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1. BÖLÜM

7.11. Tanımdaki Yardımcı Unsurlar

No dia 27 de Outubro foi publicado o Decreto n.º 188 que regulamentou a constituição das assembleias e secções de voto para as eleições suplementares de Deputados e eleições administrativas507. As assembleias eleitorais decorreram maioritariamente nas escolas primárias, liceus e escolas superiores da capital508. De acordo com a legislação em vigor o sorteio para os presidentes das mesas eleitorais teve lugar no dia 23 de Novembro, domingo anterior à eleição, no Tribunal da Boa-Hora. O

505

“Código eleitoral”. O Mundo, 19-11-1913, p. 1.

506

“Um aviso aos eleitores”. Ibidem.

507 Ver Decreto n.º 188. Diário do Governo, n.º 251, de 27 de Outubro de 1913, pp. 4016-4017.

508 Verificaram-se as seguintes excepções: 1.º Bairro, S. Vicente (1.ª secção-Centro Escolar Republicano

Alexandre Braga e 2.ª-Centro Republicano Magalhães Lima); Olivais (2.ª-igreja); Beato (3.ª-Centro Republicano Elias Garcia); Santa Engrácia (2.ª ass., 2.ª secção-cartório da igreja e 3.ª-edificio da Sociedade de Instrução Militar Preparatória); Santo Estevão (igreja); S. Miguel (igreja); Graça (edifício junta de freguesia); Castelo (igreja); Sé (1.ª-edifício da Constrataria e 2.ª-Alfândega); Socorro (1.ª-Coliseu de Lisboa e 2.ª-teatro Apolo, na rua da Palma); Anjos (1.ª-teatro Moderno, rua Álvaro Coutinho, 6.ª- Associação do Registo Civil e 7.ª-prédio da CML, rua dos Anjos, 11); 2.º Bairro, Arroios (1.ª-Centro Escolar Dr. Afonso Costa, 2.ª-fábrica Germânia, 3.ª-Club Estefânia e 5.ª-edifício da CML); S. Julião (junta de paróquia); Mártires (edifício da Biblioteca Nacional); S. Nicolau (2.ª-Associação dos Empregados do Comércio de Lisboa); Santa Justa (Teatro Nacional); 3.º Bairro, S. Mamede (2.ª-Imprensa Nacional); Mercês (3.ª-Academia das Ciências); 4.º Bairro, Alcântara (4.ª-Sociedade Promotora de Educação Popular e 6.ª-edifício da junta de freguesia); Ajuda (2.ª-Abegoaria Municipal); Belém (claustros da Casa Pia); Santa Isabel (2.ª-Palácio do Congresso e 7.ª-Cooperativa Padaria do Povo) e Santos (3.ª-quartel dos bombeiros). Cf. “Assembleias eleitorais”. O Mundo, 30-11-1913, pp. 1-2.

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Município esteve representado pelo vogal Manuel Saraiva Pereira Dias, assistindo os quatro administradores dos Bairros de Lisboa509.

Os cidadãos, que presidiram às assembleias foram sorteados de entre professores, juízes da paz e seus substitutos, oficiais reformados, vereadores efectivos e substitutos. Esta escolha aleatória fez recair a presidência de uma mesa a um professor surdo, da Casa Pia, que seria substituído depois de apresentar o atestado; igualmente, o sorteado para Santa Catarina (3.ª secção) não compareceria no dia do sufrágio por incompatibilidade, pois era um oficial do exército em serviço efectivo510.

A legislação eleitoral assegurava uma escolha por sorteio, por isso, casual e democrática, dos membros que compunham as mesas eleitorais. Uma análise comparativa, das actas das assembleias eleitorais existentes no Arquivo Municipal de Lisboa511 com a lista de nomes sorteados pela extracção, revelou-nos que no dia do sufrágio os presidentes nomeados compareceram em 37 secções de voto512. Na sua ausência a lei estipulava que fossem substituídos na presidência pelos respectivos suplentes sorteados, estes ocupariam a presidência em 22 secções de voto513. Concluindo, no universo estudado, 59 das 74 secções de voto foram presididas pelos cidadãos nomeados pelo sorteio do Tribunal da Boa-Hora, o que corresponde a 79,7 por cento de comparências.

