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2. OTOMOTİV SEKTÖRÜ FİNANSMANI, SATIŞLARA ETKİLERİ VE TEORİK

2.5. OTOMOTİV SATIŞLARINI ETKİLEYEN FAKTÖRLER VE İLGİLİ LİTERATÜR

2.5.5. Enflasyon ve Otomotiv Satışları

representativa com traços de democracia direta, outro traço do sincretismo de Unger, que rejeita a opção entre esses dois tipos de democracia, a primeira identificada com um Estado afastado das massas populares, ou o que Marx nomeia de Estado Burguês, e a segunda com a experiência fracassada dos Soviets, que Poulantzas (2000, p. 257) descreve como um processo de contínua paralisia após a dissolução, por Lênin, da Assembleia Constituinte eleita em 1917, pois “sem eleições gerais, liberdade de imprensa e de livre reunião, de livre debate de idéias, a vida esvai-se de toda a instituição politíca e só triunfa a burocracia”, praticamente a mesma conclusão de Trotsky (1980). Para Unger e Poulantzas, a democracia representativa deve conviver com a democracia direta, embora o objetivo do último fosse o socialismo democrático (POULANTZAS, 2000, p. 266), enquanto que, para o primeiro, o objetivo é uma economia de mercado que seja mais includente, pluralista e experimental, uma síntese entre as tradições liberais e as tradições radicais de esquerda (UNGER, 1999, p. 216; CUI, 2001, p. 7).

2.5.2 O perigo do desinteresse na política democrática

Para Unger (1999), é preciso um grande esforço para que a democracia de fato se aprofunde em todos os setores da sociedade, o que vai desde a reforma das regras eleitorais, passando pelas instituições que irão gerir o investimento em pequenas e médias empresas, ou a política de empregos que será abordada nesta dissertação, até a sindicalização automática de todos os trabalhadores. Esse é o tema deste subitem, a importância do engajamento cívico e democrático dos cidadãos como tarefa imprescindível ao sucesso do ED.

A obrigatoriedade de comparecimento dos cidadãos às reuniões dos seus sindicatos, associações de bairro ou escolas seria um alicerce importante nesse aumento deliberado e democrático do engajamento cívico do cidadão. Dessa forma, o aumento dos direitos do cidadão que o ED defende como a conta de dotação social28 seria compensado com o aumento dos deveres cívicos do cidadão. Esses dois eixos propiciariam a emancipação do cidadão e da cidadania. O problema que se coloca é: serão tais medidas suficientes para despertar o interesse do cidadão em participar ativamente da política?

Como observa Teixeira (2010), a ciência política dominante falhou em não produzir um entendimento adequado, por parte da sociedade, das estruturas institucionais da política. A

28 A conta de dotação social parte do princípio experimentalista de que os cidadãos devem herdar da sociedade e

não da família. Assim, cada cidadão teria o direito a essa conta a qual poderia ser sacada em momentos cruciais de sua vida, como a aquisição de casa própria ou pagamento de despesas com educação latu sensu. Essa conta seria abastecida com o imposto sobre as heranças familiares.

ideia geral é que a descrença na política resulta da sua própria natureza e de sua impotência. Seria o desfecho de um histórico aprendizado humano com o processo custoso e demorado de repartição de custos e recursos que a política democrática tem por objetivo realizar.

Para Schumpeter (1983), a democracia só pode ser um método ou um procedimento de escolha dos líderes. A democracia não tem nenhum valor intrínseco ou normativo. O cidadão não é plenamente educado, nem informado e nem politizado adequadamente. Hipervaloriza o curto prazo, o único que lhe é visível. Mesmo assim, é chamado a opinar sobre o que não entende e julgar o que desconhece29.

Reagindo a esse contexto, Unger (2001) tem como pressuposto básico a visão acerca do que define o impulso vital de toda ordem social. A sociedade constitui uma espécie de campo de relacionamento no qual agregados sociais, como instituições, têm suas formações garantidas pela regularidade, porém não infinitamente. A sociedade é como algo em permanente formação30.

