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ÇOCUKLUK-GENÇLİK-EĞİTİM VE ASKERLİK HAYATI

B. Birinci Dünya Savaşı ve İbrahim Şükrü

1. Kanal Seferi

“À medida que a literatura desaparecia de vista ou se tornava mais ilustrativa, a busca dos impalpáveis ‘princípios primeiros’ de Bakhtin começava. Apenas recentemente, os intelectuais russos treinados nos textos clássicos da filosofia européia do século XIX começavam a analisar o verdadeiro estilo e lógica do ‘filosofar’ de Bakhtin, seu tecido de citações não identificadas, suas zonas de voz e controvérsias ocultas.”

(Emerson, 2003:160)

Criador de uma filosofia além do seu tempo, os pensamentos de Bakhtin permitem um olhar diferenciado sobre as obras em questão. Seus conceitos de polifonia, relações dialógicas e carnavalescas, aplicados ao corpus desta pesquisa, são capazes de revelar a intrínseca multiplicidade de histórias em S/NS.

Bakhtin entendia o mundo em sua pluralidade. Para ele, tudo era possível somente através da diversidade e do entrechoque de idéias. O universo bakhtiniano é formado pela existência de múltiplas consciências ideológicas, “vários-uns- consciências” consonantes e dissonantes na estrutura interna das relações.

"(...)a polifonia pressupõe uma multiplicidade de vozes plenivalentes nos limites de uma obra, pois somente sob essa condição são possíveis os princípios polifônicos de construção do todo."

(Bakhtin, 1997: 35)

Para Bakhtin (1997) a polifonia somente acontece quando os múltiplos elementos se fazem vozes plenivalentes12, ou seja, quando todas as vozes

enunciativas são plenas de valor e assumem uma relação de igualdade com as outras vozes do discurso. Levada ao limite de sua conceituação, a polifonia é constituída por consciências equipotentes13 que nunca perdem o seu “ser” enquanto

consciências autônomas.

Neste ideal de polifonia, os diversos elementos relacionam-se de diferentes maneiras. Tais relações são por ele estudadas em uma ciência fundada a partir na noção de dialogismo.

“Ao mesmo tempo, Bakhtin se aproxima da relatividade de Einstein e descobre a existência de um diálogo contínuo entre os fenômenos do mundo, em que nada escapa ao mecanismo das relações. Com base em tais descobertas, Bakhtin vê a possibilidade de construir uma ciência das relações, em que a mente teria um função construtiva fundamental. Esta ciência Bakhtin concebeu como

dialogismo.”

(Machado, 1995: 36)

As noções estético-filosóficas de polifonia e de dialogismo, aplicadas ao objeto desta pesquisa, desvelam a autonomia das histórias incorporadas à narrativa geral dos filmes. Desta maneira, cada uma das doze possibilidades propostas em

12 Bakhtin utiliza o termo plenivalente para se referir às vozes enunciativas de teor ideológico próprio e

autônomo.

S/NS, se faz considerar como uma história plenivalente e se relaciona com as outras

através de um processo dialógico.

Ao lançar um olhar sobre a estruturação permutativa dos filmes, nota-se que esta é constituída com base em um "esqueleto" de intertítulos que separam e identificam os trechos narrativos. Os intertítulos possuem duas funções determinantes para o entendimento dos filmes: identificação dos saltos no tempo e introdução à diegese no vai-e-vem da narrativa.

