2. OTOMOTİV SEKTÖRÜ FİNANSMANI, SATIŞLARA ETKİLERİ VE TEORİK
2.5. OTOMOTİV SATIŞLARINI ETKİLEYEN FAKTÖRLER VE İLGİLİ LİTERATÜR
2.5.3. Reel Faiz Oranı ve Otomotiv Satışları
A eleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi marcada, para o seu primeiro PDQGDWR SHOR VtPEROR GD PXGDQoD ³O novo governo encarnava uma mensagem de transformações talvez apenas comparáveis, na América do Sul, à posse de Salvador Allende no Chile, nos anos 70´*LDPELDJLD0DLVGRTXHLVVRHVWDHOHLomRUHSUHVHQWDYD a ruptura com tudo o que, até então, foi realizado pelos demais governos, seja na área econômica, social e mesmo na questão do combate a corrupção.
A expectativa gerada pela eleição de Lula, no sentido de promover mudanças e rupturas na condução da política econômica do país foi parcialmente frustrada, principalmente para aqueles que esperavam drásticas mudanças com a política econômica e social do governo anterior.
Por um lado, é importante considerar que mesmo durante a campanha eleitoral, o próprio candidato assinou documento se comprometendo em manter os contratos HVWDEHOHFLGRV GR JRYHUQR SUHGHFHVVRU $ ³&DUWD DR 3RYR %UDVLOHLUR´ SUHYLD TXH DOpP GD
manutenção dos contratos, tinha ainda como compromisso preservar o superávit primário em níveis que impedissem que a dívida interna aumentasse e destruísse a confiança na capacidade de honrar os compromissos assumidos. (FILGUEIRAS e GONÇALVES, 2007).
Esse foi apenas um dos documentos que já sinalizavam a manutenção de algumas medidas do governo FHC. Outro documento oficial foi o programa de governo do PT proposto aR SDtV EHP PDLV PRGHUDGR GR TXH HP SHUtRGRV DQWHULRUHV GHQRPLQDGR ³1RWD VREUHR$FRUGRFRPR)0,´1HVWHFRQWLQKDDSURPHVVDGHUHVSHLWDURDFRUGRFRPR)0, QHJRFLDGR QR ILQDO GR JRYHUQR )+& $ GHVFRQILDQoD GR PHUFDGR ILQDQFHLUR RQGH ³muitos observadores internacionais temiam a decretação de uma moratória em 2002, no contexto da adoção ± que alguns julgavam certa ± de políticas populistas por parte de um novo governo, encabeçado pelo PT´GIAMBIAGI, 2005ª: 197).
Nesse sentido, já havia a disposição do governo em manter determinados aspectos da política econômica do governo anterior. Essa postura fora assumida muito mais em razão do TXH VH GHQRPLQRX ³HIHLWR /XOD´ WUDGX]LGD HP DOWDV WD[DV GH MXURV LQIODomR HOHYDGD H desvalorização cambial, por exemplo. Para enfrentar a crise que se estabeleceu no país, à época, ao governo Lula convém manter a busca pela estabilidade econômica. Assim, segundo Giambiagi (2005):
A sequência anteriormente mencionada de nomeação de Palocci para ministro da Fazenda, seguida da indicação de um banqueiro central visto pelo mercado como confiável; do anúncio da conservação inicial do restante da diretoria do BC, herdada de Armínio Fraga; e de duas novas rodadas de aumento dos juros, até 26,5%a.a., já no governo Lula, gerou uma grande distensão do ambiente financeiro a partir do primeiro trimestre de 2003. Nesse contexto ± e ajudada pelos excelentes resultados mensais da Balança Comercial ± e taxa de câmbio recuou para menos de R$ 3,00 no segundo trimestre. Enquanto isso, o risco-país (medido pelo C-Bond) desabava para PHQRVGHSRQWRVSUDWLFDPHQWHRPHVPRQtYHOGHXPDQRDQWHV³GHYROYHQGR´ HP VXD WRWDOLGDGH R TXH HP R PHUFDGR GHQRPLQDYD GH µHIHLWR /XOD¶ (GIAMBIAGI, 2005a: 207).