Assim, Unger enxerga a energização da democracia como meio de viabilizar a formação de novos processos. Esta se daria pelo aquecimento institucional da política, tanto na base (ou de baixo para cima, com as medidas elencadas no primeiro parágrafo deste item), quanto pelo topo (de cima para baixo), já que o desinteresse pela política se dá em grande parte pela crença de sua inutilidade.

O uso frequente de plebiscitos, referendos e eleições antecipadas, com a parlamentarização do presidencialismo e seu enriquecimento com traços de democracia direta, aqueceria a temperatura institucional da política. Nas palavras de Unger (1999, p. 208):

Um estilo constitucional projetado para acelerar a política e favorecer a prática repetida e freqüente de reforma básica deveria combinar um forte elemento plebiscitário com uma ampla faixa de canais para a representação política da sociedade. Por exemplo: um parlamento forte coexiste com um presidente eleito em pleito direto, com substanciais poderes de iniciativa política. [...] O objetivo é acelerar o experimentalismo democrático, facilitando a prática repetida da reforma radical: mudança nas instituições e práticas formadoras da sociedade, bem como das crenças estabelecidas nas quais elas estão inseridas.

29 “Dessa forma, o cidadão típico desce a um nível inferior de desempenho mental tão logo entre no campo

político. Ele argumenta e analisa de uma maneira que prontamente seria reconhecida como infantil dentro da esfera de seus reais interesses. Ele torna-se novamente um selvagem” (Schumpeter, 1983, p. 328).

30 “... o movimento browniano da vida social – o surgimento da oportunidade desestabilizadora a partir de

método de estabilização-oferece a ocasião para influências que deem forma à mudança de contexto. Essas influências, trabalhando em conjunto ou em oposição, respondem por uma possibilidade notável. Contextos (…) variam quanto à força com que aprisionam as pessoas que se movem dentro dele” (UNGER, 2001 apud TEIXEIRA, 2010, p.11).

O pressuposto central é de que uma elevação na temperatura da política é indispensável para a aceleração do ED em todos os campos da vida social. Essa elevação não é um fato natural de uma sociedade, cultura ou região, e sim uma característica social extremamente sensível às regras e mudanças da política.

Nesse ponto, Unger distancia-se de Schumpeter (1983), pois o primeiro enxerga a democracia como um valor e um fim em si mesmo e defende a energização da democracia em todos os setores e camadas da sociedade (escola, trabalho, família), o que Bobbio (1987) caracteriza como democracia social. Já para Schumpeter (1983, p.304):

A democracia é um método político, ou seja, certo tipo de arranjo institucional para se alcançarem decisões políticas [...], portanto não deve ser um fim em si mesma, não importando as decisões que produza sob condições históricas dadas.

Para Unger (1999), medidas como o financiamento público de campanhas eleitorais, expansão do livre acesso dos meios de comunicação para todos os partidos políticos e movimentos sociais, multiplicação das formas de propriedade sobre os meios de comunicação, voto obrigatório, sistema eleitoral com voto em lista fechada e representação proporcional são eficientes para elevar a temperatura da politica.

Essas regras energizantes da democracia devem possibilitar um sistema com partidos fortes e programas definidos que, juntamente com os movimentos sociais organizados, devem ser os agentes de propostas de mudanças institucionais e estruturais cumulativas e continuadas, onde a única rotina é a busca pela inovação (UNGER, 1999).

Objetiva-se a correta interpretação da causa democrática, que segundo Unger (1999), consiste no esforço permanente para identificar e conceber estruturas, inovações e métodos que aproveitem o cruzamento potencial entre as condições do progresso material e as de emancipação do indivíduo, avançando nessa área de coincidência ao generalizar o experimentalismo na vida social e cotidiana.