1. OTOMOTİV SEKTÖRÜNE İLİŞKİN KAVRAMSAL YAKLAŞIM VE İLGİLİ
1.3. TÜRK OTOMOTİV SEKTÖRÜ
1.3.3. Türk Otomotiv Sektörünün SWOT Analizi
1.3.3.4. Tehditler
No pós-segunda Guerra Mundial o sistema capitalista organizou-se produtivamente a partir do sistema fordista-taylorista de produção nos países desenvolvidos. Para Cattani (1997), o fordismo não se confunde com o taylorismo. Este último caracteriza-se pela intensificação do trabalho, tendo como objetivo eliminar os movimentos inúteis através da utilização de instrumentos de trabalho mais ajustados à tarefa. O fordismo é uma estratégia mais abrangente de organização de produção, envolve extensa mecanização, com o uso de máquinas-ferramentas especializadas, linhas de montagem e de esteira rolante e crescente divisão de trabalho. O taylorismo pode ser aplicado em firmas médias e pequenas, já o fordismo em grandes empresas produtoras de bens de consumo duráveis.
Com referência à literatura nacional especializada na temática do trabalho há um destaque para o estágio atual de transição do modelo taylorista-fordista para novas formas de organização da produção e de gestão de mão de obra, a partir de transformações na estrutura produtiva e no padrão de concorrência intercapitalista nas economias avançadas. No final do século XX essa transição seria produto da constituição de uma nova empresa, esta operaria cada vez mais em rede, mais adaptada às crescentes variações do mercado e voltada à diferenciação dos produtos num ambiente de acirrada e desregulada concorrência (POCHMANN, 2006).
Para que a empresa moderna tenha condição mais adequada para conviver num cenário de forte concorrência e crescente instabilidade econômica precisa focar na produção, terceirizar atividades ligadas aos serviços de apoio à produção. Esse novo desempenho empresarial se daria com ampla integração nas fábricas, maior flexibilidade produtiva e inovadores processos produtivos, nos quais se destacam: Just- in-time, sistema de informação, células de produção e minifábricas (POCHMANN, 2006).
Assim, o modelo fordismo-taylorismo, esgota-se como modelo organizacional dominante nos países desenvolvidos. Para Cattani (1997) o motivo foi em razão de os mercados não mais aceitarem a padronização da produção fordista exigindo padrões
diferenciados de acordo com as demandas de diferentes segmentos. A nova firma precisa torna-se flexível, capaz de responder, rapidamente, às frequentes mudanças de demanda de mercado. Dessa forma, a nova empresa necessitaria de novas tecnologias e novas formas de utilizar a força de trabalho, bem como acesso intensificado a informação acompanhada de redução nos custos.
O princípio - padrão de organização - do fordismo falece e aparece o regime de acumulação flexível mais bem integrado ao aproveitamento do processamento rápido e barato da informação e ao capital financeiro (MARQUES, 1998). Para Harvey (1998, p. 140), um novo padrão surge nos fins da década de 1960, o de acumulação flexível, este se consolidou a partir das experiências desenvolvidas no Japão. Essa acumulação flexível se apóia “na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo”, esse novo sistema caracteriza-se pelo “surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovação comercial e tecnologia”. Essa nova fase fica marcada por um confronto com a rigidez do fordismo. A recessão de 1973 pôs em movimento nos países avançados processos que esgotaram o paradigma fordista-taylorista e em consequência, naqueles países, as décadas de 1970 e 1980 foram períodos de reestruturação econômica e reajustamento social e político.
Segundo Marques (1998), o aceleramento da informatização não deixou de fortalecer em primeira instância o capital financeiro. Os novos sistemas de comunicação disponíveis em todo o planeta e integrados aos computadores criaram as condições de viabilidade de uma flexibilização. Por isso, para Harvey (1998, p. 155), “a acumulação flexível evidentemente procura o capital financeiro como poder coordenador mais do que o fordismo o fazia.”
O formidável aumento da capacidade de processar e transmitir informações, acompanhado de uma não menos formidável redução dos custos, não se faria também acompanhar de grandes transformações econômicas, sociais e culturais associadas à informática e às telecomunicações nas ultimas décadas (MARQUES, 1998, p. 51).
