1. ARAġTIRMANIN KONUSU, AMACI, ÖNEMĠ, METODU VE
1.3. AraĢtırmanın Kaynakları
1.3.4. Seyahatnâmeler ve AraĢtırmalar
Até aqui, foram apresentadas as características de empresas tipicamente manufatureiras, de serviços e servitizadas. Além disso, mostrou-se o crescimento intenso de serviços na participação da economia de países desenvolvidos (Figura 1.1) e a forma de medir a qualidade dos serviços.
Pode-se ver que muitos textos e artigos atuais consideram a evolução de ser- viços e muitos estudos tratam de demonstrar como eles aparecem em diversos ce- nários e segmentos da indústria.
Porém, adicionar serviços ao portfólio de uma empresa requer algumas mu- danças importantes dentro da própria organização segundo a análise de alguns au- tores contemporâneos, tais como Mathieu (2001), Oliva e Kallenberg (2003), Ren e Gregory (2009), Baines et al. (2009a).
Apesar disso, Lusch e Vargo (2004) afirmam que somente fazer essas altera- ções não é suficiente se a lógica da empresa não mudar. Mais que se reestruturar, a empresa deve saber como de fato isso ocorre e quais são os aspectos mais impor- tantes para se levar em consideração.
Sendo assim, esses autores diferenciam duas lógicas. Uma primeira chamada de produto-dominante em que o foco principal da organização está na produção de bens manufaturados e uma segunda chamada serviço-dominante, cujo centro das atenções deve ser o serviço prestado.
Posto isso, os autores diferenciam claramente uma lógica da outra por meio de oito aspectos chaves que devem ser levados em conta e bem diferenciados. A Tabela 2.6 mostra quais são estes aspectos.
Tabela 2.6: Comparação entre as lógicas produto-dominante e serviço-dominante (adaptada de Lusch e Vargo, 2004).
Lógica Produto-Dominante Lógica Serviço-Dominante Bem manufaturado Serviço
Tangível Intangível
Recursos operadores Recursos operantes Informação assimétrica Informação simétrica
Propaganda Diálogo
Valor adicionado Valor proposto Transacional Relacional Maximização do lucro Retroalimentação financeira
No primeiro aspecto, a diferença está relacionada à importância que a primei- ra lógica dá ao produto acabado e à preocupação de que cada vez mais seja possí- vel vendê-lo. A segunda lógica, por sua vez, prioriza a venda de um fluxo de serviço, do qual o próprio produto pode fazer parte. É importante destacar que na lógica ser- viço-dominante a preocupação maior é com a combinação de produtos que atendam às necessidades do cliente, sendo capaz de gerar uma solução aos seus problemas. O segundo aspecto corresponde ao antagonismo entre a priorização do bem físico versus o bem intangível. Nesse caso, a segunda lógica busca priorizar a expe- riência do consumidor com o produto que a empresa oferta. Em outras palavras, o cliente “vivencia” o produto e não simplesmente o consome.
Quanto aos recursos, as duas lógicas também apresentam diferenças inte- ressantes. Sob a ótica do produto-dominante, um recurso operador é estático e ca- paz de adicionar valor ao produto sem a necessidade de criar algo novo ou diferente (por exemplo, máquinas de produção). Ele é parte de uma linha de produção que monta o bem acabado. Já na lógica serviço-dominante, o mais importante deixa de ser o operador e passa a ser o operante, envolvendo-se com a solução e criando ao longo da mesma. Isso permite que uma empresa diferencie-se da outra, bem como a solução apresentada. Dessa forma, é comum o maior investimento no desenvolvi- mento de recursos na segunda em relação à primeira lógica. A lógica serviço- dominante preza pela manutenção do conhecimento (intangível) em vez de priorizar o recurso estático (máquina, por exemplo).
Outro ponto interessante mencionado pelos autores é a diferenciação entre as trocas de informação assimétricas e simétricas. Esta última é apresentada sob a ló- gica serviço-dominante em que as informações e o tratamento são intercambiados entre clientes, parceiros e a própria companhia de forma igualitária. Sendo assim, empresas que não seguem esse padrão de conduta perdem espaço no mercado em que atuam, pois têm maior dificuldade em formar parcerias e trabalhar em conjunto com o cliente. Adicionalmente, reforça-se a forma como a empresa posiciona-se pe- rante os demais dentro da cadeia.
O quinto ponto versa sobre a não mais preocupação em simplesmente se fa- zer propaganda do produto, mas em discutir não só com clientes, mas também com parceiros e funcionários as novas ideias. Escutar o mercado passa a ser crucial, de forma que a interação com o meio torna-se fundamental para a apresentação de no- vas soluções.
