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B. Emniyet Genel Müdürlüğü Dönemi

6. Hatay Meselesi ve Çözümüne Dair Çalışmalar

O Programa Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda com condicionalidades, que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza: Quais versões de pobreza circulam no Programa Bolsa Família? Que atores compõe os cálculos de medição de pobreza?

No artigo 2º, da Lei n. 10.836/2004 que criou o Programa Bolsa Família, concede os seguintes benefícios, in verbis:

Item I – o benefício básico, destinado a unidades familiares que se encontram em situação de extrema pobreza;

Item II – o benefício variável, destinado a unidades familiares que se encontrem em situação de pobreza e pobreza extrema e que tenham em sua composição, gestantes, nutrizes, crianças entre 0(zero) e 12 (doze) anos ou adolescentes de até 15 (quinze) anos.

Em situação de extrema pobreza são consideradas famílias com renda per capita de até R$ 50,00, e em situação de pobreza famílias com renda per capita de até R$ 100,00. De acordo com a Lei n. 10.836/2004 a unidade de medida é a renda per capita familiar mensal.

De 2004 até o ano de 2010, muitos cálculos e medidas foram alterados de acordo com o aperfeiçoamento do programa que atende mais de 12 milhões de famílias em todo território nacional. Os critérios de seleção são baseados na renda familiar por pessoa (limitada à R$ 140,00), do número e da idade dos filhos, sendo que o valor do benefício recebido pela família pode variar entre R$ 32,00 a R$ 242,00 (valores reajustados em março de 2011) (BRASIL, 2012c).

A concessão de benefícios do Programa Bolsa Família é feita com base nas informações do Cadastro Único e trabalha com quatro tipos de benefícios:

a) Benefício Básico: o valor repassado mensalmente é de R$ 70,00 e é pago às famílias com renda mensal de até R$ 70,00 per capita, mesmo não tendo crianças, adolescentes ou jovens;

b) Benefício Variável: o valor é de R$ 32,00 e é pago às famílias com renda mensal de até R$ 140,00 per capita, desde que tenham crianças e adolescentes de até 15 anos. Cada família pode receber até três benefícios variáveis, ou seja, até R$ 96,00;

c) Benefício Variável Vinculado ao Adolescente: é pago o valor de R$ 38,00 a todas as famílias que tenham adolescentes de 16 e 17 anos frequentando a escola. Cada família pode receber até dois Benefícios;

d) Benefício Variável de Caráter Extraordinário: pago às famílias dos Programas Auxílio-Gás, Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Cartão Alimentação, cuja migração para o Bolsa Família cause perdas financeiras. (BRASIL, 2010c).

Como exemplo, o Quadro 4 demonstra como é calculado o valor do benefício do Bolsa Família para famílias com renda até R$ 70,00.

QUADRO 4 - Da composição de valores do benefício para famílias com renda mensal de até R$ 70,00 Números Benefício Crianças e adolescentes de até 15 anos Jovens de 16 e

17 anos Tipo Valor

0 0 Básico R$ 68,00 1 0 Básico + 1 variável R$ 90,00 2 0 Básico + 2 variáveis R$ 112,00 3 0 Básico + 3 variáveis R$ 134,00 0 1 Básico + 1 BVJ R$ 101,00 1 1 Básico + 1 variável + 1 BVJ R$ 123,00 2 1 Básico + 2 variáveis + 1 BVJ R$ 145,00 3 1 Básico + 3 variáveis + 1 BVJ R$ 167,00 0 2 Básico + 2 BVJ R$ 134,00 1 2 Básico + 1 variável + 2 BVJ R$ 156,00 2 2 Básico + 2 variáveis + 2 BVJ R$ 178,00 3 2 Básico + 3 variáveis + 2 BVJ R$ 200,00

Legenda: BVJ – Benefício Variável Vinculado ao Adolescente. Fonte: Brasil (2010c, p. 11).