A acumulação flexível se espalhou por todo o mundo ocidental e ao difundir-se não extinguiu totalmente o fordismo. Misturou-se a esse, mas sempre se superando como modelo de organização produtiva. Esse novo padrão de acumulação cria e recria novas técnicas de produção, recicla e reconfigura o trabalhador, visando a torná-lo adequado ao novo sistema produtivo e ao novo mundo de consumo. Estarão afastados
da modernidade e, consequentemente, excluídos e desqualificados, todos os que não se adaptarem à nova reciclagem e reconfiguração (CASTEL, 2005; PAUGAM, 2003 apud PEREIRA, 2008).
Para entender o processo de reestruturação produtiva de capital é fundamental compreender o processo do sistema de acumulação flexível, este introduz nos diversos espaços produtivos, novos métodos, tecnologias, técnicas e cultura do produzir. Essas novas tecnologias permitem um salto na produtividade. Assim, a reestruturação produtiva inicia-se na década de 1970 nos países desenvolvidos e consolida-se na década de 1980. Porém, é a partir de 1980 que inicia-se nos países em desenvolvimento (PEREIRA, 2008).
Na primeira metade da década de 1980, as tentativas de reestruturação produtiva no Brasil praticamente não existiram. Todas as atenções estavam voltadas para a crise da dívida externa e a recessão econômica (baixo crescimento econômico, déficits no balanço de pagamentos e nas contas públicas, alta inflação) e o segundo choque do petróleo. No entanto, na segunda metade dessa década ocorrem impulsos significativos para reestruturação produtiva. Com a intensificação da busca de inovação tecnológica e organizacional inicia-se o processo de reestruturação produtiva no Brasil na segunda metade da década de 1980 (PEREIRA, 2008).
No Brasil, no final da década de 1980, dada a recessão econômica e o esgotamento do Modelo de Substituição de Importações (MSI), o governo brasileiro dá início ao processo de reestruturação da economia, caracterizada pela abertura comercial e financeira, adoção de câmbio flutuante, reformas fiscais e administrativas e privatizações estatais, buscando adequar a economia a nova ordem econômica (GIAMBIAGI, 2005).
Segundo Antunes (2005) existem três causas principais para o processo de reestruturação produtiva no Brasil. A primeira refere-se a necessidade das empresas brasileiras competirem internacionalmente em nível agressivo e concorrencial. A segunda consiste na implementação, por parte das multinacionais, de novas tecnologias de gestão e produção. A terceira consiste da necessidade das empresas nacionais corresponderem à maior competição nacional e internacional.
Nesse intuito, as grandes empresas brasileiras e multinacionais promoveram uma racionalização, de caráter defensivo, no processo produtivo, incorporando inovações tecnológicas e organizacionais que contribuiram para redução dos custos e constituiu
em um processo de demissão, que atingiu os trabalhadores e suas lideranças sindicais (ALVES, 2000).
Foi somente na década de 1990 que consolidou-se a reestruturação produtiva no Brasil, com a abertura comercial que fez crescer o nível de competição das empresas brasileiras com as internacionais. Para isso, foi necessário as empresas nacionais se reestruturassem, ampliando a produtividade, cortando custos e implantando novas tecnologias poupadoras de mão de obra e produtoras de bens e serviços de elevada qualidade. Esse processo se fez junto com uma elevação do desemprego estrutural, que foi acentuado com a política deflacionária do Plano Real.
Nesse momento houve uma intensa procura por inovações para aumentar a produtividade e competitividade internacional, mas também uma preocupação nesse período por parte das empresas, pela qualidade dos produtos ofertados. Assim, entraram em cena os Programas de Qualidade e os produtos ficam sujeitos as normas de ISO 9000. A abertura comercial expôs as empresas nacionais à concorrência internacional, assim as empresas nacionais precisavam buscar a modernização para adquirir fatias de mercado ou até mesmo continuar no mercado.
Frente a essa concorrência internacional, o parque industrial brasileiro se modernizou. O setor industrial flexibilizou a organização do trabalho e da produção, desverticalizou e desconcentrou a produção (impondo uma nova divisão regional do trabalho), também introduziu novas formas de contratação de trabalho, aumentando a instabilidade dessas relações. Contudo, transformações na estrutura e organização da indústria brasileira bem como a política de estabilização do Plano Real reduziram a capacidade do setor industrial gerar empregos e elevou a taxa de desemprego no país, em 1989 esta atividade respondia por 27% do emprego formal existente, reduzindo para 20,1% do total em 1999 (ARAÚJO et alii, 2011). Levando-se em consideração o período de 1990 a 1998, a maior queda aconteceu na região Sudeste, atingindo 20,6% sendo o estado do Rio de Janeiro com maior perda em relação ao emprego, com redução de quase 29%. As regiões que apresentaram maior crescimento industrial foram Centro- Oeste (41,1%) e Sul (2,79%) (LIMA, 2011).