A adição e a proposição de valor também são itens que segundo Lusch e Vargo (2004) merecem ser diferenciados. Para um produto físico, o cálculo do preço é feito simplesmente baseado nos custos do produto e na comparação deste com o praticado pelo mercado. Quando se fala de serviço, embora possa existir uma com- paração com os valores atribuídos por outras empresas, essa conta deixa de ser simples, pois o cliente irá pagar um valor que considera aceitável (bem intangível) de acordo com o que lhe é oferecido. Mesmo assim, nas duas situações (produto ou serviço) nem sempre o comprador optará pelo mais barato. Há mais fatores conside-
rados para a escolha, como a marca, experiências anteriores, referências de outros consumidores, prazos de entrega etc.
A diferenciação do relacionamento da empresa com seu cliente é outro ponto que diferencia as duas lógicas. No caso do serviço-dominante, espera-se uma ampla participação do cliente na solução (cogerador de valor), o que culmina em uma rela- ção diferenciada e mais próxima do cliente. No caso da venda de produto, essa in- terface é mais distante. Dessa forma, a interface entre ambas as lógicas ocorre de maneira distinta e com intensidades também bem diferentes.
Por último, a lógica serviço-dominante preza pela constância no relaciona- mento com o cliente para a manutenção de um fluxo de caixa condizente, em detri- mento da sazonalidade das vendas e foco na minimização do custo.
Sendo assim, Lusch e Vargo (2004) trazem para discussão os aspectos que devem ser diferenciados quando uma empresa pretende mover-se para o segmento de serviços, reduzindo seu foco em produto. Quando isso acontece, diz-se também que o foco no produto dá lugar ao foco no cliente.
Para Bendapudi e Leone (2003), são cinco os pontos mais relevantes da lógi- ca serviço-dominante:
há o envolvimento “emocional” do cliente por meio da propaganda e de atividades promocionais;
o autosserviço é praticado, ocorrendo uma transferência de trabalho para o cliente;
o ofertante provê uma experiência e o cliente é parte do contexto; o cliente escolhe por si mesmo como resolver um problema em particu-
lar, usando os processos prescritos pelo ofertante;
o cliente e o ofertante se envolvem na atividade especialmente impor- tante de criação do produto/serviço.
Galbraith (2002) também apresenta formas de diferenciação de conceitos ba- seado no foco da empresa. Veja na Tabela 2.7 como o autor diferencia as duas vi- sões.
Desses três grupos de autores apresentados (GALBRAITH, 2002; BENDA- PUDI; LEONE, 2003; LUSCH; VARGO, 2004), percebe-se que é difícil uma empresa que busca enveredar-se pela área de serviços manter a mesma atuação de fabrican- te de produto frente ao mercado, cliente e fornecedores.
Ela deve, portanto, passar por mudanças importantes em vários comporta- mentos (por exemplo aqueles levantados por Galbraith (2002) e adaptados na Tabe- la 2.7) para que o processo de servitização ocorra de forma bem sucedida, come- çando por seu posicionamento dentro da cadeia de valor (BAINES et al., 2009a). Espera-se, assim, que haja uma alteração em sua forma de interagir com o meio externo, apresentando agora os aspectos da lógica serviço-dominante mencionados por Lusch e Vargo (2004).
Tabela 2.7: Comparação entre as visões de empresas focadas no produto e no cliente (adapta- da de Galbraith, 2002).
Comportamento Companhia centrada no produto Companhia centrada no cliente Objetivo Melhor produto para o cliente Melhor solução para o cliente Rotina de criação de
valor Novos aplicativos e características do produto Customização para uma solução ideal Processo mental Pensamento divergente: quantas possibilida-des de utilização deste produto? combinação de produtos para este cliente? Pensamento convergente: qual a melhor
Principal cliente Grandes clientes Clientes leais
Prioridades Portfólio de produtos Portfólio de clientes
Principal oferta Produtos específicos Pacotes de serviço personalizados, educação, treinamento, consultoria, suporte
Conceito organizacional Centros de custos de produto Centros de custo de clientes
Principal processo Desenvolvimento do novo produto Relacionamento com o cliente
Métricas produtos com menos de dois anos, carteira do Número de novos produtos, % de receita de mercado
Carteira de clientes, satisfação dos clientes, retenção dos clientes
Cultura Cultura de um novo produto: aberto a novas ideias e experiências novas oportunidades para ajudar o cliente Relacionamento com o cliente: busca por
Reconhecimento Baseado no desempenho da unidade de negócio Baseado no desempenho da companhia Abordagem com funci-
onários Foco no grupo de desenvolvimento de novos produtos Foco no grupo que retém os clientes e tem conhecimento do seu negócio Posicionamento de
vendas Ao lado do vendedor na negociação Ao lado do comprador na negociação
Gebauer, Friedli e Fleisch (2006) em seu estudo de caso buscam justamente entender quais passos devem ser dados para que o processo de servitização tenha êxito. A pesquisa foi realizada com indústrias alemãs e suíças produtoras de maqui- nários. A Tabela 2.8 detalha as recomendações feitas pelos autores.
