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1.2 Bazı Temel Konular

1.2.3 Suç Normunun Yapısı

Segundo Juliatto (2010), a expressão indicador de qualidade foi cunhada nos Estados Unidos, espalhando-se, a partir daí, para muitos países. O impulso pelo seu desenvolvimento teve relação com a preocupação generalizada à qualidade da

educação, face à crescente demanda dos estudantes e da sociedade. A fim de monitorar e melhorar a prestação de serviço educacional, indicadores de diversos tipos foram desenvolvidos, principalmente com o objetivo de obter informações uteis que estabeleçam comparativos e balizem a tomada de decisões, provendo melhores respostas para o crescente número de reivindicações da clientela.

Nos últimos anos, principalmente a partir dos anos 90, organismos internacionais, como a UNESCO62 e a OCDE, têm interpretado uma concepção de qualidade em educação por meio da representação de sistemas de indicadores. A OCDE, desde meados da década de 90, desenvolveu e publicou uma ampla gama de indicadores comparativos, responsáveis por fornecer uma visão sobre o funcionamento dos sistemas de ensino e refletir a respeito dos recursos investidos e seu retorno. A organização justifica a necessidade deste tipo de estudo, tendo em vista a crescente demanda por aprendizagem, e a necessidade de elevar os níveis de educação (em função das novas exigências econômicas e sociais), com o avanço tecnológico e científico, e com a globalização.

Estes relatórios, produzidos pela OCDE, permitem que os países participantes se vejam à luz do desempenho de outros países; ele fornece ampla gama de indicadores comparáveis sobre os sistemas de educação, e representa o consenso do pensamento profissional em relação à forma de medir o estado atual da educação, a nível internacional; mostra quem participa na educação, o quanto é gasto, entre outros aspectos; também apresenta uma grande variedade de resultados educacionais, comparando, por exemplo, o desempenho dos alunos em assuntos-chave, e o impacto da educação sobre os rendimentos, e as chances de emprego dos adultos. A intenção é avaliar, na perspectiva de elaborar diagnósticos, e comparar diferentes realidades, a fim de tornar as políticas educacionais mais eficazes.

A UNESCO compartilha ainda da perspectiva da necessidade desses indicadores. Conforme texto constante na página da organização, no link “estatística e indicadores”63 , defende-se que a chave para a gestão educacional é dispor de um amplo conjunto de informações relevantes e confiáveis, as quais possibilitam não

62 Um exemplo é o Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) - a principal fonte de estatísticas

comparáveis sobre educação, ciência e tecnologia, cultura e comunicação para mais de 200 países e territórios. Disponível em: <http://www.uis.unesco.org/Pages/default.aspx>. Acesso em: 23 set. 2014.

63 Disponível em: <http://www.unesco.org/new/es/santiago/resources/statistics/>. Acesso em: 23 set.

apenas a avaliação, mas a tomada de decisões. Um exemplo concreto disto é o Laboratorio Latinoamericano de Evaluación de la Calidad de la Educación (LLECE)64, uma rede de sistemas de avaliação da qualidade da educação na América Latina, que tem como objetivo a produção de informações sobre a aprendizagem dos alunos, analisando fatores associados à evolução deste processo, servindo de apoio e aconselhamento de medição e avaliação dos países, além de ser um espaço de reflexão, discussão e intercâmbio de novas abordagens para a avaliação educacional. O laboratório já produziu três estudos (1997; 2006; 2013), sendo que o último deles ainda está em fase de análise dos resultados.65

No entanto, é preciso destacar que esses indicadores ofertam uma visão geral; é necessário ter em mente que não são absolutos, nem contêm toda a realidade, pois há diferenças contextuais entre eles, além de o referencial poder ser questionado, o que está se tomando por indicador, por isso a complexidade deste tipo de proposta, o que não a torna inválida e sem necessidade, mas a coloca sob um olhar atento, com suas proposições e resultados encarados com criticidade.