Ressalta-se que o abandono da âncora cambial e sua substituição pela monetária, provocou um novo ritmo ao crescimento da produção e do emprego industrial. Essa mudança acentua-se em 2004, as taxas de crescimento voltam a apresentar níveis mais elevados devido aos investimentos em infraestrutura, concessão de incentivos financeiros e fiscais, expansão do crédito, criação de programas de qualificação
profissional, controle inflacionário, entre outros (ARAÚJO et alii, 2011). Outro fator que contribuiu para o bom desempenho da economia pós 2004 foi o aumento do grau de confiança por parte dos investidores nacionais, medidas adotadas pelo novo presidente da República que contribuíram para esse grau de confiança. O governo adotou medidas restritivas (elevou juros, cortou gastos e manteve a meta da inflação).
Vale salientar outro fato importante para o bom desempenho da economia brasileira, o efeito China, que tem se manifestado no aumento da demanda internacional de matérias primas. De modo geral, o Brasil tem se beneficiado pela expansão da China, mesmo com sobrevalorização cambial dos últimos anos, as exportações brasileiras tem atingido recordes históricos no período, contribuindo para elevação da demanda interna e taxa de crescimento relativamente alta. As exportações brasileiras para China cresceram quase trinta vezes ao longo da última década, passando de US$ 1,1 bilhão em 2000 para US$ 30,8 bilhões em 2010. Os principais produtos exportados foram: soja, minério de ferro, aço e açúcar (LIBÂNEO, 2012).
Assim, no período observa-se forte entrada de capitais externos, aumento das reservas internacionais, apreciação da taxa de câmbio e inflação controlada. Estas medidas associadas ao quadro externo favorável permitiram a retomada do crescimento após 2004. Outra medida, foi um maior interesse por parte do Estado na adoção de políticas setoriais de desenvolvimento. Em 2004, foi lançada a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITEC), com foco no incentivo à inovação, no intuito de alterar a estrutura produtiva da indústria, deixando-a mais competitiva e elevando suas exportações (ALMEIDA, 2009).
A reestruturação produtiva no Brasil implicou em um processo de descentralização produtiva principalmente no setor intensivo em mão de obra. Essa descentralização caracteriza-se por ser muito mais uma relocalização industrial do que apenas descentralização de capitais. Os fatores que contribuíram para esse processo foram o aumento da concorrência capitalista que ocorreu devido a abertura comercial e a queda das barreiras alfandegárias. As empresas se modernizam e procuram relocalizar os novos investimentos no intuito de absorver vantagens econômicas (ANTUNES, 2005).
2.2-O Nordeste no Contexto da Reestruturação Produtiva
Nos anos de 1960, com atuação do Governo Federal através de órgãos como a SUDENE houve esforços para alterar o perfil produtivo da região, tornando-a competitiva no mercado nacional e internacional em incrementar o PIB e de promover a geração de empregos. Nas décadas de 1960 a 1980 verificou-se forte atuação do Governo Federal na criação de órgãos institucionais na tentativa de alterar a estrutura produtiva e promover o desenvolvimento.
Vale salientar, os pontos de intenso dinamismo econômico no Nordeste, transformando o Nordeste. São polos dinâmicos que surgiram e se desenvolveram no Nordeste, estes dotados de estruturas econômicas modernas e ativas. Em grande parte esses polos dinâmicos foram responsáveis pelo desempenho relativamente positivo apresentado pelas atividades econômicas da região. Dentre eles merecem destaque o complexo petroquímico de Camaçari na Bahia, o polo têxtil e de confecções de Fortaleza e o complexo mínero-metalúrgico de Carajás no Maranhão. Estes no que se refere a atividades industriais. O polo de Camaçari, constituiu-se em um dos principais pilares da crescente importância da produção de bens intermediários no Nordeste. “Esse complexo industrial foi viabilizado com a participação de capitais privados nacionais e multinacionais e com o suporte estatal (Petrobrás), contando com fontes de financiamento diversas” (ARAÚJO, 2000, p 173).