Além da sua forma de interagir com o meio externo, alguns autores alertam também para as mudanças e desafios encontrados dentro da própria organização
quando da instauração desse processo de servitização (MATHIEU, 2001; ZARIFIAN, 2001; OLIVA; KALLENBERG, 2003; BAINES et al., 2009a; REN; GREGORY, 2009; KUCZA; GEBAUER, 2011).
Cavalieri, Gaiardelli e Ierace (2007) também concluem em seu trabalho que não é possível que uma empresa entre no segmento de serviços sem que se torne clara a participação e foco na linha de frente com o cliente, em consonância com os estudos divulgados por Teboul (2006).
Tabela 2.8: Guia gerencial para aumento da participação da receita de serviços em empresas manufatureiras (adaptada de Gebauer, Friedli e Fleisch, 2006).
Passos para implementação de serviços de forma bem sucedida Desenvolvimento de serviços
voltados ao mercado e claro processo de desenvolvimento
de serviços
Identificação das necessidades dos clientes
Implementação de um processo sistemático coordenado e transparente para o desenvolvimento de novos serviços
Oferta do serviço focada no cliente
Alteração do foco para o cliente
Desenvolvimento de serviços relacionados ao produto e manutenção do serviço focado no cliente
Mudança da forma como é calculado o preço do serviço
Relacionamento do marketing
Marketing externo: projetar uma imagem específica que saliente as competências do serviço da empresa
Marketing interativo: manutenção contínua do contato com o cliente Marketing interno: apoiar os funcionários para que entendam e divulguem as vantagens do serviço
Estratégia do serviço
Formulação de uma estratégia deliberada de serviços Mudança do papel de serviços na estratégia da companhia
Utilização de uma base de informação para criação da estratégia da companhia Envolvimento de todas as áreas da empresa
Promoção da participação e aceite das estratégias de serviço
Separação da organização de serviço
Separação de uma organização de serviços separada que tenha responsabilida- des sobre o lucro e custos
Quebra em objetivos quantificáveis de acordo com a estratégia do serviço Envolvimento dos funcionários na definição dos objetivos
Cultura de serviço
Gerenciamento do relacionamento entre os valores da manufatura e da cultura de serviços
Alteração do conceito de “falta de valor agregado” ao pensamento de “valor agregado” pelo serviço
Mudança do pensamento de venda de produto para provedor de serviços
Em seu texto, Zarifian (2001) adiciona à discussão não somente um crescente interesse do setor industrial em incorporar serviços à sua carteira, ao que denomina produção industrial de serviço, mas também debate a respeito de uma “lógica de serviço”, cujo conceito principal é de que o serviço não é apenas o ponto final da produção, mas é também seu ponto de partida, sendo responsável por orientar toda a organização para uma mesma visão.
Considerando essa lógica, o autor introduz um pensamento sobre os três uni- versos que compõem essa produção industrial de serviço: universo da concepção e desenvolvimento de novos produtos ou serviços, universo dos sistemas técnicos que garantem a produção dos manufaturados e serviços e o universo de contato com o público.
Apesar de permanecerem separados e com necessidades próprias, Zarifian (2001) assegura que a eficiência futura da empresa depende amplamente da quali- dade de cooperação entre esses três universos e, dessa forma, requer uma conver- gência e complementaridade de seus objetivos e da forma como se organizam. Por- tanto, surge também uma necessidade de revisão da interação interna da compa- nhia (processos e recursos) quando esta passa por um processo de servitização.
Sendo assim, este trabalho percorrerá ainda por mudanças organizacionais internas advindas da servitização e apresentadas pela literatura por meio do enten- dimento de como essas alterações ocorrem em empresas de bens de consumo du- ráveis. As questões levantadas nos próximos itens deverão fornecer subsídios para a proposição do modelo de medição do grau de servitização para esse tipo de em- presa.