Na ausência do presidente ou do seu substituto, se estivessem presentes os cidadãos nomeados para vogais da mesa o mais velho assumia a presidência. Se às 10 horas, passado uma hora da abertura das urnas, não comparecessem o presidente e o seu suplente, nem houvesse cadernos de recenseamento e demais papéis necessários a este acto e um eleitor apresentasse duas cópias legais do recenseamento, que fossem

509

Cf. “As eleições administrativas…”. A Capital, 23-11-1913, p. 2.

510

Ver “Uma pirraça do acaso…”. A Capital, 25-11-1913, p. 2; e AML/AC, Acta da assembleia eleitoral …: freguesia de S. Sebastião da Pedreira: 3.ª secção. 1913, Novembro, 30, Lisboa.

511 Cf. Idem, Actas das assembleias eleitorais referentes à eleição de procuradores à junta geral de distrito

e de vereadores, realizada em 1913/11/30… 1913, Novembro, 30, Lisboa.

Estas actas perfazem 29 assembleias de voto, correspondendo a 74 secções (falta no Arquivo a acta da 4.ª secção de voto da Lapa), ou seja, respectivamente 72,5 por cento das 40 assembleias e 71,8 por cento das 103 secções de voto que funcionaram na capital.

512 Nas subsequentes assembleias: S. Vicente (ambas secções); Arroios (1.ª, 2.ª, 4.ª e 5.ª secções); S. José

(1.ª e 3.ª); S. Nicolau (1.ª); Mártires (secção única); S. Julião (única) e Conceição Nova (única); Coração de Jesus (2.ª e 4.ª); S. Sebastião da Pedreira (1.ª, 2.ª e 4.ª); Mercês (2.ª); Santa Catarina (2.ª); S. Mamede (1.ª); Benfica (nas duas secções); Campo Grande (única); Lumiar (única); Carnide (única); Santa Isabel (1.ª, 3.ª, 4.ª e 7.ª); Alcântara (6.ª); Belém (1.ª e 2.ª); Lapa (1.ª, 2.ª e 3.ª); Santos (1.ª) e Ajuda (1.ª).

513

Santiago (única); Arroios (3.ª); Encarnação (2.ª e 3.ª); S. José (2.ª); Pena (nas três secções); S. Nicolau (2.ª); Santa Justa (nas duas secções); Madalena (única); Sacramento (única); Coração de Jesus (1.ª); S. Paulo (2.ª); Mercês (3.ª); Santa Catarina (3.ª); S. Mamede (2.ª); Santa Isabel (2.ª e 5.ª); Alcântara (1.ª) e Santos (2.ª), in Idem. Ibidem.

165 reconhecidas pela assembleia como tal, poderia prosseguir a eleição rubricando os cadernos para as actas os vogais nomeados para constituírem a mesa.

No caso de também estarem ausentes os vogais o presidente da mesa seria o eleitor mais velho presente, e este convidaria o delegado eleitoral dos candidatos a indicar os eleitores necessários para a mesa (dois para escrutinadores, dois para secretários e quatro substitutos para os renderem). No limite, perante a ausência do presidente, do delegado eleitoral e dos vogais nomeados, a mesa era escolhida pelos eleitores presentes na secção eleitoral. Nestas eleições os presidentes de mesas foram escolhidos pelos eleitores presentes em 15 secções514.