Ainda no que diz respeito ao BC, o governo Lula nomeia para a Presidência Henrique Meireles, ex-presidente mundial do Bank Boston, que, como dito anteriormente, preservou toda a diretoria da gestão anterior, o que aponta na direção de certa continuidade da política estabelecida durante o governo FHC, quanto à estabilidade do país e a política monetária (GIAMBIAGI, 2005a).
Em meio a uma grave crise econômica, em parte provocada por sua própria eleição, o novo governo anunciou o reforço da política anti-inflacionária, quando estipulou metas de inflação para 2003 e 2004 de 8,5% e 5,5% respectivamente, muito embora a inflação oficial,
medida pelo INPC, fora de 10,38% e 6,13%, respectivamente. Tal redução confirma a intenção de reduzir os níveis inflacionários, mas permite ainda afirmar que este não se constituiu tão somente como o principal objetivo da política econômica do governo, uma vez que o crescimento do PIB em 2003 foi de 1,15%, mas em 2004 obteve um crescimento significativamente maior, com 5,71%, segundo o IBGE. (GIAMBIAGI, 2005a).
Outro ponto importante da política econômica do governo Lula foi a elevação da taxa de juros básica, a SELIC. Somente nos primeiros 60 dias de governo, esta passou de 18% para 25% ao ano. No tocante ao superávit primário, estabeleceu-se uma meta de 4,25% do PIB (contra 3,75% do final do governo anterior), incluída até na Lei de Diretrizes Orçamentárias para o período de 2004 a 2006. (GIAMBIAGI, 2005a).
Fora essas ações, várias outras foram tomadas, como a renovação do acordo com o FMI, até final de 2004, no que havia o compromisso de manutenção regular do cumprimento das metas fiscais e de todo o arcabouço dos acordos firmados com a instituição. Cabe ressaltar, contudo, que mesmo tendo renovado, os recursos disponíveis não foram utilizados.
Outras ações importantes foram adotadas no início do governo Lula, visando a restauração da confiança no país, nesse sentido, foi o encaminhamento das reformas estruturais propostas pelo governo e encaminhadas ao Congresso Nacional, a saber: a reforma tributária e a da previdência social.
No que se refere a reforma tributária, o projeto tinha quatro objetivos: a) uniformizar a legislação do ICMS, para diminuir as possibilidades de evasão fiscal; b) prorrogar a Desvinculação de Receitas da União (DRU), para restringir a vinculação de despesas às receitas, possibilitando assim movimentar livremente recursos para incrementar o superávit primário; c) renovar a Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), garantindo receita para o ano de 2004 e; d) transformar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) em um tributo sobre o valor adicionado, acabando com o efeito cascata até então vigente (GIAMBIAGI, 2005a).
Quanto à reforma da previdência social, esta teve como foco o regime previdenciário dos serviços públicos, com a intenção de taxar, através de alíquota contributiva, os servidores inativos com a mesma alíquota dos servidores ativos. Outra medida previa aplicação de um redutor para novas pensões acima de um determinado piso de isenções, bem como a elevação da idade mínima para o pedido de aposentadoria, passando para 60 anos os homens e 55 anos para as mulheres. Além disso, estabeleceu-se o mesmo teto já aplicado aos beneficiários do
INSS para os novos entrantes, e criou a possibilidade de criação de fundos de pensão para a complementação das aposentadorias a partir dos limites estabelecidos pelo instituto. (GIAMBIAGI, 2005a).
Todas essas medidas são o reflexo, principalmente, da orientação do governo quanto a origem dos desequilíbrios econômicos, ou seja, nos desequilíbrios fiscais. Tal desequilíbrio, para os principais teóricos e economistas que influenciavam o governo, seria a razão da inflação elevada e do aumento da relação dívida/PIB.