Um exemplo dessa perspectiva, no Brasil, são os esforços da RIES – Rede Sul-Brasileira de Investigadores da Educação Superior, cujos participantes estudam, sistematicamente (já há seis anos), a proposição de indicadores e eixos que relacionam qualidade da educação superior. A perspectiva adotada foi a de enfrentar o desafio em propor indicadores que não estivessem restritos à logica de mercado, mas que buscassem avaliar o local na perspectiva do aprimoramento da educação superior. Destes estudos, derivaram uma série de publicações, como o livro Qualidade na Educação Superior: dimensões e indicadores (2011), organizado por Franco e Morosini. Destaca-se esta produção, pois, em um dos seus textos, consta uma importante colocação sobre a noção de indicativos, a qual já foi mencionada na introdução da presente tese::

A noção de indicativos ultrapassa a ideia de uma rota pré-estabelecida, com detalhes rígidos de percurso que precisam ser atendidos de forma minuciosa, em mínimos detalhes para se chegar ao destino final. Mas, se sustenta na ideia de indícios orientadores daquilo que ainda não está pronto e, como tal, permite que se construa com a intenção de sempre avançar mais, para além do instituído, com vistas a uma melhora constante para

64Disponível em: <http://www.unesco.org/new/es/santiago/education/education-assessment/>. Acesso

em: 23 set. 2014.

65Disponível em: <http://www.unesco.org/new/es/santiago/education/education-assessment-

alcançar um novo patamar institucional de qualidade. Indicativos implicam ideia de reinvenção. (FRANCO; AFONSO; LONGHI, 2011, p. 299).

É desde essa perspectiva que a proposta da presente tese está ancorada, quando propõe pensar em dimensões a serem consideradas para a qualificação da formação inicial de professores para a educação básica, no âmbito dos IFs, e para a elaboração de indicadores que avaliem essa qualidade. Entende-se, portanto, que tais indicadores são sinais que podem revelar algo de uma determinada realidade, que a observação de suas variações permite constar mudanças, e que este instrumento deve ser flexível, isto é, considerado de acordo com o contexto, e reavaliado constantemente. Sendo assim, a sua função não se limita ao controle, estendendo-se à avaliação e ao planejamento de estratégias, com vista à tomada de decisões.

Juliatto (2010, p. 106) define o conceito de indicador de qualidade da seguinte forma:

Há algumas condições e características que, por estarem presentes nas instituições e programas, revelam a existência da qualidade, ou são indicações de qualidade. Da mesma forma, se estão ausentes, são indicações de falta de qualidade. Essas características, condições ou aspectos, quando convergentes e concordes, são chamados indicadores de qualidade.

O autor salienta ainda que esses dados empíricos são quase sempre quantitativos, mas uma avaliação da qualidade não precisa considerar somente este viés, podendo (e devendo) trabalhar com dados qualitativos. Juliatto (2010, p. 109) compartilha da visão de indicadores como algo flexível. Para ele:

Os indicadores de qualidade têm de ser empregados com cuidado e para a finalidade para a qual foram criados. Eles não são medidas absolutas da qualidade. Eles são indicadores de qualidade singelos, mas significativos. Eles indicam e até sinalam algo que pode necessitar de maior elucidação e explicação. A ênfase deve ser dada aos indicadores como sinais ou guias que, por certo, comportam valiosa informação.

Conforme Juliatto (2010, p. 141-156, grifo meu), estes sistemas podem considerar diferentes aspectos, em relação a insumos / entrada, processos e produtos:

Os indicadores de insumo, em sentido amplo, podem relacionar-se a quaisquer tipos de recursos, empregados na educação: humanos, materiais e financeiros. Eles incluem as características de entrada dos estudantes, pessoal docente e administrativo, infraestrutura, equipamentos, dependências físicas, etc. [...] Os indicadores de processo referem-se ao que ocorre entre o insumo e o produto e todas as variáveis e aspectos

envolvidos no trabalho educacional [...] Esses indicadores abrangem extenso elenco: questões relativas à organização dos programas, currículos, metodologia de ensino, atividades de planejamento e administração, e interação de professores e alunos. [...] Os indicadores de produto referem-se à consequência final, ao resultado conseguido, ou ao efeito das tarefas desempenhadas na instituição, como ensino, pesquisa e extensão.

Nessa tese, a ênfase dos indicadores de qualidade, pensados para as licenciaturas no âmbito dos IFs, recaiu sobre questões relacionadas ao processo, conforme apresentado e discutido no Capítulo 7.