Igualmente muitas mesas foram constituídas por membros indicados pela assembleia, por exemplo, na assembleia de Santa Isabel (1.ª secção), o presidente era o nomeado, mas faltaram três elementos da mesa, um dos secretários escolhidos pelos eleitores presentes, foi António do Couto Abreu, candidato a vereador efectivo pela Lista Neutra; na 2.ª, presidida pelo suplente Rui Teles Palhinha, (vogal em exercício da Comissão Administrativa da CML, e também candidato democrático), na ausência dos vogais nomeados a mesa foi constituída por indicação do “único delegado eleitoral presente”; na 3.ª, presidida pelo presidente sorteado, os restantes membros da mesa foram escolhidos pelos eleitores presentes e, estando representados “todos os grupos políticos”, houve dificuldade na constituição da mesma, por isso, o acto eleitoral iniciou-se às 11 horas e 20 minutos (um atraso de duas horas e vinte minutos); na 4.ª, o presidente foi o nomeado, mas os restantes membros da mesa eleitos “por aclamação”, foram propostos pelo candidato socialista, António Maria Abrantes, ficando o proponente como suplente; na 5.ª, presidida pelo suplente nomeado, não compareceu nenhum delegado eleitoral, os membros da mesa foram escolhidos pela assembleia; e na 7.ª, os vogais da mesa foram seleccionados pelos cidadãos presentes515. Desta maneira, na freguesia com maior número de eleitores a constituição das mesas foi altamente determinada pelos cidadãos presentes nas secções aquando da abertura das urnas.

514

Encarnação (1.ª secção); Coração de Jesus (3.ª), assumindo a presidência João Antunes Baptista, candidato substituto pelo PRP; em S. Sebastião da Pedreira (3.ª), foi escolhido José Maria da Silva Fernandes, suplente da Lista Neutra à Junta Geral, pelo 4.º Bairro; Mercês (1.ª); Santa Catarina (1.ª); S. Paulo (1.ª); Ajuda (2.ª); Santa Isabel (6.ª); Alcântara (2.ª, 3.ª, 4.ª e 5.ª); Belém (3.ª) e Santos (3.ª e 4.ª). Na 6.ª secção de Santa Isabel e na 3.ª de Santos o presidente escolhido foi o eleitor mais idoso, conforme estabelecia a lei. Cf. Ibidem.

515 Veja-se Idem, Acta da assembleia eleitoral…: freguesia de Santa Isabel: [1.ª, 2.ª, 3.ª, 5.ª e 7.ª secção].

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De forma análoga para secretário da mesa da assembleia da Madalena foi escolhido Augusto César dos Santos, candidato pelo PS. Em Belém (1.ª) o presidente era o nomeado, mas os membros da mesa foram todos escolhidos pela assembleia; situação similar verificou-se na Lapa (1.ª), onde foram escolhidos os secretários da mesa. Acentuemos ainda que em Alcântara (5.ª), o delegado da paróquia civil era Abel de Sousa Sebrosa, candidato do PRP e presidente em exercício da junta de freguesia de Alcântara516. Além disso, pela análise crítica dos presidentes e respectivos substitutos sorteados observámos que na assembleia de S. José (1.ª) o presidente foi Luís Júlio da Cruz, candidato substituto pelo Partido Democrático (e presidente da Comissão Paroquial Republicana da Encarnação, bem como vogal em exercício desta junta de freguesia); e na 3.ª, a presidência coube a Apolinário Pereira, vogal em exercício da Comissão Administrativa e igualmente candidato pelos democráticos. Em S. Sebastião (4.ª), a presidência pertenceu a Jaime Ernesto Salazar de Sousa, que se encontrava exactamente na mesma situação do antecedente. Nas Mercês (2.ª) concerniu a Augusto José Vieira, edil da primeira vereação republicana da capital, democrático517.

Em relação aos suplentes na assembleia da Pena (1.ª) foi presidente Manuel Caetano Alves, vereador da primeira edilidade republicana e vogal da Comissão Municipal Republicana de Lisboa; e na 2.ª José Lino da Silva, candidato substituto pelo PRP a procurador da Junta Geral de Distrito de Lisboa, pelo 1.º Bairro. Em Santa Justa (2.ª) presidiu Albino José Baptista, actual vogal da Comissão Administrativa e candidato pelos democráticos. Em S. Paulo (2.ª) esteve Álvaro Augusto Machado, candidato pelo PRP. Em S. Mamede (2.ª) assumiu a presidência Francisco Carlos Parente, vogal em exercício da Comissão Administrativa. Devemos ainda assinalar que António Alves de Matos, candidato suplente do PRP a procurador da Junta Geral de Distrito, pelo 4.º Bairro, foi o vogal nomeado para a Ajuda (1.ª)518.