Conforme Lima (1993) no Ceará, o polo têxtil e de confecções em Fortaleza se destacou como um dos principais centros do setor, em âmbito nacional. Em 1991, o polo cearense reunia cerca de três mil empresas, gerava 60 mil empregos diretos e era responsável por 12% do ICMS do Ceará.
No que se refere ao complexo mínero-metalurgico de Carajás no Maranhão, este está associado ao Programa Grande Carajás (PGC) e ao interesse do capital multinacional, interesse esse em diversificar sua fonte de abastecimento de matéria- prima. A Companhia do Vale do Rio Doce (CVRD), desempenhou importante papel na consolidação desse polo, implantando infraestrutura para exploração/exportação de minério de ferro. Nesse complexo, a prioridade à exportação é tida por parte dos empreendedores desse local instalado, para isso o PGC incluiu a implantação da ferrovia de quase 900 km de extensão como também construiu um porto (Ponta da Madeira, na região São Luis do Maranhão) (ARAÚJO, 2000).
Em função desses investimentos, impactos importantes já se notam nos anos 80: o PIB total do Estado aumentou, de US$ 2 bilhões, em 1980, para US$ 3 bilhões em 1987, tendo o produto da indústria ampliado sua participação no total estadual, de 14,3% para 21,8% (ARAÚJO, 2000, p. 174).
Assim, o perfil industrial do Nordeste foi modificando. Contudo, essa atuação do estado não se verificou na década de 1990. Como observado no Brasil, o Nordeste passou por uma reestruturação produtiva nos anos 1990, introduzindo novas relações de trabalho, desconcentrando e horizontalizando a produção, além de adotar novas formas de contratação e remuneração. A política industrial foi desarticulada com a abertura econômica. A partir dai os governos estaduais passaram a adotar medidas que puderam criar condições para o incremento da atividade industrial, tais como: incentivos financeiros e fiscais que junto com a abundância de recursos naturais e demão de obra barata, tornaram-se mecanismos de atração de indústrias.
A década de 1990 caracterizou-se como a retirada direta do Estado, tendo como ações a privatização de alguns setores, a redução do investimento infraestrutural e diminuição de subsídios e incentivos ao capital, resultando numa guerra fiscal em nível estadual, com o objetivo de atrair investimentos e capitais que buscavam novos espaços locacionais. Vale salientar que as indústrias intensivas em capital buscavam baratear seus custos a fim de se tornarem mais competitivas. A consequência disso foi a elevação da participação do Nordeste no total de empregos formais existentes na indústria brasileira ao longo da década (LIMA, 2007; MATOS e MELO, 2002). Segundo Araújo “a ausência de políticas regionais explícitas do governo federal abriu espaço à deflagração de uma Guerra Fiscal entre Estados e Municípios, que buscam contribuir para consolidar alguns focos de dinamismo em suas áreas de atuação” (ARAÚJO, 2000, p. 127).
Com a concessão de incentivos e subsídios e a criação de uma infraestrutura básica, o Estado tem importante papel para impulsionar os investimentos produtivos. Pereira (2008) ressalta que a desconcentração industrial ocorrida nos anos de 1970 e 1985 mais especificamente em regiões metropolitanas dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro favoreceu a região Nordeste. Porém, esses efeitos reduziram-se após 1985 se comparados com período anterior, mas fica evidenciado a atração de um número significativo de empresas. O avanço no que diz respeito à instalação de novas indústrias, se dá na década de 1990, muitas destas foram implantadas na própria região ou
transferidas do Sul e Sudeste. Esta migração de indústrias está ligada ao processo de reestruturação produtiva e a guerra fiscal dos estados brasileiros, entre outros.
2.3- Os Incentivos Fiscais e a disputa por investimentos no Nordeste
Conforme literatura brasileira sobre o assunto, a utilização de isenções e subsídios de vários tipos, mas principalmente de caráter tributário foi prática comum de quase todos os governos brasileiros desde a década de 1960. Para Prado e Cavalcanti (2000) o modelo brasileiro manteve-se inalterado nas suas bases desde 1960 e antes da constituição de 1988: existiam alguns limites ao exercício da competência estadual e controle das alíquotas por parte do Senado Federal.