Os principais atores na composição do cálculo para concessão e definição do valor do benefício são: Faixa de renda – renda per capita mensal da família, sendo as extremamente pobres (até R$ 70,00) e as pobres (de R$ 70,00 a R$ 140,00); Idade dos moradores do domicilio – é importante frisar que o benefício variável e variável jovem é concedida somente para três crianças e jovens por família.

O cálculo final do valor do benefício é assim somado: número de crianças e adolescentes de até 15 anos; número de jovens entre 16 e 17 anos; tipo de benefício (básico, variável, variável jovem).

Segundo a cartilha Agenda da Família, “O dinheiro que a sua família recebe do Programa Bolsa Família, depende da renda mensal e do número de crianças e adolescentes que a família possui.” (BRASIL, 2009, p. 15).

O medidor faixa de renda tem semelhanças com os cálculos das linhas de pobreza do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, ou seja, o benefício básico é concedido a quem possui renda de até R$ 70,00, que é próximo a

definição de pobreza extrema de U$ PCC 1.00/dia, e o benefício variável para renda de até R$ 140,00, que seriam o U$ PCC 2.00/dia, de pobreza relativa.

Os cálculos para definição da faixa de renda são realizados a partir preenchimento do Cadastro Único, após ser abatido do rendimento, itens como medicamentos, gás, entre outros. Ao ser incluída no Programa Bolsa Família, a família tem direito de permanecer no Programa por no mínimo dois anos e após esse período, na revisão cadastral é decidida à continuidade ou não do benefício. Se após dois anos no Programa, a família alcançou renda acima do critério utilizado para concessão de benefícios e já adquiriu condições para se sustentar, o benefício será encerrado. Apresentamos a Cena 1, observada na sala de atendimento do Programa Bolsa Família, Secretaria Municipal de Assistência Social, em Campo Grande, MS, sobre as informações dos cálculos e valores usados pelo Programa Bolsa Família na definição de pobreza:

Cena 1:

Um homem catador de lixo, casado e com um filho recém-nascido ao se cadastrar descobre que não está dentro dos critérios do Programa Bolsa Família, pois sua renda de R$ 450,00 mensais esta acima do valor estabelecido para recebimento do benefício.

Quem poderia imaginar que um catador de lixo não estaria incluído nos critérios de concessão de benefício de um programa de enfrentamento à pobreza! Como podemos observar, a variável renda foi o principal medidor na definição de quem é pobre. Na Cena 1, o catador de lixo não é considerado pobre, por sua renda estar acima do estabelecido de até R$140,00 per capita. Essas operações de cálculos envolvendo diversas variáveis ainda não fazem parte do domínio de saber dos beneficiários e de muitos gestores, que não estão acostumados a esse tipo de prática na área social. Pode-se pensar que esses cálculos definem com alto grau de precisão a focalização da população alvo, que é uma das exigências das políticas sociais da atualidade.

Ao perguntar a algumas beneficiárias na fila de atendimento em um dos Centros de Referência de Assistência Social, de Campo Grande, MS, como entendem pobreza, foram apresentadas distintas noções que remetem às localidades, identidades, falta de alimentação, moradia e educação.

É uma palavra meio forte, né ! É miséria, para mim é bem forte mesmo. O nome já diz. É pessoal de favela, de morro, mendigo, é um pessoal bem humilde mesmo, a palavra já diz. Aqui tem pessoal que mora embaixo do pontilhão. (Beneficiária 1)

Pessoa que não tem nada realmente, dentro da casa para dar para o filho, não ter um pão, uma comida, um almoço..É isso! (Beneficiária 4)

É uma situação de calamidade, de pobreza mesmo, o nome já diz. É a pessoa que não em aquelas coisas grandes, porque tem gente rica que é pobre de espírito, e tem pobre que é rico. É o povo do lixão, como falei tem pobre que você vê como rico, o rico ganha bem, e o pobre come o que dá. (Beneficiária 5)

Não ter escola, não ter casa. É isso! (Beneficiária 3)