Nestas segundas eleições abrangidas pelo novo Código Eleitoral republicano houve um cuidado especial em elucidar os membros das mesas eleitorais sobre os procedimentos legais em vigor, sendo distribuído um folheto de esclarecimentos519. Apesar disso, a observância da lei, da teoria à prática, revelar-se-ia, em muitos casos deficiente, nomeadamente na redacção das actas, como veremos adiante. A própria

516

Veja-se AML/AC, Actas das assembleias eleitorais referentes à eleição de procuradores à junta geral de distrito e de vereadores… 1913, Novembro, 30, Lisboa.

517 Ver Idem, Ibidem. 518 Cf. Ibidem. 519

167 constituição das mesas eleitorais era controversa, por vezes, sobrepondo-se à lei a vontade dos eleitores presentes. Uma situação elucidativa e sintomática desta realidade verificou-se em Benfica (2.ª) quando nesta secção compareceu o presidente da mesa sorteado, António Policarpo Neves, que declarou que não poderia assumir o cargo, porque se encontrava “nos precisos termos” do artigo n.º 5.º do Código Eleitoral (condenado por crime de conspiração contra a República), contudo, os eleitores presentes colocados perante esta situação aceitaram a sua presidência, fazendo da legislação letra-morta520. Em resumo, pelo acima exposto confirma-se que alguns dos presidentes e substitutos nomeados eram antigos ou actuais vereadores (alguns em exercício) que não só intervinham no recenseamento político como detinham um papel activo – e determinante – nos resultados das assembleias eleitorais.

É certo que no universo observado neste sufrágio houve um predomínio de elementos pertencentes ao Partido Democrático nas mesas eleitorais, situação a que não poderá ser alheio o facto da actual Comissão Administrativa ser constituída por democráticos. Além disso, este partido possuía uma estrutura organizativa poderosa e eficiente, sendo os seus militantes muito activos e actuantes/vigilantes durante a votação eleitoral. Estas práticas eram habituais na época – e não eram censuráveis – pois todos os partidos as usavam dentro das suas possibilidades, conforme se comprova pela intervenção e presença (ainda que insignificante) de candidatos e militantes da Lista Neutra e do Partido Socialista na constituição das mesas eleitorais e, pela presidência da 2.ª secção eleitoral de Benfica, por alguém que nem sequer poderia estar recenseado.

Do mesmo modo, esquemas caciquistas e fraudulentos eram habitualmente utilizados pelas diversas forças políticas, por exemplo, pediu-se aos eleitores democráticos para terem cuidado porque haveria uns indivíduos, entre eles três ou quatro regedores, que andavam a distribuir listas da oposição dizendo que eram do PRP. No dia do escrutínio, mais uma vez, lembrava-se aos partidários para terem cautela com as listas que lhes eram entregues, informando que na lista do PRP o primeiro nome que aparecia era o de Abel de Sousa Sebrosa521. Alertaram-se, ainda, os eleitores das Mercês para o facto de um célebre galopim monárquico, Jorge Luís Sátiro da Silva, de alcunha

520 Veja-se AML/AC, Acta da assembleia eleitoral…: freguesia de Benfica: 2.ª secção. 1913, Novembro,

30, Lisboa.

521

Cf. “Cuidado com os mistificadores”. O Mundo, 29-11-1913, p. 1; “Aos eleitores”. Ibid., 30-11-1913, p. 1.

Este aviso era tanto mais importante quanto sabemos que os boletins de voto não apresentavam qualquer referência partidária, conforme se pode constatar nos Anexos – A.9. Boletim de voto da Lista do PRP – 1913; A.10. Boletim de voto da Lista Neutra – 1913; A.11. Boletim de voto da Lista do PS – 1913.

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Feijão Branco, andar a distribuir Listas do Partido Democrático com alguns nomes

cortados e substituídos por evolucionistas, deviam assim os democráticos acautelarem- se e aplicarem “o correctivo que merece tão repelente criatura”522, num claro apelo ao uso da força.