Com a reforma, amplia-se a autonomia dos estados para fixar por leis próprias, as alíquotas do ICMS incidentes sobre as operações internas. Foi retirado o poder da União de conceder isenções e abatimentos do imposto estadual. A base do imposto amplia-se tornando os estados peças chaves na formulação da política tributária nacional, uma vez que o ICMS passou a ser o mais amplo dos tributos incidentes sobre a produção e o consumo doméstico brasileiro. Esse imposto é o que mais gera arrecadação no Brasil e com algumas mudanças conforme mencionado são os estados que possuem autonomia para legislar sobre este imposto.
A concessão generalizada de benefícios fiscais via ICMS junto com a concessão de créditos subsidiados e vinculados ao recolhimento do ICMS tem-se constituído em instrumento de atração de investimento, geração de emprego, bem como constituíram a chamada Guerra Fiscal que se expandiu principalmente a partir de 1988. Porém, foi na década de 1990 que veio a explodir, a partir de 1993/94 numa grande polêmica nacional. A maior liberdade fiscal foi um dos elementos que propiciou o desenvolvimento e o acirramento da chamada Guerra Fiscal (PRADO; CAVALCANTI, 2000).
A Guerra Fiscal é um fenômeno relativamente antigo e constante no cenário nacional. É um processo concentrado em determinados períodos devido ao surgimento de elementos que levam ao acirramento da competitividade entre os estados.
A disputa por investimentos foi denominada de Guerra Fiscal, termo que define a competição tributária. Com a abertura comercial e a estabilidade econômica esse fato
começou a ser destaque ofertando um conjunto de vantagens e benefícios, principalmente no setor automobilístico. Os impactos podem gerar consequências positivas que seriam a geração de empregos e renda, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) local como também a receita tributária futura. Porém, como efeito negativo, a desarmonia entre os entes federados e a perda da receita presente, que poderá não ser compensada no futuro, pois as empresas poderão migrar para outros estados depois do período de carência e o estado poderá não receber em sua totalidade os recursos aplicados (NASCIMENTO, 2008).
Conceitualmente é difícil a definição rigorosa de Guerra Fiscal. No geral, esse termo caracteriza os procedimentos de concessões fiscais e creditícios implementadas pelos estados. Varsano (1996, p. 2) conceitua a Guerra Fiscal como “uma situação de conflito na federação em que o ente federado que ganha – quando de fato, existe um ganho – impõe, em geral, uma perda a alguém a alguns dos demais, posto que ela raramente é um jogo de soma positiva”.
No que se refere à Guerra Fiscal, Ferreira (2000) ao se reportar ao curto prazo, entende que o estado que deflagra a guerra fiscal se beneficia. No longo prazo, a generalização do conflito faz com que os ganhos iniciais desapareçam, pois esses incentivos fiscais tornam-se meras renúncias de arrecadação. Com o aumento das renúncias fiscais os estados de menor poder financeiro perdem capacidade de prover serviços e infraestrutura que as empresas necessitam. As batalhas são vencidas pelos estados que são mais desenvolvidos, tem maior poder financeiro e com isso conseguem suportar o peso da renúncia e ainda assegurar razoável qualidade dos serviços públicos. Para esse autor a renúncia fiscal é extremamente prejudicial por reduzir a receita tributária dos estados, e no longo prazo induzir a concentração regional de produção.
Prado e Cavalcanti (2000) compreendem que não necessariamente os estados que praticam perdem individualmente, no médio e longo prazo, caso os projetos subsidiados sejam bem sucedidos. Na verdade dependendo da evolução desses projetos, o governo estadual pode se encontrar numa melhor posição do que se eles não tivessem ali existido.
Não se pode assegurar que as políticas de atração de investimentos pautada em incentivos fiscais sejam boas ou ruins para o estado. Essa prática deve ser avaliada de acordo com a necessidade do território, da região ou estado em obter tais investimentos, como também relacioná-la à necessidade do país, região ou estado em ampliar determinados setores produtivos (AMARAL FILHO e SOUZA, 2003).
Com essa maior autonomia para as Unidades Federativas (UF) legislarem sobre suas fontes de receita houve uma intensa busca por investimentos privados. As UFs, na intenção de atrair esses investimentos estimulam as empresas a sediar sua nova planta industrial, assim o estado que oferecer o maior pacote de benefícios à empresa, vencerá e atrairá a indústria.