Cada trecho decorrente do retorno da narrativa no tempo só é iniciado depois que os intertítulos situam o espectador no tempo diegético. Isso se dá pela ilustração do ambiente para o qual a narrativa está retornando e pela apresentação da frase que determina a mudança de atitude do personagem em questão. Esta codificação sintática que estrutura o filme possibilita a visualização dos trechos da narrativa que compõem cada uma das histórias. (ver diagrama de permutação narrativa tratado anteriormente)

Por outro lado, o que confere força suficiente para um desfecho ser interpretado como história autônoma é a sua composição dramatúrgica. Cada história possui todos os elementos estruturais narrativos necessários para dar sentido a uma obra cinematográfica. Todas as doze histórias internas, quando visualizadas em suas narrativas particulares, possuem significados independentes e conclusões próprias sobre fatos e personagens. São identificáveis, os protagonistas, seus obstáculos e objetivos, o conflito principal e os secundários, a tensão principal e a resolução, itens fundamentais para um roteiro cinematográfico. (Howard & Mabley, 1993)

Em alguns casos, os obstáculos existentes entre o personagem e seus objetivos são diferentes, em outras são iguais. Mas, mesmo nos casos em que as diferenças entre uma história e outra são operadas pelos trechos narrativos mais curtos (ao exemplo das histórias G e H no diagrama de permutações), ao menos a culminância e a resolução são exclusivos. É esta característica que confere a cada uma das histórias que compõem o objeto dinâmico das obras de Resnais o caráter de instância enunciativa plenivalente.

Nota-se, por exemplo, a culminância da tensão principal de duas histórias em que a diferença se faz por um pequeno trecho narrativo (A e B). Na história A, em

meio a uma partida de golfe, Milles Coombes cede às investidas sexuais de sua esposa. Rowena havia magoado profundamente seu marido com suas traições. A atitude de Milles demonstra sua aceitação em ser eternamente colocado em segundo plano, em relação aos casos extraconjugais de sua companheira. Já na história B, ele encontra forças para dizer não às provocações de Rowena e, por conseqüência, para todas as espécies de constrangimentos a que sua mulher o expusera até então. Neste trecho, a resolução da história acontece quando Coombes encontra Celia Teasdale. Ele revela a ela, e ao espectador, que, mesmo com os “comentários maldosos” das pessoas, está vivendo em Londres com Toby, ex-marido de Celia, embora eles sejam apenas “bons amigos”.

Mas a diferença é maior quando se compara estas duas histórias com a que as sucede. A história oferecida pelo desfecho C, volta no início do tempo diegético para contradizer todo o desenvolvimento dos trechos acima. Neste caso, a tensão principal não acontece em um campo de golfe, mas no galpão da casa dos Teasdale.

Devido às traições de Rowena e à negação de Sylvie ao seu convite para viajar pelo mundo (o que seria sua única alternativa de ser feliz ao lado de uma mulher), Milles Coombes tranca-se no galpão, permanecendo lá por cinco semanas. Apenas quando se comove com os apelos e atitudes de Rowena (ela não cede às investidas sexuais de Lionel Haplewick, porteiro da escola), Milles sai de seu refúgio. Ao deixar o galpão, ele sai desolado e comunica à esposa que irá apanhar um trem e sair pelo mundo. Cinco anos depois, Milles está vivendo infeliz com outra mulher que, como sua ex-esposa, também o trai. Milles encontra Rowena na igreja e pede para que volte a viver com ele, mas agora ela também está vivendo outra relação e não dá atenção ao pedido do ex-marido. Coombes, infeliz, vai embora. (história C)

Estas três histórias ilustram o grau de independência ideológica que se procura evidenciar. Não existe uma versão que possa ser considerada correta ou principal, todas possuem o mesmo valor significante em relação às outras, já que seus elementos dramáticos e narrativos assim permitem. Se, entre as histórias A e B, a diferença é percebida na culminância da tensão principal, entre estas duas e a história C, as diferenças estendem-se por toda a trama.

A noção de autonomia das histórias fica ainda mais evidente quando se atenta para o fato de que cada uma delas poderia ser separada em um único filme.

Através de procedimentos de montagem, seria possível separar as seis narrativas que compõem o objeto imediato da narrativa de cada filme, sem que isso prejudicasse o desenvolvimento de qualquer uma das histórias. Para isso, seria necessário somente que, neste processo de (re)montagem, os trechos comuns a duas ou mais histórias fossem repetidos nas narrativas que assim exigissem.