Para os afonsistas durante a votação “as urnas estiveram concorridas e o acto eleitoral efectuou-se no meio do maior sossego em todas as assembleias da capital”523. A mesma descrição sobre as eleições terem ocorrido “sem nenhum incidente desagradável” e com “absoluta ordem, completa normalidade” foi fornecido respectivamente aos leitores d’A Capital e d’O Século524.

Imagem 5 – “As eleições municipais: o presidente da República votando na

igreja de Belém”. Ilustração Portuguesa, S. 2, n.º 407 (1913): 661. / HML

Aguardando o presidente Manuel de Arriaga, em Belém (3.ª secção), no claustro da Casa Pia (e não na igreja dos Jerónimos como refere a legenda), estava António Aurélio da Costa Ferreira, director desta instituição e edil da 1.ª vereação republicana [o segundo da direita, junto à mesa], entre outros que o saudavam e aplaudiam.

Assinalemos o aspecto das duas urnas de voto: do lado esquerdo, a da “CÂMARA MUNICIPAL” (maior) e do lado direito, a da “JUNTA DISTRITAL”.

Os evolucionistas caracterizaram o acto eleitoral como indolente e letárgico. No 1.º Bairro, com as secções de voto pouco concorridas, de assinalável somente a tentativa de alguns cidadãos (alegadamente democráticos) se apresentarem para votar, em S. Miguel, quando para isso não estavam autorizados; e na Sé, o regedor da freguesia ter distribuído listas do PRP à boca da urna, só cessando perante os protestos da oposição. No 2.º Bairro igual desalento, “a mesma fuga de eleitores”, alguns protestos; na assembleia da Conceição Nova, quando deveria ter início a chamada viu-se que faltava uma urna, perante esta situação gerou-se “atrapalhação” sugerindo alguns a sua

522

“Prevenção aos eleitores da paróquia das Mercês”. O Mundo, 30-11-1913, p. 2.

523 “A eleição em Lisboa”. O Mundo, 1-12-1913, p. 2.

524 Cf. “Última hora: as eleições administrativas”. A Capital, 30-11-1913, p. 2; “Eleições

169 substituição por um caixote, uma bilha de barro e, até uma lata de bolachas, trazida por Filipe da Mata, eleitor desta freguesia, edil da primeira vereação republicana, esta situação irregular acabaria por resolver-se “sem lata…”. No 3.º Bairro apesar de algumas assembleias terem estado movimentadas, a abstenção também foi grande; em Santa Catarina, a “galopinagem andou à solta e à desfilada” com a distribuição de listas junto da urna, perante os protestos, o acto foi interrompido por dez minutos. No 4.º Bairro, em algumas assembleias foi apresentado um protesto comum, motivado pela desistência de um dos candidatos democráticos, de resto, igual desânimo e abstenção elevada525.

A observação pormenorizada das actas das assembleias eleitorais originou a anotação de variadas falhas e anomalias no cumprimento da lei. Algumas não indicam as descargas e votação das listas; em outras o número de descargas é inferior ao número de votos registados; várias não declaram se a votação arrolada era da Junta Geral de Distrito ou da Câmara Municipal; e, mais, a acta da assembleia de Sacramento não está assinada pela mesa, sendo uma das que apresenta um número de descargas de 239 eleitores e o número de 240 votos para a vereação. Contudo, apesar destas incorrecções não estão registados protestos dos eleitores, os poucos que existem incidem sobre a contagem de votos de um candidato democrático que tinha desistido da candidatura. O cumprimento da legislação pelos membros das mesas era em muitos casos (convenientemente) esquecido, em proveito dos seus interesses partidários.

Devido ao facto das actas das assembleias não estarem completas e revelarem tantas debilidades, mas também por que seria manifestamente impossível no tempo que temos disponível para a conclusão desta investigação analisar a votação de cada candidato por assembleia eleitoral, apresentamos um estudo detalhado da acta da assembleia de apuramento, que ditou os resultados oficiais desta votação municipal.