputas pelos investimentos. Foi um dos estados nordestinos mais bem sucedidos na atração de indústrias para o seu território na década de 1990. Vale salientar que essas políticas de incentivos fiscais implementadas pelo Governo do Ceará, notadamente a partir da segunda metade da década de 1980, bem como o processo de desconcentração industrial
do Sul e Sudeste favoreceram o aumento do número de indústrias em todo o estado do Ceará.
A atração dessas indústrias para o estado do Ceará tem gerado muitos debates. Um deles foi que embora tenha aumentado a demanda por trabalhadores, muitas vezes essa procura recai sobre atividades de baixa renda. O fato é que os ganhos poderiam ser mais significativos.
Para Santos (1994) as realidades regionais são diferentes e o peso relativo das aglomerações na população total e na população urbana de cada região é um reflexo da história passada e recente de cada uma delas. O processo de desenvolvimento econômico está associado com a distribuição da população entre os vários espaços. Assim, como as cidades de portes diferentes crescem durante esse processo? Muitos são os fatores envolvidos nessa dinâmica, tais como melhor suporte de infraestrutura urbana, oferecer os melhores serviços à população, decisões de políticas públicas tornando aquele município mais ou menos atrativo, implantação ou transferências de firmas que promovem a criação de empregos e elevam a compra de bens e serviços locais influenciando na atração de mais firmas e pessoas.
Para Pereira (2008) a estrutura das diversas atividades econômicas, em especial a indústria, ocorre simultaneamente ao crescimento demográfico e econômico do município, exercendo uma notável urbanização para a cidade. A indústria interfere no espaço urbano. A indústria transforma o espaço urbano através da criação de infraestrutura e instituições de apoio e suporte à industrialização. As infraestruturas de água, energia, comunicações e estradas, investimentos do Estado, dão suporte à atividade industrial, estimulando o desenvolvimento urbano e modificando o espaço urbano.
Com a reestruturação produtiva, as cidades médias estavam mais articuladas em uma ampla rede. Atraindo fábricas de empresas nacionais e multinacionais, ampliando e diversificando o fluxo de pessoas, produtos e informações. Essas firmas decidiram aportar seus investimentos em determinadas localidades buscando minimizar custos de transportes, custos com mão de obra e tantos outros possíveis, consequentemente atraindo principalmente populações interioranas.