Quando a pessoa não tem onde morar, onde comer. (Beneficiária 7) É complicado, é quando seu filho pede e não tem como dar.Pode faltar várias outras coisas, mas não pode faltar nada para seu filho... (p- qualquer coisa...) tipo comida, vestimenta, brinquedos básicos, educação básica, a saúde. Eu quase perdi meu filho, que estava com pneumonia e no posto não sabiam. Tive que pagar uma consulta. (Beneficiária 2)

Na definição do que seria pobreza ou quem seria o pobre para o Programa Bolsa Família, a noção de renda, de baixo salário já se encontra em circulação. Apresentam ainda a educação dos filhos como um das variáveis relacionadas à definição de pobreza:

Quem recebe menos que um salário. Metade de um salário, para ajudar criar os filhos, comprar material escolar. (Beneficiária 3)

Sei lá, acho que o povo não entende muito o Bolsa Família, tem gente que recebe 2 salários e pega, eu conheço muita gente que tem até mais e pega. Esse programa deveria ser para quem tem crianças na escola e necessita mesmo, não é? (Beneficiária 10) Quem não tem onde morar e se sustentar os filhos. (Beneficiária 7) Aquelas pessoas que têm necessidade e não consegue ter uma renumeração alta, e não tem como se manter. Ai eles dão uma ajuda. (Beneficiária 9)

Especificamente sobre o conhecimento dos critérios e cálculos realizados para inserir uma pessoa no programa Bolsa Família, embora os beneficiários apresentem noções que incluam os medidores de renda, nenhum dos entrevistados conseguiu responder com precisão sobre quais e como são definidos os cálculos de renda no Programa:

Não sei, eu acho que tem que ter uma renda familiar de até R$ 250,00, para ele entrar, que é independente do número de filhos, não tenho certeza. (Beneficiária 2)

Acho que é menos que R$ 250,00 reais. (Beneficiária 3)

Acho que é um salário, abaixo de um salário, pessoa autônoma. (Beneficiária 5)

Acho que até R$ 1.000,00 é pouco para sobreviver. É para quem tem mais filho, não sei, não faço mínima ideia. Vejo quem tem condições recebe e outros que não tem condições não recebem. Tem gente que tem casa mobilhada, chique e r recebe. Uma pessoa que tem que pagar aluguel, vestir os filhos, dar de comer. Acho que esse deve receber, ganhar. (Beneficiária 6)

Acho que é para quem não tem renda. Não pode ter renda. (Beneficiária 7)

Acho que é abaixo de um salário, tava no papelzinho lá. Depende do número de filhos. Não sei direito. (Beneficiária 10)

Não sei, uma vez tinham falado que era R$ 150,00 por pessoa na casa, às vezes tem controle às vezes não tem, não sei. (Beneficiária 9)

Não sei, não sei. (Beneficiária 8)

As informações do Programa Bolsa Família são divulgadas principalmente no site do Programa e nos materiais educativos fornecidos aos usuários como as cadernetas e agendas. Esses instrumentos não são suficientes para enfrentar a desinformação ou falta de informação dos beneficiários sobre os critérios para inserção no Programa e sobre os cálculos usados na definição do valor do benefício. Nos atendimentos observados, as dúvidas apresentadas pelos beneficiários não eram esclarecidas, postura essa justificada pela questão da falta de tempo durante o

cadastramento. No entanto uma gestora do Programa Bolsa Família, de um dos Centros de Referência de Assistência Social, de Campo Grande, MS, atribui a falta de informação entre os beneficiários à falta de interesse dos mesmos:

[...] eles não buscam informação, querem ir lá e receber o dinheiro [… ] só querem receber o dinheiro e não veem os outros benefícios. Não participam de outros programas de inserção produtiva, redução de tarifas elétricas, “do Pró-Jovem”.

Durante o período de realização da pesquisa não observamos nenhuma estratégia de comunicação voltada aos beneficiários para divulgação dos critérios de cálculos do valor do benefício, seja nas reuniões, nos atendimentos de cadastramento e na mídia.