O conservadorismo de debate no interior da equipe econômica transformou a questão fiscal em dogma e empobreceu o ambiente de discussão. A focalização de debate no ajuste fiscal, na presunção de que é preciso combater a dominância fiscal, não deu espaço à análise de outras possibilidades. A dimensão da política fiscal como caudatária de decisões fora do seu alcance, acentuando o papel subordinado que ocupa no regime de política macroeconômica, apesar da centralidade que lhe atribuem na determinação da taxa de juros, do risco-país e das condições de retomada do crescimento. (LOPREATO, 2006: 221).
(PIXQomRGR³GRJPD´WRGDVDVDo}HVHHVIRUoRVGRJRYHUQRIRUDPQRVHQWLGRGH ampliar o superávit primário, muito embora houvesse barreiras ao aprofundamento das políticas conservadoras, como por exemplo, a própria luta interna no governo. Além disso, os cortes fiscais também encontraram grandes resistências nos Estados e Municípios, deixando ao governo federal a adoção dos meios usuais já adotados no governo anterior, isto é, nos ganhos de arrecadação auferidos na elevação da carga tributária, o contingenciamento dos gastos públicos, principalmente investimentos e com o próprio aumento dos valores destinados ao superávit primário (LOPREATO, 2006).
Entretanto, não se pode caracterizar o governo Lula como apenas um governo que segue fielmente as ações do anterior, particularmente no que tange a condução da política macroeconômica.
Ao passo que no campo macroeconômico pode-se determinar que houvee uma maior pressão pela adoção de um viés restritivo, por outro lado, a política de desenvolvimento emerge com elementos mais ativos. Estabeleceu-se, a partir de então, uma política industrial, tecnológica e de comércio exterior mais definida e ativa, bem como pela criação e ampliação de alguns instrumentos de financiamento, tais como o crédito consignado e o crédito dirigido, principalmente por mais recursos disponíveis ao público através do BNDES e outras agências, como o próprio Banco do Nordeste. Outro ponto importante na condução da política de
desenvolvimento foi a maior intervenção do Estado a partir de algumas ações, tais como isenção de impostos para alguns segmentos, como de inovação e para a exportação.
Nesse sentido, como exemplo, o Gráfico 26 traz a evolução dos desembolsos promovidos pelo BNDES. Fica nítido o grande crescimento dos valores a partir do governo Lula, confirmando assim a intenção do governo em ampliar sua política de desenvolvimento.
Fonte: BNDES, 2007.
Gráfico 26 ± Evolução dos desembolsos do BNDES ± 1995 a 2007
Como é possível observar pelo Gráfico 26, somente entre 2003 e 2007 o BNDES desembolsou 52% a mais de recursos do que em todo o agregado do período compreendido do governo anterior, entre 1995 e 2002, numa ação clara da posição do governo quanto ao seu papel na condução da política de desenvolvimento do país. Entretanto, cabe ressaltar ainda, que tais medidas não encerram, em si, toda a capacidade, em termos de política econômica, na busca pela promoção do desenvolvimento. Logo, há, uma situação ambígua da estratégia do governo no que se refere a própria política de desenvolvimento.
Evidentemente, nem todos os aspectos da agenda microeconômica são incompatíveis com uma estratégia de desenvolvimento mais ativa. Todavia, é preciso ter claro que as linhas mestras que orientam um ou outro tipo de política são absolutamente distintas. Deste modo, a ambigüidade gerada pelo fato de a política de desenvolvimento servir a dois objetivos se manifesta em sua incompletude, sobretudo no que tange a criação dos instrumentos próprios para a execução das diversas medidas de política. (AMITRANO, 2006: 242).
A opção do governo em ampliar as exportações brasileiras, como parte da política de desenvolvimento, gerou efeitos significativos no crescimento do comércio exterior brasileiro, especialmente na busca por novos mercados ainda pouco explorados até então. A partir do
próximo tópico enfatiza-se mais a relação comercial brasileira e seus resultados econômicos com os blocos econômicos selecionados.