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Türk Polis Teşkilâtı’nın Yeniden Yapılandırılması

B. Emniyet Genel Müdürlüğü Dönemi

1. Türk Polis Teşkilâtı’nın Yeniden Yapılandırılması

Os novos pobres seriam os supranumerários, os desfiliados os “pobres dos países ricos”, os que teriam um déficit de integração, exemplificados como os

[...] habitantes dos bairros deserdados, os alunos que fracassaram na escola, os jovens mal empregados ou não empregáveis [...] as crianças em dificuldades, pessoas idosas economicamente fracas, famílias de baixa renda desintegradas [...] (CASTEL, 2003, p. 540). Dentre os usos contemporâneos da noção de pobreza, Castel (2003) e Paugam (2003) apontam para a emergência de uma nova pobreza que se caracterizaria por indivíduos que se sentem perdidos e desmembrados dos conjuntos coletivos, se tornando isolados e com déficit de integração. Dentro dessa nova ordem social, o retrato da pobreza não pode mais se limitar aos mendicantes, desamparados, miseráveis, vagabundos como os do tempo longo da história. Os novos pobres seriam os supranumerários, os desfiliados, os “pobres dos países ricos” exemplificados por Castel (2003, p. 540), como “[...] as crianças em dificuldades, pessoas idosas economicamente fracas, famílias de baixa renda ou desintegradas [...]”.

Paugam (2003) considera um fato novo que foi registrado nas décadas de 1980 e 1990, a partir de quando milhões de pessoas, que viviam próximo ou acima da linha de pobreza abaixaram de nível socioeconômico. Trata-se de um fenômeno que assume padrões, características e sentidos variados, impactando, diferentemente do passado, grupos e pessoas que nunca tinham vivenciado o estado de pobreza, cujo traço comum é o declínio nos níveis de renda, com considerável deterioração nos padrões de vida. O autor comenta que essa pobreza encontrada nas sociedades modernas é incompatível com aquela da Idade Média, pois na mentalidade coletiva moderna ela é percebida apenas de modo negativo carregando status social inferior e desvalorizado, o que deixa marcas profundas na identidade dos que vivem essa experiência.

Nas sociedades que transformam o sucesso em valor supremo e em que predomina o discurso justificador da riqueza, a pobreza é o símbolo do fracasso social e freqüentemente [sic] se traduz na existência humana por uma degradação moral [...] (PAUGAM, 2003, p. 46).

Nas sociedades modernas, os novos pobres, além de serem privados de recursos econômicos, exercem pouca influência sobre o poder político, possuem baixa respeitabilidade e posição social, sendo representados como “o avesso, a sombra, o bloqueio da riqueza” e considerados um “artefato, um acidente – uma sobrevivência”, uma “anomalia”, “qualquer coisa de exótico” (PAUGAM, 2003).

Muitos países desenvolvidos têm enfrentado esse fenômeno desde o final do século passado por meio das políticas sociais, o que levou Paugam (2003) a construir uma tipificação dos novos pobres como fragilizados, assistidos e marginalizados, caracterizados pelas relações entre os beneficiários e o tipo de intervenção assistencial do qual possam se beneficiar. Os fragilizados se situam no polo superior do dispositivo da assistência e se beneficiam de uma intervenção pontual na esfera do orçamento para suprir as dificuldades econômicas. Geralmente os fragilizados são os desempregados, mas também os que se encontram nas situações intermediárias entre o emprego e o desemprego, o trabalho temporário, contratos por tempo determinado, os “bicos” etc., caracterizados pela incerteza e irregularidade da renda. Os assistidos são os beneficiados por uma intervenção mais intensa, com acompanhamento de tipo contratual com a assistência. São pessoas que dispõem de uma renda proveniente da proteção social ou redes de solidariedade, seja em função de uma deficiência física ou mental ou por ter dificuldade de prover educação e sustento dos filhos. Os marginalizados são os que não dispõem de renda, emprego ou subsídios assistenciais regulares. São desprovidos de status e poder por viver sem trabalho e sem domicílio fixo.

Castel (2003, p. 541) nos alerta que esse novo pobre para ser público-alvo ou beneficiário das políticas públicas precisa comprovar sua situação de incapacidade “[...] para acompanhar a dinâmica da sociedade salarial, seja porque é afetado por alguma desvantagem, seja porque dispõe de muito poucos recursos para se adaptar ao ritmo do progresso [...]”, estabelecendo assim um rigoroso sistema de controle da população pobre.

O uso contemporâneo da noção de pobreza segundo Geremek (1987, p. 6) é ressuscitado a partir dos anos 1950 e 1960, quando “[...] os termos pobreza e miséria regressam à linguagem econômica, sociológica, e nos estudos empíricos [...] em dezenas de publicações consagradas ao tema [...]”.

Para Ugá (2004, p. 61), é a partir dos anos 1990 que o combate à pobreza passa a ser “[...] peça-chave de uma ordem social implícita nos relatórios do Banco Mundial [e se torna hegemônico] na formulação de políticas [...]” dos países em desenvolvimento. Esses desdobramentos são visíveis nas plataformas políticas e discursos dos governantes atuais, como no Brasil, que tem no combate à pobreza sua principal meta governamental.

“O Brasil não pode aceitar mais que milhares de pessoas continuem vivendo na miséria, que não tenham alimentação suficiente, que não tenham um teto para viver” diz a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, reiterando o compromisso de governo de combater a pobreza extrema. (AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS, 2011).

Spicker, Leguizamón e Gordon (2009), identificaram ao menos 12 sentidos específicos da pobreza, classificados nos seguintes grupos de significados: pobreza como um conceito material (necessidade, limitação de recursos, padrão de privação); pobreza como situação econômica (nível de vida, desigualdade, posição econômica); pobreza como condição social (classe social, dependência, carências de seguridade básica, ausência de titularidade, exclusão) e pobreza como juízo moral. Segundo os autores, a pobreza pode ser vista como conceito composto que alcança uma variedade de sentidos relacionados através de uma serie de semelhanças e diferenças, em que a tarefa seria “[...] entender como estas visões e percepções diferentes se transplantam, como se inter-relacionam e quais são as implicações dos diferentes enfoques e definições [...]” (p. 301).

A pobreza ainda é um conceito relativo dizem os estudiosos. Quem é pobre? Pobre em relação a quem? Segundo Mollat (1989, p. 5) a pobreza comporta gradações, “[...] varia no plano social, conforme as épocas e os níveis de cultura e desenvolvimento econômico [...]”.

Os indivíduos são sempre mais ou menos pobres que outros. Alguém pode ser pobre frente a um banqueiro milionário e rico diante de um favelado. Uma família com três filhos que ganha um salário mínimo no Brasil é identificada como pobre para fins de transferência de renda, mas a mesma família em Moçambique não seria pobre, muito menos alvo de benefício social. Existem ainda variações nos critérios monetários de identificação e mensuração, como a pobreza relativa, absoluta,

extrema, leve etc. Questões essas que foram alvo de criticas do Nobel de Economia Amartya Sen, que chamou atenção para o seu caráter multidimensional, inserindo a dimensão subjetiva nos sentidos da pobreza, ampliando as suas fronteiras

[…] Não é meramente uma deficiência de renda que pode ser compensada por transferências do Estado [...]. É também uma fonte de efeitos debilitadores muito abrangentes sobre a liberdade, a iniciativa e as habilidades dos indivíduos. (SEN, 2000, p. 35).

No Brasil, Spink, P. (2004b, p. 46) sugere que a pobreza deve ser concebida como uma heterogeneidade:

Infelizmente, algumas interpretações, ainda presentes no imaginário social, continuam a entender a pobreza exclusivamente sob a ótica monetária e centrada no indivíduo: pobreza, para estes, remete à condição de ser “pobre”. Outras abordagens colocam o problema exclusivamente no terreno da política macroeconômica, esquecendo os múltiplos mecanismos e ações administrativas que contribuem para a geração da desigualdade e exclusão.

A noção homogênea e simplificada da pobreza tem sido alvo de críticas por suas concepções restritas às necessidades. Contudo, em um mundo urbanizado a tendência tem sido buscar abordagens mais interativas, que considerem a pobreza como “[...] produto de políticas e ações diretamente ligadas à questão fundamental da cidadania, da democratização da sociedade, da construção de laços sociais e da falta de proteção aos direitos sociais e coletivos [...]” e que garanta o acesso aos serviços e bens necessários para uma vida mais digna, menos desigual e com o exercício pleno da cidadania (SPINK, P., 2004b, p. 46).

Dos repertórios linguísticos esboçados na pobreza cristã, da humilhação, salvação, indulgência, caridade, salvação, bondade, beneficência, aos da pobreza laboriosa, dos desqualificados, perigosos, escórias, vagabundos, miseráveis, e aos da nova pobreza, como os excluídos, perdidos, isolados, desmembrados, supranumerários, desfiliados, assistidos, fragilizados, marginalizados, podemos dizer que todos eles estão presentificados e disputam espaço na composição das versões de pobreza nas políticas públicas contemporâneas.